FÉNIX

 

 

Elói Fonseca

 
 

TALVEZ ALGUNS GRILOS
Elói Fonseca

Entre a soleira
do granito trincado
e a flor amarela
do furo do muro
acho o brinquedo
que não precisa de corda,
então roço as costas
já na mão o graveto
ou a folha ao léu,
o tatuzinho-bola se enrola
e desce a ladeira
da minha primeira calçada.

No oitavo ano escolar
do prédio seguinte
a menina do lado
do joelho ferido
aponta a janela
onde está joaninha
do casaco vermelho
no tecido "poá"
e na liberdade do voo
mostra a "lingerie"
tingida de preto.

Agora sem lero
nesta rima forçada
outro coleóptero
encantou minha infância,
quiçá juventude!
Mas ao pé do ouvido,
indignado mesmo eu ficava
já que a mãe num sussurro
do sorrateiro sorriso
de que tanto eu gostava:

" sem inteligência ele é
pois a luz "tá" na bunda ".

Na reminiscência tão hoje
o vestibular inquietante
do dia anterior
ao do dia da vida
que durante o verão
do hemisfério do sul
a tarde indolente
da lagoa escondida
por ramos pendentes
e verdes nas cores
dos tons claro-escuros
com o travesseiro de penas
feito de areia tão solta
junto à última pedra
repousam a sereia e
os cabelos dourados.

Fecho os olhos
nem tanto fechados
não fico de sal
mas parte de mim
vira pedra suspensa.

Debruça-se a noite
num mistério insolente
outra vez vaga-lumes
alumiam a pele
por ventura macia.

"sereia te amo, te quero comigo"

Elói Fonseca
São Paulo - S.P. - Brasil


Escolaridade: Direito (USP) e Letras ( Fatema).
Professor e Analista Judiciário (aposentado).

 
 
 
 

Erika de Jesus Santos

 
 

BRIGAS
Erika de Jesus Santos

Não leve isso na graça
Brigamos por religião
Por um pedaço de pão
Para que tanta desgraça?
Gente que briga por raça
Gente que briga por cor
Para que tanto ódio e rancor?
Será que tem outro rumo?
Já vou dizer o resumo
É carência de amor

Erika de Jesus Santos
Aracaju - SE - Brasil


Erika de Jesus Santos filha de Agnaldo dos Santos e Maria da Paixão de Jesus Santos, começou trajetória ainda cedo como poetisa marginal, mas somente aos 12 começou a fazer cordel, hoje aos 15 tem várias conquistas nessa área, mas jamais esquecerá de Vera e Fabiana as mulheres que acreditou nela, até quando ela mesmo não acreditava.

 
 
 
 

Érika Lourenço Jurandy

 
 

ROUBARAM MINHA NATUREZA
Por Érika Lourenço Jurandy


Roubaram a minha natureza – agora no local, só barro, vazio, tristeza...
Não resido no local o qual gostaria. Pelo contrário. Se pudesse já teria ido embora há tempos. E agora mais ainda. O único motivo que ainda me fazia suportar esta casa, de mim foi arrancado sem eu querer e permitir. A natureza do terreno à frente foi completamente derrubada, massacrada, aniquilada, dando local a barro, vazio, tristeza. É como se olhasse para aquele local e visse a minha própria alma ali estampada...
Nesta casa, na qual ainda resido, perdi muito. Perdi seres importantes, perdi oportunidades, perdi sonhos. Perdi anos, perdi sentimentos. Perdi-me aqui. Ou fui perdida sem querer ou permitir. Apenas perdi. E o que ainda me mantinha com um pouco de ânimo e esperança de dias melhores era o terreno que fica bem em frente, o qual é minha visão diária, através da grande porta de quatro faces da sala, que se abre para a varanda e para a visão do que há sete dias foi um pequeno quintal, jardim no meio de tanto barulho e desencontro desse deslugar.
Árvores centenárias, pássaros e flores. Borboletas, frutas e vida. O verde de cada árvore que ali existia era único. A visão que tinha, todas as vezes que desejava esquecer de algo, era a melhor e mais acalentadora. Agora só o que vejo é barro, árvores despedaçadas em cortes mal feitos. Destruição. Os pássaros não sei para qual novo endereço rumaram. As flores, certamente com a morte de suas mães, murcharam e padeceram junto.
Muitas pessoas estão felizes com a situação, pois dizem que será um empreendimento que valorizará a área, mas que tipo de valorização é essa que traz perecimento e vazio? Que valorização pode existir no fim de algo que ainda tinha tanta existência pulsando em cada centímetro seu? E o que eu posso esperar dos meus dias, agora que a minha natureza foi roubada? Se você não sabe essas respostas, imagina eu!
Poderiam ter mantido o local como área de lazer, ambiente tão escasso em todo bairro. Mas preferiram fazer um novo e igual espaço que já existe aos montes em um raio tão pequeno de metros. Preferiram fazer o mesmo ao invés de sustentarem o diferente e necessário. Infelizmente, é assim que estamos vivendo: em um mundo no qual o que realmente importa é descartado como lixo desnecessário. Até quando?
Triste ver que apenas eu e algumas poucas pessoas que estiveram neste local se compadeceram com a situação. Elas por motivos de costume com a paisagem e sentimento de sustentabilidade. Eu, pelo sentimento de me agarrar a última situação que me deixava um pouco bem e confiante que nem tudo eu perdi. Só que agora... não tem mais nada para me manter. O que vou fazer? O que aprendi quando tive a minha primeira grande perda: escrever. Talvez, esta parte da minha natureza não possam tirar. Ou será que até isso tentarão aniquilar?...

Érika Lourenço Jurandy
Rio de Janeiro – RJ - Brasil
https://meusrabiscoserikalj7.blogspot.com.br


Nascida e domiciliada na cidade do Rio de Janeiro, possui formação nas áreas de Informática, Educação e Jurídica. Começou a escrever como autoterapia em 2011 e continua escrevendo para melhorar as competências em Língua Portuguesa – e ainda como forma de autoterapia.

 
 
 
 

Eugênia Diana Silva de Camargo

 
 

ELEIÇÕES...
Eugênia Diana Silva de Camargo

Eleições... Já é tempo
e nós eleitores estejamos atentos.
É preciso pensar,
ponderar pra votar
Eleger competência
e não saliência.
Afinal, este é o grande momento
Que a voz se levanta.
Façamos o tempo!

Eugênia Diana Silva de Camargo
São Sepé - RS - Brasil

 
 
 
 
 

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