FÉNIX

 

LOGOS Nº 6

Janeiro 2014

 

 

 

Flávia Guimarães

 

TOQUE
Flávia Guimarães


Toque meu corpo
com suavidade e carinho,
Porém toque até me arrepiar
inteira.
Beije-me passando sua
língua entre meus lábios,
Em movimentos que meu
corpo arde de prazer.
Toque-me sem pensar em nada.
sinta meu corpo se esfregando
ao seu.
Feche os olhos e ouça
nossos corpos gemendo
de prazer.
Toque-me!

Flávia Guimarães
 

 

 

FlorianoMartins

 

A NOITE EM QUE UM ANIMAL FABULOSO RENASCE NO NINHO DE TUAS MÃOS
FlorianoMartins


As tuas mãos tateando verbetes em minha pele.
Descobrindo onde dormia o verão. Despertando um balé profano em minhas vértebras. Anunciando um beijo a cada sensação de desmaio.
As tuas mãos são o meu gerúndio preferido.
À noite escuto apenas o rumor das ondas de meu mar interior.
E uma voz que reconheço ser minha deslacra outro abismo com sua gramática imprecisa: Eu sou tua, você me roubou, seu diabo!
Os meus mamilos se multiplicam e desarvoram a paisagem salpicada de lábios.
A sombra de tuas mãos imersa em minhas águas primordiais simula a dissolução de tudo quanto fui.
Eu me recupero em tuas nascentes. Como semelhante de teus sonhos.
E não vim nem mesmo para ficar. Tu me revelas a descrição de uma lenda esquecida.
Decerto a ela retornarei.

FlorianoMartins
Fortaleza - Brasil
www.revista.agulha.nom.br
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Francisco Luís Fontinha

 

RUA DOS PRAZERES
Francisco Luís Fontinha


Desprendem-se das nuvens os pregos negros da cidade dos cães, tinham-me dito que na rua dos Prazeres habitava uma janela com cortinados de areia, havia uma menina de cabelo doirado e no pulso..., sentíamos o vento dançar sobre a neblina madrugada,
No pulso as pulseiras das feridas cansadas,
A madrugada entretinha-se com um baralho de cartas, meia dúzia de azeitonas e algumas rodelas de linguiça..., havia chouriço assado e pão de centeio, música desgovernada que a menina com pulseiras das feridas cansadas deliciava-se a ouvir, encerrava os olhos e
Voava...
Sobre os plátanos maternos dos dias nublados o mar da saudade entrava-nos dentro da cabana com telhado de colmo, nunca vi a chuva dentro do corpo dela quando a roupa desaparecia do estendal e um emagrecido esqueleto de desejo deambulava em cima do cobertor de lã que alguém nos tinha oferecido, ainda muito antes de ela ser ela, ainda mesmo quando não tínhamos, ainda mesmo quando não usávamos...
Beijos, e margaridas nas jarras em porcelana,
E
Voava o cretino calendário com a fotografia do espantalho de palha, junto à eira uma pequena fogueira alimentava a canção dos grilos aflitos dentro da cratera terra onde brincavam espigas de milho, feijão e aqui e além...
O centeio vivia sufocado com as auroras boreais das latidas palavras caninas, o burro culminava a exuberante letra do poema abandonado, fotografias infinitas zurravam nas labaredas da fogueira que a eira gritava
São minhas, são minhas... são minhas as tontas palavras,
Ninguém se mexia, ninguém acreditava em fogueiras, círios e desenhos inscritos na docas árvores com espelhos de prata
Eu + Tu,
Dois parvos,
Amor de...
Outra parvoíce... amo-te... nunca mais...
(desprendem-se das nuvens os pregos negros da cidade dos cães, tinham-me dito que na rua dos Prazeres habitava uma janela com cortinados de areia, havia uma menina de cabelo doirado e no pulso)
Eu + Ele,
E
voava, e são minhas, são minhas... são minhas as tontas palavras, aquelas que escrevia no corpo dele enquanto o tempo morno
Morno?
Não, não morno...
Morto, matávamos o tempo escrevendo versos no corpo um do outro, ela dizia que as árvores estavam agoniadas com tantas
Tontas?
Não, não tontas, com tantas velhas inscrições...
Eu + Tu,
Será, não será, e uma seta aproveitava a esplanada da paixão e alojava-se no coração desenhado do velho tronco, a navalha entrava corpo adentro, a navalha recheava os telhados amaldiçoados das ruas com janelas...
E
Os cortinados
Da cidade
Da cidade dos cães, latidos, uivos, suspiros...
A paixão?
O amor morto depois de assassinado pela canção da menina com pulseiras... no pulso as pulseiras das feridas cansadas, e cansadas elas percebiam que éramos sombras à espera do desarrumado relógio de pulso, o mesmo que esteve presente na noite de núpcias, o mesmo que presenciou o primeiro “charro”, aquele que assistiu à primeira “chinesa”... aquele que acreditava na menina com pulseiras
Parvas,
Monas,
Tolices em palavras depois de mortas.

Francisco Luís Fontinha
Alijó – Portugal
http://cachimbodeagua.blogs.sapo.ao/
 

 

 

Francisco Mellão Laraya

 

CARTA DE CONSELHOS A UM CANDIDATO
Francisco Mellão Laraya


Caro candidato à presidente,
Quando tomares posse, não se esqueça de tirar as suas fotos com a faixa, pois este vai ser o ato mais público, apesar de privado, que participarás. As fotos serão espalhadas aos quatro cantos do país, as outras aparições que acontecerem, não terá o mesmo impacto, e serão sempre acompanhadas de notícias, que alguns aprovam, mas nem todos.
Lembre-se que estará assumindo um Estado, onde há muita gente que sabe o que fazer, e o que menos sabe agir é você. E poderá se perder em detalhes, o diabo mora nos detalhes, então se limite a ser figura de proa, representante político da nação, e deixe a parte administrativa aos funcionários públicos, que já fazem isto há muito, e sabem como fazer.
Seja feliz com o salário e vantagem do seu cargo afinal concorreu para isto, e só para isto. Não venda favores para enriquecer mais, pois já terás uma boa aposentadoria depois, e é melhor deixar um legado de um político honesto, que perdurará por gerações, do que dinheiro que logo acaba.
Na escolha de seus assessores, esqueça a política e pense administração, as duas não se misturam como água e azeite.
Faça isto e serás feliz, honrado e sempre lembrado, como quem honrou seu nome, o cargo e a pátria.

TI
TO 
Brasil

 

 

Francisco Ribeiro Lopes

 

PALAVRAS
Francisco Ribeiro Lopes


“O poder das palavras
em trazer o belo,
o esplêndido e retratar
o que muitos não enxergam.
O que seria do mundo sem as palavras,
Ou melhor,
O que seria de nós sem as palavras”.

Francisco Ribeiro Lopes
São Sepé/RS/Brasil
 

 

 

 

 

 

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