FÉNIX

 

LOGOS Nº 24

JANEIRO - 2017

 

 

 

Rosa Martins (rosamar)

 

 

 

INFERNO
Rosa Martins (rosamar) 

desci ao inferno, aos horrores,
abri feridas, rasguei dores,
estou exposta aos temores,
perdi todos os amores,
corrói-me o ácido interno,
porque ousei cheirar as flores...

e sentir o seu perfume,
agora ardo no lume, no borralho, a fogo lento,
e não sobra nem lamento para alivio do tormento,
selo a boca no momento,
morreram todas as cores...

e no negro da tormenta, nesta imunda agua preta,
onde banho os meus sentidos,
não há grunhidos, nem gemidos...
nesta lama de cor parda, pardacenta,
abafo todos os gritos, silencio os meus ouvidos,
na textura lamacenta de tão lenta...

morro à sede de ternura, mas continuo agua pura,
não cedi à morte,
certa...

Rosa Martins - rosamar
Moita - Setubal - Portugal

 
 

 

Rosinha Bonette

 

 

 

EU CONHEÇO
Rosinha Bonette 


Eu conheço pessoas pobres que, apesar de tudo, distribuem sorrisos.
Pessoas ricas, que dividem seu pão.
Eu conheço pessoas inspiradas, que sabem se manifestar.
Pessoas que sofrem, que apesar de tudo, comunicam alegria.
Eu conheço pessoas humanas, que tem um coração de ouro.
Pessoas incompreendidas, que sabem compreender.
Eu conheço pessoas lindas, que nem valorizam sua beleza.
Pessoas pacíficas, que caminham levando a paz.
Eu conheço pessoas gratas, que sabem agradecer.
Pessoas sábias, que levam o entendimento a toda parte.
Eu conheço pessoas leigas, que nos surpreendem.
Pessoas bondosas, que a todos têm o que dar.
Eu conheço pessoas cansadas, que não se cansam de fazer o bem.
Pessoas injustiçadas que souberam perdoar.
Eu conheço pessoas fiel, que sabem o que é fifelidade.
Pessoas felizes, que se manifestam com alegrias.
Eu conheço pessoas, que seu segredo é amar.

Rosinha Bonette
Itatiba - SP - Brasil


Rosa Bonette, conhecida como Rosinha Bonette.Funcionária Pública Municipal. Graduada em Pedagogia, Pós-graduada em Psicopedagogia e Educação Especial, atuando na area da Educação com Atendimento Educacional Especializado com alunos da Rede Municipal. Escrever é minha paixão.

 
 

 

Rozelene Furtado de Lima

 

 

 

AUTOMARTÍRIO
Rozelene Furtado de Lima 


Não encontrei qual foi o motivo
Que desencadeou esta lembrança
Inesperada e direta como uma lança
Trazendo com ela um momento lascivo

Entrou sorrateira pela porta da frente
Como se fosse uma visita querida
Foi rasgando o tempo e abrindo feridas
Saudade viscosa sangrando e quente

Abracei o passado em pleno delírio
Que fez do amor acabado seu porta voz
Beijei os lábios frios da minha história

No fascínio solitário do automartírio
Sem reação nas mãos do meu algoz
Sofri a lânguida vingança da memória

Rozelene Furtado de Lima
Teresópolis – Rio de Janeiro – Brasil
www.rozelenefurtadodelima.com.br

 
 

 
 

Ruth Gentil Sivieri

 
 

DESVAIRADO CORAÇÃO
Ruth Gentil Sivieri 


No ocaso desta vida um coração,
em gotas cintilantes se banhava,
acariciando a alma que brilhava,
timidamente e cheia de emoção.

Banir essa ternura, isso é que não!
Impregnado n'alma ele já estava,
e na mente o contorno desenhava,
um rosto que vagava na amplidão.

Ah! Tolo coração, bate mais lento!
Não demonstra que és louco e desvairado,
bate mais lento, tolo coração!

Clama e chora ao passar o leve vento,
desmaia ou em torpor fica o coitado,
em desalento e inerte pelo chão.

PARADOXO
Ruth Gentil Sivieri 


Tua alma é alegria e também dor,
sempre a trovar os versos pela vida;
trazes no peito cálido de amor,
resquícios de uma triste despedida.

Quem és tu? És prazer ou és clamor?
Se despertas em ânsia irrefletida,
rasgando os sonhos todos com furor
logo deixas tua vida esvanecida.

Ofuscas, brilhas, nem sei definir...
as nuances de mistério que existem
nesta alma que eu quisera encontrar.

Tarde! Tarde demais para sentir,
os sonhos que vagueiam e insistem,
barrando o coração de se entregar.

 
Ruth Gentil Sivieri
Belo Horizonte - MG - Brasil

 

 

 

Ruy Serrano

 

 

 

APENAS VINTE VERSOS
Ruy Serrano 


Desde que saí de mim
e me entreguei a ti,
que não sei se existo,
só sei que ando triste.
Quando me toco, não me sinto,
apenas imagino e pressinto
que vagueio pelo ar,
ao sabor do vento,
entre nuvens,
e sem penugem.

Desde que saí de mim,
perdi a noção da vida,
só vejo quadros grotescos,
discursos e panfletos,
corruptos e ladrões,
gente de más intenções.
Não quero mais recomeçar,
nada vai adiantar,
já mais nada posso fazer,
não quero enlouquecer.

Ruy Serrano
Tomar - Portugal

 
 

 

 

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