FÉNIX

 

 

Augusta Schimidt

 
 

O LONGE QUE EXISTE
Por Augusta Schimidt


Sempre que vejo a chegada ou a partida do dia me emociono. É um espetáculo ímpar, verdadeiro milagre de renovação.
Mas exatamente a partida de hoje me deixou triste. Talvez pela saudade que sinto do longe que existe.
Tenho aqui por paisagem o mar que com seus encantos me encanta. E eu acabei de ver por as águas, o romper da luz da lua que parecia esmolar seu brilho a me dizer: “Há alguém que divide este segredo com você”.
Doce segredo... Doce encanto...
Nesta hora foge-me a poesia, mas vale o momento e às vezes, até tento buscar no fundo da alma um alento... Um semelhante, o lindo, a ternura.
Confesso que há dentro de mim a esperança de que um dia o longe se fará perto. E é isto que me dá forças. É esta esperança que me fez descobrir no rascunho do meu destino o sonho, o caminho que procuro. É uma doce procura... Deixem-me continuar...

Augusta Schimidt
São Vicente - SP - Brasil

 
 
 
 

Augusto Tchudá (Klôfétch)

 
 

MAIS OU MENOS
Augusto Tchudá (Klôfétch)

Mais ou menos movidos pela riqueza
As vezes pela delicadeza
Muitas vezes pela loucura
Mais certo pela impostura.

Mais ou menos falsos
Nem tanto verdadeiros
Os voluntários das ruinas e colapsos
No embuste de terreiros.

Mais ou menos prescritos no tempo
Pertos da utopia e demagogia
Longe do realismo e do tempo
Da vontade a hipocrisia.

Mais ou menos repleto o matadouro
Nebulando o céu os abutres iam
Encontram os que partiam
Mas nada que partilham
Apenas o couro que puxam.

Mais ou menos obscurro
Não muito duro
A incerteza de rumores
Que diabulam nos arredores.

Mais ou menos eles.

Augusto Tchudá (Klôfétch)
Guiné - Bissau


Cônsul Internacional do MUC

 
 
 
 

Aureci Figueiredo Martins

 
 

QUIMERAS
Aureci Figueiredo Martins

Quando encontrares mergulhado, o poeta,
Num transe quieto que de tudo o aliena,
Fica silente, aguardando a cena
Em que desperta e ao mundo se conecta.

Verás que o vate ao despertar se inquieta
Qual gladiador ao adentrar na arena,
Pois que sua alma se desasserena
Ao retornar à dimensão concreta.

É uma loucura! Dirá o leigo ao ver
O delirante vate a discorrer
Sobre a concreta base das quimeras.

De onde brota tal genial saber
Que num poema logra descrever
A quadratura oculta das esferas?

Aureci Figueiredo Martins
Porto Alegre - RS - Brasil


Nasceu em São Sepé/RS. Mora em Porto Alegre/RS. Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFRGS em Porto Alegre. Autor de sonetos e outras formas de poemas e textos publicados em periódicos nacionais e internacionais. Acadêmico da Academia de Letras e Artes Sepeense/RS

 
 
 
 

Aurélio Tavares

 
 

POEMA
Aurélio Tavares

assentei praça na vida
pelo caminho mais lesto da vida.

sabem todos não estou só
hoje mais valor à vida dou
pois logo ali seremos pó.
nunca, nunca chores por ti
sabendo que o fim está ali.
não tenho pena de estar só,
até cada vez mais gosto
de ter finalmente o meu sol posto.
sabemos que nossa vida é assim
um caminhar lento p'ró fim.

Aurélio T. Borges de Melo Tavares
Lisboa - Portugal


Nasci na ilha de S. Miguel, numa aldeia vizinha do Pico da Vara, a nordeste.
Estudei em Ponta Delgada e mais tarde em Lisboa, onde ora resido desde 1960. Fui professor algum tempo e depois funcionário administrativo em 2 Centros de Formação Profissional. Agora sou aluno duma universidade para a 3ª idade e sócio da Associação Portuguesa de Poetas.Desde jovem andei pela prosa e, sobretudo, pela poesia.Já publiqei um livro, e tenho uns dois na forja para breve.Participei em mais de uma dezena de Antologias.

 
 
 
 
 

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