Dezembro de 2016

 

Ano VII - Número XLIV

 

 

 
 

 MAIS UMA NOITE...
Rosa Martins - rosamar 

tenho o peito tão apertado,
o meu coração deu um nó,
saíste tão magoado, tão triste, desesperado
e deixaste.me tão só...

vem amor da minha vida,
meus braços são a guarida, para toda a tua dor,
se fui eu te te pari, e de amor te revesti,
no meu colo tens Amor...

não guardes os teus segredos,
como se fossem brinquedos, que tu não queres partilhar
não vou fazer julgamentos, quero saber teus tormentos,
para depois te abraçar...

não há dor sem solução, e tu tens na tua mão,
tudo,
p'ra seres um Ser feliz
só precisas de encontrar, uma luz, um outro olhar,
que te mostre um caminhar, assentar, criar raiz...

as árvores morrem de pé, e eu sou a árvore da vida,
abraça a força que tem, a árvore da tua mãe,
se uma vez te dei vida, posso dar-te outra, também...
apenas tens que tentar, abrir o teu coração,
e meus braços são guarida seja qual for a razão,
que te faz sentir perdido, fala, diz ao meu ouvido,
todo o teu desespero, desenrola o teu novelo,
para que possa ajudar a desatar os teus nós,
não posso ver-te viver nessa tua dor atroz...

pensas que podes esconder, fingir que está tudo bem?'
a dor de um filho brilha, nos olhos de sua mãe...
 

 

Rosa Martins - rosamar
Moita - Setubal - Portugal

 

 

 
 

PRESENTE DE NOEL... PAPAI!
Por Rosa Pena 

 

Rodrigo tinha quatro anos quando os pais se separaram. Seu papai foi morar no Leblon e a mamãe ficou na Tijuca. Ele, bem cedo, descobriu a enorme distância do Túnel Rebouças, pois o pai dificilmente ia visitá-lo e a mãe justificava, dizendo que moravam longe. Esperou-o na festa do Dia dos Pais, mas o engarrafamento desse imenso túnel impediu a chegada do homenageado. O progenitor, que pena, mora cerca de três quilômetros de distância, quase trinta minutos de carro! Que coisa complicada!
Quando ele estava com seis anos, começou a descer para o play sozinho. Esperto e simpático, não ficou sem turma. Rapidinho, mostrou sua alegria de viver e a língua ficou totalmente solta. Ah! Primeira infância e terceira idade falam tudo sem vergonha alguma. O tempo intermediário entre elas é cheio de falsos pudores. Lembro que meu avô cantava na rua e não ligava pro mico. Na minha idade, se eu der uma risada mais alta, pago um big leão dourado e ainda levo fama de maluca.
— Leblon é no mesmo estado?
Rodrigo perguntou pro Alcir, o cinqüentão que virou seu melhor amigo por conta do cachorro Netuno. O homem era o dono de um labrador que quase virou do Rodrigo, tamanha a identidade entre os dois. Dizem que o cão escolhe o dono. Netuno escolheu os dois de uma vez.

— É no mesmo município. Apenas bairros diferentes — respondeu Alcir, desconversando.
Rodrigo tirava todas as suas dúvidas, até mesmo da escola com esse amigo. Aprendeu com ele a reconhecer no mapa os municípios, os estados, o país. O companheiro adorava mostrar os lugares que gostaria de ter conhecido, porém faltou a bendita grana. O cartão de crédito da esposa é que deu a volta ao mundo.
No seu aniversário de sete anos ele ganhou um filhote do Netuno. Deram-lhe o nome de Plutão, em homenagem ao anão. Agora, passeavam os quatro pela Terra, quer dizer: pela terra do jardim do condomínio. Plutão deu sorte de o pai morar na Tijuca.
Alcir, no Dia das Crianças, comprou uma mesa de jogar botão pra galera, inclusive ele. Mais uma distração para folgas e feriados que temos de sobra. Carnaval começa no réveillon e acaba nas férias de julho. Ou nem acaba? Rodrigo adorou e jurou que eles ainda vão para as Olimpíadas, muitas delas, em países longes, aqueles em que Alcir queria ter ido e não foi. Garantiu que vai levar o parceiro em todas. Dividiu esse seu primeiro sonho com o amigão, que sempre lhe deu e dá a maior força em tudo, como no dia em que sua mãe demorou a chegar. Chovia muito e ele chorou de medo. Alcir novamente ofereceu seu carinho e ele se acalmou. Descobriu com o cúmplice que a melhor coisa para espantar o medo é conversar sobre o próprio. "Se a gente falar da morte ela fica igual a qualquer coisa da vida", aconselhou o grande ao pequeno. "Os fantasmas ficam desmoralizados... Sacou, Rod?".
Ontem sua mãe mandou que ele fizesse logo sua carta pro Papai Noel, que pedisse o seu presente com bastante antecedência, para dar tempo de chegar no dia do Natal. Ele perguntou bem sério:
— Onde mesmo mora o Papai Noel?
— Pólo Norte, ela respondeu distraída.
— Não é nem no mesmo estado que o nosso, logo é bem mais longe que o Leblon. Quantos túneis Rebouças?
A mãe tentou explicar que era em outro canto da Terra, muito, muito mais longe que o Leblon cheio de sol. Um lugar coberto de neve.
— Então a carta vai ficar no engarrafamento?
— Não! Quer dizer (tentou disfarçar), acho que não.
— Posso trocar de Papai Noel? Prefiro o Alcir, que está sempre por aqui. O presente que eu quero é que ele nunca vá morar no Leblon.

Rosa Pena
Rio de Janeiro - Brasil
www.rosapena.com

 

 

 
 

 PENSO NAS PESSOAS QUE AMO COM MUITA INTENSIDADE
Rosalia Dinelli 


Penso nas pessoas que amo com muita intensidade. Penso no desejo que tenho de que elas sejam felizes, tenham saúde paz e sucesso. Esses pensamentos são mais fortes nessa época em que nos sentimos mais emocionados, mais dependentes das relações afetivas.Chegam as lembranças, as saudades dos entes que estão distantes e daqueles que habitam as plagas celestiais... mas a vida continua no seu curso de acontecimentos salutares, maravilhosos, inesperados e, às vezes, insatisfatórios.... Mas tudo passa e as luzes voltam a brilhar com intensidade em nossas vidas. É com este pensamento que encerro o punhado de palavras que nasceu de forma natural, sincera e improvisada. Meu carinho para todos.
Lembrei-me de um grande amigo, poeta de grande sensibilidade e que se dedicou aos problemas nordestinos, tornando-os conhecidos através de sua força poética. Chama-se CARLOS CAVALCANTI.É a ele que dedico o soneto que compus, faz bastante tempo.


A CHUVA
Rosalia Dinelli

A chuva que oferece melodias
em gotas cristalinas nos telhados
é a mesma que acalenta os chãos molhados
e traz inspiração às cotovias...

Na ausência prolongada, alma vazia.
Saudade do cantar cadenciado.
Nem mesmo um só pinguinho disfarçado
daquela abençoada fantasia...

Nos olhos tristes desses retirantes...
desilusões... a seca violenta!
O chão retrata essa expressão sedenta...
Galhos quebrados, secos, causticantes...

E OS SERTANEJOS... PÁSSAROS SEM ASAS...
ABANDONAM, CHORANDO.. A TERRA EM BRASAS!
 

 

               

 

Rosalia Dinelli
Recife - Brasil

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NASCEU JESUS O VERBO AMOR
Rosalina Herai  


Era apenas mais uma rotina
Numa aldeia pequenina
Em luz diferente estava o mundo
Os olhos no encanto das estrelas

Naquele céu viajava
E em seu coração tão puro orava
Pelo bem de todos que gostava
Num sorriso aos céus agradava

Olhos de menina moça brilhantes
Aos olhos tudo era curiosidade e impactante
Viu então um anjo entrando
Como se as paredes fossem transparentes

Se o céu tem perfume tudo ali estava
Canções divinas no ar
As palavras repentinas
A elevou sobre todas as mulheres
O ventre escolhido para o Salvador filho de Deus

Mundo em conflitos que não olhava
Noiva já então prometida
Com José se casava
Elevada nos ouvidos de José por um anjo
Maria a mãe do Salvador

Correndo então notícias
Por reis magos no reino
A promessa de um rei que nasceria
Em reino eterno sempre existiria

Com medo de perder seu trono
Outro rei tão pobre não sabia se-lo
Apavorou-se em em meio à riquezas
Que tão pobre o fazia

Luz então no céu
O vento nem soprava
Todos paravam para ouvir
O canto divino na madrugada

Nasceu o pequenino
Em humilde manjedoura
Sugando o leite de sua mãe
Que o olhava com amor

O casal ajoelhado em oração
Agradecia aos céus
Por dar seu filho ao mundo esperanças
Amor e união
 

Rosalina Herai - Brasil
em Lida - Japão
http://somenteporamor-vida.blogspot.com.br/
http://greenworldblue.blogspot.com.br/

 

 

 
 

 

JOIA PRECIOSA
Rosimeire Leal da Motta Piredda 


O rei possuía uma riqueza infinita,
contudo, para ele, apenas uma das suas jóias
era a mais preciosa de todas!
Não a guardava em cofres, nem a escondia:
compartilhava com todos!
Certo dia, porém, o monarca perdeu seu adorno preferido!
Vasculharam todo o reino e nada!
A falsidade guerreou contra ele.
O coração do rei se fechou para os traidores.
Era uma jóia insubstituível!
Não era o diamante, nem o rubi.
Era a CONFIANÇA!
Virtude dourada
que possui maior cotação no mercado do que o ouro.
É frágil como o cristal,
e uma vez perdida, dificilmente é recuperada!



A NATUREZA
Rosimeire Leal da Motta Piredda

Viajando pelas cidades do interior,
encontrei nas laterais do percurso,
um quadro com moldura de ouro!
Tinha uma extensão que o olhar alcançava num lance.
Formas naturais, lugares campestres.
Foram trabalhados com arte.
Paisagem de beleza harmoniosa!
Cenário matizado: verde, marrom, azul, diversas cores,
graduadas em vários tons.
Montanhas, árvores, ladeiras, lagos,
flores, pássaros, bois, patos...
Impressionante painel a beira da estrada!
Sol: caixilho saliente que adorna este panorama.
Galeria artística original: a natureza!
Exímio no desempenho de seu ofício.
Talentoso!
Deus: artista inigualável!
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rosimeire Leal da Motta Piredda
Vila Velha – Espirito Santo – Brasil
http://www.rosimeiremotta.com.br/
https://www.facebook.com/profile.php?id=100011114436011

Sou, por formação, Professora, Técnica em Contabilidade e Secretária Aposentada. Portadora De Deficiência Auditiva, faço leitura labial.
LIVROS PUBLICADOS:
1.º Livro – Voz da Alma – 11 Crônicas – 04 Contos – 37 Poesias – Editora CBJE- 2005
2.º Livro – Eu Poético – 01 Crônica – 05 Contos – 54 Poesias– Editora CBJE - 2007
3.º Livro – O Cair da Tarde - 01 Crônica – 32 Poesias– Editora CBJE - 2012