FÉNIX

LOGOS Nº 3

Julho 2013

 

 
Pág 20 de 34 págs

 

Jonas Rogerio Sanches

 

 

NAS CRIPTAS DA SOLIDÃO
Jonas Rogerio Sanches

 
E desde o homem até o homem
e, a consciência expandida
e, a vida se fez vida
nessa interminável lida.

E desde o tempo fora do tempo
adquirido aos confins do infinito
que não se aumenta ao diminuto
nesse minuto imprescindível de ser.

E desde o homem então consciente
e a alma contínua universal
que sobrepõem-se ao bem e ao mal
e germina a luz da evolução.

Sereno o sol do coração
do parto ao grau de extrema unção
e, no indeterminável inconsciente
uma vitória nos degraus galgados.

E desde o vento cósmico que me fez
e, que se desfez ao renascimento
perto do nada, longe do tempo;
e na mente fluente o conhecimento.

Sereno o sol que brilha a vida
além da morte adquirida
ante o olhar nu ao escrutínio
além do amor e seus domínios.

Desde o momento à poesia
além da noite, além do dia
a crepitar na eterna pira
que vai ao léu do pensamento.

Celeste o olhar desse momento
e, tudo apraz aos sentimentos
e, o poeta se lança algures
ou, outrora relembra o seu saber.

E nas páginas escritas solitário
um vislumbre do esclarecimento
da vida, da morte e do tempo
e o agora se refaz ao meu contento.

Jonas Rogerio Sanches
 

 

 

Jorge Antunes

 

 

ESTRELINHA DA SAUDADE
Jorge Antunes

 
Hoje, falei com a minha amiga estrelinha
No seu reflexo vi a saudade que deixaste em mim…
Das tuas palavras
Dos teus gestos
Da tua voz
Com que me acalmavas por vezes.
Com o teu aroma perfumado
Invades os meus sentidos
Penetrando no meu coração
Acalmando minha dor.
Ao longo da noite longa e tempestuosa
E tu, aí tão longe
Iluminando a minha alma
Destroçada de tanto sofrimento
És a minha fada madrinha
Neste mundo cruel.
Não me sais do pensamento
Com o teu sorriso
Aí no teu paraíso.

Jorge Antunes
 

 

 

Jorge Cortás Sader Filho

 

 

O REFÚGIO FICOU PRONTO
Jorge Cortás Sader Filho

 

Querida, depois de pensar com seriedade no trato que fizemos, quero que saiba das novidades.
Fiz em segredo, não anunciei a ninguém. A casa é pequena, muito bem bolada, você circula com facilidade incrível. Tem tudo, em apenas sessenta e quatro metros quadrados.
Paredes fortes, piso levantado de metro e meio, deixando lugar para um porão, que está isolado da parte principal, menos uma pequena parte, transformada num depósito que pode guardar qualquer coisa. Pé direito alto, para os dias quentes.
Cozinha e banheiro independentes, lógico, mas com o mesmo sistema d’água. Não haverá problema; o encanamento é aparente, bem colado na parede e pintado de amarelo. Fiz o mesmo com a fiação elétrica. Por razão que me pareceu lógica, pintei de vermelho. Não precisa temer. O interior nada se parece com decoração da cidade no Carnaval.
Sala muito espaçosa, mesa sólida, poltronas confortáveis. A estante não é grande, cabe o essencial. O espaço para o computador também não é grande, e fica junto do aparelho telefônico. O quarto é pequeno e tem uma grande janela, vemos toda a paisagem.
Quando ficou pronto, passei um fim de semana, para experimentar. Toalha xadrez vermelha na mesa, você sabe que gosto. Dois quadros. O meu, a abstração azul intensa, e o seu “Chegada de Outono”. Não levei nada para ler, tinha uma revisão e aproveitei a calma do lugar.
Dias comuns, mas muito gostosos, especialmente por causa da temperatura, vinte graus. Acordava e comia uma pera, uma laranja, um pedaço que queijo branco com torrada e arrematava com um perfumado café quente. Dava uma caminhada depois. Não é preciso dizer que senti sua falta.
Meu almoço favorito. Bife enorme na chapa, sem nenhuma gordura que não fosse dele mesmo. Salada de tomates e palmito, arroz integral, que fiz na sexta-feira, durante a noite e foi até o domingo, sem nenhum problema.
Já falei muito. A casa está esperando você. Não demore.
Beijo

Jorge Cortás Sader Filho

 

 

 

José Ernesto Ferraresso

 

 

ROMANCE
José Ernesto Ferraresso

 
 Desejos enleiam meu corpo no teu
Volúpia e paixão em teu coração
Ansiedade e precisão dos afagos teus
Não consigo evitar essa tentação.

Necessito de teus toques de paixão
E deslizo minhas mãos sobre teu ser
Em tuas entranhas sinto erupção
Nelas que satisfaço meu viver.

Teus afagos afloram minha ilusão
Desejos que preenchem meu coração
Quando toco o teu corpo inerte.

Por mais que tente não cessar
Percorro teu corpo e quero te saciar
Envolvo-me nesse momento de amor...

Em teu corpo quero vibrar, não consigo esse vício evitar.

José Ernesto Ferraresso
Serra Negra
22/06/13
 

 

 

José Guerra

 

 

NO TEU MAR
José Guerra

 
Fui no teu mar um barco de papel
um sonho em tela pintado a pastel
num olhar te fiz prosa
nas tuas mãos beijei uma rosa
nas pétalas te escrevi sonhos
em doces olhos teus
vi teus beijos molhados
em lábios meus

José Guerra
 

 

 

José Hilton Rosa

 

 

UM RECADO DE AMOR
José Hilton Rosa

 
Sem distinção de cor
Levo uma flor
Entrego na mão
Beijo sua maciez

Perto da montanha
Peço que venha
Seu jeito de olhar
Me faz chorar

Um jogo jogado
Sem ser fadado
Na madrugada
Entendo sua jogada

Flor que a tenho
A cor me faz fanho
Voz meiga
Às vezes me cega

Amor sem paixão
Vagando na esperança
Esperando sem cansar um beijo
Um beijo para amar

José Hilton Rosa
 

 

 

José Liberato Pires Ferreira

 

 

HÁ UM PAR DE ESPORAS SOB O CÉU DAS MADRUGADAS
José Liberato Pires Ferreira

 
Quando um par de esporas parte pela estrada
Buscando encontrar uma alma no pó
Talvez procure um resto de sol
Fugindo ao destino de sempre ser só

Se já uma estrela no céu dos caminhos
Apontando um rumo aos passos incertos
Mistérios infindos se fazem vertentes
Falam madrugadas, e sonhos desertos

Se o sopro da brisa vem trazer a noite
E a fonte canta para a madrugada
Distância, saudade e os seus aperos
São sons estradeiros no chão das estradas

E quando em clarões vem o amanhecer
A lua cheia é um talismã
Eu me embalo aos raios da estrela
Que do céu prateia na luz da manhã!

José Liberato Pires Ferreira
São Sepé - Rs - Brasil
 
 

 

 

 

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