FÉNIX

 

Edição Especial "Mulheres pela Paz" -  2017

 

Carola Justo - Princesas da Rota da Seda

 
 
 

Nequitz Miguel 

 
 

QUANDO NASCESTE, MULHER...
Nequitz Miguel

Quando tudo parecia tão sem graça
Tão sem vida
Quando a vida não valia ser vivida
Ser mais vida
Tive noticias suas
Soube que virias pra ficar
Feito colheita, que se colhe sem plantar.
Seja a vida mais que vida mais que vinda,
Linda vinda
Vinda bela
Que seu nome se resuma em coisas belas
Isabella, Isabella!

Nequitz Miguel
Juiz de Fora - Brasil


Artista plástica nacional e internacional. Dama Comendadora da FALASP e da ALAB, Acadêmica da Artpo, Comendadora da Divine Académie des Arts Letters ET Culture e Doutora Honoris Causa pela Associação Brasileira de Desenho Artes,Acadêmica da ALAB Academia de Letras e Artes Buziana, Embaixadora da Divine Academie des Arts Letter ET Culture, Embaixadora da Paz do Centro de Estudos Filosóficos Históricos, Membro do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa.

 
 
 

Neusa Maria Machado Pena

 
 

PROCURAS
Neusa Maria Machado Pena

Pôs seu vestido negro
E saiu a caminhar
Procurava a paz sonhada
Procurava o seu lar.

Aconteceu sem ninguém ver
Desatou o nó do amor
A mulher simples sentiu
O pranto, a solidão, a dor.

Sob olhos adormecidos
Viu o encanto apagar
Onde estás a paz sonhada?
Onde está o seu lar?

Em cada rosto uma esperança
Novos rumos, novo amar
Caminhando de encontro à vida
Indo de encontro ao lar.

Neusa Maria Machado Pena
Pirapetinga - MG - Brasil


Graduada em Letras e pós graduada em Educação Inclusiva, professora aposentada pelo estado de MG. Adora escrever poemas que retratam vidas e pessoas

 
 
 

Nicolau Saião

 
 

ANUNCIAÇÃO
Nicolau Saião

As mulheres do vento parado como um planeta extinto
as mulheres doentes as mulheres que cantam com surpresa
o seu vestido estranho como uma renda como uma absurda mancha
as mulheres do meu dia como um peso de cores distintas

entre mim e o céu

Entram pela minha boca e censuram-me docemente

Aqui, diz uma, puseste o horror de um velho instante
ali, diz outra, não deixaste repousar os devaneios
Há uma que paira, como se me fitasse a direito, com as mãos
junto da testa, perto dos olhos, os lábios palpitando
estremecendo como uma pétala sobre a água
Mulheres de negro, afagando pastas de couro em lojas improváveis
escrevendo em papéis antigos fórmulas de gentileza
Mulheres que a diabetes assolou como praga medieval
mulheres de pernas como lírios rosados
andando ao longo duma estrada francesa
as árvores coloridas formando uma cortina imprecisa

Job de rosto erguido amargo senhor das angústias
a sua face trémula tão igual à do Senhor na noite de suor e remorsos
a sua mulher por detrás, arrepanhando as vestes

Dizei-me mulheres onde com que luz a vossa fotografia se encarquilhou
na madeira queimada das velhas casas onde medrava a guerra
Vós sois o sustento dos pontos cardeais

Lembro-me de ti, Marion, o rosto rodando como um guindaste
e o fumo que soltavas com um meneio elegante da mão esquerda
o fumo espalhado no parque abandonado
os olhos tranquilos frios
A rua solitariamente sob a noite de Junho
e o cão o velho cão dos bosques que trotava muito devagar

A vossa figura palpitante, mulheres, irisada obscura
à luz frouxa da manhã e o frio subindo até às portas como um animal
a morrer.

(do livro a ser lançado brevemente - Editora “Apenas Livros” - “ESCRITA E O SEU CONTRÁRIO”

Nicolau Saião
Portalegre - Portugal


NS – Poeta, pintor, ensaísta e actor-declamador, nasc. Monforte do Alentejo, Portalegre em 1949. Prémio nacional Revelação/Poesia 1990 da Associação Portuguesa de Escritores pelo seu livro “Os objectos inquietantes”. Publicou ainda “Flauta de Pan”, “Os olhares perdidos”, “Passagem de nível”(teatro), “O armário de Midas”, “As vozes ausentes”. Exposições de pintura, individuais e colectivas, no país e no estrangeiro.

 
 

 

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