FÉNIX

LOGOS Nº 25

MAIO - 2017

 

 

Irene Mercedes Aguirre

 
 

DÍPTICO
AVENTURA POÉTICA
Irene Mercedes Aguirre

I
He querido encontrar aquel sendero
por el que dialogaban los poetas
con la vida imperante, en recoletas
caminatas nocturnas , hechicero.

¡Qué difícil es hoy hallar las vetas,
del tesoro escondido en un alero
de balcón olvidado ¡ El cancerbero
vigila con panópticas saetas!

Como un gel se desliza entre los seres
y las cosas del mundo, imperturbable,
sin dudar , descuidando amaneceres,

más atento a inmanencia razonable
que al sentido total de aconteceres
¿No será la poesía la culpable?

II
¿Y si buscamos ir por otra vía?
Tal vez podamos vislumbrar indicios
de tropo-espacios, por los intersticios
de las palabras y su alegoría .

¡Hallar los brotes de frescos inicios,
la desnudez total de la armonía
y un nuevo giro para la poesía
¡Versos al viento, libres de artificios!

¡Abrir la puerta del imaginario
dónde el poeta dejará su marca
de savia viva entre lo cotidiano!

Alzar el alma hacia lo planetario,
¡ir de aventura hacia el confín que abarca
un mar de cielo tímido y arcano!

Irene Mercedes Aguirre
Buenos Aires - Argentina


Poeta mundial por el Humanismo y la Paz.  Nombramiento como Faro de Paz Universal, otorgado por SIPEA/IMAL, 2014. Presidente del Comité "Educando para la Paz", Asociación Nacional de la Alianza de Mesas Redondas Panamericanas, reg. en OEA. Embajadora de Paz Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, France/Suisse

 
 

 

Isabel C S Vargas

 
 

OS MISTÉRIOS DA DUALIDADE FRAGILIDADE X FORÇA DA MULHER
Por Isabel C S Vargas


A mulher, esse mistério da natureza, nas civilizações antigas era desvalorizada frente aos homens. Aquelas que nasciam com qualquer problema eram sacrificadas no nascimento.
Ficava sempre atrás do homem, na posição hierárquica, em direitos. Igualdade, inconcebível.
Nem reconhecimento. Entretanto, cabia a ela muitas tarefas: cuidar do marido (serva) dos filhos, das plantações, da casa. Vivia subjugada. Demorou séculos para que passasse a ter direitos básicos, como acesso à educação, direito de voto, acesso ao mercado de trabalho, tudo às custas de muita luta, engajamento político, com o custo de muitas vidas.
Não se concebe preconceito, discriminação de nenhuma ordem, mas eles existem, apesar das mulheres terem conseguido respeito e acesso à várias profissões.
Atrevo-me a dizer que o caminho das mulheres, como da bela jovem da imagem é sobremaneira mais tortuoso que dos homens. Existe preconceito contra a beleza (se é bela deve ser burra), contra o comportamento (se é alegre, é fácil) contra o modo de vestir (se veste um tanto mais despojada está pedindo para ser estuprada) se é pobre (deve ser uma alpinista social) se mora na periferia (é favelada) se é rica, mesmo que essa riqueza seja fruto de trabalho honesto da família (é fútil, não se preocupa com as necessidades alheias). Enfim sempre ou, na maioria das vezes, recai sobre ela um julgamento como se as mulheres fossem sempre culpadas das mazelas que as atingem.
A mulher desempenha as mais variadas funções, sem haver restrição de carreira, antigamente, consideradas como essencialmente masculinas, como no exército, na aeronáutica, na marinha, no futebol, na mecânica, na construção civil, nas lutas de boxe.
Atualmente existem leis para manter a proporcionalidade feminina na política, em todas as esferas. A despeito de tudo isso, destes avanços as mulheres continuam sendo alvo de violência, tortura física, psicológica dentro de seus lares e assédio moral nos ambientes profissionais.
Infelizmente, sofrem discriminação mulheres de qualquer idade, de diferentes situações econômicas, e o pior não é raro encontrar mulheres com pensamento retrógrado que apoiam o posicionamento de homens que tratam a mulher como se fosse propriedade sua, determinando-lhes o que podem ou não fazer, como vestir, sob pena de sofrerem violência física.
Não esqueçamos daqueles que tratam a mulher com vulgaridade esquecendo-se que ela é portadora da tarefa mais sublime que é dar à luz a um ser.
O que passará no pensamento de uma mulher debaixo de uma vestimenta sofisticada, um chapéu elegante e de uma que veste um macacão e boné e trabalha na limpeza urbana?
Será muito diferente ou pelo fato de ser mulher isto as leva à uma linha de pensamento semelhante?
Quais os temores com relação ao futuro, filhos, família?
O que protege as mulheres hoje? O acesso à instrução, cultura, uma melhor qualidade de vida? Mas há tantas mulheres jovens morrendo no trânsito, nos assaltos (por serem mais frágeis).
Quem veste melhor tem mais portas abertas para galgar posições na sociedade? A competência não é mais importante?
Há quem diga que toda mulher é um mistério a ser decifrado.
Para uns é deusa, linda, inteligente, sedutora, para outros igualada a objeto de consumo, sem vontade própria, escrava dos desejos masculinos, objeto de luxúria, destituída de valor.
Amadas ou desvalorizadas ainda são mortas em nome do amor, mas quem ama não mata.
Por fim há aqueles que as comparam com bruxas, manipuladoras, sem conseguir desvendar sua alma, seus desejos. Bruxas por serem seres que sangram como animais, enfeitiçam os homens, trabalham, são muito delicadas em muitas situações e ainda carregam os filhos na barriga e são capazes de por eles darem a vida, esquecendo-se se si mesma.
São seres misteriosos ou não? Eu diria que esse mistério só pode ser compreendido pelo amor.

Isabel C S Vargas
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil
http://www.icsvargas3.blogspot.com.br/

 
 

 

Isabel Furini

 
 

NEGUINHA
Por Isabel Furini


Sentou-se no lado direito do túmulo. O dia estava ensolarado. Não era dia para ir ao cemitério, pensou. Sol é bom para passeio, para praia, mas ela estava ali, colocando flores recém-compradas em um vaso grande, de porcelana pintada de azul e sem água. As flores não iam durar muito. Mas que importa?
Observou detidamente a fotografia de um homem de queixo quadrado e olhos azuis em um porta-retrato pequeno, de metal outrora dourado e agora escuro. Olhou de perto. Quebrou-se uma das pontas do porta-retrato, eu posso trazer outro, mas não... mortos não reclamam de nada, pensou. Meu pai, meu pai, murmurou com o olhar fixo na fotografia.
Lembra, pai? Lembra quando você me chamava de neguinha feia? Lembra disso? Pois eu não esqueci. Você dizia com sua voz altissonante, parecida com a voz do homem que vendia sonhos de nata e passava pelo bairro pobre, de chão batido, gritando sob o sol do meio-dia: Sonhos, sonhos baratos.
Neguinha feia! Menina, você está cada dia mais negra, mais magra e mais feia, repetia aos gritos, cuspindo saliva pelos cantos da boca. E que vergonha você sentia da Neguinha feia, não é verdade, pai? Tinha vergonha sim. Tinha vergonha de apresentar sua filha negra a seus parentes de olhos azuis e cabelos mais ou menos loiros. Mamãe colocava um vestidinho branco e minhas primas loiras riam de mim, dizendo: Parece mais negra ainda. Parece piche. Parece noite escura. Parece jabuticaba. E você escutava e ria. Ria de mim.
Que pai honesto ri da própria filha? E depois, como bom homem, ainda enchia a boca de saliva ao dizer: Não sou racista, casei com uma negra. Casou sim, foi porque eu ia nascer e o avô pediu ajuda ao Xangô. Foi porque você estava com febre alta e não sabia nem o que dizia. Foi porque o tio te arrastou até a igreja e ordenou ao padre que fizesse a cerimônia!...
Forte o tio Chico. Todo mundo o respeitava. Todos fugiam quando seus olhos se incendiavam de raiva. Até você teve medo dele, pai. Até você!... E hoje você não tem mais medo de nada. Está ai, na terra desse cemitério, em um túmulo sem flores. E eu vim para te visitar, pai. Trouxe algumas flores só para demonstrar que sou boa filha.
Escutou alguém chorar. Virou a cabeça. Uma mulher estava diante do túmulo de mármore branco, bem perto dela. Não sou a única que sofre, murmurou.
Trouxe flores, sim. Mas eu não vim pelas flores, não! Estou aqui para dizer que não precisa mais ter vergonha de mim pai. Pois agora eu sou uma das vozes do Brasil, pai. Você morreu sem saber, que pena que morreu sem saber. Mas eu vou te contar, eu herdei a voz da avó Eugênia, a primeira mulher do avô. Aquela que fugiu com o mestre-sala de escola de samba. Eu sou uma cantora negra, pai. Todos gostam de mim. Enquanto minhas primas brancas trabalham de segunda a sábado, vendendo roupas chiques para as branquelas ricas, eu sou famosa, pai. Eu vou comprar os vestidos que elas vendem e que não podem comprar. E elas me olham com inveja. Elas têm inveja da Neguinha feia, da Neguinha de cor de piche. Sabe por que, pai? Porque eu sou uma guerreira. Eu triunfei pai. Eu sou negra e vencedora e tenho tanto orgulho disso!... É isso aí, pai. Eu sou negra e tenho orgulho de ser negra.

Isabel Furini
Curitiba - PR - Brasil


Isabel Furini é escritora, poeta, palestrante e educadora. Autora de 30 livros, entre eles, dos livros de poemas “Os Corvos de Van Gogh” Editora Instituto Memória, 2013 e “,,, e outros silêncios” Edit. Virtual Book, 2012. É membro da Academia de Letras do Brasil/Paraná. Foi nomeada Consulesa da Academia Poética Brasileira; recebeu Comenda Ordem de Figueiró e foi nomeada Embaixadora Internacional e Imortal da Poesia pela Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura do Brasil, em 2015; Embaixadora da Palavra pela Fundação Cesar Egido Serrano (Espanha); Embaixadora da Rima Jotabé, Espanha. Recebeu 1º Lugar no Concurso Organizado pela Coninter, em Portugal, 2015; 1º Lugar no Concurso da Academia Campolarguense de Poesia/PR, 2013; 1º Lugar Concurso da Academia de Letras Itapemense, SC, 2010; 1° Lugar no Concurso Internacional Missões/RS, 2005; 1° Lugar no Conc. Est. de Poesia de São José dos Pinhais/ PR, 2002; 2º Lugar: Concurso da revista Katharsis da Espanha, 2009.

 
 

 

Issis Antunes

 
 

AMAR
Issis Antunes

Amar também é dar um bom dia ...boa noite....
Todos os dias sentir saudade
Se fazer presente sempre , trocando carinho
Cuidando do nosso jardim com carinho
Amar também é dizer sempre o quanto
Voce é especial e tem muito " valor"...
Eu cuido e dou valor e você o que faz por nós?
Amar também é pensar sempre na outra pessoa.
Amar é também saber ouvir,
É também rir ou chorar com a pessoa...
Amar é fazer amor com amor...
Amar é cuidar...
Amar é ser parceira e companheira...
Amar é ser amiga e amante 24 horas por dia...
É dormir com ele todas as noites em sonhos
E também em pensamentos !
E finalmente....
Amar é sempre dizer : Te amo sempre !
Amar é ter inspiração às 4:00 da madrugada,
E saber que você existe...
Amar é pensar o tempo todo em você
A ponto de perder o sono só de pensar em você

Issis Antunes
Sorocaba - SP - Brasil

 
 

 

Ivan Leite

 
 

INSPIRAÇÃO
Ivan Leite

Tema, mote, assunto, poema meu,
que fale a ti, escutes ou não,
lançarei ao mundo no escuro
da noite quase raiando o sol,
para que despertem juntos
você e o dia, silente no horizonte,
como devem acordar os amantes.

Naquele doce torpor de corpos,
quase unos que se separarem
não o querem, seja noite ou não,
sigo eu a poetar sem corneta
tocante nem grito alucinante,
apenas juntando palavras
que surgem da sua inalação
suave, enquanto sorvo ares,
que não me enchem senão
o pulmão e segue ávido,
apaixonado o coração,
insuflando a imaginação.

Poeta e paixão
são unha e carne,
do agora e do instante,
que não vivem do passado,
tampouco para o futuro,
e nem percebem o que
é o presente pois todo
tempo é pura inspiração.

Respira vida,
expira emoção.
Inspiração.

Ivan Leite
Estância - SE - Brasil


Ivan Leite reside em Estância-SE, é Eng. Eletricista; Adm. de Empresas; Advogado; Poeta – participou de diversas antologias como: I Antologia Poética de Sergipe, Antologia Eça de Queiroz e Convidados, entre outras; Membro corresp. Acad. Literária do Amplo Sertão Sergipano; Dep. Estadual (1990-1994/1994-1998); Sec. Est. Ind. Com. e Tur. Sergipe (1995-1998); Prefeito Mun. de Estância (2005-2008/2009-2012); Ambientalista.

 
 
 
 

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