FÉNIX

 

Edição Especial "Mulheres pela Paz" -  2017

 

Carola Justo - Protetoras de segredo

 
 
 

 Sidnei Piedade

 
 

MULHERES PELA PAZ
Sidnei Piedade

Mulher é ternura, pecado e luxúria vivendo um sonho encantado
anulando seus planos para agradar seu amado,
ela tira a roupa, faz a cama, vira a mesa
e por onde passa algo acontece.
Ela veio do paraíso encantando nossos olhos,
prendendo nosso coração, sendo alvo, caça e caçadora.
És salutar no amor e natural no afeto,
onde tem o poder de moldar o caráter de um ser.
Mulher no jardim da vida é a mais linda rosa...
rosa-mulher, pois são flores dos amantes...
é a criatura mais amada e adorada,
estrela divina e natureza viva....discreta no sorriso e prazer.
Sua pureza e beleza, sua curva e desejo,
é a pérola cristalina que se chama mulher.
És amiga e companheira e por todos são adoradas,
onde as honras são dedicadas, todas flores são dadas....a ti mulher.

Sidnei Piedade
Assis - S Paulo - Brasil

 
 
 

Silvana Mello

 
 

MULHER
Silvana Mello, IWA


À todas as almas femininas, mulheres, meninas, bruxas, devassas e santas, somos tantas!
Às tantas guerreiras Marias! Maria Águeda, negra e pobre que ousou dar seu grito de repúdio a uma sociedade escravagista e preconceituosa! À Maria da Penha, seu basta à violência derrubou muros de medo, vergonha, solidão e impotência. Sua coragem deu vida e voz a todas nós.
E no eixo imaginário,
Giram vidas e Marias,
Giram fotos rasuradas
De papiér maché e tinta!

À Nise da Silveira, que combateu o mundo esquizofrênico de sua época.
Deu vida à arte para rostos sem identidade,
Deu identidade para rostos sem vida,
Fez projetar imagens do inconsciente, em barro, papel e gente,
Derrubou conceitos enraizados,
Reatou vínculos,
Tornou-se imortal!

À Natacha, espancada e queimada. Seu pecado? Alma feminina encerrada em um corpo masculino. O abandono a levou por caminhos tortuosos, sucumbindo à miséria humana.
Na solidão me faço única,
Sem barreiras, sem fronteiras,
Nua em pêlo,
Face nua,
Face a face.

À Malala, mulher-menina. Nobel de força e coragem contra a ignorância de tantos. Mesmo subjugada, acreditou que pudesse mudar a realidade de muitas.
Deu rosto e voz a luta contra séculos de preconceito e ódio,
Ousou espalhar sonhos e abrir os olhos do mundo.
Acreditou na única arma que pode mudar o homem, A Educação,
Por ela lutou, sangrou, mas não feneceu.

À todas as meninas, violadas no corpo e na alma, que perdem o riso, o viço e nem chegam a conhecer a esperança.
Jorrou em célula virgem
Tecido real, limpidez
Evaporou-se por entre chagas e plebeus.

À todas aquelas que doam seu corpo e sua alma para gerar, cuidar, educar e amar,
À alma maior, sagrado feminino que nos habita,
Ao ventre que nos gera,
À Gaia, mãe de toda terra,
Às Marias, Natachas, Nises, Malalas,
À todas as poetas, almas femininas, mulheres, meninas, bruxas, devassas e
santas, que bom que somos tantas!

Silvana Mello, IWA
Curitiba, Paraná, Brasil


Jornalista, professora, participou da Feira do Poeta nas décadas de 80 e 90. Foi uma das vencedoras dos Concursos de Poesia, Marilda Confortin em 2015 e Alice Ruiz em 2016, e teve seus poemas publicados em livros com os outros vencedores. Participou das Antologias Conexão I e II (Feira do Poeta) lançadas em 2015 e 2016. Membro da IWA. Atualmente escreve uma coluna sobre poesia no site Curitiba de Graça.

 
 
 

Silvia Simone Anspach

 
 

ALMA MATER
Silvia Simone Anspach

Foste deusa um dia em Willendorf
Fertilidade sem idade, tantos seios e curvas
Turvos desígnios, manando maná, leite e mel
Dos véus da Mãe Terra, ferindo o calcanhar de Gea
Serpente de Sapiência, julgamento e juízo
Fé e siso; choro e riso.
Outrora Vênus, hoje mendigas nas ruas de Nova Deli ou Ruanda.
Teus seios murchos de desalento
Em teu regaço, um rebento faminto como teu coração
Sedento de abraços, laços humanos cedendo ao cansaço.
Quantas, como tu, foram final e violentamente libertas
Do tempo e do espaço, descanso eterno, após uso e abuso,
Acusações de bruxaria ou de indevida Sabedoria
Nas Inquisições ou na teia das paixões.
A noite e o irracional te abafam a voz
O dever te ata em invisíveis nós.
Carpe Diem - grita a mãe do lazer
Traiçoeiramente te escravizando em bordéis de doloroso prazer,
Teu sagrado corpo saqueado, profanado
Sereia estéril, útero arrancado.
Um Cristo morto em teus braços,
Tu és agora Pietá no Vaticano
Um dia esfaqueada por um louco, sempre desprezada por não poucos.
Vitrais eclesiais exibem teus gritos abafados,
Em rostos de Madonas azuladas,
Desafias Futuro, Presente, Passado.
Segues acalentando teu destino final, fatal:
Acolher o Bem ou o Mal
Ventre que gesta e abraça o amigo, o inimigo
Com amoroso perdão, sacrificando o ego em desapego.
Gênese e Apocalipse, santidade ou degredo
Paz na guerra
Através e apesar do Eterno
Maternidade: no Céu, na Terra, no Inferno.

Silvia Simone Anspach
São Paulo – S.P. - Brasil


PhD em Comunicação, (Brasil e EUA), Mestre em Linguística Aplicada (Inglaterra), Especialista em Psicologia Analítica, Psicanalista, Bacharel em Letras (Br.). Foi Fulbright Scholar na UNC – EUA. Seus livros: Entre Babel e o Éden; Arte, cura, loucura; Melosofia; A psique e a religião; Patches and Sketches; Veneno (coautoria), diversos textos em periódicos e livros no Brasil e no exterior. Vários prêmios e distinções.

 
 

 

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