FÉNIX

 

 

Viviane Schiller Balau (Vitória Régia)

 
 

AO ANOITECER
Viviane Schiller Balau (Vitória Régia)

Olharei a noite e verei;
A chuva cair e imaginarei rolar
Numa gota de lágrima as tristezas
E alegrias frente ao vazio

Sonharei com o infinito,
Que faz me enfatizar e irradiar
Estrelas e o brilho e a beleza...
Ofuscante do céu azul.

Poderei ver e refletir;
Como simples momentos,
Na vida há abismo e incertezas,
Que nos mostre a vida valer...
Apena viver na grandeza
De amar outro ser...

Viviane Schiller Balau (Vitória Régia)
Porto Alegre - RS - Brasil


Sou sócia correspondente da academia cachoeirense de letras espirito santo tenho certificado de destaque especial, menção-incentivo, participação, e também sou ativista cultural ,participo de coletaneas e antologias e criei o meu jornal o mundo mágico da poesia que circulou um tempo e teve que parar por falta de patrocinio; e ganhei o trofeu Cecilia Meirelles e Carlos Drummond Andrade

 
 
 
 

W. J. Solha

 
 

O NOME DA ROSA
Por W. J. Solha


Julieta diz a Romeu, pelo fato de serem de famílias inimigas:
- O que há num nome? Aquilo que chamamos de rosa teria o mesmo perfume, qualquer que fosse essa palavra.
Sente-se o quanto isso é verdade pelas traduções diferentes de um mesmo texto – como essa frase, que não é... exatamente como a coloquei... e em nenhuma versão é.
- What’s in a name? That which we call a rose
By any other word would smell as sweet.
-
Uma lenda antiga, conhecida com título na forma latina - “Stultífera Navis” -, gerou um quadro de Hieronymus Bosch, de 1490, que foi registrado no Louvre – a que pertence – como “La Nef des Fous”. Em 1494, o francês Sebastian Brant publicou, na Alemanha, um livro a respeito - “Das Narrenschiff”, que gerou o “The Ship of Fools”, da americana Katherine Anne Porter, romance publicado em 1962 e que Stanley Kramer levou para o cinema em 65, mantendo o título, que tem três versões em português: “A Nave dos Tolos”, “O Navio dos Loucos” e “A Nau dos Insensatos” – este bem mais elegante.
Bom.
Quando você lê a peça “O Mercador de Veneza” ou a vê no teatro ou cinema, dá com a bela e riquíssima Pórcia submetendo cada pretendente de sua mão e da sua fortuna ao teste de acertar em qual de três cofres está o seu retrato: no de ouro, no de prata, no de chumbo – coisa que o Bardo foi buscar na “Gesta Romanorum”. Claro que isso é símbolo... , daí o estudo Das Motiv der Kästchenwahl – que na edição Standard das Obras Completas de Freud vem, na versão inglesa, ... nada fiel, como 'The Theme of the Three Caskets', de que vi duas versões em português: “O Tema dos Três Cofres” e – o mais chique: “O Tema dos Três Escrínios”.
OK.
Julieta pode até estar certa, mas o dramaturgo sabia o quanto a palavra exata é importante. E o diabo é que há coisas, como o achado “Sense and Sensibility” – título de um romance de Jane Austen - que é tão intraduzível com a manutenção de sua beleza, quanto uma série de rimas tipo wing/ring/king/thing – asa/anel/rei/coisa, daí que Hamlet jamais diria To be or not to be, that´s the question, se fosse francês:
- Être ou ne pas être. La question est là
Ou italiano:
- Essere o non essere, questo è il problema.
Porque o encantou, no momento em que escrevia, o casamento perfeito de conteúdo... e forma. Veja a musicalidade dos tês:
- To be or noT To be, ThaT´s The quesTion,
Sete deles. Mais do que Euclides da Cunha colocou na mais lembrada frase dOs Sertões:
- O serTanejo é, anTes de Tudo, um forTe.
Veja este caqueado de San Juan de La Cruz:
- un no sé qué que quedan balbuciendo.
E veja isto, num conto de Borges, que é como se o estivéssemos vendo um filme de fantástica fotografia:
-
tierras con un ilustre fundamento de oro y de plata, tierras vertiginosas y aéreas, tierras de la meseta monumental y de los delicados colores, tierras con blanco resplandor de esqueleto pelado por los pájaros.
-
Guimarães Rosa:
-
O pessoal que eles numeravam em guerra comprazia uma Babilônia,
-
A lembrança de minha mãe às vezes me exporta.
-
Por fora um pouquinho amarga; mas, por dentro, é rosinhas flores.
-
Borges, ao dar graças ao divino labirinto de efeitos e causas, enumera:
- ...por el firme diamante y el agua suelta. Por el álgebra, palacio de precisos cristales. (...) e pela rosa, – prefiro em português - que prodigaliza cor e não a vê.
-
Não sem razão, Bachelard deu à sua tese de doutorado um título carismático: “Ensaio sobre o Conhecimento Aproximado”, em que fala do “inacabamento fundamental do conhecimento”, porque – como também diz Karl Popper – apesar de todo o esforço da ciência, “a certeza não está disponível”. Eu disse acima, que uma descrição de Borges parecia a excelente fotografia de um filme. De fato, palavras são como as cores, luzes e sombras nas fotos – quase impossível encontrar duas fotografias de um mesmo quadro, que sejam... sequer fieis entre elas. Warhol explorou muito isso. Funcionam como “Flores de Grama”, “Flores de Relva” ou “Flores de Erva” nas traduções de “Leaves of Grass”, de Whitman em português.

W.J.Solha
João Pessoa - Brasil


W.J.Solha Nasceu em Sorocaba, 1941, renasceu no alto sertão da Paraíba em 62, quando tomou posse no BB. Ali fez literatura, teatro e - com o colega José Bezerra Filho, mais o povo da cidade - produziu O Salário da Morte, o primeiro longa-metragem de ficção, em 35mm, do estado. Trabalhou como ator nesse filme, em Fogo-Morto e em Soledade (ambos de 1975), no curta A Canga, de 2001, nos longas cearenses Lua Cambará, em 2002, e Bezerra de Menezes, em 2008. Em 74 ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia com o romance Israel Rêmora, publicado pela Record no ano seguinte. Em 88 ganhou o prêmio INL com A Batalha de Oliveiros, editado pela Itatiaia. Em 2005 ganhou o Prêmio João Cabral de Melo Neto com o poema longo Trigal com Corvos. Em 2006 ganhou o Prêmio Graciliano Ramos com a coletânea de contos, romances e um roteiro cinematográfico de História Universal da Angústia. Em 2007 ganhou a Bolsa Funarte de Incentivo à Criação Literária com o projeto do romance Relato de Prócula, publicado por A Girafa em 2009. Tem o painel Homenagem a Shakespeare no auditório da reitoria da UFPB e o quadro A Ceia, no Sindicato dos Bancários. Escreveu para o maestro José Alberto Kaplan os versos da Cantata Pra Alagamar, em 78, os versos do Oratório da Via-Sacra para a Prof. Ilza Nogueira em 2005, os versos d´A Ópera Dulcineia e Trancoso para o maestro Eli-Eri Moura em 2009. Escreveu e montou os espetáculos A Bátalha de OL contra o Gígante FERR e A Verdadeira Estória de Jesus. Reside em João Pessoa desde 1970.

 
 
 
 

Walter Cid

 
 

UMA MENINA... UMA MULHER...
(Para Maria, discreta e meiga... amiga)
Walter Cid

Um lindo semblante de mãe,
Em corpo magro e esbelto.
Numa postura elegante,
Realçando simplicidade.

Há meiguice em seu olhar,
Um sorriso encantador, de paz!
Contemplando o belo quadro,
Uma visão: a mulher especial.

Sabe bem entender a vida,
Que leva com sabedoria.
Cuida com todo carinho,
Das horas de seu filhinho.

Está sempre pronta a ouvir,
Palavras de atenção, de ternura.
Com muita calma agradece,
E retribui elogios recebidos.

Com o grande carisma que tem
Apresenta-se encantadora e bela.
Julga-se muito feliz e na face,
Esbanja alegria, às vezes tristeza.

Walter Luiz Cid do Nascimento
cidade de João Dourado – Ba - Brasil


Nasceu em 22 de fevereiro de 1.936, na Cidade do Natal, onde residiu até 12.07.953.
Alfabetizado, ingressou no Colégio Maristas – 1.945 a 1.953.
Com seus pais fixou residência em Salvador - BA, a partir de 1.953, formando-se em Contabilista, Administração e Professor do Ensino médio Comercial. Possui outros cursos de curta duração, de aperfeiçoamento e especialização.
Trabalhou ininterruptamente, durante 55 anos (Ministério da Fazenda (5), Petrobrás (12), CCC (2), Construtora Pampulha (2), Metanor (2), e Cobafi (15 - Pólo Petroquímico Camaçari) e Transwinter (17); desde 1994 e exerceu o magistério junto a Secretaria de Educação e Cultura-Ba - Escola Estadual Hermano Gouveia Neto, durante a noite, por 12 anos.
Faz poesias a partir de 1995 aos 59 anos - alegre, descontraído, possui muito senso de responsabilidade, mas, as vezes considera-se um poeta - medíocre!
Hoje, reside na cidade de João Dourado – Ba, micro região de Irecê.

 
 
 
 

Wilson de Oliveira Carvalho

 
 

EU E MEUS PEDAÇOS
Wilson de Oliveira Carvalho

Não imaginei me ver em um
picadeiro desempenhando
papel de palhaço como foi
quando me encontrei ao teu lado.

Nunca pensei me desiludir
tanto como foi o caso, ter
que curtir tanto desprezo por
alguém que dizia conhecer o amor.

Se fossem contar os momentos
que me julguei um louco, os momentos
que me revoltei por julgar-me
o último tolo do mundo a sofrer.

Entreguei-me por acreditar foi
por isso que representei o
papel de fantoche declamando
poesias de meus pedaços, sem
aplausos de ninguém.

Senti-me sozinho perdido na multidão,
senti-me fragmentado ouvindo
em altos brados meus pedaços
gritarem por viverem em um
local chamado adverso

Wilson de Oliveira Carvalho
São Paulo - Brasil

 
 
 
 
 

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