FÉNIX

 

LOGOS Nº 8

MAIO 2014

 

 

 

Antonio Cabral Filho

 
 

SANGUE NAS RETINAS
Antonio Cabral Filho


Não parecia vampiro
Nem assassino contumaz,
Mas emanava sangue das retinas...

Antonio Cabral Filho
Rio de Janeiro - Brasil

 
 

 

Antonio Carlos Mongiardim Saraiva

 
 

O NOSSO ESPAÇO SIDERAL
Antonio Carlos Mongiardim Saraiva


Incomensuravelmente além de nós...
Disperso numa unidade que nos espanta,
O espaço que nos cerca, engole-nos a voz
E projeta o seu ser no entoar de um mantra...
Um clarão de luz eterna, para além da chama.
Tudo é sagrado e perpetuado numa cadeia...
Velhos pedaços, são agora objetos com luz;
Energia que expande, contrai e nos conduz...
Um mar de possibilidades que brilham e apagam.
Dentro de nós, existe também um espaço assim;
Com rios, lagos de marfim e cascatas de saudade.
Os cisnes, deslizam nessas águas com majestade.
A intenção de todo o mar é alimentar e renovar...
E fazer-nos conduzir o nosso amar de verdade.

mongiardimsaraiva
Mogi das Cruzes - São Paulo - Brasil
http://meujardimpoetico.blogspot.com.br/

 
 

 

Antonio d´Araujo Silva

 
 

ELA
Antonio d´Araujo Silva


Um nome poético e sereno,
Em uma pequena face de princesa,
Tudo em ti é beleza.

Sorriso sincero,
Olhar marcante, e um corpo insinuante.
E muito distante do meu mal pensar.

Altura ideal, andar sem igual.
Uma boca que exala uma leve fala,
Que é quase um murmurar

Cabelos rebeldes que às vezes me pede
O toque ideal. Com aquele incomparável
cheiro de puro desejo.
Ai que vejo que tudo é normal.

Nome, face, sorriso, olhar, altura, boca,
Fala cabelo e cheiro, tudo do mesmo corpo,
que só insulta meus impiedosos sentimentos de desejo...

Antonio de Araujo Silva
São Bernardo do Campo - Brasil

 
 

 

António da Cunha Duarte Justo

 
 

A ARTE DE SER FELIZ - BOA E MÁ DISPOSIÇÃO
O Vento na Natureza é como as Ideias na Alma e nas Vivências
António Justo


O estado de ânimo e o estado do tempo são duas manifestações de realidades compartilhadas: o sol na natureza e o Espírito na pessoa. Sol e Espírito estão em relação directa: chove em mim, chove na natureza! No bom tempo há sol, alegria e ideias positivas, no mau tempo há chuva, tristeza e ideias negativas. Fazemos parte duma realidade em reciprocidade mais ampla do que a do próprio biótopo de que julgamos ser senhores.
Certamente que já lhe aconteceu, depois de ter passado um dia calmo e sereno, com alguém da sua relação, de repente, ao dizer algo, desencadear-se uma tempestade de sentimentos e relâmpagos de ideias cada vez mais incendiárias. A atmosfera chega, por vezes, a carregar-se de tal modo que o fogo do instante faz desaparecer o sol que antes brilhava em nós.
Na procura de relações de amizade experimentamos demasiado os extremos da pressão e depressão climática e psicológica. Não fossemos nós também natureza! Na procura de carinho, aceitação, reconhecimento e estabilidade não contamos com as leis da nossa meteorologia interna a que está sujeita também a nossa natureza humana. Em momentos de crise social, grassa mais, o temporal na família e na sociedade política e civil. Nota-se a insegurança individual e social para onde quer que se olhe! Daí, cada qual sentir a necessidade de se refugiar numa trincheira comum com “amigos” que confirmem a própria opinião aplainada num biótopo próprio, contra uma paisagem variada e diversa de altos e baixos, contra o lá fora. Procura-se uma amizade de primavera que não suporta as outras estações, quer em si quer nos outros. Escolhe-se viver numa estufa de ideias e de sentimentos, fora da natureza, fora da realidade completa que somos. Esquece-se que as ideias e em parte os sentimentos são apenas fenómenos externos e, por vezes, se comportam como o tempo. Ignora-se que o biótopo privado dos amigos e companheiros é um biótopo entre muitos outros, numa natureza diversa e diferente que a todos mantém vivos no movimento.
As ideias tornam-se como fósforos a raspar na caixa do sentimento. As ideias como o vento arrastam atrás delas a chuva e o sentimento. Quanto mais fúria sopra do vento das ideias mais as ondas das emoções se levantam e encrespam. Lá fora como cá dentro, há tempos de altas e baixas pressões.
A paisagem da nossa alma tem muito de comum com a paisagem da natureza lá “fora”. Como nela, no nosso coração há chuva, abertas e sol. Os princípios e as leis que as regulam são semelhantes e há algo de comum também. Quando há sol na natureza, no nosso coração tudo se torna, dentro e fora, mais leve e o horizonte revela-se mais largo. Se chove ou há nevoeiro na nossa alma, nem notamos a beleza da paisagem por onde passamos.
Forças, que, por vezes, se revelam más em tempos de tempestade, se bem vistas, podem tornar-se produtivas, como acontece no uso do vento para fins energéticos se forem orientadas. O mesmo se diga em relação às ideias. Em cada pessoa como na natureza há energias ciclónicas e anticiclónicas, marés-altas e baixas, euforias e depressões.
No mar da vida, para se levar uma vida equilibrada, há que aproveitar o vento propício para melhor se abordar à costa. Em tempo de nevoeiro torna-se perigoso arribar. É preciso esperar o bom tempo das ideias, das ideias benignas e da calmaria do coração para se abordar o outro e então resolver os problemas com horizontes largos e duradouros. Em mim como no outro, nas ideologias como nas sociedades, se notam os mesmos estados do tempo!
As rajadas do vento e das ideias, como a calmaria do estado do tempo lá fora e o estado da atitude de espírito em nós, são situações naturais a compreender para se aceitar a realidade própria e do outro. Depois da tempestade avizinha-se o nevoeiro e normalmente é precisa a predisposição para se olhar em redor na descoberta dum arco-íris anunciador de sol. Esta é uma oportunidade para se descobrir a si no outro. E “depois da tempestade vem sempre a bonança”, não fossemos nós natureza e não nos víssemos nós no espelho dela. Como na natureza também na panorâmica humana há diferentes biótopos de caracteres e mentalidades como se pode verificar da observação de discussões acirradas entre optimistas e pessimistas, entre o comunista e o capitalista, entre a reacção da pessoa em estado eufórico ou depressivo. O pessimista naturalmente que preferirá dizer “depois da bonança vem a tempestade”. É sempre uma questão de perspectiva. Se um olha na direcção do dia o outro olha na direcção da noite! A natureza e nós, somos dia e noite! No fim, a intenção é que vale e já antes os dois tinham razão, situando-se o problema apenas na perspectiva de cada um! O problema não está na natureza mas na rosa-dos-ventos!


Criar em nós uma instância do bom humor


Há pessoas muito sensíveis que reagem como micro climas. A boa ou má disposição influencia a percepção dos outros e do que dizem. Na verdade, até o tempo se torna cúmplice do nosso humor. Os mesmos temporais, as mesmas bonanças do tempo, lutas e discussões da pessoa e da instituição; o mesmo acontece em casa, na família como na polis e na disputa entre os partidos e na discussão de opiniões; tudo isto se encontra submetido às mesmas forças e leis a descobrir. Os problemas surgem principalmente do facto de cada indivíduo ou grupo ter uma visão perspectiva da realidade quando esta é a-perspectiva. Tudo apenas um problema do tempo lá “fora” e cá “dentro.“ Assim acontecem as ventanias e as tempestades destruidoras na natureza, e as rajadas que devastam a sociedade, a família, as amizades e as pessoas.
Como nas pessoas assim nas montanhas. Se na base há nevoeiro certamente que lá em cima brilha o sol. Se nos encontramos na depressão, no vale, na comba da tristeza, certamente que só veremos no outro o escuro do nevoeiro do sopé da montanha e a própria escuridão nos atemoriza porque vemos fora o que está dentro. Como me encontrava no sopé não podia ver a montanha toda no outro e em mim. Hermann Hesse resumia um saber da psicologia nestas palavras: “Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba” Transmissão ou transferência é um fenómeno psicológico muito comum e a que se deve prestar atenção, especialmente quando alguém fala mal de outro!
Todos fazemos parte da mesma montanha. Se dum lado da encosta há chuva do outro haverá sol. A paisagem que hoje sorri ao sol amanhã chora à chuva. Tudo sofre e se alegra a seu tempo. À depressão (tristeza) do sentimento dum lado corresponde a pressão (alegria) do outro lado.
Urge aceitar os sentimentos como se aceita o tempo para se evitar o curto-circuito de ideias e a consequente trovoada dos sentimentos. Se me encontro no fundo do vale, do lado da encosta sombria das ideias é melhor esperar por uma aberta ou tentar subir a encosta até encontrarmos o sol e assim nos podermos orientar melhor numa perspectiva para além do nevoeiro. No nevoeiro e na tristeza certamente que pintaremos a vida e o outro com cores escuras, não podendo deslumbrar nelas a beleza da realidade das cores do arco-íris. Os problemas ocasionais passam com uma simples mudança de perspectiva; os grandes permanecem tanto no sopé como na encosta da montanha. Estes porém só devem ser resolvidos com eficiência na fase soalheira da vida. Doutro modo formam-se opiniões e tomam-se decisões que criam maiores problemas ainda, por falta de horizontes mais largos.
A questão será encontrar a balança numa vida consciente da tempestade e da bonança. As diferentes estações manifestam diferentes riquezas em interdependência em nós e nos outros, entre o cá dentro e o lá fora, que são parte da mesma realidade.
A disposição, o bom ou o mau humor, determina a nossa vivência. Somos mais que o mimetismo das nossas ideias e sentimentos. Para mudar a vivência não chega mudar as circunstâncias exteriores porque também as nossas ideias e sentimentos provocam, muitas vezes, a cor do ambiente, a cor das circunstâncias exteriores.
À distância vê-se mais. A causa da nossa má relação está, muitas vezes, em pensar nela. Não chega esperar pelo tempo que cura todas as feridas. Importante é pôr-se o problema e esperar-se pela solução mais tarde. Para os problemas ocasionais do dia-a-dia, muitas vezes, basta tirar o cobertor escuro das ideias com que envolvemos o parceiro e nos envolvemos a nós. Na cama dos sentimentos é preciso arredar os pijamas das nossas ideias e procurar tocar com a própria mão no corpo nu do outro. Então, na nudez do outro descobrirei a própria nudez, e sentirei nele o calor primaveril que me incendiará também a mim.
Se a ocasião não proporcionar tanta proximidade, basta um sorriso, um louvor verdadeiro. O sorriso, o louvor é como o sol que derrete as roupagens das neves mais resistentes.
Agradecer e louvar é um acto nobre que reconhece a realidade do dia e da noite, do bom e do mau humor no todo e em cada um.
Se queres ser feliz, entra na tua vida, descalça as botas. Então, entrado em ti, sentirás a felicidade, no encontro dos polos, de um estar com todos sem se perder em ninguém. Então sentirás a harmonia do agora a fluir; na felicidade o caminho une-se à meta. Felicidade é sentir a paz do mar profundo nas suas ondas altas!

António da Cunha Duarte Justo
Frankfurt - Alemanha
www.antonio-justo.eu

 
 

 

Antonio Paiva Rodrigues

 
 

CRIANÇAS E IDOSOS
Antonio Paiva Rodrigues


Da adolescência a maturidade está os novos desafios que se colocam como interpeladores nas fases de mudança de vida. Muitos estudiosos em psicopedagogia afirmam que estes dois seres são os principais alvos de maus-tratos. Você concordaria com tal posicionamento? Sim ou não? Falta de profissionais qualificados amplia registro de agressões contra segmentos ou instituições que cuidam e zelam por estas frágeis criaturas. Quem seria mais discriminado em nosso país?
O idoso ou a criança? É uma indagação que não quer calar! Ambos têm Códigos de Defesa. O da Infância e do Adolescente e o Código de proteção ao Idoso. Serão citados códigos suficientes para tornar as duas classes felizes? Achamos que não, visto que as diretrizes e os azimutes voltados para o bem dos dois tipos de hominais ainda é tímido e muito pouco ou pouco demais.
Criança na expressão escorreita da palavra é uma derivação latina de creantia, criantia, ser humano de pouca idade, menino ou menina. Há quem chame o ser pequenino de párvula outra palavra de derivação latina parvulu que significa 'pequenino', por via erudita, tolo, pessoa ingênua e infantil. As crianças de peito são aquelas que ainda mamam nos seios de sua mãe.
Já o idoso é a pessoa que tem bastante idade, velho, depauperado, mas com o passar do tempo esta nomenclatura se transformou em “melhor idade” ou terceira idade. Vocês concordam que a terceira idade seja a melhor idade do ser humano?Achamos que não. “A expectativa de vida dos brasileiros está crescendo, entretanto, o País não se preparou para cuidar desse segmento, segundo Jacilda Urquisa. Ela foi à pessoa que apresentou indicação à Mesa Diretora da Alepe, sugestão à Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, a criação de um programa gratuito e permanente para capacitar babás e cuidadores de idosos. “Temos em torno de 13 milhões de idosos e as projeções apontam para mais de 30 milhões de pessoas com 60 anos de idade ou mais, em 2025”, destacou. Os profissionais desta área terão empregos garantidos em razão desta estatística da qual não poderemos escapar. É realidade pura. Alguns dias atrás nós fomos surpreendidos por uma matéria televisiva onde crianças e adolescentes estavam vivendo a custa da prostituição em determinado Estado brasileiro.
A matéria teve uma conotação geênica em virtude de uma mãe que adotou um sistema gravíssimo para arrecadar dinheiro, vender suas próprias filhas. “Vender” neste caso seria ceder por tempo indeterminado a filha para a prática do ato sexual a determinada pessoa, bem como satisfazer seus instintos bestiais. Infelizmente, ainda temos que conviver com estas aberrações que partem de adultos inescrupulosos, desumanos não importando o parentesco que a vítima tenha com o aliciador.
Jesus em Matheus, 18:10 diz: “Cuidado para não desprezar um desses pequeninos, porque eu vos digo que seus anjos estão continuamente nos Céu, na presença do meu Pai Celeste.” Poderemos inserir aqui nesta matéria a Parábola da ovelha desgarrada quando Jesus nos esclarece com uma pergunta: ‘O que vos parece? Suponhamos que um homem possua cem ovelhas e uma se desgarre. Não deixará - ele as noventa e nove na montanha para ir buscar a ovelha que se extraviou?
E eu vos asseguro que, ao encontrá-la sente mais alegria por ela do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim a vontade de vosso Pai Celeste é de que não se perca nem um só destes pequeninos. Com esta lição nós não devemos abandonar jamais uma criança que se perdeu por qualquer motivo, seja por drogas, prostituição ou outras infrações. Devemos usar de todos os métodos para recuperar esta ovelha perdida, mas o que vemos nas ruas das principais da cidade é o inverso. Não existe por parte do governo a preocupação em retirar estes seres pequeninos do antro em que vivem e colocá-los numa creche dado-lhe alimentação e educação. E não é favor, é obrigação. Pois A Carta Magna do País outorga isto, mas certas responsabilidades são empurradas com a barriga. A falta de profissionais qualificados para cuidar de crianças e idosos preocupa a deputada Jacilda Urquisa (PMDB).
A parlamentar chamou a atenção para os cuidados na hora de contratar o serviço e citou alguns casos de violência praticados por babás e cuidadores de idosos, a exemplo de uma reportagem apresentada, no último dia 29, nos principais telejornais do País. “As cenas gravadas pela família impressionaram pelo grau de crueldade”, comentou. A matéria mostra uma mulher espancando uma idosa surda, cega e que não fala. Em apartes, os deputados Maviael Cavalcanti (DEM) e Terezinha Nunes (PSDB) também se pronunciaram. “Todas as estradas na Mata Norte estão acabadas”, frisou Cavalcanti. Terezinha criticou a falta de manutenção da BR-232 e registrou o trabalho desenvolvido por uma ONG, em parceria com a Prefeitura de Nazaré da Mata, para cuidar dos maiores de 60 anos.
“O Brasil está se transformando num País de idosos, mas as pessoas não têm paciência com essa parcela da população, lamentou”. Verdade verdadeira a posição destes políticos que mostram lealdade e pureza nos coração. Se todos pensassem assim teríamos um Brasil mais solidário e humano. Quando Jesus nos alertou sobre os pequeninos não esperava de nós somente as medidas providenciais alusivas ao pão e à vestimenta. Não basta colocar comida em bocas miúdas, mas dar o abrigo, o carinho, o amor e a educação. “Amai uns aos outros assim como vos amei”.
O que ocorre com crianças se repete com os adultos, os filhos ou dependente para livrar-se da responsabilidade e do trabalho abandonam seus idosos em asilos e nunca mais aparecem por lá. Temos que nos lembrar de que com o trabalho do presente, valendo-nos das conquistas passadas e buscando a fonte superior de idealismo elevado, estamos construindo nosso futuro. “Amor que salva e levanta é a ordem que nos governa, na lide em favor de todos, teremos a vida eterna. (Casimiro Cunha).
O prato de refeição tanto para criança como para o idoso é importante para o desenvolvimento e manutenção da vida, todavia não podemos esquecer “que nem só de pão vive o homem”. A nutrição material é sustentação do corpo, a nutrição espiritual é oportuna para facilitar a reabilitação e trazê-la novamente a uma vida digna.
Aqueles que abandonam seus idosos em asilos para não executarem o amor, pois acham que o idoso dar trabalho não está isentos de culpa e se não punidos pela lei dos homens com certeza serão pela Lei Divina. A criança de hoje será o homem do futuro. A criança evangelizada será um adulto que se levanta no rumo da felicidade porvindoura. E o idoso que recebe afeto, carinho e cuidados especiais de seus entes queridos levará consigo energias positivas até o final de sua missão terrena. Devemos zelar tantas pelas crianças e pelos idosos, aliás, devemos zelar por todo ser humano carente de tudo. Se o governo não cumpre sua parte, nós devemos cumprir a nossa. Pensem nisso!

Antonio Paiva Rodrigues
Fortaleza - Brasil

 
 

 
 

 

 

Livro de Visitas