FÉNIX

 

 

Vitor da Rosa Martins

 

 

AO ENTARDECER
Vitor da Rosa Martins


O sol se põe;
A luz se vai;
A cidade não é mais a mesma;
Ninguém se importa.
Tudo muda ao entardecer.
A escuridão toma conta;
É cada um por si,
Sem pena nem perdão.
Vou voltar para o meu quarto;
Na minha imaginação,
Nada está errado,
E tudo se mantêm
Assim até o dia clarear.
Nada faz sentido para mim,
Até o sol nascer de novo,
Até você voltar para mim.

Vitor da Rosa Martins
Porto Alegre - RS

 

 

 

Vítor Manuel R Tomás

 

 

DEITO MEU ROSTO
Vítor Manuel R Tomás


Deito o meu rosto
No teu colo nu.

Percorro a tua púbis
sugando o sexo
que nela se esconde.

O teu tremer...
O meu tremer...

Unem-se fluídos
Contraem-se corpos
Na paixão louca
De um querer ardente.

Enebriam-me os odores do teu sexo húmido
De prazer
De paixão.

Deito o meu rosto
No teu colo nu e fico teu
Eternamente.

Vítor Tomás
Agosto de 2012

 

 

Walter da Silva

 

 

TRADIÇÕES, CONTRADIÇÕES (114)
Walter da Silva


Anos se vão quando pude conhecer a África. Não a negra, aquela aonde poderei desembarcar qualquer ano desses. Refiro-me aos três países setentrionais: Marrocos, Argélia e Egito. E é sobre o último que me deterei nestas linhas. Apesar de tê-los conhecido em épocas diferentes, estive na cidade do Cairo nos anos oitenta, durante o governo de Anwar Al Sadat. Coincidentemente, tivesse estado por lá uns meses depois e já não teria ouvido falar mais dele, executado num palanque no dia 06 de outubro de 1981. Eu estava num hotel em Fortaleza, a serviço, quando vi no noticiário noturno a forma brutal do assassinato. Estarrecido assisti a um membro da diplomacia ter o braço arrancado pelas balas de metralhadora do inimigo. O massacre fora perpetrado pelas forças contrárias ao regime, por muçulmanos inconformados. Anwar Al Sadat, militar eleito democraticamente depois do governo de Gamal Abdel Nasser, havia recebido recentemente o prêmio Nobel da paz.

Tal comenda fora resultado de um encontro na Casa Branca, entre o presidente Carter, Menachem Begin e o próprio Sadat. O israelense também foi agraciado ao mesmo tempo, por conta das negociações de paz. Paz; nos dias atuais, esse termo apenas adormece no dicionário egípcio e em todo o mundo palestino. É muito mais uma intenção do que uma atitude explícita e bilateral. O Egito, um dos países mais antigos do mundo, ainda pratica em pleno século vinte e um, procedimentos arcaicos, tendo como décor um modelo aparentemente teocrático, com uma camuflagem de democracia representativa. O processo político praticado tem se distanciado cada vez mais de um consenso ou de um pacto em que todos, religiosos e leigos, possam conviver pacificamente ainda que de cara amarrada.

O que o mundo assiste atualmente é à desintegração do regime, ao esfacelamento da política e ao aniquilamento de seres humanos. Tudo parece indicar que tão cedo a poeira baixe e o tiroteio arrefeça. A menos que alguém, mais ágil e sábio que o gatilho, ofereça uma sugestão negociada que satisfaça o governo itinerante e as forças do governo anterior, na figura do general Mursi, detido e escondido em lugar não sabido. As forças do governo atual e seu exército beligerante, não dão trégua nem perdão aos manifestantes aliados do governo eleito. A cena assemelha-se a um replay do que vem sendo desde os tempos de Faruk (1920/1965), o último rei do Egito. Para se libertar de uma monarquia, fez-se “necessário” se optar por um tipo de democracia em que se coloca no poder alguém que seja adepto de deus e do diabo simultaneamente.

Para disfarçar esse tônus de governo teocrático, entra em ação uma manobra que já se entranhou em outros países do imenso continente africano. A fome de poder é insaciável e por certo insértil entre as correntes políticas cujo principal leme é o ensinamento arcaico e apolítico do Corão. Curioso nisso tudo é que, da mesma forma em que a grande maioria cultua as fatwas inventadas por Maomé, o instinto de intolerância os faz levantar de sua persignação à Meca e manusear armas ultramodernas de destruição mútua.

O homem-faraó inventor do monoteísmo que hoje se espalha mundo afora, não foi capaz de prever o que sua invenção viria proporcionar três mil e quinhentos anos depois. Se a história não consegue mentir, o velho Aquenáton*, ou Amenófis IV, ao se cansar do Olimpo egípcio, imaginara que apenas um deus seria o suficiente para apaziguar mentes e corações.
Ledo engano. Sem querer generalizar e fazer julgamento precipitado, resta-nos saber até quando o humanismo contemporâneo vai suportar e assistir perplexo e impotente, ao que um bando de fanáticos destrói em poucos dias o que não se conseguiu construir em alguns milênios.

* Faraó que reinou aproximadamente 1369 anos antes desta era.


Walter da Silva
Camaragibe-PE
23.08.2013

 

 

 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

 

 

AONDE MEUS OLHOS NÃO ALCANÇAM
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer


Aonde meus olhos não alcançam, está o amor que almejo.
De serenidade se compõe e, por vezes, decompõe-se em abundantes lágrimas.
É a saudade da paz que me visita, da segurança, do olhar...
Do sentimento represado que se confunde, aturdindo até mesmo o mais sensato dos seres.
Lá, mora minha utopia...
Que buscarei custe o que custar mesmo que jamais encontre.
Enquanto isso percorro os sonhos e o vejo em todos eles.
Marca registrada das sensações que desejo, estás sempre a sorrir, oferecendo-me a mão, o colo, a vida.
Em alguma circunstância, nada precisa, tu estarás a me ofertar rosas.
Delas exalarão o perfume do amor que espero...
Etéreo, profundo e de certa forma idealizada.
Será o que és, seria o que de ti preciso!
Lá, moram todos os sonhos de simplicidade que constituem minha essência.
Aqui moram os sonhos: distantes... efêmeros... Todos a esperar por Ti.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

 

 

 

Wilson de Jesus Costa

 

 

POEMA TRISTE
Wilson de Jesus Costa


O viver é triste,
O poema é triste
A moça não está na janela
O menino não mais corre atrás da bola
A esperança é só desesperança
Restou uma lágrima, uma saudade;
Foi um triste amor que veio e foi
Como as folhas que o vento leva
Definhando a vida, deixando tristeza;
A tristeza é triste e sendo triste, entristece!
Deixando tudo ficar cada vez mais triste;
O viver é triste,
O poema é triste
E a moça voltou para a janela
O menino corre outra vez atrás da bola
Mas a esperança não voltou, ficou a desesperança,
A saudade fez verter outra lágrima... e mais outra!
Mas o amor não voltou e se foi para sempre...
Não existe mais vento, as folhas não caem,
Em compensação a saudade que fica, ficou.
Tristeza é tristeza e é cada vez mais triste
O viver é triste
O poema é triste
E eu estou cada vez mais triste..

Wilson de Jesus Costa

 

 

 

Yara Nazaré

 

 

NA RODA DA VIDA!
Yara Nazaré


Na roda da vida
Roda, roda a lira
Da canção a tocar
E na roda da valsa
Simples lembranças
Insisto em recordar.

Roda, roda e resguardo
A serena e alegre figura
Da menina sonhadora
Que consigo lembrar.

Na roda da vida
Sementes de alegria
Procuro cultivar
E na roda da vida
Persevero e consigo
Na reviravolta fazer
A tristeza desaparecer
E de boas lembranças
Meu coração abastecer!

Yara Nazaré
14/11/2002

 

 

 

 

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