FÉNIX

LOGOS Nº 25

MAIO - 2017

 

 

Alberto Chetula

 
 

MÁCULAS DE NÓS ENQUANTO SE NOS MORRE O AMANHÃ DE ONTEM NO POEMA DA CARNE
Alberto Chetula poeta


Meus lábios estão quentes incêndiados pela neblina da tua ausência
não sei que horas serdeis no jardim do equívoco mais sinto que meu corpo foi visitar a lua outra vez
O silêncio é um tribunal de tristezas untado em meu dorso
meus olhos perderam toda sua utilidade na conservação dos choros anónimos
Húmos !
O amor é um país de algas brancas sobre a lucidez sangrenta dos cigarros em Bogotá
Não ti amar é morrer ,Deus criou o céu e a terra e,um pintor de barro que desenhou você dentro do meu coração
Hoje chorei os meus choros mais secretos na senzala da estupidez ,ó ,mulher ,zungueira de adobes digitais ,tua pele negra como as avenidas de plástico na Síria ,Congo ,Los Angels .
Perdoa-me mais eu não posso ser poeta, sem os lábios da tua retórica em mim feito moscas
Casaremos meu amor em comunhão de bens no dicionário dos abraços nocturnos ,oferta-los-ei um kilo da minha sombra
Hoje
Eu acordei assim,lugubre ,com saudades dos beijos que ontem roubasteis da minha boca virgem,se sou um jornal de vento então a vida rasgou-me ,eia cada página no estômago do Mar .
Como não irei chorar rios e mares sobre o umbigo da ilha? Se as gaivotas do além levaram o teu sorrir de mim ? Ó amor o teu sorriso era o meu jardim espiritual
Estou preso numa comarca de desilusões sem o sémen da minha inspiração poética a poesia é o meu óxigenio celestial então morrerei certamente no prefácio da tua ausência.
Quando amanhecer serei borboleta sem cor, voarei num universo sem nome, ávido de medo de viver mais um minuto sem ti.

Alberto Chetula Poeta
Luanda - Angola


Alberto Chetula Poeta, nascido aos 10 de outubro de 1992, na comuna de Bolongongo,província de Kwanza-norte, país Angola, é poeta,dramaturgo,declamador,director artístico do grupo Muxima yetu Teatro

 
 

 

AlbertoCohen

 
 

ELA
AlbertoCohen

Ela, inesperadamente,
chegou sem mala e sem rede,
modificou minha sala,
pôs uns quadros na parede,
desarrumou documentos,
colheu flores na varanda
e um fiado na quitanda,
recitou Carlos Drummond.
Invadiu copa e cozinha,
expulsou a cozinheira,
emprestou sal e farinha,
derrubou a farinheira,
fritou comida chinesa
com gosto de calabresa,
deu o banquete mais farto.
Queimou incenso no quarto,
postou-se em frente do espelho,
despiu-se bem lentamente,
dançou a dança do ventre,
pegou meu lado da cama,
foi namorada e mucama,
fez-me rapaz novamente.
Tomou banho de chuveiro,
pediu outro sabonete,
molhou o banheiro inteiro,
cantarolou “Construção”,
debochou de minhas toalhas,
juntou suas pequenas tralhas
e partiu como chegou,
deixando a casa a seu jeito,
flores, quadros, documentos,
a confusão no meu leito,
aquele incenso suspeito,
a notinha da quitanda,
o perfume de lavanda,
tudo inesperadamente.

Alberto Lisboa Cohen
Belém do Pará - Brasil


Poeta reconhecido e admirado por suas obras, Alberto Lisboa Cohen, é autor de vários livros premiados, entre eles:
“Poemas Sem Dono”: Vencedor do II Prêmio Literário Livraria Asabeça – Publicado pela Editora Scortecci - SP – 2003.
“Poemas de Amor, Desamor e Saudade”: Selecionado e editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE – Rio de Janeiro – RJ – 2004 (esgotado);“Daltônicos”: Selecionado e editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE - Rio de Janeiro – RJ – 2004. (esgotado);“Recados para Wendy”: Selecionado e editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE - Rio de Janeiro – RJ – 2005 (esgotado);“Caminhos de Não Chegar”: Vencedor do Prêmio de Literatura Instituto de Artes do Pará- IAP – Editado pelo Governo do Estado - PA - 2005. Vencedor da Láurea Cidade Poesia (Moderna) - Associação de Escritores de Bragança Paulista - ASES - SP - 2006;“Juntando Pegadas”: Vencedor do Prêmio Vespasiano Ramos - Academia Paraense de Letras - PA - 2006. Publicado pela Editora Paka-Tatu – Belém - PA ; “Cantigas que a Rua Canta”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance - Porto Alegre- RS – 2009;“Álbum de Recordações”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance - Porto Alegre-RS – 2009; “Menino das Samaúmas”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance – Porto Alegre -RS - 2010 : “Catador de Momentos”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance – Porto Alegre - RS – 2011; “Sobrevivente de Mim”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance – Porto Alegre - RS – 2012 ; “Canto de um só”: Selecionado e publicado pela Editora Paka-Tatu – Belém – PA – 2013 ;Cativos sem desejos de alforria.

 
 

 

Alcione Sortica

 
 

ESPELHOS
Por Alcione Sortica


Nada mais sincero do que um espelho. Ele imita a vida, refletindo o ser humano, seu deus e criador, no exato momento e do modo em que ali se encontra. Enterra o passado, a cada microssegundo, e não se preocupa com o futuro logo ali adiante.
É mais preciso do que a matemática, tida como a mais exata das ciências, mas que não consegue nem determinar todas as frações existentes entre o número 1 e o seu vizinho mais próximo, o número 2. A matemática trabalha com infinitos que não consegue mensurar. Quanto ao espelho é prático, diferindo da foto que, quando sai da máquina já apresenta um indivíduo mais idoso do que aquele que a acionou. No espelho a imagem me diz: “Eu sou assim”. Quanto à foto: “Eu era assim”.
No campo filosófico ou religioso, não perdoa e nem apresenta sutilezas. Não engana, não amacia, nem reflete aquilo que não é, aquilo que já foi ou aquilo que será.
Se humano, não teria memória, não sentiria saudades nem acalentaria sonhos futuros. Vive somente o presente em sua essência máxima.
Não comete enganos. Exatidão plena. Os movimentos do refletido sem distorções, a não ser aquelas provocadas quando da confecção do objeto, tais como vidro côncavo, convexo, defeitos propositais.
O homem criou o espelho. Este revela a imagem do seu criador e de tudo aquilo que o cerca. Mas, sempre refletirá a imagem. Nunca a semelhança.

Alcione Sortica
Porto Alegre - RS - BRASIL
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcione_Sortica

www.alcionesortica.com


Alcione Sortica, escritor gaúcho. Contista, cronista, ensaísta e poeta. Contos, poesias, crônicas e frases de autoria publicados em Antologias, Coletâneas, Jornais, Revistas e sites da INTERNET. Diversos prêmios literários. Livros do autor: “Cacos do tempo” “Peneirando Estrelas” “Beira de açude” “Um Ponto no Tempo” e “De Pai para Filho” este com a coparticipação do filho Eduardo Almansa Sortica. No prelo Plenilúnio, contos e crônicas. - Lema: “Poesia - Grito de esperança por um mundo melhor”
Vice-Governador da Representação Estadual/RS da Associação Internacional de Poetas

 
 

 

Aldo Moraes

 
 

O POEMA. O QUE É?
Aldo Moraes

Ver chover é um nada
Que salta do mais escuro
E dobra-o indefeso lápis
Como faz com o obscuro.

O sítio, o armadilhado
Encruzilhado poder, inspiração
Que não causa sentimento
Sofrimento ou bem algum.

Mas se curva a pena
Como a água por fazer
Brota a vida de uma cena
No papel de um só prazer.

Mas que papel, esse?
Que revela, tanto acende
Que é palha, é fogo e é
Fogueira que consente?

E que vida é esta,
Que quando não chora
Poesia, desembesta numa chama,
Que não se via
E há muito não se ardia?

Que tinta, que papel,
Quem dá a garantia( ? )
Pois permita inferno ou céu
Noite branda, tarde ou dia.

E esta vida, do nada
(papel manchado de ilusão )
ao nada, será, vai voltar
(outros papéis se mancharão )?

O que é o poema?
O que é a tinta ?
Para que foi feito o papel?
Para a ilusão das métricas-livres-decassílabos?
Para a afirmação da língua?
Ou a escravidão dos homens?
Ou ambas-todas?

Ambas coisa –coladas,de um lado claro véu que nada oculta e que se chama
realidade vista.
Realidade apreendida.
E que o instante, o papel e o homem nu transformam em poesia.

Batem lhe à porta na esperança de um devaneio
Um meio, uma desbusca qualquer.
-Concisa, matemática, rebelde, indecente,oriental até.
Nem querermos de ilusão
Terra, ar e fogo e chuva.
O papel que dobra a mão
E tira versos da própria curva.

Aldo Moraes
Londrina - PR - Brasil
www.ongartebrasil.blogspot.com

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=66567&categoria=7

http://aldomoraesoficial.palcomp3.com


Aldo Moraes - Músico e escritor, Aldo Moraes criou os projetos Aqui tem Livro e Batuque na caixa (em 1999), de incentivo à leitura e música para crianças e jovens de Londrina (PR).
Participou de diversas coletâneas literárias nacionais e produziu em 2002 o CD Arte Brasilis com música e poesia; lançou os CDs Gestos (piano solo); Poemas do Amanhecer e Segundo Olhar; o romance Casassanta
Foi Secretário de Cultura de Londrina e recebeu prêmios na Austria, Suiça, Portugal e EUA por trabalhos musicais e literários.

 
 

 

Alfredo Costa Pereira

 
 

PASSEIO PELO CAMPO
Alfredo Costa Pereira

Caminhando de mãos dadas par a par
Com as nossas almas abraçadas,
Fomos ver como as searas ficam doiradas
Quando o sol as vai beijar!

E fomos no rasto de um sorriso
Depois de um beijo ardente de amor!
Cada canto foi para nós um encanto, um friso
Que emoldurou os nossos segredos em redor!

Construímos no peito portos de abrigo para vencer,
Cheios de rosas vermelhas regadas pelo nosso olhar!
Vimos as coisas mais belas que aos olhos é dado ver!

Até uma águia a voar, num silêncio sem par!
E conseguimos descobrir a promessa encoberta
De beleza infinita que cada coisa na Natureza liberta!

Alfredo Costa Pereira
Porto - Portugal

 
 
 
 

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