FÉNIX

 

 

Eliane Triska

 

 

TRAVESSEIRO DE PEDRAS
Eliane Triska


Alma das noites! Ó bolsões escuros!
Por que forras meu chão de estrelas secas?
Apertas os meus risos contra os muros,
E os matas numa salva de cometas.

Silêncios vão à frente de um sol negro.
Que larga cruz de espinhos! Chora o mar...
Ai, do mar carregar em seu cortejo,
A dor dos violinos e calar...

Nas pedras onde Deus me disse: - Esquece!
Dormi com minha dor nas águas bentas,
E vi alguém ali por mim em prece...

Óh! - Noite também sabes dar amor?
A hóstia com um gosto de tormenta,
Com ele a me chamar: - Acorda flor!

Eliane Triska
Canoas, agosto de 2013/RS

 

 

 

Elio MoReira

 

 

APOLOGIA DA VIDA
Elio MoReira


O que seria da vida
Se os homens não tivessem em si
Um canal aberto para a criatividade
Sempre buscando uma ampliação
Para o melhor ao seu respeito,
Dos erros a possibilidade de revisão
Espalhando sementes de criações
E possibilitar o inusitado para os pares
Melhoramentos sobre comportamentos
Aceitando as diferentes visões dos fatos.
Essências continuam ativas e paralelas
Intermediando um ou outro pensamento
Recorrendo diretamente a sua fonte de luz
Para o clarear de caminhos mais precisos
Fertilizando em si mesmo dizeres de bondade
Comunicações variadas introduzida mentalmente
Reforçando o sagrado trabalho ao espalhar da verdade.
Tempo e homens mudam, novas portas e janelas abertas
Libertando a voz da consciência, alimentando a chama
Que aquece a felicidade, na autonomia do espírito humano.

Elio MoReira
Torres - RS

 

 

 

Eliza Gregio

 

 

“FRAGMENTOS”
Eliza Gregio


O tempo voa sem intervalo: vida segue percurso, como areia escorrendo entre os meus dedos, mudando a paisagem, recriando em mim os sonhos.Olho pela janela e assisto sem pressa os dias desabrochando tal e qual as flores do jardim, o olhar que se perde no horizonte; a vontade que me anseia para a vida lá fora, eu apenas mera criança, e o tempo seguindo dia após dia...
“O tempo voa sem intervalo: a vida segue trajeto, como que areia escorrendo entre meus dedos, mudando a paisagem, recriando meus sonhos. Olho pela janela e assisto sem pressa meus dias desabrochando tal e qual as flores do jardim, o olhar que se perde no horizonte; a vontade que me anseia para a vida lá fora, eu apenas mera criança, e o tempo seguindo dia após dia...” O amor acaricia-me a pele de pêssego rosado a juventude gritando no peito, os olhos parecendo um pássaro livre que voa seguindo seu destino...Minha alma voa junto na velocidade do vento. Voo entre as flores do jardim e fico a beijar todas elas, indo de flor em flor; pouco me faz feliz, a natureza é pura magia a felicidade e os momentos vividos... E setembro chega, e o mundo floresce; o tempo transforma a mim em uma bela rosa branca,que logo chega os 18 anos meus e os olhos brilham de felicidade... Aquele momento se faz poesia e tudo acontece! Arrasto o sofá; ligo a vitrola ao som da musica de Jhon Lenon. E aqueço o coração agitado, os hormônios de moça fervem e a candura e a inocência de menina se consomem, os lábios rosados se desfazem em sorrisos, mostram-se descontraídos, livres sem compromisso com a vida. Os amigos chegam, e junto a eles chega meu Príncipe. Desnuda-me com um olhar, deixando-me a pele avermelhada, e o coração em galope... E como que certo cavalo selvagem ele segue sem rumo, e minha pele sente vontade ardida, nunca sentida... Sou aguçado pelo desejo. Pega-me pela mão que esta suando frio. E tira-me para dançar de rosto colado. Assim, dançamos a noite toda, eu sentindo a respiração forte dele junto aos ouvidos, o beijo e roubado despercebido por todos... É o momento único que vai se perdurar por quase uma vida. Mas, aquela louca paixão é abençoada em nome do amor e, em vez de aliança de ouro, nos entrelaçamos com algemas de prata, aprisionados um ao outro, deixando-nos cegos e surdos, a viver o momento presente. O momento pronto!... O mundo jaz lá fora. Não existe. O amor se esconde com medo, e a paixão toma conta do tempo se tornando dona de tudo, e a flecha que ultrapassa meu coração, como maldosa, rouba aquele próprio coração, inocente e cheio de sonhos. A brisa leve assopra toda angustia que minha alma inunda, e lá dentro meu ser é que alardeia. E a nova vida recomeça naquele momento de magia, tudo fica colorido, o tempo voa a cada beijo, a cada abraço que vivemos, – tão lindos! -- a coragem aflorando a pele... Enfrentamos o mundo para vivermos um para o outro, ultrapassando os limites da vida... Sonhos são deixados para o futuro distante, As lágrimas brotam em meus olhos. É a mistura de felicidade e de frustração, pelos sonhos que adormecem dentro do coração. O medo de perder este sentimento faz com que me sinta ávida... E que me divida entre sonhos e realidade; que eu divida a dor em desatino, sem deixar marcas, a felicidade descontente e regada por lagrimas, àquela paixão que nos aprisiona cada vez mais, por ciúmes, um do outro, que nos leva a não sair de casa vivendo um mundo fechado, onde existem só nos dois e os filhos que vão chegando, a felicidade descabida...
O tempo voa sem pestanejar. A paixão que durou por tantos anos, do mesmo jeito que chegou voou como ladrão, em silêncio, na penumbra da noite, que me doía frio adentro.... O vazio que se cala dentro de minhas estranhas. Nenhuma palavra dita... Olhando para o horizonte onde só enxergamos a neblina, duas almas perdidas a se perguntarem o que foi feito com as ilusões vividas? -- O vento as levou, deixando só as feridas feitas pelo tempo... Fiquei como uma criança a dar os meus primeiros passos. Mas, o tempo que me resta é pouco... A canseira é muita e a alma criança grita por vida. Sinto pela primeira vês: ”O doce amargo da vida” entorpeceu-me, escurecendo meus dias passados, ascendendo uma vela já quase apagada”. Foi de repente... Escuto um sussurro que acaricia meu ouvido: “Estou aqui!... “, ele diz: “Não te esqueci...
Adormeci levada pela paixão; fazendo crescer dentro de mim um sentimento muito mais lindo; com a leveza dos ventos, o amor que me acordou como uma criança nascendo; o instante que curou minhas feridas e me aqueceu com a luz do sol mais quente; a pureza desse amor; o mesmo que me fez enxergar novamente os meus sonhos. Surpreendi-me ao sentir o amor acariciando-me, protegendo-me... O amor, aquele mesmo amor, perseverante, paciente e bondoso. Senti o peito explodindo de alegria: mais uma vez me vi refletida no espelho da vida. Senti-me leve como se eu fosse o próprio floco de neve, no entanto, perfumada feito rosa; perspicaz como águia, pura feito criança; enfim, recém nascida para vida! O amor me fez criar asas novamente e criar coragem para aceitar o que não pode ser mudado; criando novos caminhos para felicidade, olho para vislumbrar o horizonte...
E agora tenho pressa: o tempo que tenho mostra-se curto! Vejo o ciclo da vida se recriando; a terceira idade chegando, surgindo cheia de sonhos e conquistas!..

A felicidade gritando alto: -- “Viva liberdade!... E o amor, com asas renovadas...”

Eliza Gregio

 

 

 

Eloah Westphalen Naschenweng

 

 

SENTIMENTO
Eloah Westphalen Naschenweng


Vens com a alma cheia de esperança.
Da vida trazes sonhos de inocência, rosas desfolhadas e a imagem do infinito.
Tens o encanto cheio de fulgor e a graça da canção eterna.
Gota cristalina, teu afago o carregas em tuas mãos cheias de caricias.
Trazes no olhar a alegria do sonho alado, a claridade das madrugadas e os intensos desejos, dispersos e insaciáveis.
Encanto-me.
Agarro-me ao tempo, me enrosco no impulso que faz do meu coração, surpresa, assombro, requinte, anseio e aspiração.
Posso sentir forte e pungente o despertar da felicidade fluindo intrépida como uma exploradora abrasada, capturando seu reino encantado.
Abro meus olhos e a felicidade ali permanece como um mantra pessoal a inundar minha alma e a enriquecer-se com a delicadeza de um sentimento pleno.

Eloah Westphalen Naschenweng

 

 

 

Elpídio Santana

 

 

MEU BARBEIRO...
Elpídio Santana


Digo orgulhoso que venho de uma família de barbeiros, carpinteiros e músicos. Naqueles tempos essas profissões não eram muito comuns, muito menos a de músico, cuja atividade nem sequer era considerada uma profissão, ao menos numa cidade pequena como a nossa. Já naquela época, a cidade possuía profissionais talentosos, verdadeiros artistas, fosse no corte de cabelo, no trato com madeiras para móveis ou para a construção civil em geral. Bem assim, no manejo de um instrumento musical, de sopro ou corda, o que nos traz a lembrança de Almerindo Borba e Assis Santana que integravam bandas e pequenas orquestras animando festas e bailes nos clubes e bailantas do município e redondezas.
Aquela geração desses profissionais já partiu dessa, para outra vida, por certo bem melhor, porque as experiências aqui na terra aperfeiçoam o espírito para viver em outro plano. Cirilo foi um desses profissionais, mestre na arte de cortar cabelo e fazer barba, sabia dar têmpera ao fio da navalha,mão leve ao barbear e bom gosto no aparo do bigode que fazia combinar com a melena e costeletas, moldadas à feição de cada freguês. Daquela geração, o Assis e o Leodegar foram os últimos que partiram. Quem deles não recorda com saudades?
Adiante, vai em versos uma pequena homenagem ao meu pai Cirilo, pelo centenário de seu nascimento neste mês de janeiro,bem como, a todos esses profissionais que marcaram época e deixaram saudades.

“MEU BARBEIRO”

Na barbearia o barbeiro enfeita e produz notícias
Da cidade, de fora, de uma verdade qualquer
Do futebol, da política, e das brigas co’as milícias
Mas, não fala mal de amigos, muito menos de mulher.
De pobre ou de gente chique
Vai moldando em cada rosto, barba, cabelo e bigode
Conta causos no compasso da tesoura que faz tic,
E o freguês que era triste, de rir quase que explode.
Barbearia bendita, que não apara só os pelos,
Donde as almas saem alegres, orque se poda a tristeza
Os feios saem bonitos e os bonitos mais belos.
Psicólogo, palhaço, cientista, benzedeiro,
Cuida do corpo e d’alma, da saúde, da beleza,
Tens o dom de esteticista, és um artista barbeiro.

Elpídio Santana
São Sepé - RS

 

 

 

Emanuelle Tronco Bueno

 

 

MÁGICO DE OZ
Emanuelle Tronco Bueno


Não foi por acaso que escolhi a área da comunicação. Os desenhos televisivos sempre me fascinaram. Lembro com carinho das inúmeras histórias infantis assistidas. Confesso, elas ainda prendem-me; envolvem-me e elevam-me para um estágio imaginário dentro de meu íntimo. Dentre essas histórias, a mágica do conto “O Mágico de Oz” fora especial; quiçá pelo suspense enquadrado na trama, elevado para a idade que tinha quando a assisti pela primeira vez, ou mesmo pela capacidade que uma simples história tem de envolver uma criança e regar a sementinha da esperança de que seu sonho pode se tornar uma bela realidade.
Após muitos anos, a história “O Mágico de Oz” tornou-se mais viva em meu eu, e seu objetivo foi descoberto por minha evolução e vivência. Saiba valorizar o que tem; não almeje nada, além disso, suas virtudes são completas. Mesmo não tendo consciência da importância desse ensinamento, ele adentrou dentro de meu caráter, e perpetua em minhas crenças.
Claro que em meus desejos infantis gostaria de ter tido a capacidade de sonhar feito Dorothy; de consolar o Leão Covarde; e, não entendi como alguém poderia viver sem um cérebro como o espantalho. Entretanto, hoje, invejo um dos meus personagens favoritos dessa trama: O homem de Lata; para o qual desejava doar meu próprio coração.
Para que ter coração? Em minha razão sóbria de um ser vivo, sei que não se pode viver sem coração. Mas, por quê? Armazenamos dentro desse órgão muscular, que se localiza no lado esquerdo do peito, uma chuva de emoções e sentimentos. E, acoplado a essa bagagem, chegando de fininho, agarrado nas encostas, está o amor. É por esse sentimento traiçoeiro que peço, durante as madrugadas passageiras, para me tirarem o coração; agindo, por alguns momentos, como uma menina mimada, impulsiva e sonhadora até demais.
Volto a ser criança. Paro de pensar nas consequências. Espero uma resposta positiva. Desejo ser o Homem de Lata, ele vive e é feliz, mesmo sem um coração. Sim, ele deseja ter um, mas mal ele sabe o quão triste será se conseguir instalar, dentro de sua casca de lata, um coração lotado de alegrias, amores e decepções. Seu peito irá doer e sua lata enferrujar, devido às lágrimas salgadas que irão brotar. O homem de lata, então, irá querer tirar, esse órgão falacioso que também desejo eliminar.

Emanuelle Tronco Bueno
Restinga Sêca - RS

 

 

 

 

Livro de Visitas