FÉNIX

 

LOGOS Nº 10

SETEMBRO 2014

POESIA

 

 

 

Maura Soares

 

O COLAR
Maura Soares


Ornamentando seu colo,
como uma joia rara,
vermelha - a cor do amor - ,
o colar de contas.
Prova de um amor, a todos ela o exibia,
naquele dia do seu aniversário.
Brilhava sem ter brilho,
iluminava sem ser luz.
O colar de contas
admirado por todos os convivas
irradiava o rosto dela,
a amante que a todos o exibia
para provar que era amada,
que alguém, embora distante,
pensava nela.
Sentia-se linda com o colar
sentia-se desejada
e o colar que ornamentava
a deixava faceira
como se nada mais importasse
e agora o mostrava,
como uma menina que havia ganhado
o primeiro beijo.

Maura Soares
Florianópolis - SC - Brasil
www.lachascona.blogspot.com

 

 

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

 

LADRÃO DE AMETISTAS MÍSTICAS
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)


Duas gemas estavam lá
à minha frente, pois sim.
As duas tinham seguido
com o meu erro por cá...

Eu tinha surrupiado
aqueles dois brilhantes.
Eles a me ver com um ver
mais do que ampliado...

Da mesa a brilhar muito,
as duas olhavam-me sim.
Bem ou mal; não saberia.
Enfim, não era fortuito...

As jóias e o seu brilho,
eu e minha consciência.
Tudo isso, nada disso.
O destino era trilho...

Trilho dessas casuísticas.
Levam a culpar todos
por faltas, pecados, tantos.
Ametistas e místicas...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)
São Gonçalo - RJ - Brasil
http://www.arteparaenlevo.blogspot.com.br
http://www.recantodasletras.com.br/autores/mauricioduarte

 

 

Mercília Rodrigues

 

ALPENDRE DA SAUDADE
Mercília Rodrigues


Trêmula, no deserto, a gota d'água
A lágrima morna que se desprende
Marejados olhos que espelham mágoa
Num tempo perdido de velho alpendre.
Infinda saudade ali represada,
Nas dores tecidas de tristeza...
Lembranças sutis pela alma guardada,
Álbum gravado, com toda grandeza. 1
Olhando no céu miríades de estrelas,
Na noite, em descampados, os pirilampos,
Luzinhas miúdas que em si lampejam,
Trazendo nas asas a minha criança.
Desbotadas as manhãs de verdade...
Os passarinhos em voo emudeceram
Talvez tenham ido com a saudade
Ao velho alpendre que não esqueceram

Mercília Rodrigues
Araçatuba - Brasil

 

 

Michelle Franzini Zanin

 

POESIAS LÁPIS
Michelle Franzini Zanin


Não sou somente um artefato de madeira.
Sou mais do que isso.
Sou a conexão do eu interior com o mundo.
Pareço frágil, mas não sou.
A palavra escrita por mim tem o poder de ser boa ou ruim por isso digo que somente pareço frágil.
Sou teu melhor amigo, aquele que te acompanha, na escola, no trabalho, na vida.
Marco o papel, a cada letrinha escrita, eu marco a historia.
Tudo pudera mudar, mas as palavras escritas por mim permaneceram lá.
Sou o lápis, sou algo pequeno, que com o tempo se acaba.
Sou algo que quebra fácil, mas pode se multiplicar.
Sou aquele que escreve, sou aquele que não fala, pois se falasse não pararia mais.
Devido às historias que ficaram guardadas em mim.
Sou aquele que nunca sai de moda, sou sereno sou o velho e bom lápis.

Michelle Franzini Zanin
Araraquara - SP - Brasil

 

 

Miguel Vargas Peres

 

GUARDADOR DE REBANHOS
Miguel Vargas Peres


Novo dia, na cidade,
Acordei desconfiado.
A cidade estava vazia,
Tudo apagado.
Liguei o noticiário,
Era sobre uma epidemia.
Zumbia que monstros
Caminhavam na colina.
Eles eram horríveis;
Tinham muita maldade.
Éramos eu e meu cachorro
Sozinhos na cidade.
Os monstros foram embora
Para um lugar estranho
E me deixaram em paz
Para eu cuidar do meu rebanho.

Miguel Vargas Peres
Porto Alegre - RS - Brasil

 

 

 

Livro de Visitas