FÉNIX

 

 

Shirley Amélia Pires Teixeira

 

 

NO PASSADO
Shirley Amélia Pires Teixeira


As minhas lembranças...
Que estão no meu passado,
São as histórias de crianças...
São os contos que relato e escrevo.
São os fatos de meus dias de no passado,
Eu os pude viver e me pertencem...

São ocasiões que tive a felicidade
De conviver com meus pequenos animais.
São retornos que voltam a minha mente,
Para não esquecer jamais,
O que eu vivi no passado.

Shirley Amélia Pires Teixeira
São Sepé - RS

 

 

 

Silas Correa Leite

 

 

SUPREMAS LEIS DA VIDA SOBERANA
(A Lista do Silas)
Silas Correa Leite


Primeira Lei:
Viemos do Amor. O amor é o fogo aceso de tudo que há. Quando nascemos já havia o amor de Mãe nos cuidando como seres puros. Isso significa que o amor é, literalmente, pau pra toda obra.
 

Segunda Lei:
Nada é por acaso. Nem chegar antes e nem chegar atrasado. Somos, em nós mesmos, as testemunha de defesa e também concomitantemente de acusação contra nós, nossos princípios, metas e realizações. O que nos atrai, nos trai. O que repudia, apura, depurando. Isso significa que tudo é para sempre nos prós e contras, e somos feito das somas boas e sofríveis disso.
 

Terceira Lei:
Nascer e morrer é só um fechamento ulterior de círculos sígnicos em nosso quadrado e redondezas pertinentes, aquém e muito além de nossa casinha ninhal. O entorno é lição de ser ou de não ser, referencial, portanto, de estigma e contemplação prestimosa, que numa soma é levitação. O que significa que a esperança é a inteligência da vida.
 

Quarta Lei:
Tudo só acaba quando termina, simples assim. O irevir é refinamento, acomodamento de placas antes açodadas. Todos serão perdoados, quando todos os ponteiros forem ajustados, no amor e na dor, perdendo lastro e firmando rastro cósmicos, quando seremos arrebatados na ceifa para um futural campo de lavanda muito além do vale da sombra da morte. Isso significa que viver é jóia rara, espiral, silo, hangar e cisterna, comprova também que sobreviver é rima rica com celestidades, evoluir é vencer a nós mesmos, apurando gume, pontaria e refinamento entre rochedos, paredes, muros, sargaços e marés contrárias, assim na terra como no céu.

-Que a belezura que há em ti, em luz, energia e busca, se revele realmente em esplendor existencial de soberana conquista clarificada
-Que a beleza angelical que é tua te revele sagracialmente em ti
-E que o mim em ti seja a consagração do nós, todos por todos, todos por um, de assim e por isso mesmo nos amarmos uns aos outros

Silas Correa Leite
www.portas-lapsos.zip.net

 

 

 

Silvino Potêncio

 

 

ALI... NA BEIRA DA PRAIA!...
Silvino Potêncio


- Ali na beira da praia,
...onde a onda se desmaia!...
Falente de emoção,
- como a cantar a canção,...
Da Lua... que lá do alto,
- gira-mundo em sobressalto!
Dia e noite sem cansaço,...
Ela se deita naquele regaço!!!...

Da praia que me faz saudade,
Dos tempos da tenra idade...
Onde o amor não tem preço,
Nem sequer a cor eu conheço!

Das nuvens que ali me cobrem, de beijos...
Ali na beira da praia... Eu mereço!!!...
Que até, de mim mesmo eu esqueço!
Do Sol da cidade escaldante, em desejos...
E da tua silhueta sem turbante,...
Vai fundo, que eu sou teu amante!...

Ali na beira da praia,...
É onde a areia se aquece!...
- Onde a memória me enriquece,
Por dentro este baú de saudade.
Do tempo da tenra idade, em que tudo era vontade,
De amar!... de cantar!,... de espraiar... os sonhos do meu olhar!

Este calor de “ófurô”,
Que aflora e diz ser o teu amor,
Que se esvai, e que se apaga... nas ondas do teu estertor!

Ali na beira da praia, onde a onda se desfolha...
Se enrola... e se desdobra, qual languidez feito cobra,
Por entre os poros e pêlos, que cobrem todos os zelos!...
- Que me chegam de cá de dentro,
Do peito, e da minha obra!...

Qual morada da Sereia que ali,...
- Ali na beira da praia,...
É onde a onda se desmaia...
Castelo de Areia eu levantei, em pensamento,
- É... onde eu vivo este momento!

(IN: “Poesias Soltas”)
Silvino Potêncio
Natal/1980
www.silvinopotêncio.net

 

 

 

Sofia Ramos

 

 

TEMPO
Sofia Ramos


tempo
este da orquídea
que espreito e nunca vejo
Asa de segredo
quando se moveram as tuas pétalas
neste enredo? do meu olhar
parado e aberto ao mais simples
gesto do teu dorso de veado
róseo
tão lento e alado de silêncio
estás
tempo

Sofia Ramos

 

 

 

Sylvia Cohin

 

 

DESCONFIANÇAS...
Sylvia Cohin
(Para Vera Mussi)


Desconfio
Que vivemos fases semelhantes por vertentes distintas,
mas não ousamos confessar porque admitir machuca.

Desconfio
Que poucos, muito poucos entenderiam o contorcer de um
coração a gritar, no âmago, sem, contudo, conseguir extravasar.

Desconfio
Que ficamos paralisados, enquanto os pés querem fugir.
Que ficamos mudos, porque não sabemos dizer, e, ainda que
conseguíssemos, de nada valeria porque seria Nada para o mundo,
e guardado no peito, é Tudo.

Desconfio
Que estamos em xeque-mate, sem tabuleiro. Em confronto,
sem guerra. Entre o silêncio das certezas e o alarido das dúvidas.
Campeando raios de Lucidez, deixamo-nos levar sem emoção,
sem apegos, rumo a nova dimensão, bravamente serenos,
singrando o horizonte das Revelações.

Desconfio
Que já não há poesias porque somos a Poesia feita história,
rastro de trajetória, e com a coerência de quem não sabe,
mas pressente,
desconfio que paramos numa encruzilhada,
a escolher um rumo onde ancorar:
Passado? Futuro? Presente?

Desconfio
Apenas desconfio dessa vida, sempre um desafio,
desse cansaço estéril, e ainda que essa longa estrada acene Auroras
que não se cansam de apagar as noites, cumprimos cada etapa da
viagem que nos cabe, sob o olhar clemente da Eternidade.

Sylvia Cohin
12 de fevereiro de 2012

 

 

 

Tânia Diniz

 

 

DESAMOR
Tânia Diniz


Ela vinha contente contar-lhe as novidades. Ele, preocupado, pedia para esperar um pouco. Ela esperava, o pouco passava e ela se esquecia. Nada contava.
Novos acontecimentos, vem ela contente, querendo falar.
Ocupado com a tv, ele pede para esperar.
Ela, calada, espera, até se esquecer.
De novo vem ela querendo contar, e ele agora está lendo, pede pra calar. E ela, calada se vai, pra mais esperar.
E quando chega o tédio, sem problemas ou lazeres, querendo se animar, ele a chama contente, e pede pra contar. E ela, atônita, tentando lembra, descobre, infeliz, que já não sabe falar.

Tânia Diniz

 

 

 

 

Livro de Visitas