FÉNIX

 

LOGOS Nº 7

MARÇO 2014

 

 
 

Fernando Spanghero

 

 

RECORDAÇÕES
Fernando Spanghero


Há, em todos nós, latente
um tempo que nunca passa.
São as lembranças que, dentro da gente,
evocam momentos de graça !
Nos fazem pensar novamente,
em erros então cometidos,
deixando fluir lentamente,
amores outrora vividos.
Levando o coração ao passado
questionamos a vida, como seria,
lembrando o amor abandonado,
que já compôs a nossa fantasia.
Ocupou nosso sonho encantado,
sendo razão de imensa alegria,
mas, se foi , no entanto, por erro
de quem não soube avaliar,
que deu ao seu bem um desterro,
e nunca mais se permitiu amar.
Então, ao final, fustiga o peito a lembrança,
que já não trás nenhuma esperança,
pois, prender-se a um amor que já morreu,
não é apenas um sofrimento,
é destruir alguém que já foi seu,
é sofrer sem o retorno do momento !

Fernando Spanghero
Pernambuco - Brasil

 

 

 
 

Filipe Papança

 
 

ETERNAMENTE JOVEM
Filipe Papança


Eterna Voz, que nos enobrece,
Voz da poesia,
que erradia alegria,
e que nunca envelhece;
Amor que eternamente
amanhece.

Filipe Papança
Amadora - Portugal

 

 

 
 

Flávia Guimarães

 
 

CORAÇÃO QUE AMOU
Flávia Guimarães


O tempo apaga
muitas coisas,
Mas o tempo
não apaga a dor,
de uma traição.
E nem o que você
foi no passado e me mostrou
um presente sórdido.
E diz que me ama
Quem te amou fui eu
Mas você pisou,
ignorou, riu, brincou...
Hoje você colhe o que
fez com nosso amor.
O tempo passou para você,
Olha no espelho e veja
no que se tornou!
E o quanto você brincou
com um coração
que só te amou!

Flávia Guimarães
Campinas - BRASIL

 

 

 
 

Francisco Brito de Carvalho

 
 

DO AMOR EM MIM
Francisco Brito de Carvalho


quero me prender ao meu coração
me enlaçar e ser único em mim

que não desates o nó formado
pela densa maresia de revoltoso mar
e ser breve como a brisa do inverno
do sonho acalentado em maramar
num ciclo de amor sempiterno

anseio morrer assim me amando
após vir à matéria estranhas faces
e ressurjam outros sóis iluminando
nesse corpo esquálido que se desfaz

Francisco Brito de Carvalho
São Luís - Maranhão - BRASIL

 

 

 
 

Francisco Luís Fontinha

 
 

A HISTÓRIA ANTES DE ADORMECER
Francisco Luís Fontinha


Vinte e duas horas. Da rua ouve-se o vento enfurecido da noite, ao longe o mar, as lâmpadas de um barco iluminam a janela da sala, e ela deitada no sofá sonolento do néon pendurado no tecto, com a mão poisada no cabelo e com os meus lábios perpendiculares aos ouvidos dela digo-lhe, Amor, vamos deitar!, ela olha-me e sorri-me e na voz cansada dos lençóis que a esperam diz-me,
- Já são horas?,
Acaricio-lhe a face, sento-me junto a ela e respondo-lhe que sim, Sim amor, já são horas!, ela suspende as mãos no meu pescoço e em chantagem diz-me que só vai dormir se eu a levar ao colo, e eu penso, Ai é!, levanto-me, e com um braço pego-lhe nas pernas e com o outro entre o sovaco e o seio levanto-a do sofá cansado e levo-a para o quarto, e ela em gritos no silêncio da sala,
- Parvo vais deixar-me cair, pára parvalhão, e és tão parvo,
Enrola-se ao meu pescoço como uma cobra que desce de uma árvore, custa-me respirar, ela em cócegas começa a torcer-se com se fosse o vento a acariciar-lhe o caule tenro da tarde, deito-a sobre a cama e em voz meiga digo-lhe para se despir, tomar banho e caminha, ela provoca-me,
- Não me queres dar tu banho?,
E eu num dilema; dou-lhe ou não banho!, e decido não dar, será melhor para os dois, ela despe-se e em provocações demoradas vai tirando a roupa, ela nua em direcção à casa de banho, ouço o ruído da água e no espelho do quarto o vapor que emerge do corpo dela, imagino-lhe os seios, imagino-lhe as coxas, imagino-lhe os lábios humedecidos da noite, deito-me sobre a cama e perco-me nos minutos, a água cessa e ela entra no quarto com a t-shirt vestida, branca, e o púbis sorri-me e olha-me, ouço-lhe na voz do banho,
- Agora amor, vais ter de me contar uma história!, Uma história?, respondo-lhe embriagado na sonolência da noite, sim amor, uma história,
Eu digo-lhe que não sei nenhuma, e ela, claro que sabes, Sim Amor?, uma só, sim, está bem, está bem,
- E começo a contar-lhe a história de uma menina que atira pedras às cabras e espeta pregos nas oliveiras,
Ela em sorrisos, desabafa, miúda safada essa, eu abano a cabeça que sim, miúda safada essa,
- E às vezes perdia-se no meio do trigo e escondia-se na sombra do milho,
Ela fecha os olhos, adormece lentamente nas minhas pálpebras, dou-lhe um beijo na face e desligo a luz do candeeiro,
- Até amanhã amor,
E ouço a voz dela nos sonhos,
- Até amanhã parvalhão.

Francisco Luís Fontinha
Alijó - Portugal
http://cachimbodeagua.blogs.sapo.ao/

 

 

 
 

Francisco Mellão Laraya

 
 

O PERDÃO
Francisco Mellão Laraya


O perdão deves ser praticado sempre! Talvez as pessoas não o mereçam, mas você merece paz!
O sentido do perdão cristão, muitas vezes, precisa ser repensado; a idéia é tão inovadora, e são tantos os desdobramentos, que nos pegamos na ignorância, quase sempre!
A maior prova da divindade de Jesus são suas idéias; se analisarmos no contexto histórico e geográfico, tem um espanto maior.
Era isto que eu queria ter falado a ela, e não falei! Passei um dia pensando, e as coisas se clarearam na minha mente.
Tudo para explicar uma atitude minha com outra pessoa, que não era ela e estava fora da dinâmica do nosso relacionamento, mas estas palavras me acompanharam durante o dia!
Ainda não lhe disse!
Não é hora!
Com o passar do tempo as coisas cheiram, e o indizível, faz-se ouvir e oculto aparece e o determinado tem explicação!
O pensar é isto, é um constante caminhar, que leva à paz, tem-se prazer em cada solução encontrada, não importando a causa que te levou a pensar!

Francisco Mellão Laraya
São Paulo - BRASIL

 

 
 

 

 

 

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