Abril de 2017

Ano VII - Número XLVl

 

 

Eliamar Cavallero

 
 

OS CINCO SENTIDOS... POR FOZ DO IGUAÇU
(Iguaçu: Água Grande)
Eliamar Cavallero

No olhar, a sedução das águas que se exibem sem constrangimento.
Despem-se da cortina de bruma e invadem a retina.
Inundam meu ser; afogam-me em encantamento.

Sons, ora estrondosos, ora tácitos, permeiam meus ouvidos,
Ecoam força e grandeza de águas que batem em rochas firmes.
Inibem e envolvem minh'alma com inigualáveis ruídos.

Cheiro de pedra molhada e de mato respingado.
Aroma silvestre que penetra minhas narinas.
Refrescante ar das Cataratas faz tal momento sagrado.

Na boca, gosto de água doce, espumante.
Sabor de momento envolvente, quase sem fim.
A natureza, em movimento, mostra-se radiante!

Gotículas tocam minha pele quente, suada.
Suavizam o calor da minha tez.
Como lágrimas, expressam minha emoção incontrolada.

Eliamar Cavallero
Uberlândia - MG - Brasil
Facebook: Eliamar Cavallero de Moraes Coelho


Professora de Inglês. Trabalhou na University of Florida e residiu nos EUA de 1990 a 1997. Graduada em Economia Doméstica/UFV. Antologista. Poetisa. Poemas publicados em Antologias: Mulheres pela Paz (http://www.carmovasconcelos-fenix.org/), 2017. CNNP 2016 (Vivara Editora Nacional) e Poesias Encantadas X - Antologia Poética Definitiva, 2016 (Editora Becalete). Três poemas publicados na coluna Escreve aí, Jornal Correio de Uberlândia, 2016 (http://www.correiodeuberlandia.com.br/blogs/escreve-ai/). Agente Literária e autora da Sinopse de Poemar (PoloBooks, 2015), de Marco Pasquini. Participante do Sarau Gotas Poéticas (Assis Editora), em Uberlândia, MG.

 
 

 

Eline Santos

 
 

SEQUIOSA DE FATO
Eline Santos

Vem,
Vem comigo, tristeza
E vamos andar
Entre flocos de nuvens.
Quem sabe, encontre
Nem que seja na lembrança,
Teu corpo cansado
E que eu possa
Dar lenitivo para tuas dores...
Navegaremos no pôr do sol
Que agora finda,
E entre nuvens coloridas
Alcançaremos o anoitecer
Que se aproxima.
Teremos então,
A visão sublime das estrelas anoitecidas,
Que chegam agora,
Dando aos nossos olhos
Outra visão balsâmica,
Ao meu coração,
Que precisa tanto de alento
Nessa procura,
Onde aos borbulhões de lembranças,
Chega à minha retina,
O ultimo aceno de quem partiu...
Vem, tristeza comigo,
Deixa que minhas lágrimas,
Possam cair dos meus olhos para os teus
E juntos,
Possamos celebrar nossa saudade
E possamos também caminhar,
Como se fosse uma eternidade única
De nossa saudade.
Vem,
Vem tristeza comigo
Caminhar entre nuvens,
Vem!

Eline Pereira dos Santos
Salvador - BA - Brasil
http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=167589


Escritora,professora,natural de Ilhéus(viveu em Itabuna) reside hoje em Salvador BA.Em sua trajetória artística,alem de escrever poemas desde a adolescência, conhecida por muitos como, Kojima Kyo tendo algumas de suas obras,publicadas em jornais e revistas na cidade de Itabuna (SSA-BA),também fez canto Orfeônico(Cantores de Orfeu),com a professora,Zélia Lessa.

 

 

Elio Moreira

 
 

“Coisas” de um Gaúcho”
O GAÚCHO VAI AO BANCO
Por Elio Moreira,
IWA

Em Torres amanheceu uma belíssima manhã de segunda-feira,
eu estava sentado no pátio da vivenda tomando o chimarrão e de repente
me veio ao pensamento que no bolso eu não tinha nenhuma moeda furada
e para passar o dia estou precisando colocar um dinheirinho no bolso, visto
que isto anima o vivente e alimenta a auto-estima e já foi comprovado, um
gaúcho de bolso liso não sabe nem caminhar direito, eu não queria perder
a manhã, mas vou ter que ir ao banco.
E assim foi depois do café me emperiquitei todo e me dirigi ao Banrisul,
Banco do Estado do Rio Grande do Sul que em sua nascença tinha um único
objetivo,ser estruturado para servir aos interesses do povo rio-grandense, “não é mais”
e hoje serve para atender interesses do governo ou para patrocinar times de futebol.

Mas eu tenho por lá uma continha com uns 10 reais que foi depositado
mais ou menos há um ano e sete meses, mas como a minha intenção era de colocar
no bolso apenas cinco, achava que poderia sacá-lo tranquilamente, achava! E por achar
sai de casa justo no horário certo que se abrem as portas para atendimento ao público.
Eu sempre encontrei algumas dificuldades para lidar com aqueles botões dos caixas eletrônicos
e para não ser tachado de boca aberta, sempre que vou ao banco me dirijo diretamente aos caixas.
Mas que coisa, quando chequei já havia umas duzentas pessoas ansiosamente na espera,
todos sentados em confortáveis cadeiras, existe uma lei exigindo dos bancos que a espera
não deve ser de mais do que 15 minutos, mas os banqueiros para ela nunca deram bola
e sentados em fofas cadeiras, de esperar uma hora quem se importa?

Recebi uma senha de um atendente, que estava sentado ao lado daquele
tirador dos papeizinhos com os números e segui garboso para dentro do banco tentando
entrar pela porta giratória, que era vigiada por dois robustos guardas fortemente armados.

Aqui faço uma observação, eu não sei na realidade para que servem
estes tais guardas armados em bancos, pois qualquer um, homem ou mulher,
que o queira assaltar entram por estas portas sem esforço e levam todo o dinheiro
dos caixas “e como gostam de assaltar o Banrisul”! Mas se tentar entrar uma velhinha
com noventa anos, que mal pode caminhar, com uma bolsa pendurada no braço e que tenha
alguma fivela metálica bem amostra e os guardas sabem que todas as bolsas são assim, a porta
tranca e os tais guardas fazem um escarcéu, arma carregada atravessada no peito não a deixam
entrar exigem que a senhora tire tudo de dentro da inofensiva bolsa, isto quando não pedem para
que tirem também a roupa, agora ao acontecer que alguém queira praticar um assalto nem pensam
em reagir, isto que estão ali justo para evitarem os roubos, em vez de ao menos tentarem, se borram todos,
de imediato levantam os braços entregam as armas e o banco com facilidade é assaltado.

Mas com as pessoas de bem é diferente, eles até sabem ao olhar que a pessoa se distingue
do malfeitor, mas talvez para mostrar serviço ou para aparecerem, dificultam o máximo
Isto acontece com outros e com as senhoras idosas, ora se não ia acontecer comigo, e olhem
que eu sou mais do que conhecido, empurro a porta e Pimba, trancou que chequei a bater com
o pobre do narigão naquele vidro grosso, o guarda a olhar sério, até acho que por isto já estava
esperando, me olhou como se eu fosse o pior dos malfeitores e ameaçou por aquela janelinha
ao lado da porta, tire tudo o que tem nos bolsos se quiser entrar.

Como eu disse, eu tinha me emperiquitado todo, final não era todo dia
que ia ao banco sacar gloriosos cinco pilas e por isto mesmo coloquei o traje
de gala do gaúcho, sendo assim que estava com a minha melhor bombacha
e o cinturão de fivela larga, bem amarelinho para imitar o ouro, e quando ouvi
a ordem para tudo tirar, tentei argumentar: - eu sou de paz e a porta sempre trava
por causa da fivela do cinturão, mas nunca houve maiores problemas que me evitasse
entrar. Estes guardas se revezam e quase sempre não são os mesmos e estes, penso eu,
tentando justificar seus salários, não quiseram saber de ouvir minhas argumentações,
- é a norma, tem que tirar, tire o cinturão e passe por aqui, em seguida ao passar pela
porta o senhor o coloca de novo na cintura.Tirar o cinturão!... Há não, o gaúcho se alvorota,
faz cara de macho e olha tão feio para o guarda que ele chega mesmo a segurar sua arma e dar
um passo para atrás. - Olha aqui vivente, estás me dizendo que eu tenho que tirar meu cinturão
e ficar com as bombachas soltas, arriscando a cair e eu passar uma vergonha na frente destes que
estão esperando acabar logo com este destrancamento e o pior, além da friagem que sentirei nas
pernas ainda vou ficar com os pertences do lado de fora, com as partes delicadas balançando
a deus dará, nada disso, como eu já te falei eu sou conhecido portanto me chame aqui o gerente
que eu quero falar com ele.

Esta foi uma luz enviada pelos anjos, pois o gerente era de fato meu amigo particular,
visitávamo-nos frequentemente para churrascos ou para saborear um robalo assado
na brasa. - Aqui não se chama gerente, é obrigação de todos seguir as normas do banco.
- Há é, pois eu vou te dizer quais são as minhas normas, ala puxa foi eu dizer isto e todos
se afastaram arrastando os pés e fazendo um barulhão, os guarda prepararam as armas
decerto pensando que eu tivesse algum revolver escondido no bolso da larga bombacha.
Com o barulho da agitação, murmúrio do pessoal que pediam meio assustados, sai da frente,
chega para lá, eu não tenho nada com isto, quero sair daqui, depois eu volto, neste meio tempo
alguém de dentro do banco já tinha avisado o gerente do que estava se passando, ele veio meio
esbaforido e quando me viu, sorriu e disse: - eu calculei quando o pessoal me disse que não
queriam deixar entrar um gaúcho todo aprumado, passou o braço pelo meus ombros dizendo
para os guardas, quando este aqui chegar, podem deixar entrar sem susto, este é dos bons!

Entramos e ficamos um pouco a conversar até que ele lembrou, eu tenho que trabalhar,
vamos ao que interessa, te levo ao caixa e já te libero rapidinho. - Nada disso, tenho aqui
comigo uma numero de senha e em teu local de trabalho não quero nenhuma regalia, ele
sabia de minha seriedade sobre isto, apenas falou, está bem, então sente ali e fique tranquilo,
até mais ver. Puxei para cima o pano da bombacha e com gosto me larguei em uma cadeira de
cor preta e ali de perna cruzada, olhando para todos os lados fiquei a esperar, logo me arrependi
de não ter aceitado sua ajuda, o banco estava cheio e com os guardas naquela embromação já
passava das onze horas, me lembrei que tinha comigo uma senha e conferi o numero, droga me
deram o número 467, não era possível vou-me embora, mas pensei melhor depois desta estripulia
toda não teria cabimento eu me mandar, além do mais eu preciso um dinheirinho no bolso colocar,
corre o relógio e aquela demora começou a me afetar os nervos, ríspido eu olhava os caixas,
só tinha dois atendendo e a cada cliente que despachavam saiam a conversar um pouco ou
paravam para tomar um cafezinho, eu ali sentado a esperar, e lá se foi a manhã toda, o estomago
já roncava quando finalmente chegou a minha vez. Eu já havia deixado de olhar as horas, me
levantei depressa, papelzinho enrolado na mão, como diz um ditado campeiro, mais amassado
do que camisa de peão quando sai do buxo da vaca! Nem o cumprimentei dei o número de minha
conta e disse o que queria, mexendo em um computador o caixa pegou a me olhar sacudindo a
cabeça, não vai dar para sacar o senhor só tem 10 reais em sua conta e isto é o mínimo dos mínimos que nela pode ficar, se sacar agora estes cincos reais vamos ter que encerrar, depois será preciso
deixar passar um bom tempo para outra conta abrir. - Mas o dinheiro é meu, eu posso pegá-lo
quando e quanto quiser. Não neste caso, pois este mínimo é só para que a conta não seja encerrada
é como se nada tivesse nela, por que a deixou zerar, ninguém deixa chegar a este ponto crítico?
- Olha aqui, eu planto e colho e ainda crio uns boizinhos e umas vaquinhas de leite, trabalho de
sol a sol, pareço um burrote de carga, e quer saber de uma coisa, eu sou forte que nem boi de ganga

e não é minha pretensão me fazer de bezerro desmamado para andar com choramingos,
mas tudo está muito caro, o dinheiro custa a entrar e as instituição governamentais não
auxiliam quem levanta cedo para trabalhar, fazem bem o contrário sempre especulam
para de nós alguns cobres tirar. Nada adiantou o caixa não se apiedou, ainda tentei debater
sobre mais umas coisinhas, como juros exorbitantes e a falta de objetivos para aqueles que na
verdade são a mola mestre da nação, sem planos para uma agricultura mais saudável, para os
sofríveis pecuaristas que perdem um terço de seu gado no campo e para os produtores de leite
que vivem em miseráveis arrojos, pois o pouco preço pago não os sustentam e quem ganha com
o suor de seu trabalho são as ricas firmas multinacionais.

Desperdício de tempo e de falação, pois não houve jeito e os cinco pilas não pude sacar,
como estava broqueado de fome resolvi voltar para casa, olhei o relógio, uma e meia da
tarde, sai tropicando pelas calçadas, enfiando o bico da bota em tudo quanto era saliência
que encontrava a minha frente, pois como é sabido por todos um gaúcho quando anda de
bolso liso se encolhe dentro das bombachas, murcha as orelhas e não sabe direito caminhar.

Mas pensando bem, não vou dar bola para isto e como aconselham aqueles
políticos corruptos, em dobro vou trabalhar, quem sabe assim, “claro se eles deixarem”
possa dobrar estes cinco pilas, e se conseguir em meu bolso colocá-los, então sim vou poder
estufar o peito erguer a cabeça e sair pelas ruas garbosamente a passear.

Elio Moreira
Torres - RS – OPB - Brasil


Elio Bittencourt Moreira - 176 Livros Publicados, Cônsul Internacional do Movimento União Cultural, Secretário Geral da OPB – Ordem dos Poetas do Brasil.Membro da IWA – Internacional Writers And Artistsassociation - USA

 

 

Eliza Gregio

 
 

VOO DOS PÁSSAROS
Eliza Gregio

Voa passarinho rumo ao por do sol.
Vá para longe buscar seu destino,
Viver seus sonhos em tristes cantos.
Sua prisão é sentida na melodia ...

Aproveita esta mão abençoada
Que tirou suas amarras e o libertou!
Ele sentiu solidão e olhou para você ...
também sentiu a sua dor.

Ah! Se todos olhassem o mundo ao seu redor
Não existiria tantos pássaros aprisionados,
o amor do homem seria um ato consumado
gritando alto: - viva a liberdade de todos os pássaros!

Penas coloridas formando um grande arco Iris.
Os beija-flores pairam em pleno voo como um ventilador.
Os homens aprenderiam muito com este pássaro
que para voar nem precisa sair do lugar..

Eliza Gregio
S João da Boa Vista - Brasil


Eliza Augusta Gouveia Gregio nasceu em Umuarama – Paraná. Em 2010 mudou-se para São João da Boa Vista em busca de paz e inspiração para escrever seus poemas. A pintura é sua arte e a poesia é sua alma.
Seus trabalhos podem ser vistos nos sites "Recanto das Letras", Poetas Del Mundo , Sonetos.com.br?..Atualmente participa de vários blogs na internet onde posta seus trabalhos, tem seu livro solo em varias biblioteca publicas e escolas publicas, onde ela mesmo os presenteou com carinho, incentivo a literatura.
Lançou seu livro solo no ano de 2009 “Sentimentos da alma.” e em 2011 lançou seu segundo livro Poesias em Cristal pela Editora Schoba.

 

 

Eloah Westphalen Naschenweng

 
 

ESCOLHAS
Por Eloah Westphalen Naschenweng


Impulso ousado,
Desfaço caminhos andados e evoco as múltiplas escolhas que balizaram a ambiguidade da jornada.
Enxergo as verdades desejáveis, as inseguras e todas as desvairadas utopias.
Neste esforço prendo a distancia seduzida pela teia espessa e afetiva de mistérios, desafios, amarras e solidão, e somo a paixão, o amor, o afeto, o calor e a proteção.
São tantas as exigências!
A arte de que é feita a vida reflete e releva a fragilidade dos sentimentos e a fortaleza que se esconde e oculta às armaduras que protegem o coração.
Nem tudo fez sentido, mas sempre foi vivo atuante e pano de fundo neste caudal de tempo poderoso.
Não há nada que desfaça o caminho percorrido.
Acima das verdades e das escolhas, acaricio a energia que me afaga, para salvaguardar a voz do coração, onde não cabem medos, erros nem arrependimentos - só a esperança que faz sua, esta morada.

Eloah Westphalen Naschenweng
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
http://www.alemdosfragmentos24x7.blogspot.com.br


Presidente do Grupo de Poetas Livres, de Florianópolis
Eloah Westphalen Naschenweng, natural de Jaraguá do Sul , Santa Catarina-Brasil Professora, graduada em Tecnologia em Automação de Serviços Executivos. Funcionária Pública Estadual da Secretaria da Casa Civil, aposentada.
Artista Plástica faz parte do Indicador Catarinense de Artes Plásticas e como escritora e poeta é Presidente do Grupo de Poetas Livres e Neo Acadêmica da Academia de Letras e Artes de Goiás e membro da LITERARTE /Associação Internacional de Escritores e Artistas, membro do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa e embaixadora da Divine Academie Française des Arts Letres e Culture.Tem 4 livros solos publicados e participou de 15 Antologias.Colabora com jornais, revistas , sites e blogs de poesia.