FÉNIX

LOGOS Nº 27

SETEMBRO - 2017

 

 

Tânia Diniz

 
 

PENÉLOPE
Tânia Diniz

Espero.
Tal Penélope
teço a teia
de suspiro e saudade

em ponto meia.
Às noites de lua
entremeio
fios de paixão
brilhos de prazer
bordados em canção
eu, toda nua,
vestindo tua mão.
Pronto o manto
envolvo de encanto
loucos sonhos na cama,

a trama de quem ama.
Tal Penélope
na noite sem lua
sem teus passos na rua
desmancho, desfaço,
meus pontos, teu laço.
A solidão, não meço.
Amanhã, recomeço.

Tânia Diniz
Belo Horizonte-MG- Brasil
www.mulheresemergentes.com

 
 

 

Tere Tavares

 
 

ANÍBAL
Por Tere Tavares


Quando a doce loucura de recolher-se o cinge, Aníbal vê-se navegando entre as páginas – fere-as com letras. Os joelhos dobrados: “na centralidade arrisco-me e escrevo ao gosto do que aprecio. Se me ocorrer a subtração desse direito, não haverá grandiosidade e a escrita sairá às avessas – o que poderá conferir-lhe uma beleza trivial, nunca uma beleza grandiosa. O branco, que é toda cor, deve fluir como flauta e como flecha”. Ele não entende nada de física nem de química. De imediato pensa naquele órgão submerso em seu mapa vascular, o não lugar e suas acústicas infalíveis, imaginando-se no infinito que o duplica, aplacados os olhos, como lenços imaturos que o fazem mergulhar continuamente. Porque os pequenos detalhes, normalmente, não são para todos os escribas.
É nesses momentos de harpa que Aníbal segura, no ânimo, a fisionomia inigualável de Rosália. Lembra-a sempre que atende ao seu chamado, no dia quente e imprevisto, ela, radiante num vestido de flores miúdas sobre um fundo negro, ou com outro vestido amarelo cádmio [assemelhado aos alucinantes matizes de Van Gogh], ambos de seda, escorregando nas sinuosidades do ambiente que, de algum modo, imagina eternizar, não querendo esperar como há-de ser o que não pode ser. Dizer a ela que lhe arde a negação e, talvez, não decante nunca a retrospectiva que, dia a dia, fracassa na complexidade impensada e não prevista, até que se dissolva a música que não lhe sopra outro nome, outra grafia que não a de Rosália – brotação e bulbo. “Sinto-me um mero transeunte do Tempo –acho o Tempo uma invenção; chamaram a esse vácuo desconhecido de Tempo assim como chamaram Deus ao resto do vácuo que restou. Eu resisto a tudo. Menos à amada que, infelizmente, não é minha”.
Aníbal não perde de ver-se, mesmo depois de um longo e imotivado intervalo. Nada faz com que desmorone a construção que fez de Rosália. [não recorda qual foi o inaugural elemento de que se serviu para isso; e isso não o perturba, nem lhe importa]. Rosália ser-lhe-á, por toda a vida, a alma diurna e feliz de que jamais se apartará por sentir-se inteiramente composto dentro dela.

Tere Tavares
Cascavel - Paraná - Brasil
http://m-eusoutros.blogspot.com.br/

Tere Tavares, escritora e artista plástica, radicada em Cascavel, PR, Brasil, autora de sete livros publicados "Flor Essência" (2004), "Meus Outros" (2007), "Entre as Águas" (2011), “A linguagem dos Pássaros” (Editora Patuá 2014), “Vozes & Recortes”(Editora Penalux 2015), “A licitude dos olhos” (Editora Penalux 2016), “Na ternura das horas” (Editora Assoeste 2017). Conta com diversas publicações em antologias no Brasil e Exterior. Possui publicações em várias revistas, jornais e sites literários espalhados pelo Mundo. Integra a Academia Cascavelense de Letras.

 
 

 

Teresinka Pereira

 
 

VIVEMOS CLICANDO!
Teresinka Pereira

Ao despertar
apertamos o botão
do despertador que está
enlouquecendo o vizinho...
Depois o botão
da máquina de café
que ficou com água e pó
desde a véspera.
Apertamos o botão
do micro ondas
para esquentar o pão,
comemos e saimos.
Clicamos o abridor
da porta do carro
e clicamos para
ligar o motor.
O telefone toca
e clicamos para atender.
Perdemos a chamada,
enão clicamos os números
deixados na tela e
falamos com quem ligou.
Chegamos no escritório,
clicamos para desligar
nosso móbil e clicamos
para ligar o computador
no qual passamos o dia
clicando...

Teresinka Pereira,IWA - Brasil
em Toledo - Ohio - USA

Presidente do IWA - International Writers and Artists Association - IWA, Toledo, Ohio/USA

 
 

 

There Válio

 
 

FUGA AO ENTARDECER
There Válio

Suavemente cai a tarde
no final de mais um dia
onde o Sol deixou suas marcas,
colorindo com seus raios
qualquer cor que ali havia,
nas flores e nos arbustos
do teu tão lindo jardim.
Na magia do crepúsculo,
nossos olhares se cruzam,
palavras não tem sentido
basta apenas um sorisso;
O teu olhar envolvente,
sufoca meu coração
e me faz estremecer,
despertando todo o amor
que eu sinto por você.
Sou poeta sonhador
e me falta a coragem
de dizer tudo que sinto;
Do amor que tenho aqui,
explodindo no meu peito
e que me leva ao desespero.
Mas não consigo falar,
e ela, sempre sorrindo,
sai, como a tarde caindo,
fugindo do meu olhar.

There Válio
Pilar do Sul - São Paulo - Brasil

Therezinha Aparecida Válio Corrêa, (There Valio), nascida em Pilar do Sul/SP. Coautora em várias antologias e coletâneas e tcoletâneas de história infantil. Também é autora do livro “O Amuleto do Casarão Amarelo”, editado em 2016. É membro do site dos Poetas Del Mundo, e também participa do site Recanto das Letras. É membro efetivo da APOLO-Academia Poçoense de Letras e Artes, de Poções, Bahia, onde é titular da cadeira de número 26. Atualmente é membro do Clube Literário e Artístico Nascente das Águas de Pilar do Sul (CLANA membro da Literarte-Associação Internacional de Escritores e Artistas e da PEAPAZ (Poetas e Escritores do Amor e da Paz).

 
 
 
 

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