FÉNIX

 

 

Silvino dos Santos Potêncio

 
 

TRADIÇÕES ALDEÃS DO PORTUGAL PROFUNDO
Por Silvino dos Santos Potêncio


Na Minha Aldeia, geralmente no inverno e durante a quaresma tinhamos por distração aldeã a tradicional "serra das velhas" - alguns trechos dessa época eu escrevi no meu Livro "CURRIÇAS DE CARAVELAS – TROVAS COMENTADAS". E, como se pode ver o nome é alusivo ao Serão que se fazia de dentro de uma Curriça situada no cimo do POVO, já depois das “Alminhas” no caminho da subida para a Serra de Bornes.
Como não havia microfones nem alto-falantes, então o Funil do Vinho, também conhecido por “gaznar” era óptimo!... a voz dop orador da noite chegava a todas as casas da Aldeia,até se acabarem as brasas na lareira em volta do “Escano” noite adentro:
Começava mais ou menos assim...
--- Eiiiiiiiii!!!...Ora aatão “munto boas
neites!!!...” !!! pobo de crabelas!!!...
- Atenção!,... atenção!,... muita atenção!
... c’agora eu vou a falar,...
Ao pobo de Crabelas!
Nós “estêmos” aqui reunidos p’ránunciar,
(a todos!, ... a eles, e a elas!!!!...)
Qu’esta neite nós vamos a ajuntar,
a “mula” preta do curral do fundo do pobo!
--- E ó Jerico do Tonho “burmelho”,
- p'ra fazerem tudo de nobo!!!

Este era geralmente o típico grito de “boas neites”!... alardeado na entrada da noite, depois da Ceia, pelo primeiro que chegava à “Curriça” do cimo do povo, situada lá no alto do Bairro do Mourel, à esquerda do lugar chamado de Castelinho, no caminho do Musiado e,... depois de se acender a fogueira, às vezes só para se aquecerem, e cavaquear sobre temas genéricos, outras vezes para ali se assar alguma chouriça para acompanhar um copo de bom vinho, e dali começavam a chamar a “malta”, para mais uma rodada de brincadeiras sem maldade do serão da Aldeia!,... Isto é, embora por vezes, de certo modo, algumas delas se tornavam embaraçosas para os ouvintes, que as escutavam dentro das casas, não raramente já na cama, antes de pegar no sono...
Namoricos que surgissem no ar, durante o dia ou na semana, pois a “Serra das Velhas” não tinha programação definida, a seu tempo eram ali comentados.
A notícia dependia da vontade de meia dúzia de entusiastas enfrentarem o frio da noite, que subia ladeira acima em direção ao Alto da Serra onde a neve começava a fazer cama, logo no princípio do Inverno.
Quando alguém de outra Aldeia, se fosse homem, começava a namorar Rapariga da Aldeia de Caravelas, tinha que passar pela aprovação da “malta do pobo” e,... desde que a dita cuja confirmasse o namoro, ele tinha que “Pagar o Vinho”!!!...
Tal cerimônia era sacramentada na Taberna local, fosse a da Ti Cândida, ou a do Ti Orlando, ou a do Marcolino,... não importava de onde ele era!,...vinha de fora e queria namorar rapariga da Aldeia, tinha de pagar o “binho”!
A tradição rezava que o ”intruso” tinha que pagar o vinho!,... e a cerimônia era divinalmente sacramentada já de tempos bem antigos!
--- E isso se resumia a que o estranho pretendente a namorar alguma rapariga da Aldeia, pagasse um garrafão de vinho para todos os que ali estivéssem presentes, ao se saber de tal pretensão oficialmente, digamos, é claro que a noticia corria pelo povo e tinha bebedeira na certa!...
- senão o namoro não era “abençoado”!?...
Depois de “pagar o vinho”, se comemorava então entre os presentes, congratulavam-se com o pretenso consorte, e a malta voltava de novo à conversa que, geralmente, se relacionava com a lida de cada um no campo ou em casa, conforme a época do ano.
Conversas de “soalheira” e intrigas de vizinhos, sempre os houve, e há-de haver!,... pelo menos enquanto a humanidade existir.
O diferencial da “Curriça de Caravelas” era a sonoridade das brincadeiras, das picardias, algumas com certa malícia, que se espalhavam por sobre os telhados das casas da Aldeia que, naquela época, chegou a comportar quase 600 Almas espalhadas pelas casas geograficamente agregadas em volta do Terreiro Central, aonde se situavam; a Fonte Romana, que recebe água da Fonte da Mãe D’àgua, lá do Alto do Mourel, o Coreto, o Tanque de Lavar Roupa, o Tronco para ferrar os animais... e toda a convergência das várias ruas vindas dos diversos caminhos de acesso ao termo dos campos da Aldeia.

(in: "CURRIÇAS DE CARAVELAS" )

http://www.silvinopotencio.net/visualizar.php?idt=6165753


Silvino dos Santos Potêncio – Portugal
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil

 
 
 
 

Sonia Nogueira

 
 

CAMINHOS ACADÊMICOS
Por Sonia Nogueira


Caso os seres irracionais selecionassem os melhores e mais competentes animais da selva para formar uma academia seria esse o resultado. O leão, no status de Rei da Selva abocanhava o poder; a coruja, símbolo da sabedoria destacava o saber com empáfia e arrogância, o canto da cigarra sobressaía em detrimento de outros cantores; a “laboriosa” formiga da fábula destacaria o trabalho e esforço diário, não reconhecido... E por aí vai e história da bicharada.
Nos animais RACIONAIS a história se repete com a mesma ordenança. Nas Academias há uma desigualdade, de valores literários, gritante. Os espaços são abertos aos amigos ou a alguém em destaque na sociedade, financeira, empresarial, cultural “os ditos consagrados”, ao parente de fulano, ao amigo de sicrano que trará futuros benesses na divulgação.
Até a voz altera o tom ao citar prêmios em concursos ou troféus, para uns, em detrimentos de outros, com a intenção proposital de o outro não aparecer.
A decepção nos acompanha a cada encontro ao observar quão falho somos nos agrupamentos sociais, em qualquer área que atuemos.
Ambição desmedida, a inveja, o maior de todos os pecados capitais, toma forma gigantesca nas academias. A disputa silenciosa por destaque atua qual furacão corroendo o sodalício e dispersando acadêmicos que após receber a pelerine e a medalha nunca mais retornam.
Não há uma vírgula sequer de exagero neste texto. Desfaçatez e sorrisos trabalham unidos no silêncio do olhar. Sigam-me quem for capaz de suportar o peso da palavra, ACADÊMICOS, grita o Silogeu, sob os muros cobertos de palavras e discursos extensos e sonolentos.
Caso haja exceção comuniquem-me. Assim mudarei os rumos da palavra para elogios literários.

Sonia Nogueira
Fortaleza-Ce-Brasil
http://www.sonianogueira.prosaeverso.net/
http://sogueira-pedacosdemim.blogspot.com.br/

 
 
 
 

Sonia Regina Rocha Rodrigues

 
 

TROVA
Sonia Regina Rocha Rodrigues

Desvendar do amor o ritmo,
nem com lógica socrática!
A chave desse algoritmo
não o sabe a matemática.

Sonia Regina Rocha Rodrigues
Santos - SP - Brasil
http://soniareginarocharodrigues.blogspot.com.br/
https://www.facebook.com/soniareginarocharodrigues/?ref=bookmarks


Sonia Regina Rocha Rodrigues - Escritora nascida em Santos, em uma cidade espremida entre o mar e a serra, à parte do continente. Nascer em uma ilha, se de um lado nos isola, de outro nos abre para o oceano, com todas as possibilidades de viagens, descobertas, conquistas e sonhos. É autora dos livros de contos "Dias de Verão", (1998), É suave a noite (2014), Coisas de médicos, poetas, doidos e afins (2014) e um de programação neurolinguística "O Que Você Diz a Seu Filho? – (1999)

 
 
 
 
 

Sônia Veneroso

 
 

HOMENAGEM AOS MÉDICOS
Por Sônia Veneroso

No exercício da medicina
existe uma nobre mistura
que muito bem combina
arte, amor, ciência,
aperfeiçoamento, competência,
luta, prevenção e cura.

Seguindo lições de Hipócrates,
de São Lucas, o doutor,
e de outros mestres de valor,
os médicos estão presentes,
zelosos, firmes e solidários
nos hospitais, consultórios
e onde preciso for.

Portanto, em 18 de outubro,
festejando o Dia do Médico,
é tempo de render gratidão
àqueles que tal Cristo Jesus
numa abençoada missão
amenizam a nossa cruz
e preservam VIDA, ALÍVIO e PROTEÇÃO.

Sônia Veneroso
Santo Antônio do Monte – MG - Brasil


Sônia Veneroso nasceu em Santo Antônio do Monte – MG,Brasil.
É graduada em Letras e pós- graduada em Literatura Brasileira. Atuou no magistério de Língua Portuguesa, Inglês e Literatura.
Faz trabalhos voluntários na área cultural, jornalística, social e religiosa.Tem matérias publicadas em jornais e revistas.
Há vinte anos escreve, semanalmente, para o Gazeta Montense que circula em sua terra natal e outras localidades.
Pertence a ACADSAL (Academia Santantoniense de Letras).

 
 
 
 
 

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