FÉNIX

 

 

Anna Paes

 

 

BRUTALIDADE
Anna Paes

Entre teclas, no teclado
Deslizei os dedos
Preparei uma imagem:
Coloquei uma árvore,
Fiz ali um buraquinho,
no tronco.
Me enfiei lá dentro.
Perdi o rumo, o ritmo
A inspiração findou!
Cadê? Onde estou?
Sou seiva bruta?
Parece virei flor,
virei semente?
Nem sei mais!

Anna Paes
15/07/2013 - 19h30
Brasília - DF - Br

 

 

 

Antonia Aleixo Fernandes

 

 

O CANTO DO ROUXINOL
Antonia Aleixo Fernandes


Hoje, acordei saudosista
Sem saber o porquê
Será que era de mim mesma?
Estou sem saber...

Sai passeando
Jardim adentra
Entre flores diversas,
Cantos de passarinhos, de várias espécies
Um canto me chamou a atenção,

Com os ouvidos atentos
Adentrei jardim a fora
E logo encontrei
Encontrei um rouxinol azul

Que cantava alegremente
Sozinho e feliz
Seu canto era um diálogo

Dialogo com ele mesmo
Canto que encantava
Contracenava com aquelas penas,
Azul brilhante
Sozinho em seu ninho, mas feliz

Percebi o encanto da natureza
Vendo tanta beleza
Descobri!

Descobri que posso ser um rouxinol,
Sozinha no meu ninho
Cantar comigo mesma,
Sentir a felicidade da vida, vivida
Missão cumprida,

Também sou um rouxinol
Feliz da vida, no meu ninho
Permaneço com carinho
Cantando e dialogando
Comigo mesma.

Rouxinol azul! Tu és, o que é
E eu, sou tu.

Antonia Aleixo Fernandes

 

 

 

António Andrade Lopes Tavares (N’KRUMACHEKING)

 

 

OS CAMINHOS DA MINHA VIDA
António Andrade Lopes Tavares (N’KRUMACHEKING)


Nos caminhos por onde andei…Eu andei…
Se tiver um dia que os percorrer …Eu percorrerei…
Mesma luta pelos direitos…Eu pugnarei…
Mesmo combate pela diferença… Eu combaterei…
Na lacuna do teto, do pão e da gota de água…
Na ausência do respeito, no sofrimento e na mágoa…
Na determinação do futuro pela cor da pele…
Na negação da existência do raio do sol da esperança…
Outra vez bater-me-ei até as ultimas consequências!
Ansiando-me pela dignidade do povo da diáspora!

Porque ao longo dessas estradas encontrei
Homens, mulheres e crianças desemparadas
Que no dilema do querer ficar e ter que partir…
Et querer partir e ter de ficar…
Decidiram abraçar o destino do partir…
Ao encontro de outras aspirações…
Foram-lhes atribuídos o verbo ESTAR…
Negando-lhes o complemento fundamental do verbo SER

Por isso me bati até as ultimas consequências!
Ansiando-me pela dignidade do povo da diáspora!
Com o passar do tempo descobri…
A diferença nos conceitos etimológicos
Da fraternidade, igualdade,
Da dignidade e liberdade…
Coberto pelo complexo da superioridade!
Motivado pelo pseudo saber antropométrico…
Por isso decidi- me bater até as ultimas consequências!
Ansiando-me pela dignidade do povo da diáspora!

Senti o peso da cor da pele e falta de respeito
Presenciei e vivi um racismo… bem expresso
Na lusofonia, na francofonia e nas outras fonias…
Negrofobia camuflado no reforço da cooperação…
Amando os da distância e desprezando os da proximidade

Por isso decidi- me bater até as ultimas consequências!
Ansiando-me pela dignidade do povo da diáspora!

Decidi inteiramente ser cidadão
E assim tomei a difícil decisão
Passei da identidade à existência
E nunca me faltou a persistência
Em bater a porta das instâncias…
Ecoando o mal-estar e a imergência
No seio de um povo em demência

E com isso decidi- me bater até as ultimas consequências!
Ansiando-me pela dignidade do povo da diáspora!

Critiquei, reclamei e formulei soluções
Para as ideias, sustentar e materializar
Procurei pelos meios de comunicação
E no seio da diplomacia, as representações…

E desta forma decidi- me bater até as ultimas consequências! Ansiando-me pela dignidade do povo da diáspora!

Nos anos oitenta e noventa…
O social não tinha lugar
Povos inteiros passavam a vida a lutar
Para um lugar ao solo conquistar

Por isso decidi- me bater até as ultimas consequências! Ansiando-me pela dignidade do povo da diáspora!

A solidariedade só se fazia sentir…
Com compra da consciência eleitoral
Cidadãos anónimos decidiram dividir
Pouco que tinham pelo vale postal
E
No advento do ano dois mil
A Europa, para o social despertou
Milhão nos cofres dos Estados depositou
De súbito tudo o que era social nacionalizou
Aos autores da diversidade os afastou…
Contra a resistência do mesmo os acusou…
Na persistência os condenou
Povo contra povo colocou
Para o seu descendente improvisou
E o social em mercado se transformou…

Por isso decidi- me bater até as ultimas consequências!
Ansiando-me pela dignidade do povo da diáspora!

Assim a consciência do povo comprou…
E toda a Nação piorou…
A Europa… a ela mesma roubou
Doze anos depois:
A justiça intentou
O colégio dos juízes Julgou…
O Tribunal inocentou…
O autor da diversidade ganhou
E o motivo da luta e do combate se justificou…
Por isso vale a pena lutar até as ultimas consequências!
Pela dignidade de todo um povo dentro e fora do murro!

António Andrade Lopes Tavares (N’KRUMACHEKING)
Cidade da Praia - Cabo Verde

 

 

 

António Barroso (Tiago)

 

 

SINAIS DA IDADE
António Barroso (Tiago)


O verso já não flui com à vontade,
As rugas, o meu rosto, vão sulcando,
A noite, já mais cedo, está chegando,
E há mais recordações da mocidade.

No peito, cresce, agora, uma saudade,
Cabelos brancos há, mas rareando,
E, aos poucos, um inverno se instalando,
Promessas de trovões e tempestade.

Sinais, tantos sinais que a vida dá,
Que vão surgindo aqui, ou acolá,
Mas com a condição, com a virtude

De esclarecer, em mim, grande dilema,
Devo fazer, da idade, outro poema
Se inda há, no pensamento, juventude?

António Barroso (Tiago)
Parede – Portugal (Jan/2013)

 

 

 

Antonio Cabral Filho

 

 

BLUES DA YPUCA
Antonio Cabral Filho


Boêmios entornam a última talagada,
gemem acordeons na madrugada,
curiangos malham no ferro-frio
"manhã eu vou, eu vou"
anunciando quimeras,
garçons expulsam os últimos zucrins,
bebuns catam cavacos nas esquinas
e acordam viralatas de rua,
que aprontam o maior barraco
enquanto um despertador abusado
arrebenta a campainha
na casa do vizinho próximo:
- Trimmm! Trimmmm! Trimmmmm!

Chega o dia cheio de ordens
e fecha os bares,
põe os notívagos pra casa
nostálgicos do copo virado,
todos mijando uísque, cerveja,
cubalibre, samba-em-berlim
e pinga do barril,
aos pés dos oitiseiros,
comendo torresmo estrada afora
pra se livrarem do porre,
deixando o bairro todo grogue
enquanto uma mulher chora
sobre um corpo ao pé do poste,
alheia à indiferença alheia.

Logo-logo a cidade inteira
será ressaca
e ninguém saberá nada
do havido na noite passada.

Mas o inesperado acontece na Ypuca,
bem aos fundos do Jardim Catarina:
É que os vizinhos se juntam em mutirão
e fazem um barraco pra Tina,
que foi largada por Bilico
com quatro filhos pequenos.

Antonio Cabral Filho
http://blogdopoetacabral.blogspot.com.br
http://letrastaquarenses.blogspot.com.br

 

 

 

Antonio Carlos Mongiardim Gomes Saraiva
mongiardimsaraiva

 

 

UM BEIJO NA REALIDADE
Antonio Carlos Mongiardim Gomes Saraiva
mongiardimsaraiva (pseudónimo)


Sonhei que te beijava,
Doce e terna realidade...
Vivia contigo, num mundo novo;
Sem ganância e sem maldade.
Quase neguei a minha poesia;
Quase sucumbi à tua fantasia;
Quase esqueci a minha alegria.
Comecei a sofrer, sem noção...
Construí lágrimas geladas,
Pesadas e húmidas; de solidão.
Ofereci o corpo a essa espada,
Como um pobre soldado, sem razão.
Deixei a morte me possuir; animada
E abri sem querer, o meu caixão...

Antonio Carlos Mongiardim Gomes Saraiva
mongiardimsaraiva (pseudónimo)
Mogi das Cruzes / São Paulo - Brasil

 

 

 

 

Livro de Visitas