FÉNIX

 

Edição Especial "Mulheres pela Paz" -  2017

 

Gaiô -0021 

 
 
 

Antonio Cabral Filho 

 
 

HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DE CAROLINA MARIA DE JESUS
Antonio Cabral Filho

Para CAROLINA MARIA DE JESUS eu compus uma série de trovas, e abordo a psicologia de CAROLINA, sua mineirice, suas desconfianças, seu modo arredio com o mundo, pois como descendente de escravos, que também sou, não é possível se deixar "levar" por nada nem por ninguém. Daí, ela ter sido mulher solteira, como sua mãe e, até onde dá para perceber por seus diários, seu avô materno também tinha coração nômade.

1
Carolina, de nascença,
é Maria de Jesus,
sem saber qual a sentença,
carregou a sua cruz.
2
De nascença, foi bastarda,
mas foi seu SÓCRATES NEGRO
quem mostrou-lhe quantas jardas
anda quem não paga arrego.
3
Muito cedo foi pra lida,
suar o sal do seu pão
e conhecer esta vida
nos palcos da exploração.
4
Primeiro, aturou madame,
aguentando humilhação,
mas viu tanta coisa infame,
que virou arribação.
5
Foi fazer do dia-a-dia
pelas vias da cidade
templo de filosofia,
sem implorar caridade.
6
Trabalhou de sol a sol,
como faz o garimpeiro,
mas a pepita maior
foi o seu berço primeiro.
7
Foi pessoa de respeito,
erguendo alto seu pejo,
guardou as mágoas do peito
no seu " Quarto de despejo."
8
Mas Carolina é Maria,
inspiração de Jesus;
a "Casa de Alvenaria"
veio aliviar a cruz.
9
Passou por muitos percalços,
mas nada sujou seu nome;
nem a força dos fracassos
nem os "Pedaços da Fome."
10
Irradiou seus "Provérbios"
no "Diário de Catita",
sem ligar a lei dos verbos
à lei da sua desdita.
11
Da Sacramento mineira
para a "Canindé paulista",
Carolina foi guerreira
metendo a cara na pista.
12
Sempre foi mulher solteira,
mãe à suas próprias custas;
como não foi a primeira,
fez para si leis mais justas.
13
Carolina de Jesus,
Maria livre de laço,
foi livre porque faz jus
ao seu quatorze de março.
14
Carolina proletária,
Maria de Jesus é
também revolucionária
pelas letras de Tomé.
15
Carolina e Castro Alves
trazem bandeira no mastro:
Coincidem nos entraves
e no quatorze de março.
16
Mas Carolina é demais,
extraiu seu pão da rua
e quanto mais ela sua
mais crê naquilo que faz.

Antonio Cabral Filho
Rio de Janeiro - Brasil
letrastaquarenses.blogspot.com.br
antoniocabralfilho.blogspot.com.br


ACF nasceu em Jampruca, ex distrito do município de Frei Inocêncio - Mg, aos 13 de agosto de 1953. É tecnico em contabilidade, promotor cultural, radialista, escritor e poeta com 15 obras publicadas solo e participação em 70 coletivas. Promove o concurso de trovas Antologias 100, já na 4ª edição com o tema rapariga. Confira:https://antologiabrasilliterario.blogspot.com.br/

 
 
 

António da Cunha Duarte Justo

 
 

NAS PEGADAS DA FEMINIDADE
António da Cunha Duarte Justo

Mulher é vida, a flor da terra no céu concebida
Mulher é terra sagrada onde um raio de Céu se abriga
Mulher é o mar profundo onde o sentimento do homem navega
Mulher é o tu da vida a encontrar-se no nós

Mulher é o templo de Deus onde o génio do homem leveda
Mulher é fogo vivo que a mente tempera
Mulher é a alma da sensação a quebrar a dureza do deserto
Mulher é a janela da vida entre as cortinas das ideias a gozar as ondas da fantasia

Mulher, encantado encanto, em ti canta o Céu, que em mim a vida toca
Mulher, em ti o mundo acorda e a graça canta
És a poesia do desejo que o mundo sustenta
És a sombra projectada que de mim foge e de mim me afasta

Mulher não é só ela, ela é a feminidade também no Homem a querer brotar
Mulher é o mundo inteiro, o eu do outro, a encontrar-se no nós
Mulher é a pegada do Espírito no tempo

António da Cunha Duarte Justo - Portugal
em Kessel - Alemanha
Pegadas do Tempo - http://antonio-justo.eu


Teologo e Pedagogo - Escritor, conferencista e palestrante. Prof. de Líng. e Cult. Port., de Ética, e docente delegado da disciplina de Português na Universidade de Kassel e na Folkshochschule Kassel;Conselheiro consultivo do consulado Frankfurt; V. Presidente da Associação ARCADIA, Arte e Cultura em Diálogo, na Branca/Portugal.

 
 
 

António D'Araújo 

 
 

SUTILEZA
António D'Araújo

Seria tão fácil ser feliz,
Se tudo neste mundo,
tivesse,
A delicadeza do teu
olhar,
A sinceridade do seu
sorriso,
A sutileza do teu
espírito,
E a doçura do teu
Ser,
ó bela flor você
mulher.

António D'Araújo
São Bernardo do Campo - Brasil

 
 

 

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