FÉNIX

 

 

Luiz Carlos Martini

 

 

FORÇA DO VENTO
Luiz Carlos Martini


A força do vento
Que dobra as árvores
E a mesma
Que desalinha teus cabelos
Derruba as folhas de outono
Machuca, arrepia o pelo

Que embaça o vidro da janela
E os dedos apontem
Um traço de coração
Com saudosa data de ontem.

O muro e a rua que não andam
Distraem-me, ainda que pouco
Espiando a contemplar
A atitude desse louco

E no recôndito desse quarto
Ouço um último sibilar
Derradeira rajada
Do vento que não irá voltar

Luiz Carlos Martini

 

 

 

Luiz Penha Pinós Bissigo

 

 

NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA
Luiz Penha Pinós Bissigo


Ela é nossa base
e com certeza tem classe.
Em minha vista,
nuvens densas aparecem
e sem qualquer aviso,
letras e letras,
sobressaem-se nas nuvens
formando um nome,
um nome o qual reconheço,
tem só três letras,
esse nome é pai.

Luiz Penha Pinós Bissigo
Porto Alegre - RS

 

 

 

Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros

 

 

PIOS DE BEMÓIS E SUSTENIDOS
Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros
Primeiro Lugar no Concurso de Contos da União Brasileira de Escritores de 2013 – Prêmio José Olinto


Absorto nas notas que tentava desenhar na pauta, o esquálido maestro não percebeu a chegada do passarinho.
Tratava-se de um modesto pardal suburbano, cujo discreto farfalhar de asas não atrapalharia a silenciosa confecção da harmonia, não fosse o mesmo pousar exatamente na tecla de um dó sustenido.
Ambos assustaram-se; o músico e a frágil criaturinha voadora. O pássaro, com o som do piano; o pianista, com o pio simultâneo do animalejo.
Os olhos do homem imediatamente dirigiram-se ao teclado, no exato instante em que outra nota se soltava: era um bemol; agora em si. Provavelmente esse indiscreto instrumentista eventual se interesse mais pelas teclas pretas – pensou. E elas eram - repetidas vezes - sutilmente comprimidas. A cada milimétrico salto, um novo som – sempre sustenido. E o animalzinho repetia, no mesmo tom, a nota executada. O pardal parecia fazer o contracanto de si mesmo. Era uma sequência melódica aparentemente aleatória que caminhava no ar e escoava pela sala. Monossílabos sonoros duplicando-se em notas e pios similares... polifonizando-se metafisicamente.
O músico estava embevecido, enquanto o pardal, saltitante, alternava – agora - as teclas brancas e pretas, mesclando graves com agudos, parecendo divertir-se.
Frenético como ele, o musicista começou a escrever o que ouvia; nem teve tempo para armar a clave de sol: semifusas, semibreves, mínimas, semínimas, colcheias, tudo se misturava num êxtase só.
Ambos pareciam conhecer-se há muito tempo. Muitos pássaros haviam pousado na varanda, e alguns até adentraram à sombria sala onde as sinfonias preenchiam vazios não apenas geográficos, mas principalmente sentimentais. Certa vez, um beija-flor ficou levitando bailados diante de um arranjo de flores de plástico, porém foram apenas alguns segundos perfeitamente justificáveis, entretanto a nova cena era inusitada e sublimemente inexplicável... como não havia percebido aquele pardal ? ...claro que não se tratava de um curió ou um canário belga... seria exigir muito de um bichinho sem casta que, a exemplo de alguns artistas, sobressaem por um talentoso autodidatismo, que nem sempre carece de arte final.
Mas a cena era real: havia um pardal tricoteando sons nas teclas de um piano !
Que oportunidade... era como se a ideia que não vinha cedesse lugar ao transcendental e mergulhasse aquele maestro e o passarinho num universo onde as estrelas fossem notas soltas sonorizando sensibilidades e iluminando os ermos de cada olhar de uma platéia embevecida.
Assim como veio, o animalzinho alçou voo, deixando como legado um último pio e o derradeiro som desenhado numa pauta manchada pela melhor das gotas de lágrima.
No dia seguinte, uma tênue brisa afagou cada uma das folhas do livro de música e as conduziu mansamente à janela entreaberta. Uma a uma, elas valsavam numa surreal coreografia de frente e verso, exibindo páginas em cujas trêmulas linhas as notas musicais bailarinavam surrealismos, parecendo sutis dançarinas sobre a leveza de um palco dourado pelas luzes do sol.
Então, elevaram-se com a mesma serenidade com que se soltaram, atingindo - placidamente - a amplitude azulada do céu.
Naquele mágico cômodo da casa. o inefável: numa ternura indelével, o rosto do esquálido maestro debruçara- se sobre o piano, enquanto os dedos da sua mão direita posavam para um flash imaginário, eternizando a formação de um derradeiro e único acorde de notas agudas... em sustenido.
...

Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros
Rio de Janeiro - Brasil

 

 

 

Madalena Müller

 

 

ADEUS DÁ MEDO...
Madalena Müller


... não aprendi ainda Adeus dizer,
mantenho-lhe em meu cantinho sagrado
e sorrio quando ele abre e deixa transparecer...
... um sorriso abundante que floresce
sabendo que de meu coração não irá desaparecer,
elevo meu olhar ao horizonte e mentalizo
o melhor que eu possa oferecer...
... que sempre permaneçamos no trajeto do bem
e que tenhamos muita paz no coração,
mantendo nutrida a esperança
em todo meio em elevada vibração...
... quando a ma fé desaponta num próximo
e a tristeza dilacerada teima meu inteiro tomar,
choro todas no tempo do chuveiro e sinto o mal
que vai esvaindo-se nas águas que estão a me purificar...
... viajo ao paraiso com meus pensamentos
e aos céus clamo a todos um belo caminho,
deito-me bem leve em meu reduto
e desperto serenamente feliz em meu ninho...
... ainda recolhida e já agradecendo o dia
e aos pássaros por sua radiante sinfonia,
abro a janela e fito o horizonte
almejando que todos estejam repletos de alegria...
... quando a dor atentar para sua'lma subir
seja como o tempo e deixe suas lágrimas esparramar,
na alvorada envolva-se nos reflexos dourados de nosso rei
e na noite flutue junto a luz prateada e permita-se sonhar...
... feche os olhos de mansinho e sinta a graça deste Universo,
suspire suavemente e mantenha a energia junto ao Senhor,
aspire o exemplo de sua infinita bondade concedida neste plano
e deseje a todos nitidez nos passos... por um mundo melhor!

Por mais que atentem não entregue as linhas do sorriso,
mesmo que por um instante de amor sua forma fora concebida...
... reflita-as ha muitos o quanto és merecedor de sí, mesmo que a esmo
e em cada ação por sua reação terás o nobre sentido da vida:
"Ame seu próximo como a si mesmo."

Madalena Müller
"... por um mundo melhor eu faço.Você faz..."

 

 

 

Maia de Melo Lopo

 

 

NINGUÉM
Maia de Melo Lopo


Ninguém beija os lábios em beijos prolongados na tua enrugada boca,
Tanta coisa viverias no segredo perdido, somente a paixão te arrasta,
Olhas o anseio da vida que chora, na tristeza nada ganhas a dor é môca,
Beijarem tua boca no vazio, ai, pouco para ti tudo vale na vil desgraça,
Joga á sorte o beijo na dose errada e o engano desvairado avisa, ameaça.

Desejo cruel arrisca vai em frente, a boca mente o beijar que não sente,
Ah desventura lamentável, ninguém te dá e o amor sozinho nada tem,
A morte fervente vem do peito, no aperto o coração rói a vida ardente,
Oh felicidade, infortúnio olhar o batom rosado, prazer, botão da boca,
Fechada padece a desdita, a marca confunde o destino, ficas só e louca.

Sem saberes onde vai o verso do amor, irás na fantasia, seres beijada,
Compreender que vai fazer sofrer, no frio o real desprezo tentas apagar,
Que ninguém beija o desabafo dos teus lábios, nem fingirás ser amada,
Na hora meigos braços sentirão pedaços, não apagues a memória de mim,
Se doce amor te resta, nem outra boca exista, lembra, nossos beijos sem fim.

Maia de Melo Lopo
Lisboa/Portugal.11

 

 

 

Marcia Kanitz

 

 

TURBILHÃO
Marcia Kanitz


No infinito
do meu querer
seu rosto,
uma escultura marcada
no meu pensamento.

As curvas do seu corpo,
o toque de suas mãos
desenhando
em minha pele.

Um turbilhão
de neurônios
traçando
nossos desejos.

Marcia Ruth Kanitz
Poesia é Arte..

 

 

 

 

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