Abril de 2017

Ano VII - Número XLVl

 

 

Célia de Paula

 
 

TIRANIA HUMANA
Célia de Paula

Quanta lamúria causa a perversidade humana
Em ver o sangue d'um cristão derramado,
Pobres almas cruéis e desumanas,
Nem mesmo à forca apagará tanto pecado!

Tanta maldade sobre a terra se proclama,
O mundo em campo de guerra transformado,
A humanidade num só coro, a Deus clama
Que faça do homem um ser domesticado!

O futuro de todos é incerto e atormenta
A incerteza de ver a vida prolongar,
E fé no criador é a única fonte que alimenta.

Assustado vive o cidadão a cada dia,
Sem saber se ao sair vai retornar.
Pois á terra chegou á satânica tirania.

Célia de Paula
Rio Branco - Acre - Brasil


Acadêmica da APA (Academia de Poetas Acreanos)

 
 

 

Chico Bento

 
 

VOCÊ SERÁ MINHA, UM DIA
Chico Bento

1

Eu conheci você na missa
Me disseram que era viuva
Ai que mulher bela e roliça
Me faz lembrar um bago de uva

Como há muito, estou sozinho
E um amor tenho procurado
Pensei que o seu lugarzinho
Podia ser, bem a meu lado ... refrão

2

Há dias vi você na rua
Olhou para mim, quase tropeça
Em meus braços imaginei-a nua
Ai ai , esta minha cabeça

Passo a vida assim a cantar
Como é bela esta viuvinha
E cantando lhe vou perguntar
Se ela um dia, quer ser só minha .. refrão

Refrão

Você é viuva e sozinha
Você pode ser minha
Se você não é casada
Pois você é a mulher
Que meu coração quer
Sem você não sou nada.

Chico Bento - Portugal
em Dällikon - Suiça

 

 

Christina Hernandes

 
 

ROSEIRAL
Por Christina Hernandes


Não sei se existiu um tempo onde mulheres e roseiras passavam desapercebidas, fica como indagação para quem puder pesquisar, porque demandaria muitas laudas para esta narrativa.
Vamos falar dos imensos jardins de roseiras cultivados por muitos ao longo da vida e ao longo das cidades. Assim como as mulheres as rosas começam suas vidas de um simples e sem graça botão, na medida em que os dias vão passando este botão vai ganhando corpo, se abrindo silencioso para a vida, através de suas pétalas, exalando seu perfume quase que nos a sufocar, enfeitiçando nossos olhos com sua beleza e nos marcando com seus espinhos.
Enganam-se quem pensa que elas,as mulheres e as rosas, são sempre e todas iguais. Cada cultivo, cada cuidado as tornam únicas nos ensinando a difícil tarefa de saber diferenciar uma da outra e aceitar o que vemos a nossa frente.
Somos atraídos sem resistência, quase pouca, para sua teia de sedução sem nos darmos conta; quando abrimos os olhos estamos completamente entregues, presos ao seu capricho.
Mesmo que os anos passem, geração a geração, quando elas renascem são outras, com novos perfumes, novas pétalas, novas configurações, novos espinhos mas continuam rosas, continuam mulheres.
Não as subestimem, esta aparência de fragilidade, beleza, passividade, de quem não quer nada e ingenuidade pode mudar em segundos quando contrariadas, ofendidas e atacadas. Nesse momento vamos saber a razão dos espinhos.
Os botões lentamente e graciosamente vão se abrindo dia a dia, se transformando em lindas rosas, cada uma com sua cor já definida, seu perfume, sua graciosidade transformando o roseiral em espetáculo de grande beleza, assim como as mulheres, de bebes se transformam em charmosas meninas que irão alegrar, renovar e preencher as nossas vidas.
As roseiras vão seguir seu ciclo de vida sabendo exatamente a que vieram, cumprindo seu papel, sua rosa participando das nossas grandes comemorações, alegres e tristes enfeitando nossa vida e trazendo a harmonia necessária para ser feliz.
Os botões se transformam emjovens rosas com pétalas vistosas, denunciando sua presença através do seu perfume, depois se transformam em rosas maduras que tem a certeza de sua sobrevivência em razão de estarem protegidas pelo roseiral e não serem auto-suficiente.
Maduras, radiantes e formosas, após cumprir seu ciclo de vida, começam a perder a textura nas pétalas, o perfume, a firmeza no caule, iniciando a despedida de uma vida gloriosa.
Assim como as meninas se tornam em lindas adolescentes quase independentes, quase sabedoras a que vieram muitas irreverentes, rebeldes,inteligentes, iniciando com resistência o seu processo de aprendizado para a vida, isto porque se julgam auto- suficientes, lamentável não aprendemos com as rosas a saber viver intensamente os ciclos tirando todo o proveito para sua formação com menos sofrimento, aproveitando as escolhas para desenhar seu caminho.
Começam, a saber, a que vieram, muitas das vezes, quando entram na vida adulta e se transformam em Mulheres,se dando conta de sua fragilidade, da necessidade de estar junto e ter maturidade para enfrentar tantos papeis que deverá representar para conquistar seu espaço.
Os obstáculos irão surgir, deverá ter sabedoria para mudar a direção podendo ou não alcançar as metas que traçou, desviando quando necessário do caminho original sem jamais perder o foco de chegar ao lugar onde visualizou.
Maduras, radiantes e formosas, após todas as suas conquistas, derrotas, certezas, incertezas, amores, desamores, filhos ou não, cumprindo seu ciclo de vida, começam a perder a textura da pele, desenvolvem em alguns casos insegurança em estar sozinha, o corpo perde a firmeza vai se envergado com o peso da idade e de tantas outras provações que a vida lhe impôs, assim fragilizadas inicia a despedida de uma vida gloriosa.
Mulheres e rosas buquês eternos retirados de cada roseiral que fora definido pela vida.

Christina Hernandes
São José dos Campos - Brasil

 

 

Cida Vieira

 
 

O POETA E O INFERNO
Cida Vieira

O poeta desceu ao inferno...
Suas poesias arderam
no fogo louco das paixões
Sua alma consumiu-se
nas labaredas do desejo
Seu coração dilacerou-se
nas volúpias da carne
Perdeu-se completamente
no breu desenfreado das cinzas

Depois de muito vagar
pelos seus versos em chagas
Decidiu se redimir pelo desvario
de entregar-se à paixões sem rédeas
Voltou ao lenitivo das delicadas palavras
onde encontrou finalmente a luz
Agarrou-se ao fio tênue das letras
Que vieram feito anjos para levá-lo
ao arco-íris angelical da paz amorosa
Renasceu o poeta no livro do céu!

Cida Vieira
São Paulo - Brasil


Cida Vieira - nascida em São Paulo/Capital, neta de portugueses. Sou libriana, nascida em 13/10. Desde muito cedo apaixonada pela escrita e amante da poesia.Sou uma pessoa em constante transformação, reconstrução, aprendizagem. Tenho fome de vida, de afeto, de amizade e justiça! Caminharei sempre com fé, amor, esperança e poesia, pois acredito num mundo de Paz e Liberdade para todos!

 

 

Clara Lúcia Leite de Araújo

 
 

COMO SÃO TOMÉ, SÓ VENDO PARA CRER
Por Clara Lúcia Leite de Araújo

 
Era bem de madruga quando fui acordada por vozes alteradas bem embaixo à minha janela.
Quem poderia ser àquela hora, pois depois que consultei o relógio de cabeceira, ainda o ponteiro pequeno não chegara às quatro horas?
Meio preocupada, afastei uma pontinha da cortina e sorrateiramente espichei os olhos para ver quem eram os autores daquele meu despertar fora de hora.
(Ninguém passa na minha rua de antes das quatro... Não há botecos na minha rua... Festas nem acontecem aqui... Vizinho doente, teriam chamado... Casal brigando. Poderia ser...)
Haja imaginação para justificar a minha curiosidade!
Bem no jardim da minha casa existia uma bananeira bem diferente das demais: é que ela dava dois cachos, três cachos e chegou a dar quatro cachos.
- Eu não disse para você que eu não estava doida! – gritava a mulher, vestida de camisolão, toda desgrenhada. - Você não acreditou em mim quando lhe contei o que vi hoje de tarde. Nem me deixou dormir e quis vir aqui para ver para crer. E agora, acredita em mim, que nunca abriu a boca para falar mentira?
E o homem de pijamão, com as calças quase caindo, mal conseguia esconder o espanto e a vergonha de ter saído de casa de madrugada e ainda por cima, para passar aquele vexame.
- Olha mulher, acreditar eu acredito, porque estou vendo, mas pode deixar que quando o dia clarear eu volto aqui para confirmar. Se a dona da casa puder me arranjar uma mudinha da bananeira, eu até vou comprar. É para plantar lá na frente do nosso barraco. Quero ver quanta gente vai ficar com inveja de nós.
Aquilo me deu uma raiva danada. Desci as escadas correndo, peguei um balde com água, voltei mais depressa que pude , dei um banho de água fria nos dois.
O susto que eles levaram, aqui eu nem posso contar. Saíram rogando pragas e a mulher enxotando o marido com um pau que achara na rua.
Mais do que depressa, acordei meu marido, pois já estava quase na hora dele levantar para trabalhar e contei-lhe o ocorrido.
Contei-lhe o ocorrido e tomamos uma decisão: arrancamos o pé bananeira que estava com quatro cachos ( Já estava na hora de cortar) , ajeitamos o terreno e colocamos um ramos para enganar.
O dia todo fiquei vigiando para ver se o curioso voltava.
Bem de tardinha apareceu o casal. A mulher, com ar desconfiado, procurava pelo pé de banana e nada. O homem, curioso e já triunfante, tirava o chapéu e a barba coçava.
Por fim, o caso acabou, depois de muitas visitas à porta de minha casa e o ultimato do homem, levando a mulher para casa:
-Mulher, você ficou doida mesma. E em você não acredito mais. Só vendo para crer.
Eu continuo com minha bananeira, mas agora no fundo do quintal. Cansei de ser acordada, lá pelas madrugas, não por um, mas por muitos curiosos barulhentos, incrédulos que, como São Tomé, eram homens de pouca fé.
(Clara Lúcia Leite de Araújo - Timóteo -MG- Brasil)

Clara Lúcia Leite de Araújo
Timóteo-MG-Brasil


Formação em Letras, (Português-Inglês- Faculdade UNEC, Caratinga-MG- BR)- Pós-graduação – Língua Portuguesa- Participação na AVSPE-Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (Balneário Camburiú- SC- BR), Publicação de poesias em Antologias Poéticas do CLESI –Clube dos Escritores de Ipatinga MG- BR- 3º lugar no 1°Festival de Poesias de Conservatória –RJ-BR -Participação-Edição Especial “ Mulheres pela Paz” 2016 e Antologia Logos.