FÉNIX

 

LOGOS Nº 7

MARÇO 2014

 

 
 

João Bosco Soares dos Santos

 

 

A VIAGEM DE MEUS CANTARES
João Bosco Soares dos Santos

Do livro “TOCATAS”


Ansioso,
Pergunto a mim e à minh’alma:
Que agora solto pro universo
Como doces melodias?
E carregados de ternura e nostalgia,
Partindo agora vão,
Ostentado fidalguia?
Até, reitero insistente,
Para onde e até onde irão essas amadas criações
Em poéticas fantasias,
Como a mais doce ambrosia,
Em busca de sincronias em tons e cores deslumbrantes,
Em delírios inebriantes, vagando em ciclos inconstantes?

Vão, tocatas poéticas,
De porta em porta,
De mundo em mundo,
Navegando no tempo
E pelo tempo
Que os infinitos continuarão a marcar.

Com lágrimas nos olhos
Antecipadas saudades n’alma e tristeza nas artérias,
Dou adeus a estas minhas alegorias utópicas,

Nascidas de imaginações e inspirações,
Indo-se libertas pelos labirintos siderais.
Voltarão, algum dia, com as mesmas eufonias?
Seguirão por outros ciclos
E com iguais euforias?

Adeus, cantares!
Se envolverem de delícias algum sensível vivo ser,
Ofereçam-lhe um abraço de afeto, amor,
Paz e bem-querer.

João Bosco Soares dos Santos
Salvador - BRASIL

 

 

 
 

João Coelho dos Santos

 
 

A CHUVA DOS OLHOS
João Coelho dos Santos


Naquela fatal troca de olhares, agitado
Pelo vento da profecia, mudo, fechado,
Misterioso, aterrador,
Lento chorou, a chuva dos olhos.

Uma onda de cor banhou seu rosto
E despertou nele uma compaixão insaciável
Que o fez acreditar mais e mais nas suas fantasias.
Por vezes invade-o uma terrível amargura,
Severa, irada, ávida de curiosidade
Que lhe provoca uma extasiada emoção.
No auge do seu desespero, sarcástico,
Assume ar envergonhado e taciturno
Impaciente, para a tagarelice oca e incoerente.

Sem grilhões passeiam e desamam
Em sua memória, pertinaz e inquietante,
Harmonia e doçura onde cabem todos os sonhos.
Puro e austero
Não sabe se escuta ainda a voz da saudade,
Se a voz da ilusão.

João Coelho dos Santos
Lisboa - PORTUGAL

 

 

 
 

João P. C. Furtado

 
 

LETRAS PERDIDAS
João P. C. Furtado


Lentamente o dia se envelhece
E a noite apressada se aproxima
Tão certa é a luz que se carece
Relutante eu procuro o poema
Algures perdido com as letras
Sempre ausentes e voluntariosas...

Lindas poesias jamais escritas
E belos contos ficaram por contar
Tantas inspirações, poucas notas
Resta a Musa e o desejo de chorar
A hora de calar e deixar a lágrima
Sair... Que ela com a tristeza se rima!

Lá vem Hypnos e vou abraçar Morfeu
Espero encontrar-vos letras lindas
Talhadas à medida do meu eu
Ritimados acrósticos e poesias rimadas
Atrevidamente farei e serei de novo poeta
Sem medo e na medida certa e perfeita!

João P. C. Furtado
Cidade da Praia - CABO VERDE
http://joaopcfurtado.blogspot.com

 

 

 

 
 

Jorge Cortás Sader Filho

 
 

VIOLINISTA
Jorge Cortás Sader Filho


A sala ampla e iluminada pelos raios solares abrigava músicos e seus instrumentos, num ensaio comum. Ninguém se atreve a dar concertos, ou fazer apresentações sem criteriosa preparação prévia.
Sentado na segunda fileira da orquestra, sem roupa de praxe usada nos dias de teatros cheios, o violinista olhava seu instrumento brilhante e bem tratado. Trajes simples, uma elegante camisa branca de mangas compridas, calça jeans já bastante macia pelo uso continuado e ainda cheirando a banho prolongado, frio e com sabonete de qualidade, o músico aguardava as batidas da batuta do maestro que indicam os preparativos para o início da execução.
Moço ainda, ganhando experiência, ouviu as três batidas características e o gesto do maestro avisando o começo do ensaio. A primeira peça a ser tocada era a “Barcarola”, de Offenbach. Sempre agradável, alegre e conhecida, prestava-se bem para começar os trabalhos. Ouviram-se os primeiros acordes. Soavam como o ambiente, calmo, concentrado e harmonioso.
“Segundo violino, você está desafinado.” A voz do maestro veio dura! Pegou completamente de surpresa o jovem músico, que não tivera o cuidado de fazer uma comparação com seus colegas. Realmente, estava desafinado, fato imperceptível aos ouvidos comuns, mas não ao maestro experimentado, batuta apontada para o advertido.
O “spalla”, primeiro-violinista de uma orquestra e o músico mais importante, facilmente identificado por sentar-se na extremidade esquerda da primeira fileira, sempre muito conhecedor da sua arte e pronto para substituir o maestro, se preciso for, também percebeu o fato. Seu colega estava realmente desafinado. Um pequeno aperto na cravelha e o instrumento ficou em ordem. Estes incidentes ocorrem com frequência, mas não agradou nada ao homem que pretendia falar com a jovem e bela flautista, olhos expressivos, lábios bem feitos. Ele desejava a convidar para um descompromissado lanche, talvez nem tão sem intenção assim, mas de toda forma era o que havia planejado dizer.
Desafinado... Todos ouviram, inclusive ela, que não havia notado o pequeno senão.
O ensaio terminou. O violinista desafinado saiu rápido. Não falou com a colega. Dentro do bar elegante, tomava o segundo conhaque e fumava igualmente o segundo cigarro. Afinal, o maestro apareceu, caminhando displicente na calçada, passando a mão nos cabelos. Sentiu a pequena pontada na barriga, a faca de mola, tão usada pelos ciganos, como era o músico que havia sido chamado a atenção em voz alta, todos escutando, não foi usada para causar ferimento grave ou morte.

Jorge Cortás Sader Filho
Niterói - Rio de Janeiro - BRASIL

 

 

 
 

 (S/ FOTO)

José Augusto Cabral

 
 

MINHA MÃE
José Augusto Cabral

ACRÓSTICO


M-Muitas noites, sob a calada
A-A pensar em ti, mãe amada,
R-Revivo momentos da vida...
I-Instantes, que nem uma fada
A-A voltar faz, oh mãe querida!

J-Já não posso mais ganhar
O-Os carinhos que me deu...
S-Sei que os tempos não vão voltar!
E-Estão longe, assim quis Deus...

C-Carinhosa jóia distante,
A-Algum dia vou te encontrar
R-Rezando por mim, como antes;
V-Vivendo agora n’outro lar...
A-Ainda me lembro, eu pequeno,
L-Lindas canções pra mim cantavas.
H-Havia em ti um amor sereno;
O-O amor que a mim tu dedicavas...

José Augusto Cabral
Cristalândia - BRASIL

 

 

 
 

José Ernesto Ferraresso

 
 

ANTÍDOTO PARA A ALMA
José Ernesto Ferraresso


De repente uma melodia suave,
invade meu quarto e quebra o silêncio.
Vislumbrantes acordes vêm de longe,
e ilustra com o som de um alegrete, ou falsete.
Nessa noite escura,sombria e misteriosa,
a saudade toca bem no fundo deste coração distante.

Um som harmonioso mistura-se com o silêncio da noite,
que inebria e a deixa serena.
Momentos mágicos que acalma qualquer ser
e não há luar lá fora , só o som da música aqui
realiza um fantástico momento agora.
Nunca esquecido por mim; é um tango ou uma valsa?
Não, e sim, uma melodia imortal que inebria a alma.

Mostra-me a beleza por um instante,
e usa de uma mágica inebriante e cativante,
seguida de tédio, alegria e solidão.
Inicia meu momento de reflexão,
como se fosse um calmante ou só um
antídoto para essa alma errante.

José Ernesto Ferraresso
Serra Negra - SP - BRASIL
www.joseernesto.com/

 

 
 

 

 

 

Livro de Visitas