FÉNIX

 

LOGOS Nº 9

JULHO 2014

= POESIA =

 

 

 

Jandira Zanchi

 
 

ÁGUA
Jandira Zanchi


na flauta chinesa o chamado do deserto
faz correrem pingos de consciente
inconsciência - vesga e sábia
em seus domínios -
dançantes ondulantes
alfarrábios de consistência

aos teus pés a chama que inflama
e aquieta na ondulante montanha
por detrás dos azuis escombros

entre os espaços da alma vergam
os aparentes sinistros ditames
da sina que ensina ou não
pois são insólitos os ritmos e as fases
e mestras as assinaturas da água

água que no deserto percorre
- inacabada - os veios
em suas veias crespas
de sonhos e liberdade

Jandira Zanchi
Curitiba - Brasil

 
 

 

Janete Sales Dany

 
 

O MEU SONHO QUE NASCE E QUE MORRE
Janete Sales Dany


O meu sonho...
Tão perto e tão longe
Esvaiu-se e agora se esconde!

O meu sonho...
Tão vivo e tão morto
Desprezá-lo seria um aborto

O meu sonho...
Tão real e tão imaginário
O meu prazer e o meu calvário

O meu Sonho...
Tão inviável e tão desejado
O monte insólito a ser escalado

O meu sonho...
Que desaparece e ressurge do nada
Que me faz prosseguir mesmo que tão cansada

O meu sonho...
Que encharca o travesseiro e faz sorrir a toa
Ás vezes confiança; outras vezes chuva fina de garoa

O meu Sonho...
Que nasce e que morre
Sorriso e lágrima que escorre

Janete Sales Dany
São Paulo - Brasil
http://danysempre.blogspot.com.br/

 
 

 

Jesusa Perez Estevez

 
 

EM SEUS BRAÇOS
Jesusa Perez Estevez


Tenho Fé na criação
No criador deste mundo,
Tenho Fé na natureza,
Na força, no amor,
Na saúde...
Hoje sou um passarinho!
Voarei por cima da fonte,
Beberei a água viva,
E evitarei os tropeços.
Observarei você...
Voarei, voarei,
A longa distancia irei.
Quando o cansaço bater
Pousarei na harmonia
E em sua imensidão,
Em seus braços que me envolvem
Em qualquer situação.
Desistir da escalada, jamais farei!
Pois os braços que me embalam
Irradiam-me energia,
De felicidade e de amor.
Então base de tudo
Nesse meu coração.

Jesusa Perez Estevez
São Cristovão - RJ - Brasil
www.Jesusaperezestevez.com
 

 
 

 

Joana Rodrigues Alexandre Figueiredo

 
 

UM MERO ENGANO
Joana Rodrigues Alexandre Figueiredo


Quando todas as pétalas caírem,
Tu será o vento que as levará para longe...
Enquanto o aroma
Que ficará impregnado,
Será não menos, que a lembrança;
Da minha breve passagem pelos teus dias.
Assim também, é o teu amor por mim,
Que nunca foi, não é, e jamais será;
Apenas consta de um mero engano.

Joana Rodrigues Alexandre Figueiredo
Juazeiro do Norte - Ceará - Brasil
http://www.joanarodrigues.prosaeverso.net/

 
 

 

João Bosco Soares dos Santos

 
 

IMAGENS E SONS
João Bosco Soares dos Santos


Uma janela aberta
Expia a paisagem caminhando no tempo.

Uma música leve e solta
Parte alando
Em busca de sensibilidades,
Mas volta desolada
Por não conseguir envolver nenhuma emoção.

Nuvens escondem o sol
E tudo escurece
Chove.

Um homem perdido
Na calçada estendido,
Fica esquecido
Sem ser percebido.

A morte o abraça
Livrando-a da desgraça
Que sua vida sem graça
Lhe deu de graça.

E maltrapilho
Fica esquecido
Todo encolhido
Quase erodido.

Todos olham
Mas ninguém
Quer ver
Nem perceber.

As horas passam
Tecendo o tempo
Que indiferente
Continua a tragar
Definitivamente
Vidas e seres
Eternamente.

Do livro “TOCATAS”


João Bosco Soares dos Santos
Salvador - Brasil

 
 

 

 

 

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