FÉNIX

LOGOS Nº 26

JULHO - 2017

 
 

 

Arnaldo Leodegário Pereira

 
 

MISTÉRIOS DE UMA SEMANA SANTA (conto/realismo fantástico)
Por Arnaldo Leodegário Pereira


Em um povoado do interior do Paraná lá pelos idos de 1950, morava o Sr Heloy, junto a sua família em uma pacata vizinhança, distante da cidade 22 Km. Era a vila de Santa Luzia, calma e sem grandes acontecimentos, Seus habitantes eram todos trabalhadores da roça, gente muito ordeira e simples, porém a religiosidade era a marca comum a todos. Com a chegada da semana santa todos voltavam se para as atividades da igreja. Haviam algumas pessoas incrédulas e não davam maiores importâncias ao dia maior nesse contexto religioso: a Sexta Feira Santa.
Reuniram um grupo de homens para matar um porco cevado, apesar do protesto de alguns vizinhos mais religiosos. Foram feitas todas as tentativas para sangrar o suíno com uma faca de lâmina bem afiada. Apesar das inúmeras tentativas o suíno resistia e não se deixava abater. Houve um revezamento de homens e até apostas a valer dinheiro para o camarada que conseguisse matar o suíno. Mas nada!... Cada tentativa era em vão!... Parecia um mistério!
Foi aí que chegou seo Heloy, estava bem arrumado, com roupa (nova) para ir à cidade. Nesse momento surgiu um rumor, e o desafio; seo Heloy, para alguns era a pessoa indicada para realizar aquela façanha! Alguns apostavam que não. Vendo-se desafiado, e mais a necessidade de ganhar um dinheiro extra; seo Heloy topou a parada!... Ganharia meia saca de feijão, meia saca de arroz e algum dinheiro referente à diária de dez dias... Ele não queria exatamente por tratar-se da Sexta Feira Santa!.. Depois de muita insistência aceitou a difícil empreitada...
De posse da faca afiada, seo Heloy debruçou-se sobre o animal.... Nesse momento deu-se algo sobrenatural... Como que por encanto a faca foi sugada pelo corpo do suíno e ficou-lhe cravada no pescoço... Jorrou sangue em direção ao rosto de seo Heloy, respingou em sua roupa como que de propósito... Porém a aposta foi ganha!.... Como estava a caminho da cidade, e já um pouco atrasado, ele não quis voltar em casa para trocar a roupa. Não deu importância para isso.
Ao aproximar-se da cidade, a polícia estava perseguindo um criminoso que havia acabado de assassinar um homem. Um corretor de imóveis chamado Simão Judas Simplício havia matado seu cliente para receber uma dívida de corretagem. Seo Heloy foi preso como suspeito, acusado pelo crime foi julgado e condenado a 32 anos de prisão. Pelo fato de estar com a roupa suja de sangue, por mais que ele jurasse inocência, naquela época não havia como fazer exames especializados. Passados 9 anos, seo Heloy recebeu a visita de um advogado; Messias Jesus do Nascimento. O criminoso havia morrido e ficou provado a inocência de seo Heloy que foi solto na Sexta Feira Santa.
Quando ainda na prisão seo Heloy fez uma promessa: se conseguisse provar sua inocência e ser libertado iria carregar uma cruz na procissão da Semana Santa durante todos os dias de sua vida. Hoje com quase 80 anos ele cumpre fielmente o que havia prometido.

(Direitos autorais protegidos, Lei 9.610/1998. Campo Grande MS, 11/07/2017.)

Arnaldo Leodegário Pereira
Campo Grande - Mato Grosso do Sul – Brasil


Formado em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco. Campo Grande Mato Grosso do Sul Brasil. - Várias campanhas de utilidade pública: - Campanha para Doação de livros; - para Doação de Sangue: - para doação de livros escritos em português para a Biblioteca Lorosae em TIMOR LESTE: - Participei de 09 antologias. "PROJETO LUZES PARA O NORDESTE". Certificado de: "AMIGO DA PAZ E DAS CAUSAS SOCIAIS" outorgado pelo COMITÊ MUNDIAL DA PAZ. Brasília DF, em 02/09/2014. Acadêmico correspondente da A L G, Academia de Letras e Artes de Goiás Velho, 2013. Acadêmico Imortal pela ACLAV, Academia de Ciências, Letras e Artes de Vitória E S. 2014. Indicação para o prêmio (Melhores Poetas Luso Brasileiros 2014), - no Rio de Janeiro no dia 08/02/2014. Estou em "O MAIOR POEMA" a cor que o meu mundo traz. 2ª parte nº 63. Delegado Cultural em Campo Grande MS, pelo Movimento União Cultural.

 
 

 

Ary Franco (O Poeta Descalço)

 
 

ROMANCE CLANDESTINO
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Um pode, o outro não deve, eis o amor clandestino.
Vivem impossibilitados de uma constante união.
Ânsias, angústias sofridas pela constante separação.
Curvam-se à armadilha que lhes pregou o destino.

Encontros furtivos, à mercê das oportunidades surgidas.
Poucos momentos juntos, compartilhados em suas vidas.
Mais distantes que aproximados num louco idílio proibido.
A tudo superam, falando mais alto o ardor de seus libidos.

Tristes quando separados, embalados apenas pelo seu sonhar.
Sonhar o sonho de num porvir, felizes poderem livremente amar.
Quiçá num futuro não distante, ventos alvissareiros lhes soprem.
Por fim acabe a desdita, que paixões num romance lhes sobrem.

Ambos seguem seus caminhos driblando um amargo sofrer,
Convictos de que melhor assim do que renunciar e morrer.
Tudo compensado quando juntos podem seus sonhos realizar.
Eles não procuraram, mas a mútua fascinação fez-se chegar!.

Ary Franco (O Poeta Descalço)
Rio de Janeiro - Brasil

 
 

 

Augusto Barbosa Coura Neto

 
 

SOLIDÃO
Augusto Barbosa Coura Neto

De onde vem a solidão?
Dos nossos desejos
não realizados?
Das nossas súplicas não ouvidas?
Será que vem das profundezas
de nossa alma à procura
de nós mesmos?
De onde vem?
Se a temos
Não a repartimos,
procuramos alimentá-la
em nossos recônditos
de pecados inconfessáveis.
Pois ela é a cruel flor
que após a tempestade
perfuma nossa vida
em cada novo amanhecer

Augusto Barbosa Coura Neto
Florianópolis - SC - Brasil

 
 

 

Augusto França

 
 

ENTRE NÓS, TUDO FINDOU
Augusto França

Findaram as risadas
Os abraços
Findaram os sonhos
Tudo entre nós finfou

Restaram retratos de mau tratos
Gritos de nós dois

Restaram lembranças salgadas
Melodias melancólicas
Ficaram marcadas as noites desniveladas sem velas nos olhos

Restaram poemas que ainda faço à ti
Ficou o primor das pétalas da sua juventude
Ficou saudade no meu vidrado

Ficou nos lenços do meu eu o aroma do seu corpo
Ficou ansiedade nos lábios
Ficou saudade no meu vidrado

Augusto França
Luanda - Angola


Augusto França "Aprendiz de Letras" nasceu as 31 de Dezembro de 1990 em Angola, Provincia da Huíla, Municipio do Lubango... Professor de profissão, reside em Luanda capital do país onde nasceu. Começou a compor poemas em 2013... Acredita que, é na Poesia onde encontra equilibrio para encarar a realidade da vida.

 
 

 

Aurea Abensur (Orinho)

 
 

A LUA
Aurea Abensur (Orinho)

Olhar a lua cheia é lembrar,
o nosso estar a sós com ela
dançando sob sua luz prateada.
deitados na relva fresca da noite
a namorar e namorar.

Impossível esquecer,
se ela mesma me faz lembrar
desses instantes mágicos,
de nós dois a nos amar,
sempre que no céu ela volta a brilhar.

Lua, linda Dama da noite
foste testemunha deste nosso amor.
Tende portanto piedade de mim e
quando fores que voltares
traz de volta o meu grande amor.

Salvador, ainda em tempo...

Aurea Abensur (Orinho)
Salvador - Brasil

 
 
 
 

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