FÉNIX

 

 

Isabel Passos

 

 

UMA VIDA A NAUFRAGAR
Isabel Passos


Ansiedade, porque vens e me toldas os sentidos?
Estou cansada, sem forças p'ra contrapor,
ou seja lá p'ró que for.
Já não espero encontrar o pote de ouro
no final do arco-iris, como nos contos de fadas.
(Traduza-se ouro como o Bem Maior...)
Noutros tempos em que eu, apesar de tudo,
era mais feliz, (tinha a juventude!),
meus olhos eram luzeiros que o sorriso iluminavam.
Agora só o olhar mortiço,
cenho franzido, e noite no coração.
Não uma qualquer noite de luar, de estrelas semeada;
Mas uma noite fria e escura, como breu.
A tristeza levou o sorriso embora.
O tempo levou a juventude.
Sou naufrago a afundar,
sem um porto de abrigo,
sem ter onde me segurar.
Feiura de espantar, por dentro e por fora.
Quero acreditar que, seja como for,
algum dia desfrutarei da mansidão do mar,
e do perfume das rosas, sem me picar.

Isabel Passos

 

 

 

Ivo Darci Mahlke

 

 

EU
Ivo Darci Mahlke


Sou a sombra amiga do açoita-cavalo
Sou a água cristalina que desliza no valo
Sou a primavera verde, o cantar do passarinho
Sou a mão amiga que mostra teu caminho.

O vale encantado, a mata, a paisagem viva
A flor do campo, as aves, a fruta nativa
Sou a luz, a razão de ser, a fonte de vida
Sou a palavra que orienta e não é esquecida.

Sou simplesmente “eu”, mas eu que apesar
Dos anos retorno à mocidade disposto a recomeçar.
Sou eu, só eu, mas o bastante para enfrentar
O mundo e não deixar
Um só segundo de te amar.

Ivo Darci Mahlke
Restinga Sêca - RS

 

 

 

Ivone Boechat

 

 

CONFISSÕES DE UM MENOR ABANDONADO
Ivone Boechat


Eu sei que sou culpado,
não tive a capacidade de assumir a administração de minha vida, não fui capaz de resolver as emoções infantis nem consegui equilibrar-me sobre os obstáculos que herdei da sociedade.
Até que me esforcei! Olhei para a vida de meus pais, porém, os desentendimentos de seu casamento falido nublaram os tais exemplos de que ouvi falar, só falar.
Não tive o privilégio de me aquecer no meu próprio lar, porque faltou-lhe a chama do amor, sustentando-nos unidos. Cada qual saiu para o seu lado. Na confusão da vida me perdi.
Candidatei-me à escola. Juntei a identidade civil ao retrato desbotado, botei a melhor farda de guerreiro, entrei na fila. Humilhado por tantas exigências, implorando prazos, descontos e vaga, sentei-me num banco escolar, jurei persistência, encarei o desafio.
- Joãozinho, você não sabe sentar-se?
- Joãozinho, seu material está incompleto.
- Joãozinho, seu trabalho de pesquisa está horrível.
- Joãozinho, seu uniforme está ridículo.
A barra foi pesando, fui sendo passado para trás e vendo que escola é coisa de rico. Um dia, arrependi-me, mas a professora se escandalizou das faltas (nem eram tantas!) e disse que meu nome já estava riscado, há muito tempo. O que fazer? Dei marcha à ré ali e, olhando a turma, com vergonha, fui saindo.
Moro nas marquises, debaixo da ponte, nas calçadas e não moro em lugar nenhum. Tenho avós, pais, irmãos e primos, mas não tenho família. Tenho idade de criança e desilusões de adulto. Minha aparência assusta as pessoas e nada posso fazer. A cada dia que passa, estou mais sujo, mais anêmico, mais fraco.
Sou um rosto perdido, perambulando, em solo brasileiro. Na verdade, chamam-nos menores, todavia, somos os maiores desgraçados.
Vendo balas num sinal de trânsito que muda de cor a cada minuto. Quando o sinal fica vermelho, os carros param, meu coração dispara. Para nós, menores abandonados, o vermelho é a cor da esperança.

Ivone Boechat

 

 

 

Ivone Vebber

 

 

MUNDO ANIMAL
Ivone Vebber


Nada tem mais graça
vou me embora pra meu
mundo de origem Racional.
dele viemos
e ele voltaremos....
tudo enjoa na matéria
tudo enerva,
tudo fede,
não adianta Chanel numero 5....
a catinga é geral,
experimenta ficar 2 dias sem
o seu banho...
somos feitos de micróbios,germes,
vermes...
somos o lixo universal
lei ao livro UNIVERSO EM DESENCANTO,
saia desse chiqueiro,
volte ao seu natural....

Ivone Vebber
Caxias do Sul/RS

 

 

 

Ivonita Di Concílio

 

 

NATUREZA MORTA
Ivonita Di Concílio


Desde os tempos da Grécia e Roma Antigas o termo natureza morta aplica-se à arte representativa de flores, frutas, peixes, aves mortas e outros objetos inanimados, como vasos, garrafas e o que a criatividade do artista possa expressar por meio da pintura e da escultura.
Mesmo na arte primitiva alguns desenhos rupestres mostravam esse tipo de tendência. Pintores e escultores de antigas escolas artísticas deixaram suas concepções em obras famosas e de valor inestimável.
São famosos os quadros de natureza morta de pintores como: Caravaggio, Monet, Van Gogh ( com seus característicos girassóis), Picasso e, mesmo o nosso ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, representam em seus trabalhos essa tendência.
Graças a esse tipo de pintura chegaram até nós os registros de costumes e preferências de épocas remotíssimas quando não existia, ainda, maneira de registrá-los a não ser com pinceladas.
Temos conhecimento, hoje, das preferências gastronômicas da idade média por meio de famosas telas ostentando vegetais, faisões e outras aves com belas plumagens e podemos até imaginar aqueles nobres cavalheiros da época indo à caça ou trazendo reluzentes peixes das pescarias que faziam.
Depois da invenção e progressiva inovação da câmera fotográfica, à partir de 1830, os aficcionados da arte da fotografia também aderiram à natureza morta e a filmaram usando processos de luz e sombra, com resultados surpreendentes sobre os materiais inanimados que escolheram.
Quando se fala tanto em proteção ao meio-ambiente, em preservação da Natureza e Ecologia seria bastante oportuno fazer um alerta aos madeireiros, que devastam nossas matas e florestas para que preservem alguns espécimes da fauna e da flora brasileira. Talvez também alguns minerais nobres, que são parte dessa Natureza, para deixá-los gravados, como natureza morta, a fim de que nossos descendentes, daqui a alguns séculos possam saber que houve uma bela e pujante natureza viva.

Ivonita Di Concílio
escritora/jornalista/poetisa/cantora/sonhadora
São José/Grande Florianópolis/SC

 

 

 

 

Izabel Eri Camargo

 

 

GRADES
Izabel Eri Camargo


Quero enxergar o firmamento
sentir o perfume das flores
respirar o ar da manhã.

As grades ofuscam a clara vista
A janela da alma está em luta
Ela grita por liberdade.

Quero conversar com a lua
Quero apreciar os caminheiros
Quero aplaudir a serenata.

Tirem as grades da minha janela
Violência! Baixe as armas
Instale-se a fraternidade

Ressoe a paz e o amor
no mundo, na casa, na vida,
na consciência e no coração do homem.

Liberdade em toda idade!
Esperança justiça e paz
no mundo, na humanidade!

Izabel Eri Camargo
Porto Alegre - RS

 

 

 

 

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