FÉNIX

 

 

Renate Leopoldine Gigel

 

 

ARAUTOS DA NATUREZA.
Renate Leopoldine Gigel


Adormecida a beleza,
como que por encantos embalada,
se espreguiça, lânguida,
Parece em deleite,
sabe-se esperada...

Em áridas terras
o primeiro sinal
é verde, pujante,
é vida, afinal!.

Por gelo coberta,
o sol a faz despertar.
Ressurgem ,frágeis,
a nos acenar...
Suaves aromas se espalham,
delicadas pétalas a desdobrar.
Rosáceas, alvas, farfalham
à brisa, em murmúrios cantar.

Primavera,
Nova era,
Que encanta!
Os sentidos aguça
Sonhos acalanta!
Renascer...

Renate Leopoldine Gigel

 

 

 

Ró Mar

 

 

“A ARTE”
Ró Mar



A arte mistura-se na paleta
E pincela-se na tela;
Nasce a obra, a aguarela
Que se inventa no seio do artista
E se cresce nas cores da vista;

Pelo sensorial consciente
Se deleitam as cores da natureza
Que amanhecem na tela
Que é a aurora d’arte;

São cravos, papoilas, lírios…
Uno momento,
Um campo de fogo e delírios;

Amarelos, vermelhos, violetas
E outros demais, quantas letras
Para soletrar neste fogo-de-artifício
À vida, quão belo oficio.

Unem-se os trovadores,
Os poetas, os artistas,
Os pintores…
Na paleta do pensamento
E se cresce pelo pincel o desejo…
Poesia, musica, pintura…o realejo;

As expressões de beleza
Que são a alma do artista
E o brasão de culturas_
_A ARTE, uma surpresa.

RÓ M
AR
Lisboa - 30-08-2013

 

 

Roberto Rodrigues de Menezes

 

 

LORELEI, A NINFA DAS ROCHAS
Roberto Rodrigues de Menezes

Sempre que o marido a chamava pelo nome de sonho, ela tinha que contar e recontar a lenda mágica!


No início do século vinte a baixada do Maciambu, em Palhoça, é uma região agreste, com pequena população que vive da pesca e da agricultura básica e familiar. Ali há um manguezal imenso, viveiro de vida marinha e silvestre, limitado ao norte pelo rio que leva o mesmo nome da baixada e ao sul pelo rio da Madre, cujo estuário divide hoje os municípios catarinenses de Palhoça e Paulo Lopes. Uma estradinha de terra sai da rodovia, ainda no alto do morro dos Cavalos para o sul, quando se pode ver as sinuosas curvas do rio Maciambu. Ali, na direção dos contrafortes dos montes, no inverso do mar, chega-se até o pequenino sertão do Maciambu, onde o rio desce as encostas com belas e cristalinas cachoeiras.
Naqueles tempos rudes surgiu na baixada um alemão da Renânia. Vinha só com sua bagagem e alugou pequeno quarto na casa de estilo açoriano do matuto Tomé, que ali vivia com a família de mulher e dois filhos. Como estava a casa próxima do rio, na bela vertente fazia o alemão as suas abluções, mantendo sempre a barba impecavelmente cortada e os louros e lisos cabelos penteados com esmero. Franz Binder falava até bem a língua portuguesa, entendendo-se de maneira simples e fácil com os nativos. Beirava os trinta anos, bem jovem ainda, alto, o corpo espadaudo e sem barriga, o que fazia suspirar as mulheres da vila. Ele, no entanto, nunca se engraçou com nenhuma, nem mesmo moça solteira e bonita, o que era motivo para comentários na bodega, único ponto de encontro além da ermida da Passagem, uma vilazinha próxima, beirando a praia. Talvez fosse um padre ou soldado fugido das pestes e guerras da Europa, ou mesmo fizesse parte daquela turma que não se interessava pelo outro sexo. Mas até isso ele nunca demonstrou. Pagava em dia o quarto que alugara e transformara aos poucos, melhorando-o e levando para ali plantas exóticas, flores, conchas da praia, que catalogava com esmero e cuidado. Dera até reforma na casinha do Tomé, o que deixou o nativo feliz da vida, orgulhoso por passar a ter uma das melhores habitações do lugarejo. O alemão conseguira de um barco que aportara na praia todo material de pintura que encomendara na capital. Telas, tintas e pincéis propiciaram ao rapaz passar dias na beira do rio, pintando paisagens em volta. Por vezes saía sem o material de pintura e depois de muito caminhar na estradinha que margeava o rio Maciambu, acomodava-se em uma pedra da margem, numa das curvas da vertente, onde se quedava a cismar por horas. Ficava a contemplar o cair das águas de uma cachoeira em frente, sentado na sua rocha, só saindo dali quando o sol começava a descer para as bandas do morro. Voltava, ia até a bodega onde se alimentava e tomava cerveja trazida da capital. Conversava bastante, fazendo logo amizade com os nativos, quando se dispunha a contar histórias de sua terra distante. Todos ficavam a escutar Franz, pasmos com o seu linguajar pitoresco pelo sotaque, mas de boa qualidade pelos conhecimentos de que dispunha. Denotava ter cultura e conhecimento da história e geografia do mundo. Intitulava-se pintor, naturalista e navegador. Solteiro na Renânia e filho único de pais falecidos, egresso de um curso de humanidades, resolvera se jogar no mundo e o acaso fez com que viesse dar naquelas paragens. Vivera um pouco em Salvador, na Bahia de Todos os Santos, mas não se acostumara com o clima por demais quente. Foi descendo para o sul, usando o mar como caminho, até aportar na bela e provinciana Florianópolis. E um dia lhe contaram sobre a beleza da baixada do Maciambu, suas matas, rios, praias, cachoeiras e montes. Talvez lá pudesse mitigar a saudade que sentia da bela Alemanha e seu rio Reno, de tantas histórias e tradições, navegável que era na maioria do seu curso, caminho líquido do desenvolvimento da Europa do norte. Vendera todos os bens na sua terra, pois após a morte dos pais não tencionava continuar lá vivendo. Sabia de conterrâneos que tinham vindo para o Brasil fazer a vida. Era o que também desejava fazer. Guardara o dinheiro obtido com a venda do patrimônio dos pais num pequeno banco na capital catarinense. E até lá seguia de barco algumas vezes, para retirar algo do que lhe rendia o investimento e continuar a vida. Assim logrou passar um ano na baixada.
E foi justamente num desses dias em que ficava com suas cismas na pedra do rio a mirar a cachoeira, que por ali passou Rosa, moça do lugar. Ela concluíra o curso de magistério na capital e retornara à vila para substituir dona Engrácia, já idosa, na escolinha isolada do lugar, que contava com as três primeiras séries do ensino básico. Era mulher nova e bonita, de tez branca, cabelos lisos e negros como a noite sem lua, corpo forte e torneado na pujança de seus vinte anos. Entreolharam-se, ele demonstrou interesse, pois não vira ainda na vila rapariga tão bela. Um tanto tímida, Rosa parou para cumprimentá-lo, enquanto o homem lhe mostrava a cachoeira em frente.
– Fê como é bonito!...
Ele disse isso com calma, quase sorrindo no seu português carregado, e ela acedeu com a cabeça, puxando da boca um sorriso doce. Neste momento Franz reparou melhor nela e pela primeira vez ficou em dúvida.
– O cachoerra é lindo, mas você...
Apresentou-se:
– Sou Franz Binder.
– Rosa, prazer... – ciciou ela um tanto vermelha.
Gostara do rubor da moça, que se despediu rápida e sumiu na curva. Vestia um vestido simples e justo que lhe realçava as formas bonitas, sandálias trançadas nos pés mimosos. O cabelo solto e longo ondulava ao sabor da brisa, o que deixou ainda mais maravilhado o alemão. Rosa morava bem perto, um pouco mais abaixo daquele ponto, e ele ficou sabendo que passava sempre, ao ir para a sua pedra, em frente à casa da moça, filha de Anselmo de Moura, açoriano que tinha rancho e canoa na praia, além de pequenas plantações de subsistência.
Quando rumava para o seu mirante no rio, Franz usava sempre uma mesma roupa. Camisa branca com lenço cinza imitando gravata, jaqueta vermelho-escura bem justa, que terminava na cintura, calças pretas que iam até os joelhos. Daí para baixo dois grandes meiões brancos e sapatos de fivela completavam a indumentária, muito estranha para os do local. Na cabeça, para se proteger do sol, tinha um chapéu de feltro com pequenas abas laterais, da cor da jaqueta. Era a mesma roupa que usara muitas vezes ao percorrer um rochedo numa das curvas do rio Reno, perto de onde moravam seus pais, na busca ansiada de Lorelei, mulher bela e misteriosa, sereia talvez, que aparecia à noite naquela rocha, tendo como veste somente os cabelos louros e longos, que lhe caíam até os pés. A ninfa do rio, com uma lira nas mãos delicadas, cantava maravilhosas canções, que deixavam em êxtase os marinheiros e navegantes. Não raro aconteciam naufrágios e mortes provocados pelo canto, que deixava loucos os nautas do rio. Franz procurara por ela, extasiado também pela história misteriosa e envolvente. Nunca, porém, alguém que a contemplara vivera para contar. Talvez a procurasse agora na cachoeira do rio Maciambu, tão longe da sua Renânia.
À noite lhe vieram os sonhos e Rosa sempre neles presente. Procurara tanto e somente viera achar a sua ninfa num canto agreste do mundo. E era real, não mito nem lenda. Mas ela, será que lhe devotaria o mesmo pensar?
A moça chega a casa. Não lhe sai do pensamento aquele galego estranho e bonito, de roupa ainda mais estranha, mas mesmo assim bonita também. Conta aos pais sobre o encontro. Anselmo de Moura, que já conhece o alemão de nome, fica preocupado. Percebe a filha um tanto entusiasmada. Será o moço bom partido? Não terá algum segredo? Não vai querer levar a filha para um mundo longe?
Na semana seguinte, vestido com a mesma roupa, Franz segue até a rocha. Antes de chegar, passa por Rosa na estrada. Toma coragem e lhe diz, já que estão sós.
– Fou até a pedra. Famos?
Ela continua rápida, sem dar resposta. Está próxima da casa dos pais. Franz a contempla por instantes e retoma seu caminho. Acha-a ainda mais bela. O verde da mata em volta do rio lhe parece estar de renovada cor e o Maciambu mostra suas águas maravilhosamente cristalinas. Por certo o céu se tornou mais azul, tingindo com perfeição os contornos dos montes.
Chega à sua pedra e não contempla a cachoeira como sempre fizera. A ninfa açoriana avulta em seu sonho, toma-lhe todos os espaços. Parece mesmo estar apaixonado. Quem sabe uma casa, uma esposa dedicada, filhos, talvez.
Uma hora se passa e nada da Rosa. Ele volta os olhos de vez em quando para a curva da estrada, na beira do rio. Retorna à cachoeira, que já não esconde a sereia das águas.
Um murmúrio de brisa acontece, ele novamente se volta e a vê, agora bem perto de si.
– Que bom fieste, – diz com um sorriso.
– Não devia, – cicia ela com os olhos baixos.
O alemão lhe toma as mãos geladas de susto e a faz sentar-se ao seu lado. A moça acede. Está com um vestido azul, da cor do manto da Virgem, justo até a cintura e rodado para baixo. A covinha dos seios bonitos se avoluma e parece querer sair do seu abrigo. Os cabelos longos, penteados com esmero, descem soltos até quase a cintura. Franz está mudo de espanto e felicidade. E por longo tempo conta à bela mulher a história de Lorelei, a ninfa do rio Reno de sua infância, que ele tanto procurara e amara em segredo. Chegou a se alistar na Marinha de seu país, para talvez vê-la de um barco de guerra. Mas não dera certo.
Rosa escuta encantada. Que lenda bonita para ser narrada a seus aluninhos. Por um longo momento eles ficam ali, enlevados, a escutar o barulho das águas que descem e se chocam com o cristal hialino da vertente. É quando ele desfaz o silêncio de encanto com uma pergunta;
– Posso te chamar Lorelei?
Rosa sorri, faz um sinal positivo com a cabeça. Suas mãos se procuram e se tocam. Ele chega a sentir a quentura perfumada da respiração dela. Quando Rosa volta a si do enleio, despede-se rápida do já amado galego e foge. Franz, tomado por um contentamento inaudito, deixa-a ir, sabedor que já tem assento no coraçãozinho da sua Lorelei.
E o tempo foi dando voltas na baixada, passando os dois enamorados a se encontrar no mirante da cachoeira do rio Maciambu. Franz contou a ela sobre a sua família alemã, os pais sepultados na Renânia, sua obsessão pela ninfa Lorelei, até resolver tentar vida nova no Brasil, como já tinham feito tantos patrícios, vindos na sua ingente maioria para o sul do Brasil. Rosa lhe falou da família, de seus sonhos de professorinha, um dia casar e ter filhos, como toda moça prendada. E nesses encontros começaram a compreender que a vida já não seria mais possível senão a dois. Cautelosa, a bela açoriana ainda não permitira ao ditoso germânico a ventura do primeiro beijo.
A noite desce calma, vinda das faldas dos montes. Rosa corrige cadernos sob a luz mortiça de um lampião, quando ouve alguém bater palmas em frente a casa. O pai na cozinha, tomando um aparadinho de café, vai até o terreiro e vê o alemão, vestido com sua roupa característica.
– Permite entrrar e falar senhor – pede Franz ao embasbacado Anselmo. Este dá o seu sim com um gesto e entram na sala, onde Rosa, muda de espanto e alegria, vê entrar o seu amado.
– Boa note, Lorelei – fala ele sorrindo e tirando o chapéu de feltro.
– Boa noite, Franz – responde ela suavemente, com o coração aos pulos.
Anselmo pede que a mulher venha com café para servir ao visitante. Já refeito, pergunta ao moço:
– Lore... o quê?...
– Lorelei, pai – atalha Rosa, – é uma lenda da terra do Franz. Uma ninfa do rio Reno, de rara beleza, que ele muito procurou.
– E fui acharrr chustamente aqui – disse ele, olhando para Rosa com expressão de amor.
O homem olha para o rapaz, depois para a filha. Ela se dá conta, feliz, que o jovem carregava nos erres, mas ao falar Lorelei não o fazia. Como devia ser especial para ele este nome.
– Lorelei é uma sereia de um rio alemão, papai, uma história bonita que Franz me contou naquela pedra da beira do rio, que ele sempre visita e todos comentam. Amanhã eu lhe conto mais.
– Herr Anselmo – reinicia o moço, – fim até sua casa pedir que aprrove comprromisso minha com seu filha. Como esposa. Tenho condições constrruir bom casa, comprrar terrenos, ter pesca e lavorra. Nós dois sócios.
– Esposa?... Mas não é muito cedo? O senhor a conhece bem? E tu, filha, o que tens a dizer?...
Ela perde de vez a timidez:
– Aceita, pai, que eu também gosto do moço.
A mãe de Rosa vem com o café. Escutara tudo e se maravilhara com a roupa e o garbo do rapaz. Conduz o marido de volta à cozinha, o que permite que os dois enamorados se abracem.
– Meu Lorelei!
– Minha marinheiro, responde ela brincando, a sorrir feliz.
Seus lábios se unem num longo e profundo beijo de amor, tantas vezes desejado e tentado pelo alemão. Ela também, em seu íntimo, ansiara por aquele momento mágico. Abraçam-se ainda mais, maravilhados com tanta ventura. Franz sabe que não precisará mais na vida procurar a ninfa Lorelei. Achara-a finalmente, não numa curva do rio Reno, mas em outra curva distante do rio Maciambu, na baixada, para os lados do sul do mundo. Ele presenteia a moça com um belo anel de rubi que trouxera da Alemanha, joia da família.
Vão até a cozinha, finalmente, e acompanham os pais da moça num cafezinho forte. Rosa, não cabendo em si de felicidade, mostra aos pais o cintilante anel em seu dedo. Seu Anselmo abre um licor de rum e eles brindam ao amor e ao futuro.
O moço, enfim, se despede. A noiva o acompanha até o portão da cerca, que o rapaz abre liberando a tramela. Beijam-se outra vez, agora com mais ardor e volúpia, os corpos colados projetando, à luz da lua, uma sombra somente. Franz a quer tanto, que decide apressar tudo o que puder para tê-la finalmente sua.
Alguns meses depois, a capela da Enseada de Brito, distrito a que pertence o Maciambu, se enche de flores para dar passagem ao matrimônio do galego e sua bela noiva. Franz mandara fazer casa nas terras que comprara ao lado do terreno do sogro. Irão negociar com pesca e agricultura.
E dizem os descendentes dos nativos da baixada do Maciambu que nunca se viu, naquele lugar, casal tão unido. Franz se dedicava à pesca e à lavoura, administrando o trabalho de vários empregados. Ela continuou a dar as suas aulas para as crianças da vila. O único e adorável problema é que o galego nunca a chamou pelo nome de batismo. Seria para sempre a sua Lorelei.
Rosa não se importava. Gostava até de ser comparada à ninfa encantada do rio Reno. No fim das contas, Lorelei era ela própria e estava convencida disso. Mas, sempre que o marido a chamava pelo nome de sonho, e se alguém ouvisse, ela tinha que contar e recontar a lenda mágica. Enquanto isso, apesar do trabalho com o sogro, o galego ainda continuava a pintar belas aquarelas, sempre interessado em plantas e flores, que tornavam sua casa mais bonita e invejada.
No cartório e na igrejinha da Enseada, Franz desistiu que a esposa tirasse o nome Rosa da certidão de casamento, por compreender que tal desejo poderia magoar a amada e os pais. Mas, como o cartorário da Enseada de Brito era aparentado com o seu Anselmo e o padre muito amigo, passou ela a se chamar Rosa Lorelei de Moura Binder.
E construíram sua vida felizes como poucos, tendo filhos e netos na baixada do Maciambu.

Roberto Rodrigues de Menezes

 

 

 

Robinson Silva Alves - Hiatos

 

 

O POETA
Robinson Silva Alves


Choras, ó poeta, o amor perdido
Transformas em palavras todo o seu sofrimento
Faz de cada verso uma lágrima tua

Sofres, ó poeta, a tristeza do abandono
Revelai em seu poema a dor de uma paixão
Paixão esta, que lhe deixou na ilusão

NÃão consegues disfarçar toda a sua tristeza
Não achando a vida
Transforma em poesia
A dor desse amor

Mostre, ó poeta, a tristeza com versos amargurados
Palavras ao acaso
Poesia sem fim
Poeta, o amor é assim

Sentimento difuso, dor profunda,
Sonhos de paixão, doce ilusão,
Palavras desconexas, dúvidas constantes,
Versos ao vento, paixão alucinante,
Coração acelerado, vidas sem rumo

Por isso choras, ó poeta
A dor da solidão.

Robinson Silva Alves
Coraci-BA
Concurso de poesia de Coaraci 1998- 3º lugar
Antologia Poética Mogi das Cruzes 2008

 

 

 

Rodrigo Nunes Camargo

 

 

MEU OLHAR
Rodrigo Nunes Camargo


Meu olhar se deslumbra
ao ver seu rosto
me traz boas lembranças
lembro do teu corpo

Cada sorriso teu
me faz delirar
e hoje o que eu sinto por você
só sabe aumentar

E a dúvida que eu fico
é se você sabe
me amar

Espero o teu olhar
e não tenho a dúvida
que um dia vamos nos reencontrar.

Rodrigo Nunes Camargo
Porto Alegre - RS

 

 

 

Rosangela Aliberti

 

 

NO ALTAR DO SOL
Rosangela Aliberti


Para quem serve
uma nova explosão,
no céu no breu
após transportar
elefantes?

Do que serve
rios de lágrimas
de pássaros de fogo,
à quem não se deixa
curar as chagas?

Na Terra de gente
esquecida...
há quem não valorize
a própria história
não valendo o prato
em que comeu.
Nove vezes entre
canela sálvia e mirra
dançando nas chamas
da pira
nas cinzas da morte
morrida...


uma entre outras,
-pesarosa artista -
sacrificando a sua plumagem
vermelha, branca
azul dourada
nos restos
desta progenitora
roxa
ressurge no segundo
vindouro
a CORAGEM de
Ave Paradisíaca.


Rosangela Aliberti
ago/2013

 

 

 

 

Livro de Visitas