FÉNIX

 

 

Gustavo Dourado

 

 

CORDEL PARA MACHADO DE ASSIS: O BRUXO DO COSME VELHO
Gustavo Dourado

I
Joaquim Machado de Assis:
Do Morro do Livramento...
Foi um moleque baleiro:
E grande ás no talento...
Um Gênio da Literatura:
Luminar do Pensamento...

II
Em 21/06/1839:
Deu-se o seu nascimento...
Vem ao mundo no Rio:
Na Quinta do Livramento,,,
Joaquim Maria Machado:
Expressou seu sentimento...

III
Francisco José de Assis:
Maria Leopoldina Machado...
Genitores do Escritor:
Mestre, acadêmico, letrado...
A gênese do escritor:
Tenho comigo anotado...

IV
Bem pequeno ficou órfão:
De sua mamãe querida...
Morre o pai logo depois:
Uma machadada na vida...
A madrasta cuidadosa:
Deu-lhe amor, pão e guarida...

V
Não podia estudar:
Não teve acesso à escola...
Era vendedor de bala:
Para não pedir esmola...
O preconceito era grande:
Ainda não havia bola...

VI
Moleque pobre e mulato:
Na ex-Capital Federal...
Época de febre amarela:
Pouca ação industrial
Tudo era importado:
O Brasil era um quintal...

VII
Padre Silveira Sarmento:
Deu apoio a Machado...
Um garoto inteligente:
Logo se tornou letrado...
Pra sair do sofrimento:
Da triste vida de gado...

VIII
Veio de família pobre:
Persistente e esforçado...
Teve aos 16 anos:
Um poema publicado...
O livreiro Paula Brito:
Contratou nosso Machado...

IX
Londres ditava a moda:
Imperava a escravidão...
Fabricaram a dívida externa:
A capital submissão...
E Machado no cenário...
Fluía arte e criação...

X
O soneto era "Ela":
Que grande coisa não era...
Na Marmota Fluminense:
Deu asas à quimera...
Foi caixeiro e vendedor:
E um revisor bem fera...

XI
Na Marmota Fluminense:
Começou a escrever...
Ano 1855:
Como pude perceber...
Até 1861:
Colaborou pra valer...

XII
Ano 1856:
Tipografia Nacional...
Manuel Antônio de Almeida:
Influência natural:
Até 1858:
Aprendizado laboral ...

XIII
Em 1866:
Carolina chega ao Rio...
(Irmã do poeta Faustino):
Sempre foi mulher de brio...
Foi na vida de Machado:
Sol, poesia, amore mio...

XIV
Em 1869:
Casou-se com Carolina...
Machado, era mulato:
Homem de uma bela sina:
Lutou contra o preconceito
E conquistou a menina...

XV
Machado é Rio Antigo:
Cosme Velho e Ouvidor...
Na Rua dos Andradas:
Exercitou o seu Amor...
Com a querida Carolina:
Um romance alentador...

XVI
Histórias da Meia-Noite:
Romance Ressurreição...
Morou na Rua da Lapa:
Princípio de transformação...
Na Rua das Laranjeiras:
Deu-se a iniciação...

XVII
Poesia, Americanas:
A musa a lhe inspirar...
Crisálidas foi o início:
Um poeta a germinar...
Gil, Job e Platão:
Pseudônimos soube usar...
 

XVIII
Vitor de Paula e Job:
Max e depois Lara...
Publica com vários nomes:
Uma obra que não pára...
Criativo e talentoso:
Em um gênio que Deus dara...

XIX
República e Abolição:
O grito da liberdade...
Combate à escravidão:
Ares de civilidade...
Época de Realismo:
De nova sociedade ...

XX
Poesia nova, realista:
Distante do Romantismo...
Campanha abolicionista:
Marx e o Comunismo...
Machado além do Real:
Bebeu no Naturalismo...

XXI
1878-79:
Em Friburgo temporada...
Tratamento de saúde:
Novo alento na jornada...
Surge um novo escritor:
É primavera - madrugada...

XXII
Memórias Póstumas de Brás Cubas:
Obra de lapidação...
Texto de engenharia:
Pensamento e emoção...
Criatividade a flor da pele:
Deu asas a um coração...

XXIII
Publica Memórias Póstumas:
Na Revista Brasileira...
É um livro essencial:
Que marca a sua carreira...
Na Gazeta de Notícias::
Um cronista de primeira...

XXIV
Memórias sai em livro:
Destaque para Machado...
Publica Papéis Avulsos:
Texto bem elaborado...
Rua Cosme Velho, 18:
Muito bem acomodado...

XXV
Em Machado há ironia:
Dúvida e questionamento...
Capitu traiu ou não?:
A resposta voa ao vento
O Amor tudo ultrapassa:
Transmuta-se no sentimento...

XXVI
Oficial da Ordem da Rosa:
Por decreto imperial...
Quincas Borba é publicado:
Várias Histórias, afinal...
Machado consagra-se:
No cenário nacional...

XXVII
Funda a Academia de Letras:
Sendo eleito presidente...
Demonstra habilidades:
De escritor experiente...
Romance Dom Casmurro:
Eis um livro consciente...

XXVIII
Dom Casmurro é publicado:
Contos, Páginas Recolhidas...
Edita Poesias Completas:
Obras-primas sempre lidas...
Vejo os seus personagens:
Por praças e avenidas...

XXIX
Em 20/10/1904:
Machado perde Carolina...
Companheira solidária:
Fraterna e diamantina...
Amada de toda a vida:
Uma paixão cristalina...

XXX
Romance Esaú e Jacó:
Faz-se a publicação...
Relíquias de Casa Velha:
Processo de elaboração:
Em 1906:
Recebe editoração...

XXXI
Relíquias de Casa Velha:
Dedicou a Carolina...
"Ao pé do leito derradeiro:"
Soneto de verve fina...
Uma pérola na poesia:
Fez a prosa cristalina...

XXXII
Memorial de Aires, romance:
Foi o último publicado...
1/06/1908:
Pede licença Machado...
Para tratar da saúde:
Estava debilitado...

XXXIII
3 h 20, 29 de setembro:
Falece o grande escritor...
Era 1908:
Foi-se embora o criador...
Saudado por Rui Barbosa:
Magistrado e orador...

XXXIV
Ficou a obra-prima:
Grandiosa, genial...
Há muito influencia:
A literatura nacional...
Seu nome eternizou-se:
No cenário universal...

     
Gustavo Dourado
Escritor, poeta, professor, produtor, cordelista, pesquisador, gestor.
Autor de 153  livros  publicados.
Cidadão Honorário de Brasília.
Presidente da Academia Taguatinguense de Letras
www.gustavodourado.com.br
   

 

 

Henrique Lacerda Ramalho

 

 

PRIMEIRO AMOR
Henrique Lacerda Ramalho


Me lembro da idade dos 3…4…5 anos.... Me lembro de com 1 ano e meio me debruçar na janela do 1º andar para a floreira, e olhando para trás, ver minha irmã com uma amiga fazendo torres com os cubos de madeira coloridos.
Me contaram que virei os pés pela cabeça e zás! Uma queda de 4 metros para o quintal...
Mas ao menino e ao borracho, põe-lhe Deus a mão por baixo! A queda foi amortecida por uma mesa de pé central que, ao ser percutida na berma, baqueou com o impacto do meu corpo (mais velho me contaram que de certeza o táxi que me levou para o hospital deve ter ido para a sucata devido ao cheiro intenso, única manifestação fisiológica resultante daquele meu voo adrenalítico...)
Mas volto ao tema, passado no começo da minha infância: de fato-macaco, calças de peitilho com bolso e 2 alças para as costas (muito jeito me fazia esse bolso para guardar meus reptantes bichinhos de conta, joaninhas, borboletas, mil-pés e similares, com a consequência de que ninguém se aproximava de mim ao ver tudo aquilo a passarinhar do bolso para fora, por mim acima..)
Aas minhas amizades no bairro eram reduzidas… seríamos uns 7 a 10 na mesma faixa etária e dentro desse círculo se destacava a filha do "carteiro", assim chamado por ser funcionário dos correios.
Miúda remexida, um pouco vaidosa, de longas e loiras tranças arrematadas por laçarotes. Uma imagem victoriana, de “Tudo o Vento Levou”.
E o vestido, ohhh!!!! Branco, cheio de folhinhos e rendas, com um enorme laçarote nas costas... E foi esta figura provocadora de meus instintos que ficou para sempre guardada na minha memória!
Como ficava doido para lhe puxar pelas tranças ou desfazer o laço ao passar na corrida...
Nunca percebi porque ela chorava... Mas, entre as famílias, ouvia dizer: vocês vão se casar quando forem grandes. Copo daqui, almoço dali, e aos poucos ela se tornou "oficialmente" minha noiva, eu com uns 5 aninhos e ela mais jovem 2 anos.
O tempo passou, correram os anos… Mudança de residência da vivenda no bairro da Madre de Deus para Campolide.
Mas era preciso manter periodicamente a permanência na vivenda e, nas férias do liceu, lá ia eu ficar na casa por uns dias ou uma semana, com a empregada (virgem até à sua morte), herdada pela minha madrasta quando a anterior patroa falecera. E o que ia fazer um miúdo de 10 ou 11 anos para ocupar as noites sem dormir? (Já seria principio de treino para a internet...)
Nada mais lhe restava do que ir de porta em porta de amigos pedir “tim-tins”, “mundo de aventuras” e “cavaleiros andantes” e similares (revistas semanais de quadradinhos). E, nesse itinerário de pedinchice, muitas vezes fui a casa dela…
Então, proporcionalmente mais velha, um outro modo de vestir e um pouco mais morena, cabelos menos louros.
Eu, sentado no sofá, tinha sempre aquele rabinho do olho observando aquele modo de princesa altiva, se comportando com todos os requintes de educação e compostura.
A separação a que fomos obrigados pelo decorrer da vida, fez que se fossem diluindo as imagens, cada vez menos conscientes e presentes.
Vida cigana de militar, casamento, comissões em África, deveres profissionais, perda consecutiva dos familiares mais consanguíneos, fizeram-me única presença de um mundo familiar extinto. Depois, descasamento... uma paixãozinha por aqui e por ali...
Lá me afastei de novo do tema! Continuemos a história:
No meu machismo camuflado, há uma atenção especial que me dá gosto: na retribuição do tudo dar, a satisfação de me prepararem a roupa para sair.
E como gosto de ver a camisa escolhida consoante o estado atmosférico, de linho, algodão ou seda; a cor e tipo de terno para o momento: de manhã, as calças de tom diferente mas não belicoso com o casaco desportivo; terno claro para a tarde; o escuro para a noite; meias bem finas para o respectivo calçado: de luva, se matinal, inglês para a noite ou dia de chuva; gravata italiana, matizando do claro para o escuro em consonância com o adiantado da hora e o cerimonial em destino; e porque não o lenço de seda para pescoço ou laço?...
Mas a minha companheira à época "esqueceu" esse meu pequeno desejo. Cheguei do quartel e nada em cima da cama... nem sequer os slips... desfardei, ficando naquela figura atípica de meias e cuecas...
Eis quando tocou o telefone. Era ela:
"Jantamos aqui, na casa de (...), vem para cá! Sabes quem vem mais? Um casal que morou no bairro da Madre de Deus, será que se conhecem?"
Não tive outro remédio senão preparar-me sozinho para sair: arranquei o cobertor da cama, enrolei-me nele. Mas como prender as pontas?… Só encontrei na prateleira da despensa um metro de arame grosso… Sapatos?... Chinelos de quarto...
Atravessei Lisboa de olhos fixos em frente. Os condutores ao meu lado nos semáforos, olhavam intrigados. Seria alguma coisa na carroceria do meu Mercedes?...
Ao chegar, estacionei no largo fronteiro ao prédio de mais de 10 andares. Subi e bati à porta.
Quando acabou o retrilingue-ling-lingue do carrilhão, a porta abriu-se, mas, em vez de qualquer dos meus amigos que eu esperava que fossem dar-me entrada, foi uma morena desconhecida.
Ficamos boquiabertos e de olhos arregalados: ela, porque não esperava uma figura de chinelos e peúgas, enrolado num cobertor de papa de cores vivas… eu, porque aquela morena, me fez recuar no tempo, numa visão cinematográfica:
Era a minha primeira amada! Qualquer de nós com mais 40 e tal anos em cima!
O jantar e a hilaridade da situação, fez-nos esquecer a distância no tempo, embora dentro de mim permanecesse a saudade daquele gostinho de puxar pelas tranças e pelo laçarote da loirinha boneca de porcelana...
E pronto! Ela, casada e madre. Eu, acompanhado, mas de espírito livre, como passarinho que tirou o eixo da porta da gaiola...
 

Você me acha louco?...

Henrique Lacerda Ramalho

 

 

Hilda Persiani

 

 

AMOR-PERFEITO
Hilda Persiani


Este amor-perfeito, murcho, descorado
Pelo tempo e pelos beijos que lhe dei,
Num dia chuvoso e frio me foi dado
Pelas mãos de quem eu muito amei.

O dia era cinzento, o chão molhado,
Fitando-me com ternura ele me ofereceu,
Envolto em celofane e fio dourado,
Um amor-perfeito e o carinho seu.

Beijei a flor e guardei-a docemente
Com ternura e carinho de quem ama
E a vida foi decorrendo normalmente ...

Mas o tempo que caminha acelerado,
Do nosso amor foi apagando a chama
E só restou o amor-perfeito desbotado!...

Hilda Persiani
Curitiba, 1º de Setembro de 2009

 

 

 

Hiroko Hatada Nishiyama

 

 

POESIA DA MADRUGADA
Hiroko Hatada Nishiyama


O amarelo pálido chamou o azul,
Deu-lhe um beijo e ambos amaram-se
Até tornarem-se verdes como a esperança,
E, assim abraçados bailaram como crianças!
Então o vermelho desejou
Trocar beijos com o amarelo
E foram ambos banhados
De uma luz laranja, bela,
Como o arrebol de novembro!
Bem me lembro!
E, neste baile, o azul enamorou-se
Do vermelho!
Ficaram ambos roxos de paixão!
Oh, coração!
Um arco íris surgiu com lindas cores:
Desabrocharam flores
Orvalhadas com as lágrimas surgidas
Dos olhos meus
Do orgasmo que você me deu...

Hiroko Hatada Nishiyama
hhnadpn

 

 

 

Humberto Rodrigues Neto

 

 

SOMBRA SOU...
(À minha esposa, in memoriam)
Humberto Rodrigues Neto


Mera sombra ora sou do que fui antes
nos meus constantes risos de euforia,
quando inda ouvia as notas fascinantes
dos farfalhantes guizos da alegria!

Meus tempos d'ouro são saudade agora
que não vai embora e fica aqui comigo
como um castigo que me desarvora
e no qual chora aquele amor antigo!

Ontem sorrindo... Hoje a curtir a dor,
só vejo horror por onde a vista pousa...
Só a fria lousa me restou do amor
daquela flor que foi a minha esposa!

Humberto Rodrigues Neto

 

 

 

Humberto Soares Santa

 

 

O CANTO DO CISNE
Humberto Soares Santa


Quem é poeta canta em sofrimento,
Qual cisne que na hora pressagia
A morte e cantando, anuncia
O doloroso e fatal momento.

Que canto é esse se te falta alento ?!...
Poeta triste... cisne em agonia !...
Porquê esse exaltar, essa fobia
Que rege o teu cantar no teu tormento ?...

No meu jardim, eu sofro e no meu canto
Rabisco um papel que me sobrou
Molhado pelas lágrimas do pranto

Que um poeta em mim, só por mim chorou.
O sol vai-me fugindo e entretanto,
Um cisne, bateu asas e cantou !...

Humberto Soares Santa
Cotovia-Sesimbra

 

 

 

 

Livro de Visitas