FÉNIX

 

LOGOS Nº 24

JANEIRO - 2017

 

 

 

Jandyra Adami

 
 

MÁSCARA NEGRA
Por Jandyra Adami 


“Você poderia ter sido tudo em minha vida, se ao menos tivesse desejado ser. Dei-lhe minha emoção mais profunda e o mais profundo amor que concebeu meu ser”...
Como é que o J.G. de Araújo Jorge escreve coisas que vêm acertar com a vida das pessoas?
Um dia nos encontramos de repente, naquele tipo de “esbarrão”...
Meus cadernos foram ao chão, você pegou e nossos olhos se cruzaram.
Só nesse dia fiquei sabendo da sua existência . Depois...nunca mais esqueci. Nosso namoro foi louco. Nunca houve outro igual. Eu era noiva, não podia ter outro em meu coração.
Mas, você chegou como a ventania que derruba casas, postes, etc.
Em minha cabeça foi um redemoinho de loucura. Nós nos víamos de longe, em recados pelas colegas. Parecia que nos queríamos. Dei-lhe meu retrato e algumas cartas. Só...
Os anos se passaram. Raramente nos vimos, até que chegou aquele CARNAVAL. Ficamos juntos. Eu já era livre... Mas você, seria?
Nem perguntei. Parecia um sonho estar consigo por uma noite toda, dançando, tendo meu corpo envolto em seus braços, mascarada, com medo do ciúme de meu ex-noivo
De madrugada pegamos o mesmo trem, rumo às nossas cidades. Ao longe ouvíamos ainda os acordes da orquestra, no Clube. Em nosso ouvido permaneceu, por muito tempo, aquele refrão:
“...quanto riso, oh! Quanta alegria, mais de mil palhaços no salão. Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão...”
CARNAVAL...Somos todos palhaços no meio do salão... Mas foi bom..Dançamos, conversamos e foi só. A imagem antiga continuava. Falamos de namoro. Tudo certo... Mas a distância não deixou que nossos destinos se cruzassem novamente. Ou será que nós não forçamos o destino? Sei lá...
Só sei que foi uma boa passagem da minha vida. Adoro recordar pessoas que nunca me deram problemas. Meus namorados eram todos tão ciumentos e irritantes!!!
Você fez muito bem à minha mocidade. Acredito que eu também fui, na sua vida, “algo mais”.
E agora? Somente recordações... Jamais esquecerei desta terça feira de carnaval em minha terra natal.
Onde andará você, “ MÁSCARA NEGRA”...

(Do livro Rosas e Espinhos)

Jandyra Adami
Belo Horizonte - MG - Brasil

 
 

 

Janete Sales Dany

 

 

 

SONETO ALMA DE AMOR
Janete Sales Dany 


Sou sopro na janela a tua procura
Sou sereno catita a te sondar
Existo a lastimar pela ventura
Um choro vendaval deixo no ar

Sou chama dolorida de doçura
Sou oceano infeliz a soluçar
Existo a desejar a tua tortura
Meu elevado safira a relutar

Reapareça mistério protetor!
Amo recomeçar alma de amor
Existo dependente do teu leste

O desejo castiga a minha mente
Amo romantizar uma semente
Revele a tua figura sem a veste...

Poema @registrado na Biblioteca Nacional

Janete Sales Dany
São Paulo - Brasil
http://danysempre.blogspot.com/

 
 

 

Janete Veiga

 
 

O TÚNEL DE ITAIÓPOLIS
Janete Veiga 


Na década de trinta
Um batalhão se formou.
Na estrada de ferro
Muitos homens trabalhavam
Para um túnel construir.
Tiveram dificuldade
Mas, nem por isso
Deixaram a obra sem concluir.

Primeira Maria Fumaça,
Mais tarde o trem.
Onde se transportavam
De cidade para cidade
Nesse vai e vem.

Esse túnel é grande
Fica numa cidade maravilhosa
Ótima de se viver,
Sem pensar em morrer.
Nossas sementes e lembranças
Aqui estão.
Juntas se unem nossas esperanças.
Da história sem fim.

SONHOS SIMPLESMENTE
Janete Veiga 


Que bom seria se a gente
Pudesse deitar numa cama
E sonhar com a pessoa
Que a gente tanto ama.

Reviver momentos marcantes
Momentos de dois amantes
Que se amaram e que se amam
Como duas eternas crianças.
Que vivem sempre sonhando
Vivendo na esperança
De um amanhã melhor
Um amanhã de amor.

De manhã quando acordasse
E para o lado olhasse
Pudesse ver você junto comigo
Sentir seu calor
Presenciar seu amor.
Mas nós dois somos
Dois amigos, amigos simplesmente
Que rumamos caminhos diferentes
E nos amamos em sonhos,
Em sonhos simplesmente.

 
Janete Veiga
Itaiópolis - SC - Brasil

 

 

 

Jani Brasil

 
 

GUARDADO NO POTE
Jani Brasil 


Lágrimas de um passado tardio...
Flores em um presente primaveril
Badulaques sem nenhum sabor...
Papéis sem valor!

De tudo se tem um pouco
Ou tudo detona o poço...
Pote fresquinho...
Pote esquecido...
Pote perdido...
Cheios ou vazios!

Os potes de cada um
Carregados por uma vida inteira
Potes silenciosos...
Segredos guardados!

Potes manchados...
Olhos vidrados
Sorrisos estancados
Potes quebrados!

Carregados na mente
No coração ...Na alma...
Lembranças que latejam...
Potes cheios...Porém vazios!

Tristezas...Alegrias...
Fantasias...Arrepios...
Grandezas...Belezas...
Nostalgias...Anarquias!

Coração maltrapilho
Em frangalhos...Despido.
Potes secos de perdão...
Vazios de amor!

Em pedaços enontrados...
Potes renovados...
Restaurados...
E com brilho sou...Estou!

EMBALO
Jani Brasil 


Arrepiando em dengos a alma...
Dança gostoso a vida!
Com a taça na mão...
Os goles da esperança
Na champangne...
Degusta.
Jogando tristezas ao chão!
A brisa embala a alegria
Com nostalgia dizendo...
Abraça-me!
Me trague!
Em mais um gole
De euforia
Dar-te-ei a magia
Como companhia!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jani Brasil
Brasilia-DF- Brasil

J
ani Brasil, nascida em Urânia-SP, Hoje residente em Brasilia-DF é Escritora, Poetisa, Acadêmica, Palestrante, Compositora e Artista Plástica. Três livros publicados- Analogia e Poesias, Poemas ao vento e Amor em Movimento.
Entre telas e painéis, um acervo em mais de 100 obras.Academia de Letras de Goiás- Núcleo Acadêmico de Lisboa
Correspondente pelo Estado de SP da Revista Poemas do Brasil, Melhores Poetas lusófonos em 2014, Enciclopédia de Artistas Lusófonos Contemporâneos em 2014.Entre outros...

 

 

 

Jania Souza

 

 

 

SÉCULO XXI, UMA ENCRUZILHADA
Por Jania Souza 


Vermelho! Fechou o sinal. Na Av. Alexandrino de Alencar com a Avenida Hermes da Fonseca, ponto crítico do trânsito, a linha bela do horizonte em plena manhã de verão abraça a descida como quem engole a vida. As cabreiras derramam-se sobre os canteiros lá de cima de suas copas. Estonteantes pétalas amarelas descrevem um manto de harmonia por entre as folhas ainda verdes do final de primavera. Os motoristas e os motoqueiros tem pressa de chegar ao ponto final. A indiferença debruça-se das janelas fechadas dos carros. Os ambulantes tentam inutilmente vender bugigangas ou distribuir folhetins de propaganda. Ninguém se aventura a descerrar seus vidros. Provavelmente por recear o mormaço que se desprende do piche do asfalto ou da violência decantada a todo instante nas emissoras de TV; rádios, jornais e redes sociais. A cidade cresceu. Tornou-se zona metropolitana. Muitas cidades em seu entorno. Passou de mais de um milhão de habitantes no último censo. O crescimento trouxe as mazelas do desenvolvimento desordenado e do inchaço das migrações sem controle de população. Muitos chegam com sede de novas oportunidades. Mas não há como abrigá-los sem emprego. O subemprego mascara o crime organizado que se disfarça para chegar junto aos seus incautos cordeiros. Esse não é o cenário apenas dessa encruzilhada da cidade. Na realidade é o cenário das cidades espalhadas mundo afora nesse século XXI. Ao homem cabe ergue as mãos aos céus e rogar por proteção, pois a vida continua a transcorrer apesar das tribulações e das aflições corriqueiras que tornam tão perigosa a vida. Realmente é muito perigoso viver. Mas, fazer o quê?




HILARIANTE TRAVESTI
Jania Souza

Ah! Como gosto do brilho hilariante de travesti da noite
Quando vaga-lumes em fantasias de néon
Debruçam-se nas sacadas do pecado
E mostram suas carnes sem nenhum pudor.

Sem qualquer aviso, minha máscara de alabastro
Forjada na argamassa da conveniência
Cai, permitindo entrever flores da primavera
Pequeninos grãos do meu reprimido íntimo.
Pinga restos de mel – gota a gota –
Do canto da minha boca
Outroramente visitada pela taça dos teus beijos
Quando o tico-tico cantava vinte e duas vezes
E minhas carnes gemiam de desejos.

Ah! Como gosto desse brilho hilariante de travesti da noite
- sem vergonhas – descarada – trocando cueca por salto alto
Sisudez por sorriso debochado de boneca assanhada
Só para realizar a flor da luz vermelha disfarçada – aprisionada
No abandono da clausura, que é o casulo do meu ser
Para enfim – libertar-se rumo ao infinito –
Estonteante borboleta dos meus segredos.

Ah! Como gosto desse brilho hilariante de travesti da noite.

Jania Souza
Natal - RN - Brasil
www.janiasouzaspvarncultural.blogspot.com


Jania Souza, poeta, escritora, artista plástica nascida em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Sócia de entidades culturais. Publica literatura infanto-juvenil, contos, crônicas, poemas em sites, coletâneas, jornais, revistas, com nove livros solos.
Delegada Regional da APPERJ
Representante do Movimento aBrace em Natal/RN, Brasil

 
 

 

 

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