FÉNIX

 

 

Lauro Kisielewicz

 

 

LOGOS
Lauro Kisielewicz


Sendo logos a palavra
Escrita ou falada,
O fato é que sem ela
Muito pouco ou quase nada
O ser humano pode fazer;
Seja para se comunicar,
Seja para pedir,
Seja para ordenar,
Seja para ensinar
Ou apenas declarar,
Um sentimento
Ou opinião,
Vertida do coração,
Carregada de emoção,
Ou mesmo aquela
Brotada da mente,
Fria e indiferente
Ás vezes inconseqüente
Que fere mais que a espada...
Há que ser filtrada,
Pensada e
Repensada
Para ser útil
À edificação
Dos povos e das nações,
Eliminando distorções
Aquecendo corações
Enaltecendo emoções
Buscando sempre a paz!

Lauro Kisielewicz
Brasil

 

 

 

Lepota L. Cosmo

 

 

FUTEBOL
Lepota L. Cosmo


O estilo é mundo
a Denílson


Entre os arpões e borboletas
Há uma maçã
Chamada bola.

Lepota L. Cosmo

 

 

 

LigiaTomarchio

 

 

A ALAMEDA DAS PALMEIRAS E O GUARDIÃO DA MORTE
Ligi@Tomarchio


Era tarde. Eu anoitecia. Liguei os holofotes. Vibravam em direção à alameda, com suas palmeiras a espiar as estrelas e a relva gotejando rasteira e quieta. Não me recordo agora, de quantas dores e insatisfações desfilaram sob as luzes curiosas que acendia. Poucas sei que não foram. Muitas hão de percorrer esse caminho...
Não faz muito tempo, conheci alguém que ao passar por mim, resolveu parar e descansar. Um ser estranho, diferente do que sou. Decidi conhecê-lo melhor. Há muito o observava à distância. Carregava tanta tristeza... Eu podia vê-la. Isso me intrigava. Aproveitei a ocasião para esclarecer minhas dúvidas. A cada movimento daquele ser eu percebia a dificuldade de compreensão consumir sua singular existência. Coloquei-me à disposição, tornando minha aparência semelhante a sua. Cheirava. Ouvia. Olhava. Sentia. Falava. Pensava...
Seu nome era Constância. Mulher jovem de aparência. Disse ser uma escritora famosa. Contava algumas histórias fictícias, outras da realidade de sua existência. Ouvia com paciência, sem conseguir satisfazer a curiosidade que me perseguia. Num dado momento, percebi que seu olhar parava nas águas. Foi assim que descobri, a dor que vinha assolando os passageiros da Alameda das Palmeiras. Pude ver nas águas, aquele belo ser humano, agonizando. Num átimo, voltava seu olhar para o meu confirmando minha suspeita: os seres humanos, não admitem a morte e não suportam a vida. Constância, como os outros que por ali passaram, estava morrendo...
Para se justificar, a jovem retirou de sua bolsa um manuscrito, que dizia:

“Tenho certeza de que estou enlouquecendo de novo. Seremos todos loucos? Possivelmente não. Ou seria certo se dizer que todos um dia ficaremos privados de lucidez? Não creio. Apenas sei de como me sinto e sou. Como vejo esse mundo obscuro e surdo às lamentações que surgem, ecoando das montanhas e vales sombrios da existência.
Pura vergonha existir. Covardia persistir. Há de se encontrar a coragem emergencial da morte como opção de vida. Não sei bem a que tipo de vida me refiro, mas a qualquer outra
forma de ser. Talvez, quem sabe, noutra dimensão. (Devaneio)... Os loucos não devaneiam? Serei eu a próxima vítima da incompreensão? As mãos ao transpirarem fazem com que a caneta escorregue entre os dedos, as palavras somem, esquecidas, perdidas na imensidão do inconsciente... O horror se compõe com a vontade e cria-se um novo amanhã.
Manhã silenciosa, macia, clara... Pássaros livres saltam dos olhos ardentes de luz... As águas da sabedoria falam às margens, encobrindo de umidade as raízes sombrias, profundamente fixas aos seus interesses e objetivos... Breve nos veremos Virgínia Woolf...”

Adeus Constância! Guardo a lembrança daqueles últimos momentos seus...
Preciso desligar os holofotes!...

Ligi@Tomarchio

 

 

 

Lucas Cozza Bruno

 

 

O BEIJA-FLOR DAS OITO E MEIA!
Lucas Cozza Bruno


Tu és a beleza
que ninguém alcança.
Vens todos os dias,
às oito e meia da manhã,
beber água no bebedouro
da minha janela.
De segunda a sexta,
minha mãe te contempla.
Todavia, eu te espero,
ansiosamente,
nos finais de semana.
És luminoso, pequeno
e exuberante.
Ao te movimentares,
apresentas um bailado
intenso e veloz.
Como sabes a hora?
É mágica? Milagre?
Mistério?
Há fatos
que jamais entenderemos.
Silêncio...
Vou encher minha alma
de afeto...
São oito e meia!
Está chegando o beija-flor
com esplêndida
beleza e harmonia.

Lucas Cozza Bruno
Porto Alegre - RS

 

 

 

Lucas Dias Miranda

 

 

SOU POESIA
Lucas Dias Miranda


Sou amor, sou tudo
em um texto
pequeno e não informativo;
sou eu, sou a poesia
do grande dia.
O dilema da ideia,
sou eu, a poesia.
sou o que sou,
ninguém me mudara
nem por um dia
nem por uma noite.
A noite é fria
que nem a minha poesia.
a poesia é curta,
que nem a minha e a sua vida,
por isso escrevo poemas curtos.
para lembrar de momentos
tão prazerosos como este.
se bem que o forte
não é a minha escrita
e sim minhas ideias.

Lucas Dias Miranda
Porto Alegre - RS

 

 

 

Lucy Bortolini Nazaro

 

 

O BAR DA BANDIDA
Lucy Bortolini Nazaro


Pois é, desta feita resolvi escrever sobre o tal “Bar da Bandida”. Aquele que fica lá no meio daquela quadra, no centro de Mangueirinha, cuja dona é a tal, a que dá nome ao bar!
Será ela uma bandida mesmo? Naqueles termos que nos fazem arrepiar quando ouvimos histórias de antigamente, quando as coisas eram resolvidas “à bala”?
Hi! Eu falei antigamente? Desculpe, até parece que não li os últimos jornais de minha cidade, pois é, “este” antigamente, que estou falando, não ficou para trás, continua `vivinho da silva´ e encontrando muita gente pelos caminhos, como as balas que voam perdidas em ruas do Rio de Janeiro, ou as que voam bem orientadas aos peitos e costas de homens de minhas ruas, aqui...no longínquo e “pacato” interior.
Mas...voltemos ao Bar da Bandida. Eu passava por lá quando, de repente, a gritaria, uma correria danada se instalou em frente ao bar, barrando minha passagem. Virei espectador forçado, mas espectador.
Um povo segurava um homem, com uma enorme faca na mão. Parecia um touro furioso avançando porta a dentro. Grita de lá, segura de cá, pega, não pega... Olha, se não fossem as mãos e braços que o seguravam uma bela personagem desta história, a causadora dos chifres do tal touro, estaria devidamente velada até o final do dia.
Não é que o coitado, cansado do trabalho, no meio da tarde deu uma fugidinha ao Bar, queria tomar uns goles e olhar para a “Bandida”... Valia a pena, só de olhar já animava a vontade de viver, de tão bonita que era. Mas era uma bandida, pois não dava bola para qualquer um, se exibia e depois quem escolhia era ela e a escolha se dava pelo tamanho da bondade do bolso/carteira do indivíduo. Então veio o apelido “Bandida”.
Essa é um bandida boa, dizem eles. Ah! Que bandida, “quero que me mate algum dia” era o desejo de muitos homens da cidade. Que fogo bom!!!!
Quem sabe nosso amigo, o “touro brabo”, pensasse nessa possibilidade, ser morto por ela, nesta tarde iluminada. Mas, nosso amigo nunca esperava encontrar por lá a sua mulherzinha faceira, virada numa “bandida”!!!! Tomando uns goles. Não cobiçava a dona do bar, mas conversava animadamente com um “Bandido” que aparecera por lá. Tinha mesmo que puxar a faca!!!??? Tem chifre que dói!
Deu tudo errado... que dia para o marido fugir do trabalho, não é?
Ah! Qualquer semelhança é coincidência e mero acaso... Mas que existe uma bandida linda, ah isso existe!

Lucy Bortolini Nazaro
Palmas-Paraná

 

 

 

 

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