FÉNIX

LOGOS Nº 26

JULHO - 2017

 
 

 

Mara Lígia Biancardi

 
 

TRILHA
Mara Lígia Biancardi

Pés descalços
Anseiam justiça
Caminham sobre pedras
Sangram
Não param

Encontram percalços
E descalços continuam
Superam-se na existência
Vitória?
A persistência

Mara Lígia Biancardi
Jundiaí – São Paulo – Brasil


É professora de inglês e professora universitária no curso de Letras em Jundiaí. Tem experiências em realizar projetos sobre leitura em língua inglesa e língua portuguesa, em ministrar oficinas pedagógicas e culturais (como escritora e como professora). Também ministra palestras e oficinas para professores e estudantes com temas relacionados tanto à Língua quanto à Literatura.
Na área de Literatura especificamente, realiza estudos sobre a concepção de leitura sob dois pilares: prazer e fruição e sobre a concepção de leitor (cuja referência da pesquisa é o autor francês Roland Barthes), pesquisa essa que resultou na monografia: “O leitor de Hamlet: entre o prazer e a fruição”.
No tocante à Língua Portuguesa, faz revisão de textos.
Livros publicados: Momentos, As chaves mágicas, Os Três Rs Mágicos, In Verso.

 
 

 

Mara Margareth Zamingnani

 
 

MINHA CASA DE INFÂNCIA!!!!!!
Por Mara Margareth Zamingnani


Guardo lembranças maravilhosas da casa de minha infância! Como era grande!! Era (e ainda é, pois ela continua lá, hoje uma Clinica Veterinária), uma casa de duas águas, como meu pai falava, tinha duas caídas (repetindo aqui o que ouvia quando criança, pois, não compreendia o que isso significava e penso que ainda não compreendo);bem no meio de um terreno enorme.
Bem na frente na janela do quarto de minha mãe, uma janela veneziana grande; uma seringueira enorme, que algum tempo depois meu pai mandou cortar, pois suas raízes imensas e expostas estavam começando a rachar a parede do quarto e deixa – lá seria perigoso.
Tínhamos nesse quintal um pé de amora com suas taturanas de fogo, aquelas que queimavam a pele se esquecíamos de olhar bem os galhos e folhas, era só crianças chorando por todo lado. Crianças sim, no plural, porque eram muitas e não somente eu e minhas irmãs. Tinha pé de pêssego, limão galego, limão taiti, laranja baia, mexeriquinha, aquela da casca fininha e a polkan, pé de mamão e de goiaba, além da horta que meu pai fazia: de alface, beterraba, cenoura, repolho, couve - manteiga, couve -flor, cebolinha, salsinha, milho com seus cabelinhos ao vento e mandioca.
Em frente à casa, onde havia a seringueira, havia também muitas flores como Dalias de várias cores pequenas média e grandes, todas muito felpudas, gordinhas de tantas pétalas! Havia também uma flor chamada Banana do Brejo, quando ela florescia comíamos sua flor que era parecida com uma banana grande e gorda, muito amarela, sabor doce e meio picante, a criançada se divertia e muito...
No fundo do quintal tinha um enorme quadrado de grama para quarar roupa. Vocês se lembram disso?! Mas o mais gostoso era a escada que tinha nos fundos para chegar à cozinha e ou entrar na casa por lá!! Adorava!!! Quando subíamos por ali, chegávamos no terraço que era enorme, tinha o tanque, uma mesa de madeira onde eu fazia a tarefa de escola, varal que minha mãe pendurava roupas quando chovia e o banheiro que ficava ali e não dentro de casa. Também servia (o banheiro) como local de castigo quando eu e minhas irmãs deixava a mãe muito brava!), um horror!! Tudo menos ficar de castigo no banheiro!
A cozinha era grande e a sala também. O quarto de minha mãe era o maior da casa, com cama de casal, dois criados - mudos um de cada lado da cama, dois guarda – roupas um grande de casal e outro menor, penso que era de solteiro, uma cômoda grande, uma penteadeira estilo princesa, banqueta e duas cadeiras, tapete no chão, almofadas, uma lindeza o quarto da rainha!!
E o nosso quarto! Nosso quarto!!! Que delícia! Eu e minhas irmãs não tínhamos um quarto só nosso, dormíamos no quarto da mãe na outra casa, e ali era nosso quarto! Com duas camas e um berço, uma cômoda grande, tapetinho no corredor entre as camas, uma janela que dava para o fundo do quintal e nós enxergávamos a imensidão do céu azul, o sol brilhando, as nuvens passando...
As vezes eu colava meu rosto no vidro da janela e ficava imaginando o que havia do outro lado das montanhas cheias de mato, além do rio, Rio Paraíba, que cortava a cidade...
Nessa casa vivi muitas aventuras, e as carrego comigo até os dias de hoje...

Mara Margareth Zamingnani
Jacareí - SP - Brasil


Psicologa, Psicopedagoga, Pedagoga, Contadora de História, Arteira, Escritora.
Escritora, participante da obra : Antologia Palavras Abraçadas – vol 3 – ed. Scortecci

 
 

 

Mara Narciso

 
 

QUEM AMA CASA OU QUEM CASA AMA?
Por Mara Narciso


Muitas vezes a vida nos coloca em encruzilhadas e nem sempre temos o bom senso para escolher o melhor caminho. Quantas vezes optamos pela estrada mais tortuosa e complexa? Algumas vezes chegamos ao Éden, mas noutras caímos no poço. São tantos os perigos do roteiro, uma armadilha atrás de cada árvore. Enquanto houver árvores. Mas são muitas as luzes encontradas.
Viver é excitante, exatamente pelas surpresas em cada capítulo. Ao fim de uma etapa há a emoção da série, e no outro dia, um capítulo inteiro para escrever. A vida tem seu tortuoso tempo, nem longo nem curto. A expectativa de vida no Brasil está em 75 anos. Queremos chegar lá. Mas muitos caem antes, e falo de causas naturais. Então, devemos viver da melhor maneira. E qual é esta maneira? Cada povo tem suas expectativas. Uns vão pelo lado da posse de coisas e pessoas, outros vão pelo lado leve, vida simples, despojada, descomplicada, cada um livre para ser o que quiser. Pensam que a maioria quer a segunda opção? Não! Quer a primeira.
A relação humana é um risco a cada momento. Quantas vezes pessoas são tão próximas que fazemos uma verdadeira imersão no seu modo de viver? Ficamos sabendo detalhes íntimos que só contamos ao terapeuta. Depois somem para nunca mais voltar. Boa parte das aproximações é circunstancial, por interesse de vizinhança, escolar, trabalho, instituição, financeiro, afetivo. Depois, laços apertados se rompem, rasgando a carne. Ficam cicatrizes e lembranças.
Pessoas se unem para suprir o que mais lhes faltam. Então, pessoas diferentes se aproximam pelos mesmos motivos que as separarão. Nas rupturas são diversas dores e alegações. Há o pensar, medir, pesar, decidir e falar. Ou escrever. Porque está em curso uma moda cruel de rupturas por escrito. As que são vítimas da ruptura reclamam, para ler a justificativa dos ruptores de que é melhor assim.
Desde a Bíblia se diz que haverá choro e ranger de dentes no sofrimento. A maioria sabe o que vem a ser isso. E aqui não falo do Apocalipse Universal e sim do individual. Quantas vezes fizemos chorar? E quantas vezes choramos? E outras que sorrimos e nos beneficiamos das melhores delícias?
Sonhar, vivenciar e sorver o que a vida tem de melhor. E porque não? Desde que procuremos não punir quem não merece e sim, nos afastar do convívio de quem nos faz sofrer. O mundo continua coalhado de injustiças, de penalizações a quem não deveria ser punido, enquanto muitos merecedores de punição encontram o Reino dos Céus na terra. Outros, completamente bons passam a vida a sofrer. Há culpas e culpados, mas quem produz dor sofre? Quem constrói o bem, usufrui dele?
Vivendo, e o melhor, ninguém sabe até que dia, o mundo pode ser visto como um lugar injusto onde, todos os dias vemos cair os bons e se levantar os maus. Sem intriga não há enredo. Assim é nos livros, nas novelas, nos filmes e na vida. O marasmo não é bom companheiro, então precisamos fazer acontecer, irmos em busca da ação, preenchermos a vida em todos os níveis. É o óbvio, mas se vive basicamente nele e dele.
Então, podemos falar do amor, esse sentimento traiçoeiro com quem se mete a senti-lo e, o pior, escrever sobre ele. Inevitavelmente caímos no ridículo. Mas sem isso não se conhece o amor. Quanto à pergunta do título, é dever de casa. Que cada um procure a sua resposta.
9 de julho de 2017

Mara Narciso
Montes Claros - Brasil
http://www.jornaloportunidades.com/montesclaros/colunas/maranarciso/
http://www.geraisnews.com.br/colunistas/coluna-de-mara-narciso.html
http://www.dm.com.br/
http://www.minaslivre.net/site/


Mara Narciso é mineira de Montes Claros, sendo médica endocrinologista há mais de 35 anos. Antes dos oito anos ganhou dois concursos literários. Na adolescência escreveu um diário durante quatro anos. Aos poucos passou a escrever crônicas, aceitando o incentivo dos amigos. Como seu filho é portador de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção de Hiperatividade, escreveu em 2004 o livro “Segurando a Hiperatividade” contando a história dele. A repercussão foi boa, dando-lhe a oportunidade de fazer palestras sobre o tema. Disseram que o livro tinha linguagem jornalística. Devido a isso, foi estudar Jornalismo, formando-se em julho de 2010. Desde então atua nas duas áreas, trabalhando como médica em seu consultório e publicando crônicas em vários sites e blogs além de jornais online (Jornal Oportunidades) impressos (Jornal de Notícias, Diário da Manhã de Goiânia). Também fez por dois anos matérias jornalísticas para a revista Plataforma, de distribuição gratuita na empresa de ônibus Transnorte. Escreve textos exclusivos sobre saúde na coluna “Sem Excessos e Com Saúde” para o Jornal Virtual Gerais News.eM

 
 

 

Marcelo de Oliveira Souza

 
 

A MENDIGA ESCLARECIDA
Marcelo de Oliveira Souza,IWA

Embaixo de uma loja
Ainda para ser restaurada
Ela lê um livro antigo,
Encima de suas roupas
Pútridas ao tempo.

Com suas unhas trabalhadas
Mais bonitas que de “madame”
A moça põe-se a admirar,
As mãos espalmadas...
Esquecendo até a falta do seu jantar.

Sem casa, amigos e lugar
A desafortunada mulher
Fica a lamentar,
Na solidão
Desse recôndito luar.

Com um vocabulário nada simplório
Todos passam a observar
Interagindo com a comunidade
Ninguém a vê como mendiga.

Um grande disfarce
Para a esmola preterida
Pois uma mulher desenvolvida
Nunca poderia cair nesse ostracismo
De uma vida esquecida.

Marcelo de Oliveira Souza, IWA
Salvador - Bahia - Brasil
http://marceloescritor2.blogspot.com
Site do Concurso de poesias: www.poesiassemfronteiras.no.comunidades.net
Face: psfronteiras
Instagram: marceloescritor


Marcelo de Oliveira Souza: Natural do Rio de Janeiro, formado na Universidade Católica do Salvador. Pós-graduado pela Faculdade Visconde de Cairu com convênio com a APLB/UNEB;Ganhador do Prêmio Personalidade Notável 2014 em Itabira MG ; Membro da União Baiana de Escritores; da Academia de Letras de Teófilo Otoni MG; da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências RJ; da confraria de Artistas e Poetas pela Paz – CAPPAZ; da Associação Poetas Del Mundo; do Clube dos Escritores Piracicaba SP; Da IWA International Writers & Artists EUA; participa de vários concursos de poesias, contos, publicações em jornais e revistas estaduais, nacionais e internacionais sempre conseguindo ser evidenciado pelos seus trabalhos louváveis; colunista do Jornal da Cidade, Debates Culturais, Usina de Letras, entre outros. Organizador do Concurso Literário Anual POESIAS SEM FRONTEIRAS e Prêmio Literário Escritor Marcelo de Oliveira Souza

 
 

 

Márcia de Jesus Souza

 
 

PÁGINA MIL
Por Márcia de Jesus Souza


Foi uma mulher de fibra, a saudosa poetisa Gilka, relatou desejos de mulher, em uma época proibida de se expressar o que se quer...
Mas isso não a calou e foi a “boca” de muitas “sinhazinhas,” que sofriam repressão, sendo obrigadas a inibir, toda e qualquer emoção...
Sangue de artistas nas veias, ela esbanjava sensualidade, seu primeiro livro “Crystais Partidos” dedicou a sua mãe, esse sim, era amor de verdade...
Com um toque de ousadia, escreveu “Mulher Nua,” retratou o erotismo sem fazer uso da censura...
Casou-se com Pedro Machado e teve um casal de filhos, viajou pelo mundo inteiro, ficando conhecida através dos seus poemas no estrangeiro...
Figura feminina do “simbolismo,” revela um mundo só seu, tumultuado de desejos ocultos, que ao sentir na pele, descreveu...
Desde criança fazia versos, e aos treze anos ao participar de um concurso, despontou, arrebatando três prêmios e assim, seus poemas para o mundo a apresentou...
Encerrou sua carreira com o poema “Meu Menino,” que retratou toda dor, de uma mãe ao perder o filho...
Nasceu e morreu no Rio de Janeiro, mas seus poemas a imortalizou, ficaram conhecidos no mundo inteiro, como poemas de amor...
Com “Mil Poemas,” vamos homenagear a maior poetisa do Brasil, “Gilka da Costa Melo Machado,” nesse espaço, a nossa “meta” se cumpriu, reunimos escritores do mundo inteiro para compor esse livro, até chegar à “Página Mil”...

Márcia de Jesus Souza
Ribeirão das Neves - Brasil


Márcia de Jesus Souza, natural de Montes claros, reside em Ribeirão das Neves, Comendas Escbrás, Delegada Cultural, CNE Mérito Internacional, escritora, compositora, design gráfico, Poeta Dell Mundo, contribui com o meio ambiente utilizando materiais recicláveis para fazer artesanatos, membro da (ANELCA) Academia de Letras Ciências e Artes de Ribeirão das Neves, membro correspondente da (ALTO) Academia de Letras de Teófilo Otoni, Membro Acadêmica da (ALUBRA), Academia Luminescência Brasileira, situada em São Paulo, outorgada com cinco troféus, entre eles Cecilia Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Machado de Assis, entre outros, escreve poesias, contos, romances policiais, literatura infantil e ama o que faz...

 
 
 
 

Clique aqui para ver todos os detalhes e estatisticas do site