FÉNIX

 

Edição Especial "Mulheres pela Paz"

 

Nequitz Miguel - Delicadeza

 

 
 

António Barroso (Tiago)

 
A PAZ NA MINHA ALDEIA
António Barroso (Tiago)

Olho, ao longe, lá do monte,
a minha aldeia branquinha,
logo na margem do rio;
na linha do horizonte
vejo o verde, abraço o rio
que se espreguiça na areia.
Quando a gente se avizinha,
sobre nós fica a pairar
uma ténue nuvem, no ar,
é a paz da minha aldeia.

Um dia, parti, pensando
que, no mundo, mais havia
onde pudesse aprender,
mas vi os povos lutando
e a gente humilde a sofrer
sem comida e sem candeia,
morrendo sem companhia,
e no meio da frustração,
relembrei, com emoção,
toda a paz da minha aldeia.

Eu tentei mudar o mundo,
empenhei-me, com fervor
e o peito cheio de esperança,
mas fui sempre um vagabundo
sem despertar confiança,
embora de alma bem cheia
de compreensão e de amor,
que a profissão de poeta
não passa, como profeta,
essa paz da minha aldeia.

Vi cidades apinhadas
de gentes, em correria,
tudo calcando, à passagem
tentando sempre, apressadas,
chegar ao fim da viagem.
Quis fugir dessa colmeia
que não tem noite nem dia,
e voltei, por fim, exausto,
sem querer luxo nem fausto,
só a paz da minha aldeia.

António Barroso (Tiago)
Parede - Portugal
 
 

Antonio Cabral Filho

 
PAZ
Antonio Cabral Filho

Na multidão em que sigo,
há anseios por demais;
cada um leva consigo
sua bandeira de Paz!

Antonio Cabral Filho
Rio de Janeiro - Brasil

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António D'Araújo

 
MULHERES EM CÁRCERE
António D'Araújo

Olhos que falam.
Corpos que sentem.
Sorrisos ausentes.
Almas que gemem.
Consumindo-se entre sonhos e desejos dentro de si mesmas,
elas exalam a alegria do existir como mulher, nem que seja
por um segundo.
E assim livrarem-se do profano inferno, que é o de não poder
serem elas mesmas todos os dias.

António D'Araújo
São Bernardo do Campo - Brasil
 
 

 

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