FÉNIX

 

 

Augusta Schimidt

 

 

INCÊNDIO NA ALMA
Augusta Schimidt


Há poucos dias tivemos a tragédia que abalou não só nosso Brasil como outros países irmãos. A solidariedade nos chegou em prosa e verso, em forma de crônicas, criticas, verdades e mentiras. Tantas almas que se foram e tantas que ficaram, sem entender nada, sofrendo perdas dos entes queridos...
Mas eu quero mesmo agora falar, do fogo da alma, que nós temos a mania de atear, provocando um grande incêndio. Na mania que temos de ver as coisas com os olhos do fatalismo, da negatividade, do pessimismo. Aparece-nos um problema e logo vamos achar culpados, antes mesmo de tentarmos escapar pelas saídas de emergência que temos guardadas em cada um de nós.
Negamos a ajuda solidária de mãos amigas, pelo simples prazer de dizer: não preciso de ninguém, eu resolvo meus problemas, eu sou autossuficiente.
Não... Não somos. Precisamos do calor humano, precisamos do consolo, precisamos da Fé. Precisamos da coragem que muitas vezes esquecemos guardadas numa gaveta cerebral, precisamos do amor universal. Quando falo do amor universal, quero dizer do amor que Deus nos ensinou e espera de nós.
Quando nossa alma incendeia, por medo da dor da perda, por estar sendo instigada por alguém que em algum lado se perdeu e só sabe transmitir o lado obscuro da vida, por alguém sem paz e sem luz, este então é o momento de apagarmos o incêndio que nos destrói com as lágrimas do perdão e do amor e é exatamente este o momento de pedirmos luz ao Senhor.
Desejo a você, que sempre encontre a saída de incêndio de sua alma e que jamais se deixe morrer pela fumaça da conspiração.
Desejo a você, que os bombeiros do bom senso, da verdade, da solidariedade, sempre estejam presentes em sua alma, te preservando dos males provocados pelos incêndios que muitas vezes são iniciados pelas faíscas da raiva, do medo e da decepção.
Desejo a você, muita luz e paz no seu coração.


Augusta Schimidt
www.coletaneadosaber.net

 

 

 

Augusto Marques

 

 

CARENTE OU CARÊNCIA?
Augusto Marques


Seus olhos de dó destroem
o homem carente de amor.
Seus olhos veem
e apontam muitas sombras,
esquecendo a luz.
O homem carente de amor
por timidez,
abaixa a cabeça diante
daqueles belos olhos,
pois não se acha digno
de fitá-los frente a frente!
Essa timidez lhe ensinou
que sempre há lembranças
por trás de um olhar
e a razão lhe sussurrou
que as lembranças da vida
podem ser boas ou más
e que um só olhar demonstra
o que os lábios
e o coração desejam dizer
e reprimem
como os seus pensamentos,
pensamentos de um homem
que carece de amor!

Augusto Marques
Porto Alegre - RS

 

 

 

Beatriz Antunes

 

 

CHORO DE MENINA...
Beatriz Antunes
(dedico a minha netinha Mariana, nascida a 10 de agosto deste ano)


Corpinho fragil e pequeno,
de uma ternura admiravel,
seu rostinho nos enternece
mas seu choro é infidavel...

Choro forte de rabuja
ou de cólica o que será ?
Só sei , que nada sei.....o que farei ?
para seu choro parar,
e nesta aflição ofereço
meu colo para a confortar.

Minha menina linda ….
princezinha do meu coração,
nos meus braços te embalo
meu carinho te quero dar,
para ser o teu consolo
e teu sofrimento aliviar.

Procuras o seio materno,
com o anseio de o pegar,
lá encontras o refugio ….
no colinho da mãe o choro irá parar.

Beatriz Antunes
Be@ 22/8/2013

 

 

 

Benedita Azevedo

 

 

A DÉCADA DE 70
Benedita Azevedo


Repressão política e censura no Brasil atingem o auge. Explosão populacional na região metropolitana de São Paulo. A seleção brasileira vence a copa do mundo e as transmissões de TV passam a ser coloridas. A crise do petróleo demonstra que a economia moderna já estava dramaticamente globalizada, isto é, uma decisão ou uma crise em um ou em alguns países do planeta repercutem em todos os outros.
Década de 70, Revolução dos Cravos em Portugal, a independência de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Timor Leste também proclamou a sua independência em 1975. A guerra civil de Angola e a guerra de desestabilização de Moçambique, logo após a independência. Ao mesmo tempo, intensificavam-se as lutas de libertação da Rodésia (que ascendeu à independência em 1980). Fim da guerra do Vietnam.
No Brasil, o país vive o período mais duro do regime militar. Morre Juscelino Kubtchek. Apesar do famoso AI-5, que deu poderes absolutos ao Presidente da República, que fechou o Congresso, cassou centenas de políticos, sendo que muitos foram presos e outros tantos exilados. Com o endurecimento da ditadura em 1970, teve início momentos de maior repressão política da nossa história. A gestão do outro militar (1974 a 1978), que também conduziu o país com mão de ferro, mantendo estritamente fechado o regime e restrita a discussão política apenas ao autorizado pelos militares, começa timidamente, a haver uma abertura política, culminando com a transição para um governo civil ao final do período de 1980 e 1985. Mas, foi em 1970, no México, que o Brasil ganhou a copa do mundo de futebol, no peito e na raça, com famosos jogadores, para o delírio de 90 milhões de brasileiros que acompanharam, pela primeira vez, uma copa ao vivo pela televisão.
Foi nessa década também, que aconteceram as duas crises do petróleo, que levaram os Estados Unidos à recessão, ao mesmo tempo em que economias de países como o Japão começavam a crescer, e surge o movimento em defesa do meio-ambiente.
As mudanças comportamentais da década anterior culminaram no que muitos consideram "era do individualismo". Explodiram o rock and roll, as discotecas do experimentalismo na música erudita, atropelando os clássicos; Lucio Alves e Dick Farney viram seu marcado encolher. Mesmo assim, nunca fizeram concessões a estilos nos quais não acreditavam e pagaram por isso. Morreram tristes e abandonados pelas gravadoras, mas foram eles que abriram o caminho para a bossa nova e a viveram intensamente.
A economia mundial, particularmente a dos Estados Unidos, entra em recessão após a crise do petróleo de 1973, com a retaliação dos países árabes aos EUA, pelo apoio desse a Israel na Guerra do Yom Kippur, naquele mesmo ano.
Os jovens aderem ao estilo hippie: jeans e calças militares usadas com enormes bocas de sino, tachinhas, bordados e muitos brilhos. Camurças com franjas; estilo safári; colares de contas miçangas, bijuterias étnicas; saias e calças de cintura baixa com cintos largos ou de penduricalhos; roupas artesanais, materiais naturais e tinturas caseiras; botas de camurça e sandálias de plataforma; saias longas, estampadas, estilo cigano, e muita interferência de brilhos e plumas nas roupas.
Apesar da doença do marido e de todos os problemas pelos quais passou, a adolescente que fui vivendo todas estas mudanças amarrada a um casamento machista onde o lugar de mulher é em casa cuidando das empregadas e dos filhos pequenos. Quando em 71, o marido sofreu um derrame e perdeu tudo, a adulta na qual me transformei forjada no sofrimento, mas, bem informada através da leitura diária de revistas e jornais, deu uma virada de mesa e conquistou à custa de muito trabalho e de uma determinação ferrenha a concretização da sua formação acadêmica.
Os dez anos de casamento, iniciados aos dezoito anos, a transformaram em uma pessoa assustada e insegura. O marido dezessete anos mais velho transformou-se em seu dono, cerceando-lhe a liberdade a cada passo que tentava rumo à realização pessoal.
Após a doença do provedor ciumento, os dez anos represados explodiram como as flores na primavera. De uma hora para outra aquela vida de reclusão ganhou a liberdade e, incansavelmente, corria de um lado para o outro. Ora estudando, ora ensinando, ou cuidando da formação dos filhos e administração da casa.
O sabor da liberdade colocava-lhe asas nos pés e parecia nunca se cansar. Além de todo o trabalho, era dona de casa cuidadosa e mãe zelosa. Acordava às seis da manhã e deitava-se após a meia noite. Ainda durmo apenas cinco horas por dia. Não consigo mais do que isso, mesmo que eu queira. Então, a criança que até hoje habita meu interior busca o nascer do sol à beira da praia e, de sapato na mão, caminha chutando as pequenas ondas que rebentam na areia. Ou calça o tênis e caminha na trilha durante uma hora, para dissolver o colesterol que se acumula em suas veias.
Com essa soma de adulto e criança conseguiu superar todas as dificuldades e atingir o ápice profissional, restaurando o poder aquisitivo perdido com a doença do marido, e torna-se uma educadora reconhecida, respeitada e independente.
Os estudos, os concursos públicos, os cursos de aperfeiçoamento, o Colégio Marista, a espinha dorsal do seu crescimento intelectual e pessoal, a casa, o carro, a família por perto, os novos amigos, a sua autonomia financeira, tudo se concretizou na década de 70.
Foi no fim dessa década e início da seguinte que a adulta ficou viúva. O marido, que sofrera um derrame em 1971, faleceu no dia 04 de maio de 1980, quando completava 53 anos, e ela ficava viúva aos 36, completados uma semana depois, a 10 de maio.
Após sanear as finanças da família debilitada pela doença, continuou sua carga horária de dezoito horas diárias, juntando-se à adolescência dos filhos. Os três pareciam irmãos, e foi assim até que eles resolveram formar as próprias famílias.
Não senti falta de nada enquanto estive no processo de formação de meus filhos. Depois que partiram, com suas famílias, também eu encontrei o meu parceiro, mais criança que adulto que me ajudou a ver a vida de maneira diferente. Foi com ele que realmente vivi a minha fase adulta, deixando lá na década de 70 o período de reclusão e a luta pela liberdade pessoal.

Benedita Azevedo

 

 

 

Candy Saad

 

 

ALMA DA POESIA
Candy Saad

Poetas viajam
buscam estrelas para enfeitar versos
pegam a lua nos braços como se fosse sua
Param as águas dos rios
para eternizar um momento de amor...
Com os sentimentos á flor da pele
depositam um beijo sagrado
na alma do amado
num poema de amor.

Candy Saad
Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T2225615

 

 

 

Carlos Lúcio Gontijo

 

 

É FESTA DO REINADO: SALVE MARIA!
Carlos Lúcio Gontijo


Livros no prelo e decepções ardendo na pele. Não há muito para intelectual bem-intencionado realizar na atual conjuntura de preferência cultural pelo grotesco, a não ser continuar produzindo, enquanto habitante de país que optou por promover educação desatrelada da educação, construindo um panorama de absorção de conhecimento sem a proteção da moldura da sensibilização tecida pela cultura.
Meu velho pai, José Carlos Gontijo, do alto de seus 89 anos, não se cansa de me perguntar sobre placa que ficava ao lado do prédio da Estação, aqui em Santo Antônio do Monte, na qual era registrada a altitude (mais de 900 metros acima do nível do mar), a latitude e a longitude, como se eu, mero secretário de cultura, pudesse restabelecer os dados indicativos de direção retirados por algum desnorteado disposto a disseminar descaminho a todos os seus semelhantes.
O desânimo que me vem é muitas vezes proveniente da constatação de que, quando se trata de cultura, há muita gente suficientemente insensível e inculta, ainda que esteja atuando na área cultural, capaz de subtrair placas ou mesmo sonegar informações e jogar pedras na trilha estreita dos que, idealisticamente, batalham para trazer à tona os seus trabalhos artísticos, musicais e literários. A pedra que o poeta Carlos Drummond dizia estar no meio do caminho permanece lá – inarredável!
Fiz a mais absoluta questão de acompanhar de perto a tradicional Festa do Reinado, nos dias 15, 16, 17 e 18 de agosto, momento em que pude conviver com uma autêntica manifestação cultural, onde a fé tem como terço o som do tambor, a alegria e a dança dos que participam do congado, num louvor prontamente acolhido pelo Criador.
É bastante animador manter alguma proximidade com a labuta e o envolvimento dos que constroem a grandeza da Irmandade Nossa Senhora do Rosário, onde o trabalho voluntário é exercitado com o mais abrangente desprendimento, traduzindo inequívoca lição no que diz respeito à união e extremo sentimento de que nenhuma parte, por mais importante que seja a sua função, pode cair na destrutiva pretensão de ser maior que o todo, abandonando o imprescindível conceito de grupo.
Nitidamente, na Irmandade do Rosário não há espaço para o individualismo e o deslumbramento com tolas e improdutivas vaidades, pois ali todo trabalho é digno e toda ação é benfazeja, pois o objetivo nuclear é alcançar o sucesso dos irmanados – a abençoada fonte geradora do caloroso e uníssono Salve Maria!
A Festa do Reinado, evento que atrai um imenso número de pessoas, não precisa contar com seguranças nem deixa em alerta os policiais, sendo realizada sob o signo da paz e da tranquilidade banhada no vinho santo da confraternização. Exemplo sublime de cultura, o Reinado se encontra infinitamente distante da supérflua indústria de entretenimento, uma vez que tem a tradição como raiz, a sensibilidade como altar a lhe possibilitar a unção do conhecimento e a devoção aos mistérios da fé e dos Céus a lhe iluminar os horizontes da fraternidade: fenômenos (e fatores) que nos conduzem, se banhados no suor de nosso racional empenho, a um salvador e miraculoso Salve Maria!

Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

 

 

 

 

Livro de Visitas