FÉNIX

LOGOS Nº 25

MAIO - 2017

 

 

Laerte Tavares

 
 

AI DE MIM
Laerte Tavares

A “Tragédia dos Comuns”
Como excelente tratado,
Vendo o Planeta lotado,
Prevê morrer mais alguns.
Mas eu sei que não quero morrer! e me pergunto por quê.
Por estar certo que morrendo não faria falta, como já não somo, a não ser aos meus. O sol nasceria; e, por certo, iria ao ocaso, mas veria com a sua própria luz e clareza de inteira lucidez, que faltaria sob sua iluminação, este engenheiro frio que fica a imaginar o cálculo de rotação da Terra sempre atrás de si, peregrina e bela.
Daria falta do versejador afetivo e estulto que
rima Aurora com a luz de fora.
E agora, pois se eu morresse?... Far-se-ia do ocaso um prazo?
Sei que a flor desabrocharia, por certo, como a nova primavera floresceria os jardins, mas se entreolhariam, e intrigadas, perguntariam no silêncio do orvalho
matinal e fresco, aonde andaria estes olhos que tanto amam as orquídeas.
O verão haveria de voltar, porém, a areia da minha praia sentiria a
falta das pegadas de meus pés nus que as ondas apagam,
como apagam todos os rastros.
O mar mais raso, sem o meu corpo nele imerso e as águas
mais frias, sem o calor do mesmo, reclamariam aos céus por mim, através de suas ondulações mansas em seus marulhares silenciosos.
Eu sei que apenas o joão-de-barro e o bem-te-vi fariam as algazarras estridentes de sempre à minha falta ou sem ela, mas sei também que a juriti, ressentida arrulharia à tardezinha no promontório à beira do caminho que tanto palmilho, atrás da minha casinha de praia, triste como a pomba saudosa comovida e inconformada pela irreparável perda de seu amigo, um passivo ouvinte contumaz.
Hoje, ciente de mim, a voz da sabedoria me diz: amigo, mas a tua saída dará lugar a outro embarque nesta nave lotada!
Sempre haverá outro tripulante substituto!
Então vai, oh filho Arthur!...
E mesmo não sendo rei, arvora-te altivamente em tua senhoria
humilde de majestade, e deixa o sol te iluminar!
Observa a rotação da Terra a dar a todos, o dia e a noite.
Rima, talvez teu empenho duro, com a vitória no futuro.
Ama as flores! Deixa o teu rasto na praia e entra no mar,
E nele, que o teu corpo aqueça as suas águas.
Faze!... Vive!... Para que eu possa viver eternamente...

Laerte Sílvio Tavares
Florianópolis - SC - Brasil
http://silolirico.blogspot.com.br/


Nascido na praia catarinense de armação baleeira ( Armação do Itapocoróy) com tradição portuguesa que cultuava décimas do cancioneiro ibero-português (estilo literário empregado por poetas como Bernardim Ribeiro, Sá de Miranda e Camões) e sendo neto de um poeta nato, sempre gostou de poesia. Graduou-se em engenharia civil, e debatendo-se com matérias áridas, nunca deixou de compor seus poemas, compondo-os até a presente data. Laerte não se diz poeta, mas um engenheiro construtor de versos e possui alguns livros editados.

 
 

 

Lauriano Santos

 
 

O BEM
Lauriano Santos

Se é fazendo o bem que me consagro
Por que me locupleto com o mal,
São laivos do passado que, ainda, trago,
Ou a recalcitrância é normal?

Os ímpetos me vêm e os repilo,
Até o quanto posso suportar,
Mas quando é de mais eu me aniquilo,
E esqueço de uma vez, o verbo amar.

Então eu me enfureço e revido,
Depois eu me recolho, arrependido,
Qual fosse a tempestade que passou;

Reflito, envergonhado, o estrago feito,
E pergunto por que não me sujeito,
A tudo que o meu Mestre me ensinou.

Lauriano Santos
Registro - S.P. - Brasil

 
 

 

Lauro Kisielewicz

 
 

A MENTE E HISTÓRIA HUMANA
Lauro Kisielewicz

Por mais utópico que pareça,
Imaginário ou mesmo ilusório,
A meu ver entendo como notória
A possibilidade de mudar a história!

Quem também crê e assim deseja,
Desprenda-se da mente que seja:

Negativa, em tudo vê problema e fracassos…
Retroativa, que vive revivendo desgraças...
Rotativa, que vive passando de mão em mão…
Invasiva, violando o espaço dos outros...
Corrosiva, corroendo o ânimo de todos…
Radioativa, sempre a ponto de explodir...
Destrutiva, sem notar a dor que causa…

Em contrapartida e no mesmo instante,
Quem realmente crê e assim deseja,
Esmere-se em desenvolver em si mesmo,
Uma mente renovada e que seja:

Dotada de iniciativa, e voluntariado a servir;
Criativa, em soluções que beneficie a todos;
Proativa, antecipando-se em fazer o que deve
E que assim incentiva, todos com exemplos
De uma vida honesta, honrada e produtiva

Lauro Kisielewicz
Ponta Grossa - PR - Brasil

 
 

 

Leninha Barros Tacon

 
 

VAI, MINHA PALAVRA!
Leninha Barros Tacon


Vai! Vai, minha palavra, mal ouvida no escárnio do olhar no andar de cima, mal vista do andar de cima... Vai, minha voz tão fraca, despercebida, louco sussurro, insana entre o grito dos sãos... mal compreendida, insistente num dialeto de si...bárbara, démodé, monólogo implorando diálogo...
Vai, minha voz que se ampara na muleta da escrita, na pena que tinge de azul, de negro o imaculado branco papel... Vai minha palavra aquela que não saiu... engasgada na vergonha, aquela que emudeceu ao ouvir o pedido que vinha do rés do chão: de socorro...do rés do chão a ouvir o andar superior...
Vai, minha palavra! A palavra consternada, estarrecida, deslumbrada de quem saiu da caverna ao que lá ficou. E que a parede da caverna ressignifique os ecos de brados roucos aos surdos ouvidos de quem lá ficou...
Vai, minha palavra, já em outros idiomas, palavras de mesmas letras, significados outros, leituras outras, gritos outros, anseios iguais, gritos de irmãos, vozes parecidas... Há um mesmo grito no andar de cima, o grito do andar de cima ouve seu eco no rés do chão... O rés do chão acata a palavra do andar de cima; o andar de cima esqueceu-se que aprendeu a falar no rés do chão...
Vai, minha palavra! Pudica e insinuante qual ensaios de boudoir... Pura ainda frente à malícia, o lascivo flash do olhar alheio, do curioso olhar do andar de cima...
Vai, minha palavra! Falar do azul que o cinza esconde, do verde que brota das cinzas; fale do vermelho no rubor do ultraje, do traje que se tingiu de rubro...
Vai... delinqüente e atrevida, livre dos grilhões da censura e de pejo, falar e mostrar a vergonha , a regra injusta, a carta marcada, a transação escondida, o malefício , o roubo disfarçado em furto, a desfaçatez das promessas de palanque e que nunca serão cumpridas...
Vai, minha palavra... e que não seja de gabinete, teórica, atue na prática! Fale pela caneta, mas fale também através do suor e pelo suor... Qual invisível mensagem de limão que se revela à luz...
Vai, minha palavra, denunciar a mercancia do que não tem preço, a profanação do sagrado, a exploração da fé dos humildes... Fale de um Deus que não conhece o dinheiro, mostre a oferenda, o sacrifício perfeito da conduta reta e impoluta, fale que a chave do templo perfeito encontra-se no coração daquele que espalha amor ...
Vai, minha palavra e junte-se a outras qual sementes de romã, símbolo de fraterna união...
Vai, minha palavra, pedaço de vidro despolido ainda, translúcido à espera do esmeril diário...
Vai, minha palavra, persiana de diáfana cor na janela da vida, louca de vontade de se abrir ao Sol!Persiana necessária na proteção da palavra que cega... que ofusca a retina e torna negro o papel .Vai, minha pa...la...vra... Empurrem minha palavra... Abram-se as persianas: as palavras podem estar no Sol.

(Apresentação no 71º Sarau Gotas Poéticas, Uberlândia/MG . Tema: Palavras, uma persiana para a vida. 27/04/2017)

Leninha Barros Tacon
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil


Graduada em Medicina Veterinária e Psicologia pela UFU; cursou metade dos cursos de História e Direito. Poetisa e cronista. Há 10 anos mudou-se para uma chácara afastando-se das atividades profissionais acadêmicas.

 
 

 

Leomária Mendes Sobrinho

 
 

FISIONOMIA
Leomária Mendes Sobrinho

Joga fora o que não presta.
Arranca toda esta modéstia.
Disfarça com uma simpatia.
Com sorrisos de empatia.
Faz do momento uma festa.

Mais toda esta hipocrisia
Também vai para o lixo.
É só ter um foco fixo
Que desmancha tudo em mixo
Transformando-se em fantasia.

Refinada face mista,
Que mudando- se em permuta,
Do que tem de mais astuta:
A sua feição de diversa conduta,
Dissimula como artista.

Leomária Mendes Sobrinho
Bahia - Brasil


Leomária Mendes Sobrinho, soteropolitana da Bahia no Brasil, educadora e escritora,possui vários trabalhos literários de diversos gêneros: Comendadora Acadêmica da cidade de Salvador pela ACCOL em 2013 ,poeta fundadora da Academia Virtual Literária Max Martins-MM,membro imortal da Academia Brasileira Virtual de Letras,várias antologias e prêmios.
Autora dos livros:
"A Minha vida é um poema",editora Bookess,2009. "Amor Adolescente".editora Bookess,2012. "Virtualmente".editora Bookess, "O Poder e o Juízo".editora Bookess, "Poemas de Léa".editora Bookess, "Poemas de Léa".editora Bookess, "Mulher".editora Bookess, "Poemas de Léa".editora Bookess, "Virtualmente",editora PerSe :Bienal do Livro na Bahia em 2013, "Leônidas", editora PerSe – Trata-se de uma Biografia de seu pai

 
 
 
 

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