FÉNIX

LOGOS Nº 25

MAIO - 2017

 

 

Juarez Florintino Dias Filho

 
 

A CANÇÃO DO LAGO
Juarez Florintino Dias Filho

Conta uma antiga canção
Que naquele vale chamado coração
Um lindo lago descansava numa lembrança
Cercado de pedras pontiagudas
Criadas para uma pretensa proteção
Oriundas de um medo insano
Medo daquela criança
Profundo como oceano

Versava a canção
Que na superfície daquele lago
A imagem do rosto daquela menina
Era refletida
Como um suave afago
E que era linda
Tal qual uma obra da criação

Miúda de trança
Despida de significados
E livre de pecados
Tinha como esperança
O encontro com o verdadeiro amor

Contida
A menina
Nua
Cedia ao clamor
Da lua
Que lhe beijava a face
Com ternura
Delicado enlace

Dizia ainda a canção
Que a menina
Sempre que adormecia
Sonhava e acordava ofegante
E que trazia
No peito uma lembrança
De um dia instigante
E causticante
Como paixão sem limite

Dizem que a canção
Ainda pode ser ouvida
Na superfície
Daquelas
Águas tranquilas
E que ela é
Como um beijo
De esperança
Para um
Coração triste

Juarez Florintino Dias Filho
São Vicente - SP - Brasil

 
 

 

Juliana Carvalho

 
 

FEITO CHUVA
Por Juliana Carvalho


Feito chuva de verão que vinha e ia embora toda vez que dava vontade assim foste em minha vida. Tantas tempestades e seguidamente de calmaria era essa vida de amor a ti. Belo dia cansaço bateu e fui lentamente compreendendo seu jeito de amor... eras tão egoísta que sua felicidade não era dividida e seu lamentar era de me procurar... Por vezes esperei até compreender que as migalhas que caiam da sua mesa não cabiam em minha fome, que meu desejo era ser inteiro e não metade de ninguém. Acordei bem mais tarde do que me avisaram, ainda permaneci no acolhimento da esperança. Então, com receios, mas sem medo à vida me chamou, trouxe a existência o quão mereço rabiscar nesses rascunhos para um dia acertar de vez. Não tive mais medo de perder-te, sai da ilusória esperança de que havia um “nós” e foi neste exato momento que sem procurar encontrei alguém que sonha os mesmos sonhos que os meus, alguém que me quer para ser e ter, alguém... não uma lembrança, mas alguém de grande semelhança.

Juliana Carvalho
Nova Iguaçu - RJ -Brasil
www.facebook.com/precipito
www.instagram.com/precipitoo/

Juliana Carvalho é escritora de poesia com suas obras publicadas nos links acima mencionados. É Psicóloga formada pelo Centro Universitário UNIABEU, trabalha em um Projeto de Clínica Social no Espaço Refazendo Caminhos; É Pesquisadora nos temas: musica de massa religiosa, religião, etnografia, prostituição, consumo, prazer, pureza e contemporaneidade.

 
 

 

Juliani Gomes dos Santos

 
 

TIC-TAC
Por Juliani Gomes dos Santos


De tempo em tempo, a gente precisa dar um tempo!
Um intervalo, que nos permita sair de cena, e revisar as falas. É como dar um “pause”, e travar os ponteiros do nosso relógio para quaisquer acontecimentos, e assim recolher-se.
É mais ou menos uma forma de organizar as gavetas da alma. Colocar a ilusão de volta no seu lugar, nossa coleção de mágoas no lixo, e trancar os “monstros” que nos atormentam no dia a dia, na gaveta mais escura!
Ao menos uma vez ao ano, temos que tirar aquele tempo para nos posicionar em frente a um espelho. Ter a coragem de examinar cuidadosamente cada cantinho da gente, e então, aproveitar para tirar a poeira dos sentimentos!
Nesse tempo, olhamos para dentro de nós, e começamos um garimpo. Buscamos aquele espinho, que deve estar cravado em algum lugar por lá, pois por vezes nos faz sangrar! Buscamos aquela fotografia que congelou um instante que jamais voltará, mas que sempre nos remete a um momento maravilhoso! Buscamos aquele amor, que já não encontramos porque o “tic-tac” do relógio levou para longe!
E nessa busca, percebemos que muitas são as pendências que vivem dentro da gente ainda! Sentimos pulsar aquela velha emoção por um sonho que ainda não se realizou. E nos topamos com tudo aquilo que ficou mal explicado, ou mal resolvido, e que não conseguimos dar como encerrado, e que até agora só pedimos para vida “pendurar” na nossa conta!
Porém, o incrível de tudo isso, é saber que pode passar décadas, mas o nosso “melhor amigo tempo”, sempre estará lá para segurar a nossa mão, e nos ajudar a lidar com o que ainda consta salvo na memória naquela pasta que nomeamos como “decepções”. Porque enquanto houver areia dentro da ampulheta, ainda haverá chance, de um dia, sabe se lá depois de quantas luas, compreendermos o que por tantas noites foi incompreensível, para nós e nosso travesseiro.
O fato é que, compreendendo ou não, a gente tem que seguir contando os dias, meses e anos que o calendário abrem a nosso frente. Feliz ou infelizmente, a máquina de “volta ao tempo” só existe nos desenhos em quadrinho. Parar, e fazer uma faxina emocional é necessário, para acomodar a bagagem, e seguirmos viagem com mais leveza!
Varrer as folhas que o outono espalhou e tirar o mofo que o inverno deixou, é essencial para recebermos a primavera dentro da gente!
Dar uma chance para àquela vontade reprimida que em alguma altura do caminho foi jogada de lado, e voltar a acreditar que a confiança é nossa aliada, e que o bom humor é sempre nosso bote salva-vidas, tem a capacidade de nos encorajar a ir mais longe!
Então, de tempo em tempo, a gente precisa daquele tempo, só para acertar os ponteiros com a gente mesmo! Atualizar o relógio para o horário de verão, e dar por aberta mais uma temporada, daquele risco às cegas, chamado VIVER!

Juliani Gomes dos Santos
Alegrete - RS - Brasil

 
 

 
 

Juraci da Silva Martins

 
 

BRASIL POESIA
Juraci da Silva Martins

Ah! Minha terra tão amada
Chão que alimentou minhas raízes
Para serem fortes
E tomassem diretrizes
Para o caminho certo
AH! Minha terra amada,
Solo brasileiro onde piso
Em ti brotam flores,
Rios que nos saciam
Em ti germinam sementes
Do bem e da verdade
E os espinhos
Que nos fazem crescer...
Ante as realidades
E amadurecer na dignidade...
Ó solo brasileiro onde eu piso
Deusa, natureza que preciso
Para sentir na face,
O vento a bater
E a levar as sementes dos frutos,
das relvas, da esperança,
Das flores mil
Sobre o sial das cores, nosso Brasil,
Alimento das vaidades
Pelas preciosidades
Incrustadas no teu seio
Relicário insigne de seivas de vida
Ventre de mãe, princípio e meio
Natureza, criação e criatura!

Juraci da Silva Martins
São Sepé - RS - Brasil

 
 

 
 

Jussara Zanatta

 
 

SER POETA
Jussara Zanatta

Numa rima bonita
Numa estrelada escrita
Dos campos risonhos e céus profundos
Que desafia outros mundos...

Heróicos versos
Com frases de liberdade
Palavras vivas
Desafia a felicidade...

Ser poeta é ser gente
Que mais que de repente
Já é.

(Poesia do Livro: O Poder dos Bons Poemas)

Jussara Grapiglia Zanatta
Santa Cruz - Planalto- RS - Brasil


Jussara Grapiglia Zanatta é pós-graduada em Letras - literatura - AEE; Com Especialização em AEE, Interdisciplinar, Gestão escolar (Adm. Orientação e Coordenação Educacional) Psicopedagogia, Educação Infantil e Séries Iniciais. Tem Participação em dezenas de coletâneas. Possui Livros editados pela CBJE: Poessencia, Por Amor Face a natureza, Haicais livres, Ideias Soltas- Para cada dia uma frase, Coração Maduro, Tercetos Soltos, O poder dos bons Poemas e Doce Invenção. Livros editados pela editora Alternativa A mais colorida aventura. Tudo por um pudim Editora Gaya.
Participação em dezenas de feiras da leitura. Membro da Academia Internacional de Letras Artes e Ciências

 
 
 
 

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