FÉNIX

 

 
 

Cecília Maria Rodrigues de Souza

 
 

DO QUE GOSTO
Cecília Maria Rodrigues de Souza

Gosto de ambientes alegres,
Aconchegantes, reconfortantes.
Gosto de sonhar, enfrentar e vencer desafios;
Tomar decisões, agir rapidamente de modo eficaz, eficiente.
Gosto de viver intensa e plenamente cada momento da vida:
Lendo, escrevendo, cantando, dançando, compartilhando, amando.
Gosto de ficar sem compromisso, sem mesmo ter que resolver
Se vou ao cinema, ao teatro ou assisto TV.
Gosto de me sentir no céu,
Brincando com Davi, Lucas, Paulo Victor e Gabriel.
Gosto de ouvir canções que ajudem a dizer:
“Como é grande o meu amor por você”.
Gosto de ser professora, educadora, aprendiz,
Uma profissional que “rala”, mas continua sonhadora e feliz.
Gosto de Poodle, Festival Folclórico e Futebol. Tratando-se
de Royce, Caprichoso e Mengão, entrego-me com paixão!
Gosto de falar, aonde quer que eu vá, que minha
intercessora é Nossa Senhora Auxiliadora.
Gosto de me unir a Deus em oração e recarregar meu
físico, minha mente, meu espírito com graças, bênçãos e proteção.

Cecília Maria Rodrigues de Souza
Manaus - MA - Brasil

 
 
 
 
 

Cecília Ugalde

 
 

PSICOSE
Por Cecília Ugalde


Era por volta de 5:30 da manhã, e, enquanto eu esperava o ônibus na minha plataforma, um ser diferente chamou minha atenção. Em minha frente estava uma figura muito magra, quase esquelética. Era mês de maio e estava frio, tanto que a maioria das pessoas que ali se encontravam, estavam usando agasalhos. Ela, porém, vestia um short muito curto e bastante velho que fazia conjunto com uma blusa masculina, já rasgada e um pedaço de pano vermelho que por sua barra esgarçada, percebia-se ter sido este tirado de outro maior, também em péssimo estado de conservação, que a tal mulher usava. Mas não usava como as senhoras usam geralmente seus xales. Era estranho, mas o pano vermelho cobria apenas um dos ombros como usam seus lenços, os gaúchos.
Estava inquieta e parecia ter toda pressa do mundo, pois não passava um minuto sequer sem olhar para a entrada do terminal. Andava de um lado para outro, como fazem as pessoas quando estão muito apressadas e o transporte não chega. Às vezes ela se esticava tanto para ver se o ônibus já estava vindo que seus pés descalços, ficavam apenas metade em cima da plataforma, aquela parte do piso antiderrapante que até os deficientes visuais percebem e sabem que aquele é o limite e não podem ultrapassar sob o risco de cair. Ela estava quase caindo na pista do ônibus. Um verdadeiro perigo que despertou também a curiosidade de um senhor que sentou a meu lado. Éramos dois a olhar.
Reparei que em um de seus pés havia um ferimento enorme, que talvez por falta de cuidados adequados, estava longe de cicatrizar. Entretanto, ela parecia não sentir dor alguma, também não aparentava está com frio. Seria alguma adepta do estoicismo? Difícil de saber, mas pela sua aparência rude e descuidada, deduzi que pelo menos teoricamente, ela nem sabia da existência de tal doutrina. Avançou mais e estava a ponto de cair. E se o ônibus viesse e não desse tempo para ela recuar? E chegou-se mais ainda, estava apoiada apenas nos calcanhares. O ônibus vinha, redobrei a atenção, o senhor ao meu lado também. Se fosse apenas um dos pés... Seu corpo parecia balançar, prestes a perder o equilíbrio. Mas num lapso de segundo... ela recuou, bem a tempo. Que alívio!
O ônibus não parou. Sua parada era mais à frente. Ela correu. Levantei-me. O senhor que estava ao meu lado também, e na pequena fila que se formava para o embarque, estava ela no final. Sobe um, dois, três... Vejo-a abandonando a ideia de pegar o ônibus e sair andando tranquilamente. O homem balança a cabeça num gesto negativo e volta a sentar-se. Eu, como alguém que não compreende nada do que está vendo, persigo-a com o olhar.
Aquela tranquilidade aparente durou apenas alguns segundos. Agora ela corria na frente do ônibus, o motorista freia bruscamente para evitar o atropelamento. Xinga a mulher:
- Tá maluca! Quer morrer sua doida?
A mulher, como se aquelas palavras não tivessem sido ditas para ela, dá um sorriso desdentado e atravessa para outra plataforma.
Eu podia vê-la, repetindo o mesmo quadro de minutos atrás.

Cecília Ugalde
Rio Branco - Acre - Brasil


Maria Cecília Pereira Ugalde - É Graduada em Letras Português pela Universidade Federal do Acre e Especialista em Gestão de Políticas Públicas, pela Universidade Federal de Ouro Preto, MG. É servidora pública federal, lotada na Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas do Instituto Federal do Acre.Membro efetivo da Academia dos Poetas Acreanos, desde 2010, ocupando a cadeira de nº 22, tem poema selecionado no Concurso Nacional Novos Poetas 2015, publicado pela Editora Vivara; é co-autora da Obra Nova Literatura Acreana V. II, publicada pela Fundação Garibaldi Brasil no ano de 2012; co-autora da Obra Nova Literatura Acreana, publicada pela Fundação Garibaldi Brasil no ano de 2008; tem participação na Obra As Vozes Femininas da Floresta, organizado pela Dra. Margarete Edul Prado de Souza Lopes no ano de 2008; revisão em língua portuguesa da Obra Caminho da escola Huni Kui, organizado por Ocimar Leitão Mendes e publicado pela Secretaria de Estado de Educação do Acre no ano de 2010; premiação e classificação, respectivamente, no 2º Prêmio Garibaldi Brasil de Literatura Acreana no ano de 2009, nas categorias Conto e Poema; e, poema publicado no jornal eletrônico Acreaovivo.com.

 
 
 
 
 

Cecy Barbosa Campos

 
 

PERCURSOS
Cecy Barbosa Campos

Lágrimas dançam
com estranhas coreografias
percorrendo sulcos
escritos pelo tempo.
Seguindo compassos inaudíveis
marcados por atabaques
que esmigalham gemidos
nos lamentos de um soul,
sou o que sou
com os restos
que habitam em mim.

Cecy Barbosa Campos
Juiz de Fora - MG - Brasil


Professora aposentada encontrou no magistério a sua realização profissional e pessoal. Deu aulas de literaturas de língua inglesa na Universidade Federal de Juiz de Fora e no Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Atualmente ministra cursos livres de Literatura de Afrodescendentes, brasileiros e estrangeiros. Tem nove livros solo publicados.

 
 
 
 

Célia Lamounier de Araújo

 
 

INSÔNIA
Célia Lamounier de Araújo

O cérebro, computador por Deus criado,
Anda numa euforia
de dados acumulados
Parece que uma pecinha ali se soltou
Gavetas se abriram
E tudo se misturou.
No cérebro criou-se o torvelinho
Não há descanso
E a parada noturna obrigatória
Perdeu o sinaleiro
Não pára o cérebro
Qual trem desfila e vai
Rumo ao despenhadeiro.

Mas há tempo ainda
De desligar a máquina...
Com chave de afeto e amor.

Célia Lamounier de Araújo
Itapecerica - MG - Brasil
www.celialamounier.net/menu.htm
www.scribd.com/celia_lamounier
http://www.rebra.org/escritora/escritora_ptbr.php?

 
 
 
 
 

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