FÉNIX

 

 

Luciana do Rocio Mallon

 
 

O ANZOL É UM PONTO DE INTERROGAÇÃO DE PONTA-CABEÇA
Luciana do Rocio Mallon

O anzol é o sinal de dúvida de cabeça para baixo
Pronto para pegar um peixe perto do riacho
Nas águas da vida tão repletas de traição e loucura
Onde a mágoa vira uma má água com amargura

Quando alguém pensa que a dúvida foi respondida
Se contentando com uma resposta sem sentimento
O anzol deixa no espírito uma triste e cruel ferida
Atraindo um peixe com a isca do ressentimento

Uma reposta dada no ar é uma isca
Que pesca peixes famintos e inocentes
Como a Lua prateada que no céu pisca
Iluminando amantes inconsequentes

Há bagres ensaboados e piranhas sensuais
Que quando caem na isca traiçoeira
Transformam-se em sereias dos astrais
De uma maneira temerosa e faceira!

O peixe morre pela boca quando cai na isca da mentira
Uma pedra preciosa nem sempre é diamante, ou, safira
Até o tubarão de um filme de terror
Pode cair na isca de um falso amor!

Nem sempre quem cai na rede é peixe
É fácil pescar entulhos em qualquer feixe!
O anzol é o sinal de dúvida de cabeça para baixo
Pronto para pegar um peixe perto do riacho

Uma reposta real não admite ponto final
Há várias possibilidades para um só canal.

Luciana do Rocio Mallon
Curitiba - Paraná - Brasil
http://lulendasepoesias.blogspot.com.br/


Meu nome é Luciana do Rocio Mallon, sou repentista, bailarina folclórica, pesquisadora de causos, escrevi o livro Lendas Curitibanas e colaboro com o site Usina de Letras. Também realizo uma apresentação voluntária em: eventos, escolas, hospitais e asilos chamada: Lendas, Repentes e Danças. Já recebi vários prêmios em concursos literários.
Sou formada em Letras – Português com Espanhol pela UFPR; Magistério pelo Colégio São José; Hospitalidade pelo CEP e Vendas pelo SESC. Tenho mais de dez anos de experiência em vendas no comércio de Curitiba.

 
 
 
 

Luciane Fernandes Rodrigues

 
 

EIS A CHAVE: ESCOLA E ESPORTE
Por Luciane Fernandes Rodrigues


Se alguém tinha dúvidas quanto à importância da prática esportiva dentro e fora da Escola, os Jogos Pan e Parapan-americanos provaram que este é sim um dos caminhos para vitórias, medalhas, fama; mas, sobretudo para a cidadania. O Esporte é um instrumento de transformação e inclusão social.
Vivemos em um país democrático, mas desigual. Um país cuja Constituição nos faz merecedores dos mesmos direitos, mas cuja Justiça, que deveria ser cega, olha-nos um por um antes de sentenciar o seu julgamento. Essas desigualdades vêem condenando os nossos jovens à miséria, ao desemprego e à violência. Herdeiros de uma parcela da sociedade que não teve acesso à Educação, que sofreu com a exclusão e com os sub empregos, estes jovens podem ser resgatados pelo Esporte. Indisciplinados nas Escolas, comportamento que se explica quando se descobre em que situações sobrevivem, é na igualdade de uma quadra esportiva que eles se superam, pois despertam o interesse de seus professores, são imediatamente aceitos pelos seus colegas e descobrem que há alternativas.
Mas é preciso mais. É preciso que ações governamentais de incentivo ao esporte sejam efetivadas, realidade bem mais favorável atualmente; que possamos contar com o empenho de abnegados professores de Educação Física dentro e fora das escolas, proporcionando não só a prática de um esporte, mas também as lições de vida que ele oferece; e que iniciativas particulares que apostam no jovem de baixa renda, na tentativa de tirá-los de situações de risco, continuem sendo desenvolvidas.
E foram inúmeros os exemplos. Desde o primeiro medalhista de ouro, Diogo Silva, jovem negro, lutador de Taekwondo, recrutado para a prática desportiva para mantê-lo longe das ruas e que recebe apenas R$ 600,00 por mês da Confederação; o lutador de boxe, Pedro Lima, baiano, que comemorou aos gritos a sua medalha, gritos que falam sobre os 44 anos de jejum do boxe brasileiro em Pan-americanos, mas muito mais sobre superação. Foi o que deu para perceber ao vê-lo de volta ao seu bairro de origem, periferia de Salvador; na recepção emocionada e esperançosa de uma população pobre que vê nele um exemplo. Ou ainda no exemplo das meninas do futebol, que não ganham uma fortuna como os jogadores masculinos, mas que, como eles, também vieram das classes menos favorecidas e através do esporte proporcionam às suas famílias melhores condições de vida.
Lembrem-se ainda dos Jogos Parapan-americanos. Clodoaldo Silva e André Brasil, nadadores recordista em suas categorias, ambos com seqüelas de paralisia infantil; ou dos jogadores de futebol e dos atletas do salto em distância para deficientes visuais, do vôlei sentado; dos cadeirantes jogadores de basquete. Lembrem-se do grito de guerra: “Vamos, sem-braço, vamos, sem-perna, vamos ser campeões!” Eis o que o esporte lhes deu: vida e vitória.
São muitas as possibilidades de ascensão social para quem se mantém na Escola. São várias as formas de ingresso a uma Universidade, mas são muitos os que não podem esperar até lá para que sejam salvos. É desta forma que o Esporte pode promover a cidadania, principalmente de jovens de baixa renda, devolvendo-lhes auto-estima e oportunidades. Conhecimentos científicos proporcionados pela Escola aliados à disciplina e regras fundamentais a qualquer esporte. Esta é ou não é uma das maneiras mais acessíveis de contribuir para a “ordem e progresso” deste país.

Luciane Fernandes Rodrigues
Salto do Jacuí - RS - Brasil
Especialista em Desenvolvimento Humano / IEEMC

 
 
 
 

Lúcio Reis

 
 

FLOR IDA
Por Lúcio Reis


Esta criação reflete apenas um momento de distração, quando o pensamento e as idéias vagueiam e brincam com as palavras.
Vida florida e vivida, tingida e umedecida na subida colorida com cor preferida, escolhida e agradecida na digerida e atingida meta mas, falida e submetida a partida só de ida, pois a vinda será proibida e a que for requerida e não é da lida, esta indeferida, mesmo que ferida gerida.
A querida e aguerrida sempre é preferida, pois tida e havida como especial, não iludida e ao todo convencida sem em nada ser parecida com a margarida e nem com outra pétala amarelecida já conhecida.
Dormida e com merecida pausa admitida em sua mantida corrida, vai seguida e dividida mesmo que conduzida por florida aquarela, a invertida e convertida palestra proferida e diluída em líquida cantiga de ninar a vinda e a ida na subida da vida
A descida amortecida pode ser a decidida chamada para tomada de destemida decisão no viver em poluída e sem sentido na presente.
Caso decida que isto seja nada, preterida por outra escrita bandida e até divertida, não há berro e nem balida, quem sabe alguma ovelha de saída, iludida mas metida a vaca embutida ou embalada depois de convertida em peça de presépio.
Nos fazemos de nossa vida a cada dia ser ou não florida.

Lúcio Reis
Belém do Pará-Brasil
http://lucionunesreis.blogspot.com.br

 
 
 
 

Luiz Carlos Rodrigues da Silva

 
 

O TEMPO EM FORMA DE AREIA
Luiz Carlos Rodrigues da Silva

Faço uma abertura no âmago
Do cone colocado de forma inversa
E paulatinamente e silenciosamente a areia
Começa a cair pelas laterais e pelo orifício principal
Vai cronometrando o tempo sem
Emitir gritos ou ruídos
Apenas rematando e confluindo
Na abóbada celeste terrestre
A areia dentro da ampulheta
Vai fazendo o tempo fluido, impalpável
Dando a impressão de que
O tempo pode ser domado
Emborcado para o infinito
Estabelecendo um rito quase sagrado
Não em um manual embelezado
Em letras douradas
Mas no vidro esculpido
Para ser essencialmente um estoque de tempo
Decantado em infinitas partículas
De areia contida no recipiente
Vai sutilmente levando
A vida em fatos e acontecimentos!

Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Prof. Dr.
Barra do Corda - Brasil


Nasceu em Caxias (MA), em 18 de maio de 1962. Mestrado em Ciências da Educação. Membro da National Geographic Society; Pert. à Associação Nacional de História – ANPUH a partir de março de 2015, originalmente Associação Nacional dos Professores Universitários de História, à Associação Nacional de Escritores.

 
 
 
 
 

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