FÉNIX

 

 

Olegário Venceslau

 

 

LAÇOS DE SANGUE
Olegário Venceslau


Quando eu morrer...
Não contem aos meus inimigos
Guardem em segredo consigo,
A notícia que a muitos alegraria.
Nem flores, nem velas,nem pesares
Ofertem na minha atroz partida
Somente aos meus poucos amigos falem,
Que venham -me ver, nesta última despedida.
Só levo uma saudade,
É das insanas horas de meus febris delírios,
Feito holocausto do próprio martírio
Perseguido pelo fantasma de um homem cego,
Vou-me embora para terras ermas
Dos imundos bosques, lançado na lama
É a alma de um pobre, que na escuridão clama,
Ébrio do próprio ego.
Permitam que eu leve comigo
Para moradas do além esquecida,
Lembrança de outrora vivida
Que para sempre enterradas jaz,
Neste sombrio instante de êxtase
Meus desgostos, soluços e gritos
Ecoem para muito além do infinito,
Saudades que não voltam mais.

Olegário Venceslau
escritor, poeta, membro da FEBACLA
Chã Preta/AL 02 de Janeiro de 2005

 

 

 

Onéssimo Curto

 

 

SAUDADE TAPERA
Onéssimo Curto


Bate a quincha do rancho
A garoa galopada
Sobre a mesa, já enxaguada.
A cuia pra o chimarrão.
Bato tição com tição.
Enquanto a cambona,
Aquece meu coração.

A seiva do mate amargo,
Desperta o velho gaúcho
Que no seu rancho sem luxo,
Vive a tropear ilusões
Sempre a matear nos galpões.
O mate é como uma prece,
Pra quem solito se aquece
Repontando solidões.

E na invernada dos sonhos,
Seus pensamentos reponta.
Nem ao menos se dá conta
E em matear solito, insiste,
Porque o mate o alimenta.
Enquanto a chama do fogo esquenta,
Essa tapera tão triste.

Onéssimo Curto
São Sepé - RS

 

 

 

Oliveira Caruso

 

 

TROVA REAL À ONÇA NEGRA
Oliveira Caruso


A onça negra mais parece
uma pantera mui bela.
A agilidade aparece,
buscando agressiva trela.

Oliveira Caruso

 

 

 

Paulo Roberto da Silva Franco

 

 

NA MEDIDA
Paulo Roberto da Silva Franco


A gente se cabe que nem mão e luva.
A gente parece cabeça e chapéu.
Quando fecha o tempo, somos vento e chuva.
Eu sou de você, como o vinho é da uva;
você cabe em mim, feito dedo no anel.

A gente se ajusta na medida exata.
A gente se encaixa feito pré-moldado.
Nós somos assim: um nó que não desata.
Se a gente se agarra, ninguém nos aparta.
Falar em amor é “chover no molhado”.

Nós somos farinha de um mesmo saco;
as duas metades da mesma laranja.
Na mesa de jogo, somos bola e taco.
Nos mares da vida, somos remo e barco;
“pisou” na avenida, somos renda e franja.

Paulo Franco
Rio de Janeiro - Brasil

 

 

 

Pedro Ely Oscar Noé

 

 

PAZ
Pedro Ely Oscar Noé


Paz me dá paz;
Amor me deixa em paz.
Quero paz para purificar o rapaz.
A paz não está morrendo nem agonizando;
a paz não está indo embora;
a paz está um pouco frágil
com o desamor dos homens.

Pedro Ely Oscar Noé
Porto Alegre - RS

 

 

 

Pedro Peruzzo Mibielli

 

 

SAUDADES
Pedro Peruzzo Mibielli


Tenho saudades do tempo
de minha infância.
Tenho saudades do tempo vivido
num imenso paraíso,
onde nada era perdido.
Hoje, a saudade me corrói
lentamente tal qual o passar do tempo.
Tenho saudade de momentos
marcados pelo tempo e guardados
em meu peito.

Pedro Peruzzo Mibielli
Porto Alegre - RS

 

 

 

 

Livro de Visitas