FÉNIX

 

LOGOS Nº 8

MAIO 2014

 

 

 

António Zumaia

 
 

BEIJO
António Zumaia


Selo sagrado do nosso beijo,
conta a vida que Deus nos deu.
Existe amor e até desejo,
sublime sonho que nos prendeu.
Na lei da vida que é nosso fado,
diz que onde há Deus... não há pecado.

Nossos lábios as sedosas prendas,
fruto delirante de carinho.
Escritos nas mais antigas lendas,
na brancura de um lençol de linho;
Escorre em nossos lábios amor,
o mais doce mel do seu licor.

Este beijo que foi destinado
e desenhado... num sentimento.
Por nossos lábios ele é cantado,
rima da vida e seu advento.
União e doçura suprema,
porque nosso beijo... é poema.

António Zumaia
Sumaré - Brasil
antonioferreira.blogspot.com
antoniozumaia.wordpress.com

 
 

 

Aparecida Eliane dos Santos Silva

 
 

A ROMARIA DA GENTE
Aparecida Eliane dos Santos Silva


Lá vem a santa carregada
Os romeiros andam na calçada
Os louvores são entoados
O povo anda cansado

Eles pagam sua promessa
Tem gente que só conversa
A virgem fica contente
Tem povo que quer presente

Chega o dia da procissão
Há diferentes cantadas
Nem todas na mesma direção

Os romeiros cumprem o dever
Tem representante que promete
Nem se preocupa em agradecer.

Aparecida Eliane dos Santos Silva
Restinga Sêca - RS - Brasil

 
 

 

Ariovaldo Cavarzan

 
 

MÃE
Ariovaldo Cavarzan


Se fosse estrela,
seria brilho, luz, resplendor,
enfeite de amor.

Se fosse flor,
seria charme, estilo, elegância,
cor e fragrância.

Se fosse emoção,
seria afeto, carinho, ternura,
alma pura.

Se fosse anjo,
seria simplesmente
Mãe.

Ariovaldo Cavarzan
Campinas - Brasil

 
 

 

Arlete de Andrade

 
 

SINA
Arlete de Andrade


Tu és um sonho guardado,
murmurado;
Um pranto sentido,
um grito acuado.

Tu és partida e chegada,
pecado e absolvição;
A porta cerrada,
a senha de entrada do meu coração.

Tu és o fruto macerado;
O vinho de minha ceia,
meus pés, minha jornada;
O sangue em minha veia.

Tu és o sol da minha noite
impulsionando meu destino;
meu lado sensato,
o meu desatino.

Tu és a fonte límpida,
onde bebo inspiração,
onde morro de desejo,
onde perco a razão.

Tu és minha sina,
traçado em linha certeira
o meu último suspiro,
minha trilha derradeira.

Arlete de Andrade
Rio de Janeiro - Brasil

 
 

 

Arlete Piedade Louro

 
 

ABRIL LIBERDADE
Arlete Piedade Louro


Tu, que foste militar de Abril e fizeste a revolução,
saindo de Santarém, na Escola Prática de Cavalaria,
até atingir Lisboa, pela madrugada silenciosa e fria,
agora sexagenário, que balanço fazes da situação?

Tu, que foste preso e torturado, pela Pide sinistra
para abafar a tua voz, que denunciava a injustiça,
partiste para o exílio, buscando viver a liberdade
voltaste, e agora, ainda continuas a ser socialista?

Tu, mãe que em África, os teus filhos, enterraste
e agora sobrevives com uma miseravel pensão,
vais morrer de fome, abandonada num casebre
até o teu mau cheiro, atrair algum bicho ou cão?

Tu, nobre povo, que navegou nas naus e caravelas,
enfrentando o mar bravio e os monstros oceânicos,
destes mundos ao Mundo, pioneiro da globalização,
hoje partes, em busca da dignidade, longe deste chão?

Senhores do capital, corruptos, usurários e agiotas
compram os políticos eleitos pelo povo da nação,
despojam a pátria de Camões, do fruto do trabalho
o deserto árido, deixam á futura geração, patriotas?

LIBERDADE gritam os povos, oprimidos e escravizados
LIBERDADE, gritaram em França, no assalto á Bastilha
LIBERDADE gritaram os escravos nas naus aprisionados
LIBERDADE gritaram os negros em África colonizados!

LIBERDADE gritaram os operários no 1º de Maio, explorados
LIBERDADE gritaram as mulheres na fábrica, queimadas
LIBERDADE gritam os homossexuais no amor discriminados
LIBERDADE gritam as crianças da sua infância, espoliadas!

LIBERDADE gritam os polícias, e os guardas prisionais
LIBERDADE gritam todos os povos que aspiram a mais
Todos querem melhor vida, casas, carros e dignidade
Prendam os ladrões, confisquem o capital
reinventem Abril, libertem a LIBERDADE!!!!

Arlete Piedade Louro
Santarem - Portugal

 
 

 

Ary Franco (O Poeta Descalço)

 
 

SEM VOCÊ
Ary Franco (O Poeta Descalço)


SEM VOCÊ sou noite sem luar.
Pálido arco-íris incolor.
Um palhaço triste a chorar.
Jardim sem uma única flor.

Cego sem bengala nem guia.
Cão desprezado, sem dono.
Noites escuras, obscuros dias.
Carente vivendo no abandono.

Criança sem berço e carinho.
Filhotinho caído do ninho.
Pássaro com asa quebrada.
Uma linda canção inacabada.

COM VOCÊ tenho estrelas a brilhar
Em noites quentes e enluaradas.
Agora e sempre, minha eterna namorada,
Sou seu dependente, viciado em lhe amar!

Ary Franco (O Poeta Descalço)
Rio de Janeiro - Brasil

 
 

 

Augusta Schimidt

 
 

ENTRE O SONO E O SONHO
Augusta Schimidt


Finda o dia e a Ave Maria
Anuncia a noite que já vai chegar
Cantam os anjos, bela sinfonia
Estrelas brilham a me iluminar

Noite,
Com seu lento deslizar
Chega o sono embalado
Pelo som da vida a me acarinhar

E no intervalo desse espaço
Durmo e renasço
Rendendo-me, noite,
Aos seus braços

Quando chega a madrugada,
Vestida de fada
Sonho com a vida passada
E vejo você a me olhar...

E entre o sono e o sonho
O tempo para
Pro meu sonho poder passar...

Augusta Schimidt
Campinas - Brasil
www.coletaneadosaber.net

 
 
 

 

 

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