FÉNIX

 

LOGOS Nº 5

Novembro 2013

 

 

Geraldo de Azevedo

 

 

A MINHA AMADA
Geraldo de Azevedo

 
Hoje inicio um novo dia
Serei outro e te amarei com um amor infinito,
Tu serás a minha musa imortal,
a quem entregarei minha alma e meu amor!
Minha vontade é a tua! E meu destino o teu,
És a minha Deusa! Teu desejo é o meu
e nem um só minuto e nem um só segundo
deixarei de seguir-te aonde quer que tu fores.

Seja a trilha coberta de espinhos ou flores,
te aureole a fronte a glória e te sirva de riqueza
ou vivas no abandono e sofras na pobreza.
Creio na tua força e no teu pensamento

Faço dela um arrimo, e tenho nele o alento
da única razão que dirige meus atos insensatos.
Orgulho-me de ser a matéria plasmável
onde o meu gênio inquieto, nervoso, e teimoso,
há de criar uma obra à tua semelhança!

Tudo é novo é belo para mim, e tudo prende e atrai,
Junto a ti sou feliz e me sinto uma criança,
fascinado e atraído pela tua palavra alegre e doce!

E se me falas da vida ou se o mundo desvenda
os palavras que ressoam na alma como ecos ,
de um botão de rosa que se abre a uma gota de orvalho.
Há em tudo uma nova vida! Há em tudo um novo horizonte!

Tantas vezes te ouvi! E sempre o mesmo espanto quando
tu me dizias, que era tarde, era a hora de dormir
e que te ias embora... Muitas vezes, deitado,
eu rezava baixinho uma prece para o meu amor.

Com os teus cabelos farei a rede
Onde adormecerás feliz, imaginando,
Que é a noite que te embala sussurrando;
E com meus beijos de amor matarei tua sede,

Edificarei com os meus braços o ninho amoroso
Em que terás de volta o desejado amor;
A acariciar de leve os teus cabelos,
meu coração mais forte há de pulsar...

Quando o sol iluminar a copa das árvores ,
Com o meu corpo farei sombra para o teu,
Eu te darei o mais terno carinho
como o vento que sopra de mansinho
E se sentires frio, em meu corpo terás calor!

O amor é uma febre e a saudade uma doença.
Não te rias, - Dirás que digo bobagens,
mas se entenderes tudo, ou se sentires a alegria
que eu sinto ao te falar assim, talvez não rias, meu amor.
E que as lágrimas de ontem, enxuguem-se ao calor
de meu infinito amor.
 
Geraldo de Azevedo
 

 

 

Gilberto Lima Siacsa

 

 

POR ONDE ANDA A ESCRAVIDÃO
Gilberto Lima Siacsa

 
Vou ver o que nunca consegui ver
Sei que vou atrapalhar muita gente
Mas não importa, se tenho que partir!
Vou ver e escutar o tom de tudo e perceber
A escravidão que ainda existe no meu mundo e na minha aldeia
Terei a honra e o prazer de denunciar a escravidão
Elas ou eles saberão responder o que já sabiam e nunca responderam!
Mas não importa o que fazem ou deixem de fazer
A escravatura existe!
O dinheiro anda com a sua voz alta e até voa!
Mas não importa a denuncia para alguns...
A escravatura veio para ficar!
Enquanto a demo-cracia figura só no papel e na mente de aqueles
Permanecerá a escravatura nos becos e nos altares!
Será que sou escravo de quem não merece ser eu seu escravo?
Deus me livre! Ou serei escravo de quem merece, ou deixarei de ver o que nunca vi a escravidão na minha terra!
 
Gilberto Lima Siacsa
28 de Outubro de 2013 11:35
 

 

 

Gilberto Nogueira de Oliveira

 

 

A ARMA NOSSA DE CADA DIA
Gilberto Nogueira de Oliveira

 
O poeta está armado...
Disse ele empunhando uma caneta.
O pintor está armado...
Disse ele empunhando um pincel.
A policia está armada...
Disseram eles, combatendo o povo.
Chegou a tropa de choque,
Abrilhantando a desgraça.
O camponês está armado...
Disse ele empunhando uma foice.
O operário está armado...
Disse ele empunhando um martelo.
O povo está armado...
Disseram eles de encontro à esperança.
O governo está armado...
Disseram eles promovendo o terror.
A desgraça brilha na praça.
O povo de encontro à desgraça.
E a desgraça brilha... na praça.
 
Gilberto Nogueira de Oliveira
Salvador/BA/Brasil
 
 

 

Glória Marreiros

 

 

PALAVRAS
Glória Marreiros

 
Palavras não ditas esquecem amores
E laços tecidos com algas do mar.
Só ficam lembranças daquele lugar
No eco da noite faminta de alvores.

Sucumbem no céu os reflexos das cores
Que doiram ocasos de tom singular.
Os sonhos tecidos na luz do luar
Parecem jardins suplicando mil flores.

Palavras de amor: coração que palpita
No peito onde a alma, com sede, se agita
Na chama do corpo que acende e não arde.

Se chegam na nuvem pesada e sombria,
Trazendo vislumbres da hora tardia,
Talvez o destino lhes diga que é tarde…
 
Glória Marreiros
 

 

 

Glória Salles

 

 

DESCORTINANDO SONHOS
Glória Salles

 
De dentro de mim os laços, desfio.
Descortino os sonhos, canto a rima.
Caçando com sede de sobrevivência
Ânsias que a vida molda e repagina.

E se os massacrantes dias são de espera.
Fartos de palavras tortas, sem calor.
De falas sem ênfases e entrecortadas,
Ciclos não rematados, silêncio devastador.

Então o sonho chega solto, sorrateiro.
Vestindo de ilusões os dias vãos.
Arrastando pra bem longe o desvario.
Embalando meus versos, hoje sãos.

É árvore centenária, viçosa e frondosa.
Deu ao poema represado, fala forte.
Refletiu dos dias verdes, todo o viço.
Hoje os rios dos meus sonhos, já têm norte.
 
Glória Salles
 

 

 

 

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