FÉNIX

 

 

Cremilde Vieira da Cruz

 

 

CÂNTICO A UMA FLOR
(PARA MEUS FILHOS)
Cremilde Vieira da Cruz


Nasceste num canteiro entre as serras
De cafeeiros plantados e floridos
Árvores envoltas de longas heras
Esperanças no olhar sonhos erguidos

Cantei-te com grande amor no coração
Compartilhámos alegrias e gemidos
Caminhámos tua mão na minha mão
Teus gestos e meus gestos parecidos

Contei-te lindas histórias de embalar
Outras histórias que não queria contar
Foste do meu jardim o viço e a cor

Canto-te ainda neste canto à beira mar
Cantar-te-ei enquanto puder cantar
Cantar-te-ei minha saudade e meu amor

Cremilde Vieira da Cruz

 

 

 

Cristiano Mendes Prunes da Cruz

 

 

DIÁRIO DE VIAGEM
Cristiano Mendes Prunes da Cruz


Sentado numa canoa,
comecei a fazer
o meu diário de viagem.
Sempre que viajo,
releio meus escritos;
e, após, reler
as páginas escritas,
navego em minhas emoções
e experiências.
Como marinheiro,
às vezes, sinto-me
sem destino; isto é, sem rumo.
Contudo, espero, um dia,
encontrar, no litoral,
a minha amada.

Cristiano Mendes Prunes da Cruz

 

 

 

Daniel Machado Flores

 

 

AMANHECER...
Daniel Machado Flores


Minha respiração
é o único som que escuto.
Evito me mexer.
Quero, neste momento,
esquecer de meu corpo,
esquecer quem sou!
Não me sinto aqui,
pois meus pensamentos
estão distantes.
Olho de um lado para o outro
e tenho certeza
de que minha busca acabou.
Eis que te vejo.
És só pureza e encanto!
Amanhece e o perfume
de teu corpo toma conta do ar.
Este, certamente, ficará
o dia inteiro me perturbando,
desconcentrando-me
e, assim, lembrando-me
das minhas angústias, angústias
de um adolescente apaixonado
e dá incerteza de tê-la,
para sempre ao meu lado.

Daniel Machado Flores
Restinga Sêca - RS

 

 

 

Delma Gonçalves

 

 

CONTA-GOTAS...
Delma Gonçalves


Sobrevivi
A este insensato amor
Quando descobri
Minha fragilidade
Suicida
Em conta-gotas
Bebi o elixir da vida
Em prolongados goles
De saudade...

Delma Gonçalves
Porto Alegre - RS

 

 

 

Delmar Maia Gonçalves

 

 

MULHER II
Delmar Maia Gonçalves


Quero alcançar-te
ser-te fiel
Algo me impede
sinto-o
Talvez seja parte do meu ser
desconfiado e prudente
Talvez te ame demasiado
para te querer
Prefiro estar só
Perdoa-me ser infame e maravilhoso.

Delmar Maia Gonçalves
Moçambique

 

 

 

Dhiogo José Caetano

 

 

DESAFIAMOS OS NOSSOS LIMITES!
Dhiogo José Caetano


Doenças mentais, transtornos psiquiátricos ou psíquicos, entre outras nomenclaturas.
Quantos momentos de dor, causados por uma simples desordem neurológica.
Na memória prefiro não refutar as crises de epilepsia.
Nos braços o meu amado irmão sem consciência, com espasmos musculares que sacodem o corpo, confuso, perdendo o controle vesical...
O desespero sufoca a racionalidade, ficamos sem chão naqueles momentos de terror, eternamente memorizados na nossa existência.
Dentre os fatores causadores, a genética, a química cerebral, traumatismo craniano, má formação cerebral, distúrbios metabólicos e outros fatores ainda desconhecidos.
Além dos fatores descritos pela ciência, não podemos desconsiderar o destino que nos conduz a caminhos desconhecidos ao longo da vida.
Queria eu, que o meu irmão fosse curado, deixando de usar diariamente fenobarbital; valproato; clonazepam e carbamazepina.
O meu irmão é epilético tem uma vida relativamente normal, se não fosse o constante tratamento contra esta doença.
Muitas pessoas, o considera diferente, ignorando a sua presença enquanto indivíduo.
Através deste singelo texto, procuro destacar com propriedade o “mito da normalidade”, como irmão de uma pessoa portadora de deficiência física e mental, digo que os mesmos vêem o mundo dito normal por outro ângulo, assim posso afirmar que não existe “normalidade”.
O que é ser normal?
Para construir a instituição família não é preciso de padrões sociais, normas estabelecidas e sim de amor, paciência, diálogo e cumplicidade.
Meu irmão é simplesmente tudo nas nossas vidas!
Meu querido amigo eterno irmão.
Simplesmente Diego.
Quase Dhiogo, mas não é!
Um ser especial.
Portador de necessidades.
Visto como diferente...
Mas todos nós somos diferentes!
Ele é parte de mim.
Meu ser que se divide em dois corpos.
Não destaco a sua diferença.
Pois o amor vai além das nossas diferenças.
Meu querido amigo eterno irmão.
Oh, caçula.
Um ser especial.
Visto como diferente...
Diego quase Dhiogo, mas não é.
Meu amor vai além da sua diferença.
Meu querido amigo eterno irmão.

Dhiogo José Caetano
Professor, escritor e jornalista
Comendador da Academia de Letras de Goiás, Senador da FEBACLA Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes,
Membro das Academias: ALB (Brasil/Suíça), ACLAC (RJ), ACLA (MG), CACL (ES), ARTPOP(RJ) e Os Confrades da Poesia (Portugal)

 

 

 

 

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