FÉNIX

 

LOGOS Nº 9

JULHO 2014

= POESIA =

 

 

 

João Coelho dos Santos

 
 

EM ALGUM LUGAR
João Coelho dos Santos


Flutuo acima de mim mesmo, em algum lugar.
Sem pressas chegou a noite.
Lenta e sossegada caminhou a madrugada…
Saudoso de ti, despertei embalado
No colo da manhã.
Cheguei à entrada do dia e bati à porta.
Ninguém respondeu. Meus sonhos, abri.
Afoito, atravessei o vento e desvendei segredos
Que despi… num lugar qualquer.
Enquanto o luar beijava as estrelas,
Acariciei a dor da saudade, ramo florido de sorrisos
E viajei no comboio da ausência
Até à gare da saudade.
Será castigo a saudade?
É uma dor gostosa que a nós se cola.
Vou rejeitar, fugir da saudade amarga.
Há tanta gente que nada mais tem senão saudade…
A saudade tem sons e imagens que me perseguem
E sombras que me abraçam.
Algures, à lua, espelho do infinito, gritei:
- Será que já dei tudo que tinha para dar?
Não sei!

do livro 70 - SETENTA - 70


João Coelho dos Santos
Lisboa - Portugal

 
 

 

João Evangelista Rodrigues

 
 

CANTO O RIO
João Evangelista Rodrigues


canto o rio que passa
o rio que canta quando passa
a borboleta fugidia
a multidão sem rosto
sem repouso
canto a volátil melodia do pássaro

João Evangelista Rodrigues
Belo Horizonte - MG - Brasil

 
 

 

João Felinto Neto

 
 

AO ABATEDOURO
João Felinto Neto


Os políticos minha gente,
São cartas de naipes diferentes,
Mas pertencem ao mesmo baralho.
São corruptos pra caralho
E se fazem de decentes.

Não se engane minha gente,
Só existe um inocente,
O eleitor esse otário
Que acredita no trabalho
E elege para o cargo
Um vagabundo incompetente.

Num país de dirigentes
Desonestos e larápios,
O cidadão é lesado
Indiscriminadamente.

E por isso tristemente,
É que eu comparo,
Essa gente é como o gado,
Passa a vida confinado
E caminha conformado
Pro abatedouro em frente.

João Felinto Neto
Mossoró - RN - Brasil
http://blogdopoetajoaofelinto.blogspot.com.br/

 
 

 

João Vitor de Souza Bastos

 
 

QUANDO NASCI...
João Vitor de Souza Bastos


Nasci tão inesperadamente,
Que, na hora, não conseguia pensar em nada.
Escutava vozes e alguns sons estranhos,
Era tão pequenino e gordinho,
Que parecia uma bolinha de algodão.

Não importa o dia,
Muito menos a data,
O importante eram as pessoas
Que ali estavam.
A única coisa que elas não sabiam,
Era que uma peste havia nascido.

João Vitor de Souza Bastos
Porto Alegre - RS - Brasil

 
 

 

Joaquim Marques

 
 

QUAL O MISTÉRIO?
Joaquim Marques


Afastamos-nos demais para poder tornar
Aos jardins d’outrora, onde há açucenas.
Porém, inda sentimos seu perfume no ar
E, nossos olhos, espiam entre melenas…

Com alguma sagacidade descobrimos
Os mistérios que envolvem essa flor.
Ao desmistifica-los, concluímos
Que, senescencia não rima com vigor.

Hoje, já nenhum espelho nos ilude
Porque num reflexo, ele nos transmite
Que, velhice não rima com juventude.

No perfume que a açucena exala,
Estão os mistérios que ela nos omite;
Todos eles inseridos na virtude.

Joaquim Marques
Gaia - Portugal

 
 

 

 

 

Livro de Visitas