FÉNIX

LOGOS Nº 26

JULHO - 2017

 
 

 

Rosimeire Leal da Motta Piredda

 
 

PAISAGEM DESÉRTICA
Rosimeire Leal da Motta Piredda

O meu coração foi coberto por um manto de areia,
tornou-se um deserto sem a sua presença.
Vaguei por todos os lados buscando-te,
perdi-me na paisagem desértica.
Grandes barreiras montanhosas
dificultam a chegada de nuvens úmidas.
Minhas lagrimas são impedidas de deslizar pela face:
conformada estou que a sua partida é eterna!
Nesta região de dunas onduladas,
sua fisionomia sobrevoa minha mente,
num vai-e-vem de recordações.
Nesta terra seca,
encontrei um oásis onde a sua existência é quase real:
o sol não queimou as lembranças!
Avistei um cacto cujas folhas armazenavam água:
saciei a sede da sua ausência!
Outras plantas tinham longas raízes
que penetraram fundo em minha alma:
seus traços são indestrutíveis!
Nesta zona árida, o calor na temperatura máxima,
vi algo logo a frente:
Uma pessoa caminhava.
Adivinhei quem era.
Saí correndo para abraçá-lo, mas sumiu!
A miragem brincava com a minha saudade!
A reflexão da luz solar criou uma ilusão.
Um lagarto passou por mim ignorando-me.
Sensação de abandono.
O vento soprou forte espalhando a areia.
Vazio.

(Obs.: Poesia escrita logo após a morte do meu pai, Pedro Sabino da Mota – 1912/2007)

Rosimeire Leal da Motta Piredda
Vila Velha – Espirito Santo – Brasil
http://www.rosimeiremotta.com.br/
https://www.facebook.com/profile.php?id=100011114436011

 
 

 

Rosinha Bonette

 
 

QUERIA SER UM ANJO
Rosinha Bonette

Queria realmente ser um anjo.
Ser o anjo que vela, o anjo que guarda, o anjo que proteje.
Quebrar todas as barreiras elementais e ser apenas um anjo.
Queria realmente ser um anjo.
Ter a bondade nas faces.
A sabedoria no olhar.
Saber sorrir, saber confortar.
Saber entender os aflitos, saber ensinar.
Ir ao encontro de todos, e a todos amar.

Queria realmente ser um anjo.
Sorrir ao ver a ventura do vencedor.
Se emocionar com o desespero do perdedor.
Beijar a face daquele que suplica.
E aplacar a raiva do inimigo cruel.
Queria realmente ser um anjo, poder quebrar todas as regras celestiais.
Sentir o amor único, exclusivo e chorar por todos os demais.
Queria somente ser um anjo, que ama a você e nada mais.

Rosinha Bonette
Itatiba - SP - Brasil


Rosa Bonette, conhecida como Rosinha Bonette.Funcionária Pública Municipal. Graduada em Pedagogia, Pós-graduada em Psicopedagogia e Educação Especial, atuando na area da Educação com Atendimento Educacional Especializado com alunos da Rede Municipal. Escrever é minha paixão.

 
 

 

Rossana Aicardi Caprio

 
 

PERSPECTIVAS
Por Rossana Aicardi Caprio


Llueve y desde la altura las nubes se deshacen en pequeñas gotas, que llevadas por la cadencia del viento mojan la tierra haciendo más fuertes sus colores como si un gran pincel le pasara una mano de barniz, mientras los campos sembrados brillan, entre suspendidos cristales mojados. Se ven árboles cobijando animales que bajo ellos se refugian del aguacero y cuando éste pasa vuelven a la pradera recién regada, pastando en armonía con el resto del paisaje.
Parece que la Tierra hubiese sido hecha para verse desde el cielo y solo los pájaros gozaran de este privilegio, don que los humanos piden prestado por un rato cuando suben a un avión, un globo aerostático, un parapente o a una montaña.
Ahora salió el sol; los cauces de agua perfilan plateados abrazando la Tierra cual enormes venas que laten juntas y cerca de ellas, las pequeñas casas iluminadas por el sol se transforman en construcciones perfectas y alineadas como si un gran lápiz las hubiese dibujado así; y es que a la distancia todo es perfecto. Como cuando más perspectiva se toma de las cosas y así, por arte de magia, más rápido se solucionan. Paralelismo invisible entre la naturaleza y el hombre que solo se aprecia a lo lejos, donde todo se aclara y se unifica: las líneas se enderezan, los sembradíos geometrizan su perímetro, cada espejo de agua toma una forma única, irrepetible y los caminos serpentean armónicos mientras unos llevan a otros, intercomunicados como por un artífice que desde lo alto, hubiese planificado cada centímetro con inteligencia y tiempo, palmo a palmo y sin errar un milímetro.
Sigo hacia el océano; el movimiento continuo de las olas dibuja elevaciones por las que sería lindo caminar. La espuma le da el toque de magia necesario para que de a ratos se asemeje a un cielo con nubes.
El sol se va escondiendo y el horizonte teñido de naranjo recorta en negro el solitario faro anclado a la lengua de tierra caprichosa que como una gran mano, se introduce en el mar hasta tocarlo.
Los grandes albatros saludan en vuelo al astro rey que se pierde lento en la débil línea del ocaso mientras en ese instante mágico, amanece del otro lado del planeta.
Ballenas y delfines aprovechan la altamar saltando entrecruzados en dibujos casi impresionistas, mientras aparecen las primeras estrellas y a lo lejos la luna pinta sobre el agua su camino de plata como reina absoluta de la noche.
Es tarde pero no quiero irme; aquí todo es tan perfecto, tan hermoso, que no dan ganas de seguir volando. Sobre el techo del faro y por un rato, contemplo extasiada el horizonte inmenso haciéndome una con él. Desde aquí, las luciérnagas del campo son pequeñas hadas llevando faroles brillantes en sus manos. Los búhos me miran al pasar mientras cazan, aprovechando las sombras que la claridad de la luna llena proyecta.
El murmullo del agua acaricia las rocas y me da sueño pero tampoco quiero dormir porque me perdería este espectáculo y sería imperdonable. Recostada miro al cielo, esta noche sí que es toda mía; cuántas luces titilan por ahí, qué maravilla; desde esta altura, nada las opaca ni siquiera la propia luz del faro, que cadenciosa gira iluminando en derredor por segundos.
Una de las estrellas se hace cada vez más y más grande, es tan fuerte como la misma luna; creo que debo irme, ya vienen por mí, me están buscando, salí por un rato y me entretuve demasiado cautivada por la belleza de este maravilloso planeta al que llaman Tierra.

Rossana Aicardi Caprio
Pando – Canelones - Uruguay


Escritora. Plástica. Diseñadora Gráfica. Comunicadora. En su acción social y filosófica y en su obrar por la Paz, trabaja por una nueva conciencia en eventos literarios, visitando escuelas, y en programas culturales de cable y radio.

 
 

 

Rozelene Furtado de Lima

 
 

MEUS MOINHOS DE VENTO
Rozelene Furtado de Lima

Como hélices dos moinhos de vento
Giro e circulo num só movimento
Sopro em sua direção
Meus moinhos de vento rodam em vão
É energia que caminha em caracol
Para manter aceso o farol
Soam as sílabas separadas do amor
Ecoam com todo vigor
Quero fazer minha potência chegar
Tento noite e dia sem parar
Inútil esforço e cansaço
Não alcanço seu abraço
Quero mostrar minha verdade
Que não vale amar pela metade
Tem que unir as duas partes
Coração só de um lado fica sem arte
Sem significado, sem importância
Deixa de ser amor, pois vibra sem ressonância
Os ventos não param de assoprar
Meus moinhos de vento estão a rodar
Sopram na força do sonho e na crença
De transformar em amor sua indiferença

Rozelene Furtado de Lima
Teresópolis- Rio de Janeiro - Brasil
www.rozelenefurtadodelima.com.br


Professora, bibliotecária, escritora, contista, poeta, artista plástica. Coautora em 385 Antologias nacionais e internacionais. Textos publicados em Portugal, França, EUA, México, Espanha, Itália, Alemanha, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Venezuela e Suíça. Cinco livros publicados. Membro da ATL - Academia Teresopolitana de Letras entre outras. Prêmios Nacionais e internacionais em literatura e artes.

 
 

 

Ruan R. Rosa

 
 

PROPOSTA
Ruan R. Rosa

Tão descansado
e sem pressa
quanto o gato que
é o dono da paisagem,
continuo notando
os detalhes que
se apresentam fora
de mim.

O vento bate por
todos os lados
da casa.
Não fossem as paredes
já teria sido descoberto.

As obrigações
estão suspensas
até a próxima lufada.

Ruan R. Rosa
Blumenau – SC – Brasil
www.poensiando.blogspot.com


Foi colaborador do Grupo AmaDores de Teatro (2007). No grupo, participou como fotógrafo do espetáculo “Ensaio sobre a Loucura” (2007 – 2009), direção e autoria de Rafaela Kinas. O espetáculo participou como grupo convidado do 4º Festival MOTAB, em Blumenau. Participou como maquiador do espetáculo “As preciosas Ridículas” (AmaDores de Teatro, 2009), texto de Molière e como fotógrafo e produtor de “O Monstro de Nutenstein” (AmaDores de Teatro, 2009), texto de Wilfried Krambeck, espetáculo indicado na categoria “Melhor ator” e ganhou o prêmios de “Melhor Atriz” para Daniella Curtipassi, “Melhor Direção”, “Melhor Espetáculo” e “Fotografia” no 14º Festival JOTE-Titac (2009).
Na cidade de Blumenau, participou do Coletivo Multicultural de Experimentações Artísticas - COLMEIA (2012) com uma intervenção literária de zines de poesia, edição “A LA MANDA” e expôs no Estudio Fole (2012) em coletivo, sob curadoria do fotógrafo Ivan Schulze e da também fotógrafa Gabriela Schmidt. Recentemente trabalha com diversas ações culturais na Universidade Regional de Blumenau, tendo participado de montagens de exposições de artes visuais e curadoria de propostas artísticas para a temporada de exposições do Salão Angelim (FURB) e da organização do Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau (FITUB) nos últimos anos.

 
 
 
 

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