FÉNIX

 

Edição Especial "Mulheres pela Paz" -  2017

 

Nequitz Miguel - O dia da liberdade

 
 
 

Christina Ramalho

 
 

SANGUE ABSTRATO
Christina Ramalho

Sangro.
Logo não sangrarei mais.
E no sangue que sangrei
ficarão poças de espasmos
dores ancestrais
e reinventadas
pelas dobraduras do tempo.
Parte da mulher
partirá como a porcelana
que cumpre
inexorável destino
de tombar da prateleira
onde a vida reteve
a fecundidade do jardim.

Outra parte
renascerá dos cacos
japonesamente resgatada
não na capacidade de ser pólen
mas na tenacidade perene
da flor que vai além
de pétalas e corola,
flor que por ser infinita
extrapola
o signo imposto
de só ser flor
na existência da abelha
ou na do beija-flor.

Sangro.
Logo não mais sangrarei.
E o que era sangue,
rosário com que me vestiram,
será o perfume santo
que perpetua no espaço
a impermanente permanência
da flor que o mundo esmaga
e a força viva da mulher
resgata com o sangue
contínuo e abstrato
de sua existência concreta.

Christina Ramalho
Aracaju - SE - Brasil


Christina Ramalho é carioca, professora da Universidade Federal de Sergipe, doutora em Letras (UFRJ, 2004) e autora e organizadora de 26 livros (crônicas, contos, poemas, crítica literária e historiografia literária). Especialista no gênero épico.

 
 
 

Cida Vieira

 
 

PAZ E LIBERDADE
Cida Vieira

Mar de sentimentos escorrem dos olhos
Marés invadem corações
Ondas se partem sob os pés...
Noites de solidão... Absurdas manhãs
Neve e sol queimam as lágrimas
Tempestades devastam flores inertes
Pessoas se perdem sem ideais, sem palavras...
Completamente áridas!
Precisamos de muitas vozes
Rasgando as noites de horrores
Precisamos do canto explodindo as dores
Precisamos do grito soltando as mágoas...
Vamos nos permitir sonhar e nas asas dos sonhos
Voar o mais alto que pudermos
Retornaremos com as mãos cobertas de estrelas
Pedaços de lua no céu da boca
Pintaremos nos quadros suspensos do medo
Um novo amanhã, com sorrisos e arco-íris
Resgataremos as noites e seus encantos
Despertaremos os dias e seus desafios
Nas ruas exércitos de poetas anônimos
Marcharão vestidos de poesias
Com estrofes e rimas destruirão barreiras
Escreverão nos livros uma nova história
Devolvendo a vida em bandeiras de paz e liberdade!!!

Aparecida Moreira Vieira - Cida Vieira
São Paulo - Brasil
Nascida em São Paulo/Capital, neta de portugueses. Sou libriana, nascida em 13/10. Desde muito cedo apaixonada pela escrita e amante da poesia.Sou uma pessoa em constante transformação, reconstrução, aprendizagem. Tenho fome de vida, de afeto, de amizade e justiça! Caminharei sempre com fé, amor, esperança e poesia, pois acredito num mundo de Paz e Liberdade para todos!

 
 
 

Clara Lúcia Leite de Araújo

 
 

SER MULHER
Clara Lúcia Leite de Araújo

Mulher, ser humano
Do sexo feminino-
É o que diz o dicionário.
Mulher, um ser intrigante:
Ser forte e ser fraco;
Sabe falar e calar;
Amar e disciplinar;
Agradar ou desagradar
Os olhos de muita gente.
Batalhadora, valente;
Cuidada ou descuidada;
Capaz dos filhos gerar
Ou mesmo não procriar.
Mulheres nascem iguais
E, ao longo da vida,
Vão e vão construindo
A sua própria identidade.
Respeito o seu gênero.
Aceito o seu novo ser,
Respeito o seu viver:
Aceitando-se mulher
Não se vendo mulher,
Ou querendo ser mulher.
Valorizada ou desvalorizada
Mulher é um desafio.
Mulher é sempre mulher.
Mulher não deixa de ser.

Clara Lúcia Leite de Araújo - Se aceitando mulher
Timóteo - MG - Brasil


Formação em Letras. Pós-graduação – Língua Portuguesa.Participação na AVSPE-Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Publicação de poesias em Antologias Poéticas do CLESI(Clube dos Escritores de Ipatinga MG-BR; 3º lugar no 1°Festival de Poesias de Conservatória–RJ-BR. Participação-Edição Especial “Mulheres pela Paz” 2016 e Antologias Logos da Fénix (Portugal).

 
 

 

Livro de Visitas