FÉNIX

 

Edição Especial "Mulheres pela Paz" -  2017

 

Nequitz Miguel - Mundo dos sonhos

 
 
 

 Joana Rolim

 
 

MULHER
Joana Rolim

Quando a vida metamorfoseia
Os segredos da menina,
E ela cala o anseio de liberdade,
A felicidade cômoda se aninha
Em seu coração centrada.

Não mais existe a relva orvalhada
Que molhava de vida seus pés sedentos,
Nem o riso vermelho
Explodindo em gargalhada
Ao ver lhe fugir o pássaro
Mostrando o livre espaço.

Silenciada, à espera de um destino.
A mãe como guardiã:
- Filhinha, menina não age assim!
Os vestidos, os sapatos, a flor no cabelo,
A espera, a janela,
O ruído do coração...
No espelho, os olhos atordoados
Perguntam:
- Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

E um grito revolve as entranhas de sua mente,
Um grito rouco
Que engasga
E roça nas paredes do eu-mulher.
É um sentir transformado em sofrer,
Que rói a alma,
Desalojando ideais,
Manipulando rigidamente
As cordas da vida.

Dupla realidade:
Uma, cristalizada,
Refletindo gestos prontos,
Os sonhos do não-ser,
A felicidade.
Título: mãe.

A outra, um enigma:
A mulher e a vida,
A batalha de ser.
No confronto, a decisão:
A escolha da liberdade.

Joana Rolim
Curitiba - PR - Brasil
www.joanarolim.blogspot.com


Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira
Dramaturga (10 peças montadas e apresentadas)
Livro de poemas: O Sensual de uma forma só nossa.
Romance: O Sorriso do Gato Sedutor ( sedução na internet)

 
 
 

João Alberto de Faria e Araújo

 
 

POR QUE UM DIA PARA A MULHER?
João Alberto de Faria e Araújo

Por que um dia para a mulher?
Por que apenas um único dia?
Para que os homens se redimam e se curvem
diante de sua majestade
por tê-la esquecido nos outros 364 dias e 6 horas?
Para que o mundo se incline e reconheça o seu valor,
admitindo que nem sempre ouve o seu clamor?
Por que um dia para a mulher?
Por que apenas um passageiro dia?
Ora, grosseira hipocrisia!
Retirem a mulher do planeta e o que sobra
se mesmo a Natureza é mãe nossa?
Não obstante a essa louvável mostra de reconhecimento,
porém efêmera no meu reles ponto de vista,
a mulher segue em seus multíplices papéis de guerreira,
de fortaleza, de educadora, de exemplo,
de alicerce da família,
de amor que acalanta, de diva que inspira,
de sereia que desfila pelas areias
enquanto o mar se põe aos seus pés.
A despeito da violência que ainda sofre, a mulher,
mesmo alijada de seus direitos
em toda parte desse nosso ínfimo ponto azul,
que vaga errante no ventre do universo,
se mantém firme em sua missão de sustentáculo da vida.
Mas se há, pelo menos, um dia para exaltá-la,
então, que bem o usemos.
No entanto, ainda ressalto:
a mulher não precisa da superficialidade
nem da transitoriedade de um dia,
mesmo que especial, nem de um presente seja ele qual for,
joia ou liquidificador.
A mulher precisa, todos os dias, é da candura de um afeto,
da verdade do respeito, da sincera importância que merece,
de cuidados, de vez e de voz. O dia, o presente, pode até vir,
mas que venha acompanhado de gratidão, de companheirismo;
de cumplicidade; de olhares apaixonados; de abraços apertados;
de doces palavras ditas, baixinho, ao pé do ouvido;
de beijos molhados e demorados; da carícia que arrepia;
de sexo com amor;
de entrega; do aconchego de um gesto; de sorrisos escancarados;
de gota de orvalho; de noite estrelada; de brisa refrescante;
de campo florido; de lago cristalino; de oceano verde azulado;
de nuvem no céu; de passarinho cantando; de silêncio; de poema;
de serenata; de buquê perfumado.


João Alberto de Faria e Araújo
Joinville/Santa Catarina/ Brasil
https://www.facebook.com/entreletraselivros
http://www.flipsnack.com/968B8AFEFB5/


João Alberto de Faria e Araújo - Comunicólogo, Bacharel em Relações Públicas pela Universidade Gama Filho do Rio de Janeiro. Pós-graduado em Mediação e Arbitragem pela Univille/SC. Poeta e escritor premiado em concursos literários nacionais e de abrangência internacional. Tem obras publicadas em diversas antologias, blogs, jornais e revistas no Brasil e no exterior. É membro da SBPA – Sociedade Brasileira dos Poetas Aldravianistas.

 
 
 

João Baptista Coelho 

 
 

MULHER SEM ROSTO
João Baptista Coelho

Mulher! Algo diverso no planeta.
Quiçá a obra mor da Criação.
Parida duma cauda de cometa,
que luz ela irradia em profusão.

Olhando o seu perfil e a silhueta,
ninguém lhe sabe ler a dimensão.
Talvez que só, se meça na grilheta
com que ela nos enreda o coração.

Mas seja ela márcia ou pacifista,
letrada, mulher-povo, idealista,
ou só obscura mãe ou professora,

eu vejo-a, por princípio, no meu peito,
um ser quase irreal, um ser perfeito,
se alia o ser mulher ao ser senhora.

João Baptista Coelho
S. Domingos de Rana - Cascais - Portugal


JBC nasceu em Lisboa, em 29/4/1927. Conta no seu "palmarés", até Agosto/2015, com mais de 1500 distinções que lhe foram atribuídas. Tem sete livros de poesia publicados e mais catorze aguardando publicação. De entre os galardões que lhe foram atribuídos, contam-se o "Prémio Políbio Gomes dos Santos" - (2001/Ansião); o "Prémio Universitária Editora" - (2006/Lisboa); o "Prémio CGTP/IN - (2008/Lisboa) e o "Prémio Bocage" - (2011/Setúbal).
No ano de 2004 o Município de Cascais agraciou-o com a "Medalha Municipal de Mérito Cultural".

 
 

 

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