FÉNIX

 

 

Gilberto Nogueira de Oliveira

 

 

A VIDA DE QUEM MORRE E A MORTE DE QUEM VIVE
Gilberto Nogueira de Oliveira


O moleque corria
Pela estrada abaixo.
Ia chatear as mulheres,
Que iam apanhar água
Numa fonte distante,
Para matar a sua sede.

O moleque muito atrevido,
Levantava-lhes a saia
E nada via,
Exceto pernas.

Perna ele tinha,
Via a qualquer hora.
O moleque queria
Era ver outra coisa.
Não sabia o que,
Não sabia explicar,
Não entendia dessas coisas.

Certa vez o moleque,
Andando pelos matos
Viu o que desejava.
Viu uma mulher nua.
Escondeu-se entre os arbustos
E se pôs a observar.
Sentia medo
Mas, era atraído por ela.
Talvez achasse esquisito
Mas, digno de olhar.
Quando sem esperar,
A mulher o descobriu
E a ele chamou.
E o moleque foi lá,
E a mulher o abraçou,
E o moleque viveu,
E o marido chegou,
E o revolver puxou,
E o moleque morreu.

Morreu sim!
E que morte!
Morreu conhecendo a vida,
Que foi uma glória
Para um moleque como ele,
Que viveu conhecendo a morte,
Que morreu conhecendo a vida.

Gilberto Nogueira de Oliveira

 

 

 

Giliane Saldanha da Silva Soares

 

 

MINHAS JOIAS PRECIOSAS
Giliane Saldanha da Silva Soares


Ah! Que joias preciosas eu tenho! Certa vez, ouvi uma linda canção, uma dessas canções que são tão simples, mas que nos falam de uma forma tão profunda ao coração, sobretudo, se nos acalmarmos, fugirmos da correria louca do dia a dia e realmente ouvirmos a sua mensagem. Pois é... eu ouvi essa canção, vivi essa canção que falava sobre filhos: o que eles são, o que significam. Um trecho dessa canção afirmava que devemos crer que os planos de Deus são mais elevados que os nossos. Então, ao me perceber mãe de três filhos, entendi o quanto os planos do Senhor foram, são, maiores, mais poderosos que os meus. Atualmente, contrario todas as estatísticas sobre mulheres mães: tenho trinta anos e sou pós-graduada. Nossa!!! Os números apontam que, hoje, as mulheres, em geral, são mães depois dos trinta e que a média de filhos só chega a três para mulheres semianalfabetas. Como já disse, não sou!
Fui mãe muito mais cedo do que imaginava e, em oito anos, tive três filhos. E que filhos! Na verdade, influenciada pela atualidade, havia desistido de algo que sempre sonhei: ter três filhos – dois biológicos e um adotado. A adoção, por questões pessoais e conjugais, já estava sendo descartada e, de repente, Deus me fez uma surpresa. Mais uma gravidez, a terceira! Totalmente não planejada e que, com certeza, estava sendo evitada. Mas o que são os planos do homem diante dos planos do Criador!? “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre o seu galardão” (Salmos 127:3). Agradeço a Jesus pelos planos d’Ele para a minha vida!
Embora, muitas vezes, pensamentos preocupados tentam ocupar minha mente quanto aos meus filhos, à educação, ao futuro deles, lembro o que diz a Palavra do Senhor: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Provérbios 22:6). Nesse mundo louco, ter três filhos parece irresponsabilidade, por isso, peço a Jesus para me ajudar a criar minhas bênçãos no caminho do Senhor, porque creio que só assim meus rebentos serão verdadeiramente felizes!
Hoje, eu sei que não tenho apenas três filhos, eu tenho três joias preciosas dadas por Deus, confiadas a mim:
Manuela: a retidão e a justiça!
Giovana: a alegria e a tranquilidade!
Teodoro: um varão de valor!
Todos irradiam a luz do Senhor, minhas bênçãos maiorais, minhas joias preciosas.

Giliane Saldanha da Silva Soares
Restinga Sêca - RS

 

 

 

Giovanni Brunet Alencar e Silva

 

 

EMOÇÕES E ALEGRIAS
Giovanni Brunet Alencar e Silva


Dentre as emoções, vem alegrias.
Como todas, entre harmonias,
às vezes de cá,outras de lá,
mas sempre as temos para amar.
Ao falar, vai se emocionar,
preste atenção e irá se alegrar.
Assim como você contribui,
o desejo do outro retribui.
Em desejos mútuos,
vê alegria no futuro.
Porque entre emoções,
haverá muitas constipações.

Giovanni Brunet Alencar e Silva
Porto Alegre - RS

 

 

 

Glória Marreiros

 

 

AMIGO
Glória Marreiros


A ti, meu amigo, te quero dizer
Que o sonho tem linhas traçadas na mão
Por lápis guardados por mera razão,
Que só o destino dirá, se souber…

Na infância dum dia, em tom malmequer,
Cruzamos espaço, sem grande emoção.
Depois nos perdemos numa outra lição,
Que os anos levaram julgando um dever…

Mas tudo no tempo tem hora marcada,
As eras são heras trepando alvorada
No pôr deste sol, onde a vida se evade.

Se há linhas traçadas formando um destino…
Só pode ser dado por algo divino
Que faz da pureza sublime amizade.

Glória Marreiros

 

 

 

Guida Linhares

 

 

SOLIDÃO
Guida Linhares


E um dia você chegou,
sem que eu te esperasse.
Vivi rodeado de amigos,
a família por perto,
os sonhos despertos.

Trabalhei por demais,
fui um bom cidadão,
promovi algumas ações
que beneficiaram muita gente,
servi com amor no coração.

Lutei pela evolução espiritual,
caminhei com a bagagem
de valores éticos e morais,
procurei fazer o bem
e cultivar a alegria.

Sempre tive muita fé,
porém os meandros da vida,
na idade mais espinhosa,
mudaram meu destino,
e agora estou só.

Contemplo a flor
como um filme fosse,
de tudo que vivi
desde pequenino,
até aqui e agora.

E ainda que a solidão
me abrace com força,
agradeço a Deus
por tudo que me deu
e por tudo que me tirou...

Talvez seja tudo o que preciso
para um dia partir
consciente de que fui
o melhor que pude SER,
nesta vida que é muito bela.

Guida Linhares
Santos/SP/Brasil
24/04/13

 

 

 

Guria da Poesia Gaúcha

 

 

FLORES
Guria da Poesia Gaúcha


Gosto delas! Não me perguntes o porquê.
Talvez seja pelo milagre da semente virar flor,
E a flor virar em fruto, em alimento para nosso
Sustento, ou talvez, ainda, pela sua beleza que
Viceja frágil e fugaz, mas que é capaz de guardar
E aguardar semente, sempre, e enquanto dá este
Tempo pra o tempo prepara do botão o momento
Do seu tão curto viver, mas que nem por isto abre
Mão de, mesmo adormecido, ir escolher, acolher e
Colher o mais bonito colorido que ele irá florescer,
Independente se cedo ou tarde será esmaecido e
Esquecido, e acho que é por esta lição de ficar tão
Pouco, mas de se doar que nem louco é que amo
A grandeza da sua natureza, a missão de doação e
Paixão de tão genuína nobreza, já que brota cheia
De beleza, de magia e energia e só morre porque
Outro botão vai nascer e merece florescer, e então
Sem que clame ou que reclame, ela simplesmente
Compreende, lindamente atende e tão suavemente
Se rende no seu recolher quanto ao nascer, declinada
Na validade da vaidade, é bem verdade, já que com fé
Floresce e em pé fenece, afinal ela sabe reconhecer o
Renascer e por isto não sofre ao fenecer, até porque
É só o vestidinho da matéria que sai e cai enquanto a
Semente, o seu espírito, um novo ciclo preparando vai,
Pra que volte sofisticadamente simples, fortemente frágil
E finita, mas agradecida por ter mais uma oportunidade,
Mesmo que só de passagem, de mais uma primavera tão
Bem-vinda e florida na paisagem de mais uma bonita vida!

Guria da Poesia Gaúcha

 

 

 

 

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