Carmo Vasconcelos

 

"LUAS E MARÉS"

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NOTA DA AUTORA


Queridos leitores, poetas e amigos:
Porquê o título: “Luas e Marés”?
“Contemplando o Universo, o homem da antiguidade esforçou-se por descobrir seu lugar no complexo esquema cósmico, como fonte natural de ideias, inspirações, dúvidas e desejos. Sua contemplação, consequentemente, levou-o a procurar uma ligação entre sua vida em geral e os seguintes processos: a sucessão das estações, desde o florescer dos campos na primavera; o fluxo e refluxo da natureza viva, com seus ciclos regulares de nascimento, crescimento, declínio e deterioração, para depois renascer. Havia uma simetria nesses processos sistemáticos do céu e da Terra, que levou o Homem a conceitos como, harmonia, beleza, unidade na diversidade, e Lei Universal.
Em função de suas experiências diárias e de seus mais profundos pensamentos, concebeu o Homem a ideia da estreita relação entre sua vida e o ritmo geral do Universo.
À medida que tentou estabelecer uma relação entre ele próprio e o Universo, criou o Homem as primeiras cosmogonias, maravilhosamente ricas em simbolismo e profundas visões. A partir do alvorecer do homem reflexivo, essas profundas ideias passaram a assumir formas particulares, segundo a cultura de cada época, através dos egípcios, dos órficos, dos gnósticos, dos gregos, ao longo da Idade Média, e até ao presente. Em particular, a cosmogonia egípcia antiga contribuiu com algumas ideias ou concepções profundas, definitivas, levando a conhecimento sobre o Homem e o Universo.”
(Excerto da minha conferência “O Homem e o Universo” - 13/01/2003)

Isto, para vos dizer, queridos amigos, que o meu aglomerado de versos (assim como os vossos) nada mais é do que fruto de alguns momentos de especial captação da miríade de vibrações que circulam neste Universo que nos abrange, descodificadas pela mente de cada um de nós, e exteriorizadas na forma objectiva da palavra, que usamos consoante as directivas da nossa sensibilidade. Porque… não tenhamos ilusões, amigos, nada inventamos! Tudo nos é trazido pelo Cósmico, a nós, como receptores plenos dessa Energia Vibratória Superior que nos circunda. Mas são os poetas, com a sua profunda sensibilidade e apurada intuição, que melhor captam no “ar” o inaudível e o invisível para a maior parte dos seres, e os descodificam em poesia. E as “Luas e Marés”, exercendo uma profunda influência em todos os seres viventes, não são alheias a este nosso processo de descodificação poética.
Obrigada, queridos leitores!
Nesta partilha, vai também para vós,
o meu profundo afecto, na ligação cósmica que nos une.

Carmo Vasconcelos

A  PALAVRA
Carmo Vasconcelos


Seja escrita ou falada,
seja rimada ou cantada,
a palavra é milagrosa!
Tão milagrosa que a gente
a manipula e a sente
como arma poderosa!

Ela é desprezo e amor,
estrume, pólen e flor,
estrela, lama e chão!
Pacifismo, violência,
pornografia, inocência,
praga e também oração!

É perfídia, honradez,
abnegação, mesquinhez,
raiva, beijo e ciúme!
Também é água da fonte,
maré, abismo e ponte,
degelo, paixão e lume!

Por vezes é alimento,
é sol, chuva, fermento,
que sustenta e aduba!
Por outras, é sofrimento,
luxúria, vício, tormento,
e açoite que derruba!

Com ela o mundo se espanta,
por ser satânica e santa,
bálsamo e droga infecta!
Guilhotina e perdão,
liberdade e prisão,
vómito de boca abjecta!

Pode ser batalha ou trégua,
conforme a bitola e régua,
do espelho da consciência.
Também é rosa e espinho,
cardo, jasmim e carinho,
escravidão, independência!

Ela é freira, meretriz,
pântano, pomar, raiz,
pureza e poluição!
É profana e sagrada,
afago e chicotada,
desavença e comunhão!

Mas para mim é um fogo,
e um mar onde me afogo,
eternidade e momento...
Êxtase, estupefacção,
poema, contemplação,
bailado do pensamento!

E para todo o Poeta,
A palavra é a dilecta,
eterna amante fatal,
e o Poeta quando parte,
só deixa como estandarte
a sua amante imortal!


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal / 1997

 

ÍNDICE

(Linque em "pág.x")

Pág.2 Pág.3 Pág.4 Pág.5
A CANÇÃO DA VIDA A UMA ACTRIZ ENTRE UM MILHÃO BAILANDO COM A CHUVA EQUILÍBRIO
A CORRIDA AMIGO CABELO BRANCO ÉS LIVRE?...
A DOIDA AO POETA… CARTA A BOCAGE ESPANTO
A FEIRA DA VIDA AS MÃOS DESACERTO ÊXTASE
A GLORIOSA ERA DOS DESCOBRIMENTOS AS NOSSAS CRIANÇAS… DIA DE SÃO VALENTIM FILHOS

Pág.6 Pág.7 Pág.8 Pág.9
INCÓGNITA MISCELÂNEA OS LIVROS QUANDO CHORAS
INSPIRAÇÃO?... NAVIO/ JANGADA PERDOA-ME QUANTOS?...
LOBO DO MAR NO BALOIÇO POETAS TEMPO
LUZ NA ESCURIDÃO NOS BRAÇOS DE MORPHEU PRECARIEDADE UTOPIA
MINHA RAIZ O MEU RIO QUADRA TROVAS À TOA

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