FÉNIX

 

LOGOS Nº 5

Novembro 2013

 

 

Lauro Kisielewicz

 

 

PRECIOSO INSTRUMENTO
Lauro Kisielewicz

 
Levíssimo instrumento,
poderoso armamento
de inofensiva aparência
tendo por excelência
um formidável e inesgotável
conteúdo de novidades...
Descrevendo a vida,
descrevendo o coma,
fala em qualquer idioma,
com destreza faz e desfaz,
declara-se a guerra,
assina-se a paz!
Muitas vezes decidiu
o destino de nações,
tem poder mais devastador
do que juntos, mil vulcões!
Seja com garatujas
ou com escrita gótica,
faz poema sacro,
faz poesia erótica...
Descrevendo fatos,
narrando a história,
sem momentos de glória
em tudo está presente
calada e silenciosa,
a tudo é indiferente
e tudo descreve sabiamente...
Alguns a chamam de pena
pois da pena ela nasceu;
foi-se aperfeiçoando,
a todos nós ensinando,
definindo novas modas
ou desenhando com leveza,
traços de rara beleza
e despeja ainda por cima
frases e palavras com rima
que se tornam poesia.
Nessa mesma caligrafia,
define também a sorte
no corredor da morte
onde escreve a sentença...
por meio dela se absolve,
com uso dela se condena
e no giro da ampulheta,
perpetua-se a caneta,
como objeto de altíssimo valor
pois por ela é que hoje temos
a Divina Palavra do Criador,
e também de Jesus Salvador,
e de toda sua obra de amor!
 
Lauro Kisielewicz
17/09/2003
 

 

 

Ligia Tomarchio

 

 

HÁ CORES?
Ligia Tomarchio

 
Será que há cor para definir
o desamor
amor dorido
árido
coração partido
estilhaços transparentes
silente soluçar escondido
vão, oco...
pálida alma perdida no deserto
alada, não deixa pegadas
desprendida, no abandono
sem dono
cor, odor... nem é flor...
pálida paixão desterrada
sem chão, onde pisar firme?
sem marcas, deixarei meu perfume?
e o lume das estrelas dispersa
qual será meu lugar
esgar de solidão
rejeição, abandono...
quais as cores do desamor?
lágrimas insípidas escorrem
qual cascata na aridez da vida
dividida, mesmo sendo dádiva
cinza ou roxa é sua cor...
eu e você
sangue a escorrer no mar vermelho...
devaneios na madrugada
criada dos poetas
sitiada pelos amantes
entediada como cavaleiros da morte!
 
Ligia Tomarchio
 

 

 

Linda Silva Quintino dos Santos

 

 

VENHA
Linda Silva Quintino dos Santos

 
Venha,
Me ame com calma,
lentamente,
explore meus esconderijos,
delicadamente.

Venha,
Sem se anunciar
Me ame de repente.
Com as mãos indecisas
Tateie minhas costas
calmamente.

Venha,
Me crave os dentes,
me marque a pele,
se aposse do meu corpo,
furiosamente.

Venha,
Me arranhe o ventre.
Se perca nos meus braços
e durma em meu corpo
os seus sonhos...
 
Lin Quintino
 

 

 

Lino Vitti

 

 

DOIS EXTREMOS: A CRUZ E A FORCA
Lino Vitti

 
A tarde se cobria em trevas e tristeza
envolvendo de dor homens e natureza,
envolvendo de luto a terra criminosa.
Agonizava um Deus numa cruz tenebrosa,
na companhia atroz de dois pobres ladrões.
Era a tarde da Morte e a tarde dos perdões.
“- Perdoa-lhes, Meu Pai, não sabem o que fazem,
seus toscos corações em mil pecados jazem!”
Que grandeza divina, oh! que perdão sublime
que desfecho feliz para o ódio, ou o crime!
Ouvir do alto da Cruz a palavra que salva,
Ouvir de uma colina, escalavrada e calva,
essa voz divinal a perdoar os pecados,
dos míseros mortais à dor escravizados.

E enquanto a luz do sol morria no horizonte
morria uma Outra Luz na cimalha de um monte!

Morria? Oh! não! Um Deus não morre nunca,
jamais pode findar um Deus à garra adunca
da Morte! Foi somente um sono passageiro,
da Eternidade foi um segundo altaneiro.

O suplício da Cruz foi um abraço imenso,
desceu do Céu à Terra, um celestial incenso:
o incenso do perdão, santo incenso do Amor,
o Calvário era, então, luzente e almo Tabor.
Para lá se voltava o ansioso olhar do mundo,
nesse extremo momento feroz e iracundo,
em busca da Verdade, e a Paz do coração,
o Gólgata a luzir fulgores de Perdão,
uma Cruz a espargir da Vida o Amor fecundo,
uma Cruz a abraçar a imensidão do mundo!

No outro extremo do Monte Sacrossanto
reinava o desespero – esse tétrico manto –
envolvendo o traidor Apóstolo de Cristo
a quem dera também o signo de benquisto.
Ao invés de uma Cruz, uma Forca terrível,
balouçando ao sabor de uma corda insensível!
O vento a assobiar tragicamente canta
a elegia da corda apertando a garganta
do apóstolo infeliz, tão ingrato e infeliz,
que de Deus o perdão desprezou e não quis.

Uma Forca e uma Cruz, dois símbolos de morte,
ambos a conclamar enigmática sorte.
Patíbulo de Cristo, a Cruz trouxe o perdão,
a Forca traz, porém, dura condenação.

No extremo de uma Cruz sucumbe a Imensidade,
no extremo de uma Forca, acaba a falsidade.
Frente a frente estão dois extremados destinos,
um apenas Amor, outro só desatinos.
Do Calvário, a fulgir, brota a Luz santa e pura,
Da Forca brota o horror em forma de criatura.

No topo, grande Cristo, o instrumento sangrante,
se fez, ao receber-te, um opróbrio triunfante,
enquanto o rude galho onda a corda balança
é o símbolo fatal da vil desesperança.
Extremos que jamais se tocarão, porque
unirem-se Ódio e Amor, na vida não se crê.
A traição e o Perdão repelem-se, são polos
criaturas que jamais terão os mesmos colos,
jamais se encontrarão do mundo no vaivém,
porque a Traição é o Mal, porque o Perdão é o Bem.

“Melhor fora jamais haver você nascido”
disse Cristo ao Traidor, e “embora arrependido,
não poderá aceitar o meu perdão divino.”
Que desdita infernal, que terrível destino!
“Seguidores terá, no entanto nesta terra
homens que trairão, homens que farão guerra.
Florirão as traições e muitos seguidores,
palmilharão a estrada estulta de seus passos.
Muitos adorarão o dinheiro e os favores,
muitos pedras darão em lugar de dar flores,
como os homens, darão os traiçoeiros abraços.”
 
Lino Vitti
 

 

 

Lúcio Reis

 

 

SEPARAÇÃO
Lúcio Reis

 
Agora que seu beijo me tirou o fôlego
Que suas caricias desligaram a luz do mundo
Perdi a noção do tempo e nem sei mais quem sou
Vago sem destino com a marca do seu carmin
Perdido, sem bussola e venda no olhar
Olho sem enxergar cada estrela entre as nuvens
Como fossem seus olhos a cintilar
No compasso de uma canção de romântica
Com poemas de carinho, e longo abraçar
Estendo minhas mãos e tento de alcançar
Porém, sempre vem aquela nuvem negra
E te perco na escura imensidão
Retraio-me no meu desespero
Sem rumo caminho sob meus devaneios
E lágrimas inumdam meu coração
Que muito cansado, adormece entrestecido
Mas na minha mente, tua face não está esquecida
Gravada nas doces lembranças e momentos vividos
Das juras de amor eterno
Desperto do meu profundo adormecer
Revivendo cada momento ou minuto de nosso querer
Te vejo pousar no horizonte
Sobre tapete de pétalas de perfumadas flores
Ao te encontro vou em alucinada disparada
Sabendo que reviveremos nossos instantes de amores
Sem que haja jamais outra separação
 
Lúcio Reis
Belém do Pará
16/09/13
 

 

 

 

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